quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Indulgências Plenárias da Confraria do Rosário.

Indulgências Plenárias da Confraria do Rosário.

1) Purificação (02 de fevereiro).

2) Anunciação (25 de março).

3) Páscoa.

4) Assunção (15 de agosto).

5) Nossa Senhora do Rosário (07 de outubro).

6) Imaculada Conceição (08 de dezembro).

7) Natal (25 de dezembro).

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A ação do diabo deixa 3 pistas, segundo o Bispo Fulton Sheen.

3 pistas para reconhecer a ação do diabo (Servo de Deus, Fulton Sheen)


 1. Amor pela nudez – Isto é claramente manifestado em vários níveis. Primeiro existe a tendência generalizada de vestir-se imodestamente. Já discutimos a modéstia aqui antes e devemos notar que modéstia vem da palavra “modo”, referindo-se ao meio ou a moderação. Por isso, se por um lado procuramos evitar noções opressivamente puritanas sobre o vestuário que impõem fardos pesados (especialmente sobre as mulheres) e que veem o corpo como algo mau, por outro também devemos criticar muitas das formas modernas de se vestir no outro extremo. Estes “estilos” revelam mais do que razoavel e geralmente deveriam, com a pretensão de chamar atenção a aspectos do corpo que são privados e reservados para a união sexual no casamento. Muitos em nossa cultura não veem problema em desfilar vários níveis de nudez, vestindo peças que possuem a intenção de descobrir e chamar atenção em vez de esconder as áreas privadas do corpo. Este amor pela exibição e provocação é seguramente um aspecto do próprio amor do Mal pela nudez. E ele tem espalhado esta obsessão a muitas pessoas no moderno ocidente.

Pornografia – como não há nada de novo neste mundo caído, seguramente alcançou proporções epidêmicas por meio da internet. Qualquer psicoterapeuta, conselheiro ou sacerdote te dirá que o vício da pornografia é um enorme problema entre as pessoas de hoje. Sites pornográficos superam outras categorias dez vezes mais. Milhões de americanos estão consumindo enormes quantidade de pornografia e a “indústria” está crescendo exponencialmente. O que uma vez foi escondido nas livrarias, hoje está à distância de um clique na internet. E a ideia de que os hábitos de navegação podem ser facilmente descobertos pouco importa aos viciados na última das formas de escravidão. Muitos estão sobre uma encosta ingrime a ponto de caírem em formas mais degradantes de pornografia. Muitos acabam em sites ilegais  e antes mesmo de saberem o que aconteceu, deparam-se com o FBI batendo em suas portas. O amor de satanás pela nudez possuiu muitos!
A cultura  global de sexualização também amarra ao amor satânico pela nudez. Nós sexualizamos a mulher para vender produtos. Nós sexualizamos até mesmo as crianças. Nossas novelas tagarelam excessivamente sobre sexo de um modo muito adolescente e imaturo.  Nós somos, coletivamente, tolos e imaturos a respeito do sexo e a nossa cultura vibra como adolescentes fogosos obcecados por algo que eles não compreendem. Sim, o amor satânico pela nudez e tudo o que vem com ela.
2Violência - nós já discutimos antes como nós, coletivamente, transformamos a violência numa forma de entretenimento. Nossos filmes de aventura e video games transformam retaliação violenta numa prazerosa forma de entretenimento e a morte numa “solução”. Os últimos papas têm nos alertado sobre a cultura da morte, na qual a morte é cada vez mais proposta como solução para os problemas. Na nossa cultura a violência começa no ventre, onde os inocentes são atacados. Chamam isto de “direito” e “escolha”.
A violência e a adoção da morte continuam movimentando-se pela cultura por meio da contracepção, atividades violentas de gangues, recursos fáceis para a guerra e pena capital. O século passado talvez tenha sido o mais sangrento já conhecido no planeta e incontáveis pessoas, na casa dos milhões, morreram durante as duas guerras. Além disso, vale lembrar das centenas de conflitos e guerras regionais, terríveis campanhas em favor da fome na Ucrânia, China e outros lugares, genocídios na Europa Central, na África e no sudeste da ásia. Paul Johnson, em seu livro Modern Times, estima que cerca de 100.000.000 morreram em guerras e de maneiras violentas nos últimos 50 anos do século XX. E a cada morte, satanás faz sua “dança intrometida”. Satanás ama a violência. Ele ama tacar fogo e ver-nos culpando uns aos outros enquanto queimamos.
3- Divisão – Satanás ama dividir. Dom Fulton Sheen diz que a palavra “diabólico” vem de duas palavras gregas “dia+Bolós”, significando separar, dividir. Tendo como base meus próprios estudos de grego, por mais parcos que sejam, diria que os resultados da tradução não seriam os mesmos do bispo. “Dia” significa “através” ou “entre” e bolós “atirar ou arremessar”. Ainda assim, o bom bispo era um homem estudioso e eu peço a vocês, estudantes de grego, que me compreendam e defendam Dom Sheen.
Ainda assim, é claro que o diabo quer nos dividir. Dentro da nossa própria psiquê e entre e os outros. Certamente ele se regozija a cada divisão que provoca. Ele “atira coisas entre nós” (dia+bolós)! Eis o propósito diabólico. E portanto, vemos nossas famílias divididas, a Igreja dividida, nossa cultura e país divididos. Agora nós estamos divididos ao nível máximo: racial, religioso, político e econômico. Nós dividimos nossa idade, raça, região, Estados azuis e vermelhos, liturgia, música, linguagem e demais pormenores sem fim.
Nossas famílias são rachadas, nossos casamentos são rachados. Os divórcios são exaltados e compromissos de quaisquer tipos são rejeitados e considerados impossíveis. A Igreja está rachada e dividida em facções, assim como o Estado, todos os níveis que compõem os conselhos escolares. Ainda assim, mesmo que concordemos com o essencial, verifica-se que até mesmo quando uma verdade é compartilhada somos chamados de intolerantes.
E dentro também,  nós lutamos com muitos ímpetos divisivos e formas de esquizofrenia figurativa e literal. Somos puxados para o que é bom, verdadeiro e belo e ainda o que inferior, falso e mau também nos atrai. Sabemos o que é belo, o que é bom, mas desejamos o que é mau. Procuramos amor, mas cedemos ao ódio e à vingança. Admiramos o inocente, mas frequentemente nos alegramos em destruí-lo ou pelo menos em substituir isto pelo cinismo.
E assim satanás dança sua “dança intrometida”.
Três características do diabólico: amor pela nudez, violência e divisão. O que você acha? O príncipe deste mundo está cumprindo com seus compromissos? Mais importante ainda: estamos sendo coniventes? O primeiro passo para vencer os compromissos do inimigo é conhecer seus movimentos, nomeá-los e repreendê-los em Nome de Jesus.
Fonte:

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Tratado do Purgatório.

Tratado do Purgatório de Santa Catarina de Genova


Alguns trechos essenciais do "Tratado do Purgatório"

Via com os olhos da alma e compreendia a condição dos fiéis no Purgatório, eram ali para purificar-se antes de serem apresentados diante de Deus, no Paraíso.

A ferrugem do pecado é o impedimento e o fogo vai consumindo a ferrugem e assim a alma com o passar do tempo vai descobrindo o divino influxo...

Assim a ferrugem (isto é, o pecado) é a cobertura das almas e no Purgatório se vai consumindo pelo fogo e quanto mais consome, mais se corresponde ao verdadeiro sol, Deus. Porém cresce a alegria enquanto diminui a ferrugem e se descobre a alma ao divino raio. E assim um cresce e o outro diminui, até que seja terminado o tempo.

A pena existe, mas somente o tempo de estar nessa pena. E quanto à vontade, não posso dizer que aquelas sejam penas, porque são contentes pela ordem dada por Deus, com a qual é unida a vontade deles na pura caridade.

Têm uma pena tão extrema que não se encontra língua que possa narrar, nem intelecto que possa entender uma mínima cintila, se Deus não lhe mostrasse por graça especial.

Nasce neles um extremo fogo, parecido com aquele do inferno, exceto a culpa, a qual è aquela que faz a vontade maligna aos danados do Inferno, aos quais Deus não corresponde a sua bondade e por isso restam naquela desesperada, maligna vontade contra a vontade de Deus.

Oh! Quanto é perigoso o pecado feito com malicia: porque o homem difficilmente se arrepende e não arrependendo-se, sempre está na culpa, a qual persevera quanto o homem está na vontade do pecado cometido ou a ser cometido!

De quanta importância seja o Purgatório, nem a língua o pode exprimir, nem mente entender, somente que vejo tantas penas como no Inferno e vejo a alma a qual em si sente uma mínima mancha de imperfeição, recebê-lo por misericórdia (como se disse), não fazendo em um certo modo estima, em comparação daquela mancha que impede o seu amor.

Quando a alma, por interior vista, vê-se aproximada a Deus com tanto amoroso fogo, aí por aquele calor do amor do seu doce Senhor e Deus, que sente rebombar na sua mente, tudo se liquefaz.

Vendo a luz divina e como Deus não cessa de aproximá-la dEle e amorosamente a conduz à interar sua perfeição, com tanta cura e contínua provisão e que o faz somente por puro amor.

Vejo ainda proceder daquele divino amor à alma certos raios e lampos, tão penetrantes e fortes, que parecem que devem abater não somente o corpo, mas ainda a alma se fosse possível.

Esses raios fazem duas operações: com a primeira purificam; com a segunda, abatem.

Saiba que aquilo que o homem pensa que em si é perfeição, perante Deus, é defeito: portanto tudo aquilo que tem aparência de perfeição, como as vê, as escuta, as entende, as quer, ou seja, tem uma memória, sem o reconhecimento de Deus, tudo se contamina e se suja.

E’ verdade que o amor de Deus, o qual é abundante na alma (segundo aquilo que vejo) dá uma alegria tão grande, que não se pode exprimir, mas essa alegria às almas que estão no Purgatorio, não cancela nem uma cintila de pena deles.

Isto é, aquele amor é que faz a pena deles e quanto maior a pena quanto maior a perfeição do amor o qual Deus lhes dá.

Me vem vontade de gritar, um grito forte, que amedrontasse todos os homens que estão na face da terra e dizer: Oh míseros, porque vos deixais corromper por este mundo, que não vos dá nada e que na hora da vossa morte, o que vos concederá?

Todos estão cobertos pela esperança da misericórdia de Deus, a qual dizeis ser tão grande, mas não vedes que tanta bondade de Deus vos será em juízo, por ter feito contra a vontade de um tão bom Senhor?

Não ter confiança dizendo: Eu me confessarei e depois terei a Indulgência Plenária e serei naquele ponto purgado de todos os meus pecados e assim serei salvo.


Pensa que a confissão e contrição a qual precisa para essa Indulgência Plenária é muito dificil de conseguir, que se tu o soubesses, tremerias de tanto medo e serias mais certo de não tê-la que de poder conseguir.

Fonte:Católicos Tradicionais

O segredo do Rosário

Visão do purgatório (S. Catarina de Gênova).

Visão do purgatório de Santa Catarina de Gênova


A voz de Jesus se faz sentir no íntimo da minha alma com extrema clareza:

Quero que se ore por estas santas almas do Purgatório, porque o meu Coração divino arde de amor por elas. Desejo vivamente a liberação delas, para uni-las totalmente a mim.

E as penas por quanto terríveis possam ser, são sempre incomparavelmente leves em comparaçao à ofensa infinita que constitui o pecado.

O Purgatório é como uma prisão de luz e de fogo, constituído da Misericórdia divina: a alma deve purgar-se da pena do seu pecado para poder entrar na beatitude eterna.


Visão do Grande purgatório:
Vi com os olhos da alma um fogo que causava horror sem limite nem forma, que queimava sem nunca variar, em um silencio absoluto... Vi neste fogo milhões de pobres almas estreitas uma contra as outras, mas sem que pudessem se comunicar, senão aquele mesmo fogo.

Este grande Purgatório é como o inferno, tirando-se a eternidade das penas e o ódio perante Deus e das outras almas, e a desesperação.

Se não me engano, vi que elas neste estado eram mais purificadas que consoladas, mais queimadas que iluminadas: é um estado terrível.

Visão do Médio Purgatório:
Vi, com os olhos da alma, um mar de fogo abrir-se na minha frente. Ele fazia rumor, imensas chamas claríssimas se reproduzem e se desfazem incessantemente.

E aqui, milhões de almas estendem as mãos, submersas no fogo e nas chamas que se levantam com um força impetuosa.

É como um movimento da alma, um início de caminho através do Céu, mas sem o mínimo desejo pessoal; é como um lançar interior que a leva ou a empurra à Deus. Veem certamente purificadas, através de muito sofrimento, mas também iluminadas, assim as consola e permite a elas de glorificar Deus não somente abandonando-se ao seu Puro Querer, mas assumindo uma quase iniciativa de agradecimento.

Frequentemente, depois do juízo particular, a alma vai no Grande Purgatório; ela fica como tonta e sem forças, porque para ela é a descoberta do pecado, da sua gravidade, dos seus efeitos, das suas implicações.

Neste período a alma é como se fosse paralisada: imóvel, ela contempla seja a justiça de Deus que se exercita nela, seja a Misericórdia de Deus que valeu a faze-la salva.

Depois ela se coloca em movimento em direção a Deus, que a atrai, que a transporta através do seu amor infinito; é aqui que ela passa no Médio Purgatório.

No Médio Purgatorio, a alma se afronta com o Amor, mas contempla este Amor infinito que a atrai. No Médio Purgatorio, a alma sai de si mesma e descobre tudo aquilo que significa a sua participação à Igreja.


Visão da Entrada do Céu:
É como o alto do Purgatório, um mundo de luz ardente e de paz. É o sofrimento do amor levado ao seu paroxismo, um padecimento de amor, o júbilo total, mais suave, unido ao sofrimento pior, o mais devastador.

É o reino do puro amor e do nu sofrimento; as almas seguem através da Jerusalém celeste, se apresentam na frente do Rei.


Elas ficam mais ou menos um longo tempo, mas nunca como no Grande e Médio Purgatório, porque a intensidade dos langores de amor da Entrada constitui uma rápida e ulterior purificação.

Escutei as almas cantarem: Me liberais da morte. Conservais os meus pés do tombo, para que eu caminhe à tua presença na luz dos viventes, oh Deus.


Texto do Tratado sobre o Purgatório, Santa Catarina de Gênova
Créditos: Católicos Tradicionais

Para salvar almas do purgatório.

A promessa de Nosso Senhor de salvar mil almas do purgatório todos os dias

Nosso Senhor prometeu à Santa Gertrudes que salvaria MIL almas do purgatório todos os dias, por cada pessoa que rezar com fervor esta Oração:

"Eterno Pai, ofereço-Vos o Preciosíssimo Sangue do Vosso Divino Filho Jesus, em união com todas as Missas que hoje são celebradas em todo o mundo, por todas as Santas Almas do Purgatório, pelos pecadores em todos os lugares, pelos pecadores na Igreja Católica, pelos pecadores em todas as outras igrejas, pelos de minha casa e meus vizinhos. Amém!"

* Obviamente, esta oração deve ser feita em um profundo estado de contrição para que possa ser realizada a promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Créditos: Católicos Tradicionais

Carta a um devoto do Coração Imaculado de Maria - Santo Antônio Maria Claret

Carta a um devoto do Coração Imaculado de Maria - Santo Antônio Maria Claret


Estimado senhor: acabo de receber sua estimadíssima carta, com que me pede que diga alguma coisa para crescer cada dia mais e mais na devoção do Imaculado Coração de Maria. Querido amigo, não podia pedir-me coisa melhor, do que mais gosto. Eu gostaria que todos os cristãos tivessem fome e sede desta devoção. Ame, amigo meu, ame e ame muitíssimo a Maria (1).

E para que possa aumentar em pontos a sua devoção e satisfazer seus desejos, lhe direi que devemos amar Maria Santíssima: primeiro, porque Deus o quer. Em segundo lugar, porque ela o merece. E em terceiro, porque nós precisamos, por ser ela um poderosíssimo meio para obter todas as graças corporais e espirituais e finalmente, a salvação eterna (2).


1. Deus o quer 

Devemos amar Maria Santíssima porque Deus o quer. Amar é querer bem ao amado, é fazer-lhe bem, é fazer-lhe participante de seus bens (3), pois o mesmo Deus nos dá exemplo e nos excita a amar Maria. O eterno Pai a escolheu por Filha sua muito amada; o Filho eterno a tomou por Mãe e o Espírito Santo, por Esposa; toda a Santíssima Trindade a coroou como Rainha e Imperatriz dos céus e terra e a constituiu dispensadora de todas as graças (4).

Você deve saber, amigo meu, que Maria Santíssima é obra de Deus e é a mais perfeita que saiu de suas mãos depois da humanidade de Jesus Cristo; nela brilham de um modo particular (5) a onipotência, a sabedoria e a bondade do mesmo Deus.

É próprio de Deus dar as graças necessárias a cada criatura, segundo a finalidade a que a destina (6) e como Deus destinou Maria para ser a mãe, filha e esposa do mesmo Deus e mãe do homem, daqui se imagina que tipo de coração lhe daria e com que graças a adornaria (7).


2. Ela o merece 

Devemos amar Maria Santíssima porque ela o merece. Maria Santíssima o merece pelo acúmulo de graças que recebeu sobre a terra, pela eminência da glória que possui no céu, pela dignidade quase infinita da Mãe de Deus a que tem sido sublimada e pelas prerrogativas próprias desta sublime dignidade.

Maria foi como o centro de todas as graças e belezas que Deus tinha distribuído aos anjos, aos santos e a todas as criaturas (8). Maria tinha que ser Rainha e Senhora dos anjos e dos santos e, por isto mesmo, devia ter mais graças que todos eles, já no primeiro instante do seu ser. Maria tinha de ser a Mãe do mesmo Deus. É um princípio de filosofia que entre a forma e as disposições da matéria deve existir certa proporção (9); a dignidade de Mãe de Deus é aqui como a forma e o coração de Maria é a matéria que deve receber esta forma. Oh! Que acúmulo de graças, virtudes e outras disposições se agrupam naquele santíssimo e puríssimo coração!

Desde que Deus determinou fazer-se homem, fixou a vista em Maria Santíssima e desde então dispôs todos os preparativos necessários, a fez nascer dos patriarcas, profetas, sacerdotes e reis (10), e todas as graças destes reuniu em Maria e quis que Maria fosse a nata e a flor de todos eles. Ainda, a preparou com bênçãos de doçura e colocou sobre sua cabeça uma coroa de pedras preciosas (11), isto é, graças e belezas; mas muito mais enriqueceu seu coração.

No Coração de Maria devem ser consideradas duas coisas: o coração material e o coração formal, que é o amor e vontade (12).

O coração material de Maria é o órgão, sentido ou instrumento do amor e vontade (13); assim como pelos olhos vemos, pelos ouvidos ouvimos, pelo nariz cheiramos e pela boca falamos, assim pelo coração amamos e queremos (14).

Dizem os teólogos que as relíquias dos santos merecem veneração e culto: 1º porque foram membros vivos de Jesus Cristo. 2º porque foram templos do Espírito Santo. 3º porque foram órgãos da virtude. 4º porque serão instrumentos da graça e de milagres. 5º porque eles serão glorificados depois da ressurreição (15).

O coração de Maria reúne estas propriedades e muitas outras: 1º O coração de Maria não só foi membro vivo de Jesus Cristo pela fé e pela caridade, mas também origem, manancial de onde se tomou a humanidade (16). 2º O coração de Maria foi templo do Espírito Santo e mais que templo, pois do preciosíssimo sangue saído deste imaculado (17) coração o Espírito Santo formou a humanidade santíssima nas puríssimas e virginais entranhas de Maria no grande mistério da encarnação (18). 3º O coração de Maria foi o órgão de todas as virtudes em grau heróico e singularmente na caridade para com Deus e para com os homens (19). 4º O coração de Maria é um coração vivo, animado e sublimado no mais alto da glória. 5º O coração de Maria é o trono de onde se dispensam todas as graças e misericórdias.

Maria é verdadeiramente Mãe de Deus. Do mesmo modo como uma mulher, que deu à luz um homem, é chamada e é mãe daquele homem, assim também Maria Santíssima é e se chama, com toda propriedade, Mãe de Deus, porque o concebeu e o deu à luz; a mulher que deu à luz o homem se chama e é mãe daquele homem, que é um composto de alma e corpo e embora a alma venha somente de Deus, assim também Maria Santíssima é Mãe de Deus, porque este divino composto de pessoa divina, alma racional e corpo natural é o termo da geração nas puríssimas e virginais entranhas de Maria (20). Esta dignidade de Mãe de Deus é a que mais a enaltece, porque é uma dignidade quase infinita, porque é mãe de um ser infinito (21); é mais de quanto possui em graça e em glória. Os Doutores e Santos Padres dizem que pelos frutos se conhece a árvore, segundo consta no Evangelho; pois, que diremos de Maria, que deu à luz aquele bendito Fruto que tanto elogiou Isabel (22) quando disse: “Bendito o fruto do teu ventre! De onde me vem tanta honra, que a mãe do meu Senhor venha a mim?” (23).

Diz Santo Tomás que o fogo não pega na lenha até que esta tenha os mesmos graus de calor que aquele (24); pois bem, se para que do sangue do coração de Maria se formasse a humanidade à qual se devia juntar a divindade era preciso que tivesse uma disposição quase divina, que diremos agora de Maria se, além de ser considerada Mãe de Deus, juntamos as demais graças que depois recebeu de Jesus? (25). Jesus por onde passava fazei o bem a todos (26), mais ou menos segundo a disposição com que os encontrava; que pensaremos das graças e benefícios que dispensaria a Maria, em quem passou não rapidamente, mas que esteve em suas entranhas por nove meses e a seu lado por trinta e três anos, e achando-se sempre com as melhores disposições e preparação para receber os benefícios de Jesus? A estas graças devem juntar-se também as que recebeu do Espírito Santo no dia de Pentecostes e, além disso, devem ser acrescentadas as que ela conseguiu com o exercício de tantas e tão heróicas virtudes em todo o decurso da sua santíssima e longa vida, acompanhada daquela contínua e fervorosa meditação (27) em que, segundo o profeta, se acende a chama do divino amor (28). Ao considerar São Boaventura a graça de Maria, exclama dizendo: “A graça de Maria é uma graça imensa, múltipla”: Gratia Mariae, gratia est immensissima, gratia multiplicissima *29.

Não só devem ser consideradas as graças que Maria obteve para ser e por ter sido Mãe de Deus e as graças que recebeu de Jesus Cristo, do Espírito Santo e ela conseguiu com sua cooperação, mas também é indispensável fixar a atenção na multidão de incomparáveis prerrogativas que tão grande dignidade lhe tem dirigido. Faremos referência a algumas:

1ª De ter sido preservada do pecado original, ao qual estaria sujeita se não tivesse sido destinada para ser Mãe do mesmo Deus; para isto, Deus a dotou de um coração imaculado, puríssimo, castíssimo, humilíssimo, mansíssimo, santíssimo, pois do sangue saído deste coração formou o corpo do Deus feito homem.

2ª De ter concebido e dado à luz no tempo aquele mesmo Filho de Deus que o eterno Pai havia gerado na eternidade (30). Não duvide, diz São Boaventura, o eterno Pai e a Virgem sagrada tiveram um mesmo e único filho (31).

3ª Assim como o eterno Pai teve este divino Filho sem perder nada da sua divindade, assim também a santíssima Virgem Maria concebeu e deu à luz este mesmíssimo Filho sem o menor detrimento da sua santíssima virgindade.

4ª De ter tido um legítimo poder para mandar no Senhor absoluto de todas as criaturas, pois este é um direito que a natureza dá a todas as mães; direito ao qual quis sujeitar-se com gosto, pois disse que tinha vindo não para derrogar a lei, mas para cumpri-la com mais perfeição que os demais homens (32); e o evangelista São Lucas nos dá testemunho de como obedecia a sua Mãe e a São José: Et erat subditus eis (33). Mas este direito é uma honra a Maria Santíssima, que São Bernardo diz que não sabe o que é mais digno de admiração, se Jesus obedecer a Maria ou Maria mandar em Jesus; porque, diz o Santo, que Deus obedeça a uma mulher é uma humildade única e que uma mulher mande em um Deus é uma elevação sem igual (34).

5ª Ter sido a esposa do Espírito Santo de uma maneira infinitamente mais nobre que outras virgens, pois, as outras somente merecem ser aliadas a este divino esposo quanto à alma, enquanto que Maria tem sido não só quanto à alma, mas também quanto ao corpo, embora da maneira mais casta. A aliança que existiu entre o Espírito Santo e as virgens castas só tem servido para a produção dos atos de virtudes, mas a aliança entre este divino Espírito e Maria Santíssima tem produzido de uma maneira inefável o Senhor das virtudes, Cristo Senhor Nosso.

6ª Tem sido como o termo, por assim dizer, e a coroação da Santíssima Trindade: Maria universum sanctae Trinitatis complementum (35), porque produziu o mais excelente fruto da sua fecundidade ad extra, como dizem os teólogos; quer dizer, produziu um Deus homem. Maria produziu um sujeito capaz de dar à Santíssima Trindade uma honra tal como a Santíssima Trindade merece; honra que todas as criaturas juntas, e mesmo estas se multiplicando muitíssimas vezes, não eram capazes de pagar como o faz o Filho de Maria, Deus e homem verdadeiro.

7ª Em ter sido feita Rainha e Senhora de todas as criaturas por ter concebido e dado à luz o Verbo divino, por quem foram feitas todas as coisas, como diz São João (36).


3. Eficácia desta devoção 

Devemos amar Maria e ser seus verdadeiros devotos porque a devoção a Maria Santíssima é um meio poderosíssimo para alcançar a salvação. É a razão pela qual Maria pode salvar seus verdadeiros devotos, porque quer e porque o faz (37). Maria pode, porque é a porta do céu; Maria quer, porque é a mãe de misericórdia (38); Maria o faz, porque ela é a que obtém a graça justificante aos pecadores, o fervor aos justos e a perseverança aos fervorosos (39); por isto, os Santos Padres a chamam de resgatadora dos cativos, o canal da graça e a dispensadora das misericórdias (40). Por isto se disse que o ser devoto de Maria é um sinal de predestinação, assim como é uma marca de reprovação o não ser devoto ou adversário de Maria (41).

A razão é muito clara. Ninguém pode salvar-se sem o auxílio da graça que vem de Jesus, como cabeça que é da Igreja ou corpo, e Maria é (42) como o pescoço que junta, por assim dizer, o corpo com a cabeça; e assim como o influxo da cabeça no corpo deve passar pelo pescoço, assim, pois, as graças de Jesus passam por Maria e se comunicam com o corpo ou com os devotos, que são seus membros vivos: In Christo fuit plenitudo gratiae sicut in capite fluente; in Maria sicut in collo transfundente (43).

Maria pelos Santos Padres é chamada escada do céu, porque por meio de Maria Deus desceu do céu e por meio de Maria os homens sobem ao céu (44). E quando a Igreja diz que esta Rainha incomparável á a porta do céu e a janela do paraíso (45), nos ensina com estas palavras que todos os eleitos, justos ou pecadores, entram na mansão da glória por seu intermédio; com esta única diferença, que os justos entram por ela como pela porta diretamente, mas os pecadores pela janela (46), que é Maria; pela escada, que é Maria (47). Portanto, amigo meu, em Maria, depois de Jesus, devemos colocar toda nossa confiança e esperança da nossa eterna salvação. Haec peccatorum scala, haec mea maxima fiducia est, haec tota ratio spei meae (48). Unica peccatorum advocata, portus tutissimus, naufragantium omnium salus (49). Peccatorem quantumlibet foetidum non horret... donec horrendo Judici miserum reconciliet (50).

Oh! Feliz é aquele que invoca Maria com confiança, pois alcançará o perdão dos seus pecados, por muitos e por graves que sejam; alcançará a graça e, finalmente, a glória do céu, que tanto desejo a você e a todos.


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NOTAS 

(*) O título completo é: Carta a um devoto do puríssimo e imaculado Coração de Maria. O original autografado se encontra em Mss. Claret, VIII, 521‑535. Deste original se fizeram as seguintes edições: Carta inédita do Beato Claret sobre o Coração de Maria: Boletim Secretariado Claretiano, janeiro-março 1940, n. 67‑69 pp. 2‑4; Carta inédita do Beato Pe. Claret sobre o Coração de Maria: Iris de Paz 56 (1942) 1157‑1158 49‑50 (assim a numeração do tomo); Carta a um devoto do imaculado Coração de Maria: Boletim interno da Prov. da Catalunha CMF, número extra, 67‑69, julho‑setembro 1949, pp. 47‑52; Carta a um devoto do puríssimo e imaculado Coração de Maria em Santo Antônio Maria Claret, Escritos autobiográficos e espirituais (BAC, Madrid 1959) pp. 766‑772; Lozano, J. M.,O Coração de Maria em Santo Antônio Maria Claret (Ed. Coculsa, Madrid 1963) pp. 223‑239; Gil, J. M., Epistolário de Santo Antônio Maria Claret (Ed. Coculsa, Madrid 1970) vol. 2 pp. 1497‑1506 (edição crítica); No centenário de Santo Antônio Maria Claret, apóstolo da devoção ao imaculado Coração de Maria; texto íntegro de uma carta de Santo Antônio Maria Claret sobre o amor que devemos a Maria Santíssima: Cruzado Espanhol 13 (1970) 167‑168.

* 1 Não sabemos quem fez esta petição ao Santo. Talvez uma das muitas pessoas dirigidas por Claret ou talvez um dos seus missionários. O certo é que o Santo aproveita a petição para escrever um breve tratado sobre a devoção ao Coração de Maria. “Você não podia pedir coisa melhor”, diz a seu destinatário. Aqui se vê uma vez mais, a in tensa devoção mariana do Padre Claret, que o acompanhou por toda a vida, desde a infância (cf Aut. n. 43‑55) até sua morte (cf Obsequio 1870 Claret, Escritos autobiográficos [BAC Madrid 1981] pp. 587‑588). Sobre sua devoção cordimariana cf Viñas, J. M., A devoção ao Coração de Maria segundo os ensinamentos do Beato Padre Claret: Bol. Prov. Catalunha CMF 11 (1949) 201‑225; Tisnés, R. M., Santo Antônio Maria Claret e Coração de Maria: Bol. Prov. Colômbia CMF 9 (1952) 44‑61.191‑203.255‑268; Ramos, C., Um apóstolo de Maria (Barcelona 1954) 368 págs.; Lozano, J. M., O Coração de Maria em Santo Antônio Maria Claret (Madrid 1963) 286 págs.; Leghisa, A., O Coração de Maria e a Congregação no momento atual (Roma 1978) 62 págs.

*2 Cf. Ducos, J.‑Ch., Le pasteur apostolique (Paris 1861) t. 1 p. 438. Claret toma a estrutura da carta deste autor e o segue de perto na redação de alguns parágrafos.

*3 Cf. Santo Tomás,Summa theol. 2‑2 q. 23 a. 1c.

*4 No original autografado, o Pe. Claret cancelou a frase seguinte: «A fim de que nós a amemos e a ela acudamos sempre» (Mss. Claret, VIII, 522). Este parágrafo, que fala das relações da Virgem com a Santíssima Trindade, tomou também de Ducos (o. c., p. 438). Já em outras ocasiões o Santo tinha indicado esta mesma doutrina (cf.Carta pastoral sobre a Imaculada [Santiago de Cuba 1855] pp. 3, 5 y 37; O colegial instruído [LR, Barcelona 1861] t. 2 p. 501).

*5 No original autografado “partar”.

*6 Cf Santo Tomás, Summa theol. 3 q. 27 a. 4c. Na segunda edição do opúsculo claretiano Tardes de verão na real Chácara de Santo Ildefonso chamado A Granja (LR, Barcelona 1865, p. 121) se lêem estas palavras: «É regra geral que, quando Deus escolhe uma criatura racional para uma dignidade singular ou para um estado sublime, lhe dá todos os carismas de graça que à dignidade ou estado de dita pessoa são necessários e convenientes a seu esplendor» (São Bernardino de Sena, Sermo 10 a. 2 c. 1: Opera [Venetiis 1591] t. 3 p. 118 col. 2). Citado por Santo Alfonso Maria de Ligorio, As glórias de Maria (Barcelona 1870) pp. 197‑198.

*7 Claret vê a filiação mariana, sobretudo, através do Coração de Maria, que encerra dois aspectos principais: um amoroso e outro militante. Maria é a Mãe do Amor Formoso (cf. Aut. n. 447; Religiosas em suas casas [Barcelona 1850] p. 147): “Mãe do Amor Formoso..., concedei a todos os justos este divino amor; vo-lo rogo pelo amor que Deus vos tem” (ib., p. 155). O Coração de Maria é “frágua e instrumento do amor” (Aut. n. 447) e representa toda a vida interior da Virgem Maria, sendo habitação e paraíso de Deus (cf. Religiosas em suas casas, ed. cit. p. 105), centro de suas recordações e meditações (cf. A colegial instruída [Madrid 1864] pp. 423‑424) e cópia exata do Coração de Jesus (Mss. Claret, VIII, 501: “O Coração de Maria é a cópia mais exata do Coração de Jesus”. Mas o Coração de Maria é, ainda, manancial de força apostólica. Assim o viu na Arquiconfraria do Coração de Maria por ter lido e por experiência própria. “Ontem, escreve a D. Caixal, no dia 2 de agosto de 1847, fundamos a Arquiconfraria do Coração de Maria. Agora vamos continuar a novena. Já fiz e dá fruto. Muita gente assistiu a função. São muitas as paróquias que a pedem” (EC, I, pp. 234). E poucos dias depois, no dia 12 de agosto, lhe diz: “Quisera que se fizesse correr pela terra e por toda a Espanha a novena ao Coração de Maria” (EC, I, p. 236). O mesmo adjetivo imaculado, com que designa sempre o Coração de Maria, indica o aspecto apostólico e militante desta devoção, como sucede ao falar da Imaculada. Tanto o aspecto amoroso como o militante os tem presentes, sobretudo, quando comenta o nome de Filhos do Imaculado Coração de Maria dado a seus missionários (cf. Aut. n. 492‑494; Viñas, J. M., art. cit., pp. 201‑225).

*8 Cf. Ducos, J.‑Ch., o. c., pp. 438‑439.

*9 Cf. Santo Tomás, Summa theol. 3 q. 27 a. 5.

*10 Cf. Claret, Tardes de verão, ed. cit., p. 173.

*11 Cf. Sal 20, 4.

*12 Cf. Gallifet, J. De l’excellence de la dévotion au Coeur adorable de Jésus‑Christ (Paris 1861) t. 1 p. 46ss; Mss. Claret, VIII, 502.

*13 Cf. Gallifet, J., o. c. pp. 264ss.

*14 Cf. Castiglione, L., Il Cuore di Maria aperto a tutti (Napoli 1850) p. 4, Mss. Claret, VIII, 502.

*15 «Se veneramos as relíquias dos santos, quanto mais o Coração de Maria! Que relíquia tão insigne!» (Mss. Claret, VIII, 503). Este mesmo argumento utilizavam São João Eudes e o P. Gallifet (o. c., p. 75).

*16 Devido ao influxo de Gallifet, o coração como órgão material ocupa aqui o primeiro plano, no entanto, Claret insiste quase sempre no coração espiritual e no que ele significa e representa.

*17 No original autografado, o Santo cancelou a palavra “puríssimo” e escreveu encima “imaculado”.

*18 Os escritores espirituais indicaram com freqüência as relações existentes entre o Coração de Maria e a encarnação do Verbo. M. Agreda fala das três gotas de sangue do Coração de Maria com as que as três pessoas da Trindade formaram o corpo do Senhor (cf. Mística cidade de Deus, LR [Barcelona 1860] t. 3 p. 239). A isto alude São João de Ávila em um sermão sobre a Assunção (cf. Obras completas, BAC [Madrid 1970] t. 3 p. 168). Caetano havia combatido esta teoria, chamando-a «erro novo nascido em nossos dias». O Padre Claret tinha feito alusão a esta opinião no Catecismo explicado (Barcelona 1849, p. 69). Em 1864, ao ser submetido o Catecismo único à censura de Roma, o censor pediu que se tirasse a menção das três gotas de sangue, fundando-se no comentário de Caetano a Santo Tomás (q. 31 a. 6). O Santo suprimiu o lugar citado pelo censor e achou dois argumentos que o convenceram: o ser contrário à Sagrada Escritura e à maternidade divina de Maria, marcando à margem ditas passagens (cf. Summa theologica cum Commentariis Thomae de Vio Cardinalis Caietani [Roma 1773] t. 7 p. 401. Ex libris). Desde então nas edições do Catecismo se suprimiu esta menção e o Santo corrigiu o texto desta carta, acrescentando as palavras “saída” e “nas entranhas de Maria”. Isto nos permite datara a Carta a um devoto do puríssimo e imaculado Coração de Maria, que foi redigida não muito antes de abril de 1864, data em que recebeu a censura romana do Catecismo (cf. Fernández, C., O Beato Antônio Maria Claret [Madrid 1946] t. 2 p. 547).

*19 Cf. Gallifet, J., o. c., p. 264ss.

*20 Cf. Claret, Tardes de verão, ed. cit., p. 123; Santo Tomás, Summa theol. 3 q. 35 a. 4c.

*21 Cf. Santo Tomás de Vilanova, Sermão 3 para a Natividade dede Nossa Senhora: Obras, BAC (Madrid 1952) p. 203. Afirmações parecidas se encontram em São Bernardino, São Boaventura e Suarez (cf. Santo Alfonso Maria de Ligorio, As glórias de Maria [Barcelona 1870] pp. 332‑334).

*22 No original autografado, cancela, “que exclamou Santa Isabel”.

*23 Lc 1, 42. Claret toma este parágrafo quase literalmente de Ducos, J.‑Ch., o. c., p. 440.

*24 Cf.Summa Theol. 3 q. 27 a. 5 ad 2. O exemplo de Santo Tomás se refere à preparação da Virgem Maria para a maternidade divina.

*25 Cf. Santo Tomás, ib.

*26 Cf. Atos 10, 38.

*27 Cf. Lc 2, 19: Maria... conservava todas estas coisas dentro de si, meditando-as em seu coração. Texto marcado com um traço marginal no exemplar do Novo Testamento de Torres Amat.

*28 Cf. Sal 39, 4. Frase freqüentemente citada por Claret ao falar da oração.

*29 O manuscrito autografado cita o Speculum c. 1. Se refere ao Speculum Beatae Mariae Virginis, atribuído hoje a Conrado de Saxônia (cf. Bibliotheca Franciscana Medii Aevi [Quaracchi 1904] t. 2 introd. p. 9.127).

*30 A doutrina sobre estas prerrogativas de Maria, de 2 a 7, as toma de Ducos, J.‑CH., o. c., pp. 441‑442.

*31 Cf. Speculum Beatae Mariae Virginis c. 6 p. 83. realmente, a frase citada por Conrado de Saxônia é de São Bernardo (Sermo 2 de Annuntiatione n. 2: PL 183, 391: Obras completas, BAC [Madrid 1953] t. l, p. 666).

*32 Cf. Mt 5, 17.

*33 Lc 2, 51: E lhes estava sujeito. Texto marcado no Novo Testamento de Torres Amat.

*34 Cf. Homil. 1 super “Missus est” n. 7ss: PL 183, 59ss: Obras completas, BAC, ed. cit., t. 1 p. 190.

*35 Hesíquio de Jerusalém, Homil. 2 de Beata Virgine:PG 93, 1461. Claret cita esta frase em seu livro Tardes de verão (ed. cit., p. 133). Leu em Ducos, J.‑Ch., o. c., p. 442, n. 2. O sentido da frase não é o que tradicionalmente lhe deram os autores espirituais. A palavra complementum, que responde à palavra grega pléroma, não significa no contexto de Hesíquio complemento, mas morada, habitação.

*36 Cf. Jo 1, 3.

*37 Cf. Ducos, J ‑Ch., o. c., p. 444.

*38 Cf. São Bernardo, Sermo 1 de Assumptione n. 1: Obras completas, BAC, ed. cit., t. 1 p. 703.

*39 Cf. Speculum Beatae Mariae Virginis, c. 6.

*40 Claret cancelou “graças” e escreveu encima “misericórdias”. Estas frases as toma também de Ducos, J.‑Ch., o. c., p. 42.

*41 Cf. ib., p. 443.

*42 “pescoço” apagado. Depois escreveu “como o pescoço”.

*43 O manuscrito autografado, copiando Ducos, cita São Jerônimo. Refere ao texto tradicional da Carta a Paula e Eustóquio sobre a Assunção (PL 30, 16ss), que hoje se atribui a Pascásio Radberto. Realmente, este autor não chama a Virgem Maria pescoço do Corpo místico. O primeiro que o disse foi Ubertino de Casale comentando as palavras do Pseudo‑Jerônimo (cf. Arbor vitae crucifixae); cf. São Pedro Damião, Sermo 46: PL 144,753; Santo Agustinho, Sermo 123 n. 2: PL 39,1991; De praedestinatione sanctorum 15 31: PL 44,982‑983; São Fulgêncio, Sermo 36: PL 65, 899. Também se acha esta idéia em Germano de Tournai, que afirma: «Collum inter caput et corpus medium est, caputque iungit corpori. Collum ergo sanctae Ecclesiae competenter Domina nostra intelligitur quae, inter Deum et homines Mediatrix existens, dum Dei Verbum incarnatum genuit, quasi caput corpori, Christum Ecclesiae, divinitatemque humanitati nostrae coniunxit» (Tractatus de Incarnatione Christi 8: PL 180, 30). Aparece também com nitidez em São Bernardino de Sena, que diz: «Sicut per collum spiritus vitales a capite diffunduntur per corpus: sic per virginem a capite Christo vitales gratiae in eius mysticum corpus, et specialius in amicos atque devotos, continue transfunduntur» (Sermo 5 de Nativ. B. M. V. c. 8).

*44 Cf. o hino Ave, maris stella... felix caeli porta; São Bernardo, In vigilia Nativit. Domini. sermo 3 n. 10 (PL 183, 100): «Nada quis Deus que não passasse pelas mãos de Maria» (Obras completas, BAC, ed. cit., t. 1 p. 247).

*45 São Pedro Damião, Sermo 46: PL 144, 753: «fenestra caeli, ianua paradisi..., scala caelestis», São Bernardo, In Nat. B. M. V. sermo de aquaeductu n. 7 (PL 183, 441): «scala peccatorum» (Obras completas, BAC, ed. cit., t. 1 p. 741).

*46 No original autografado escreveu: “escalando pela penitência”, frase que depois apagou.

*47 Cf. Ducos, J.‑Ch., o. c., p. 443. Recordemos que o Pe. Claret tinha escrito um opúsculo intitulado A escada de Jacó e porta do céu, ou, súplicas a Maria Santíssima (Barcelona 1846) 32 págs.

*48 São Bernardo, Sermo de nativitate de aquaeductu n. 7: Obras completas, BAC, ed. cit., t. 1 p. 741: «Esta é a escada dos pecadores, esta é minha maior confiança, esta é toda a ração da minha esperança».

*49 Santo Efrém, Sermo de laudibus Beatae Virginis: «Ela é a única advogada dos pecadores, porto muito seguro e salvação de todos os náufragos».

*50 «Não se horroriza com o pecador, embora esteja fedendo..., contanto que possa reconciliá-lo com o tremendo juiz» (São Bernardo,In deprecat. ad B. Virg.). Citado por Ducos, J.‑Ch., o. c., t. 1 p. 443 nt. 3).

NOTA: Este opúsculo claretiano foi publicado no volume: Santo Antônio Maria Claret, Escritos Espirituais (BAC, Madrid 1985) pp. 496‑506; e em: Santo Antônio Maria Claret, Escritos Marianos (Publicaciones Claretianas, Madrid 1989) pp. 382‑292.

Fonte: Claretianos

Confissões de um diabo a um exorcista.

CONFISSÕES DO DEMÔNIO A UM SACERDOTE - O batismo e a confissão são o pior para nós. Caso verídico de um exorcismo em que o demônio foi obrigado a falar

Estes trechos são parte de um sermão de três horas que o demônio fez através da pessoa de M.A.W., de Bondorf – Floresta Negra (Alemanha) no ano de 1910. O demônio repetiu muitas vezes, muitas vezes, três a quatro vezes, assim facilmente podia anotar tudo. Dezessete (17) pessoas assistiram esta cena e ficaram estarrecidas com estes acontecimentos e, com as assinaturas de todas, tudo foi examinado e aprovado. Isto prova o grande poder do espírito das trevas.

DEMÔNIO: - Eu tenho que falar, devo falar...

EXORCISTA: - Diga somente aquilo que Deus te ordenou a falar. Aquilo que Deus não ordenou a revelar não diga, sobre o resto cala-te! (Estas palavras o sacerdote repetiu muitas vezes).

DEMÔNIO: - Eu tenho que falar. Aquele lá de cima me ordenou que te contasse (tudo), como nós enganamos os homens, como seduzimos os homens deste tempo. Nós inspiramos os homens. Nós dizemos aos homens: “Não é assim como os velhos falam, como ensinaram e acreditaram. Bobagem, incrível – que bobagem, tudo bobagem! A verdadeira religião não é assim como os velhos dizem. Vocês precisam ouvir somente o que a razão diz.

O que a gente não pode compreender não precisa acreditar, não precisa acreditar, não precisa”. Quando falamos assim eles se afastam da verdadeira religião, afastam-se da revelação e fazem uma religião para si, uma religião deles. Ha, ha..., então é fácil incutir neles: “Deus não existe, Deus morreu, morreu, que Deus existe isto é crença de mulher velha.

E o que mais inspiramos aos homens: liberdade é tudo, tudo – juntar dinheiro, riquezas, prazeres, alegrias, gozar a vida aqui na terra”. “Liberdade! – fazer o que quero – Liberdade. Ha, haaaa...

E tenho que falar – a respeito da Grande Mulher (Mãe de Deus) – a respeito da veneração à Grande Mulher. Nós dizemos aos homens, inspiramos aos homens, Haaaa...: - O que adianta tudo isto? Ela não é essencial. Vocês precisam concentrar-se no essencial da religião. Ela não é essencial”.

Estes homens bobos não compreendem que com isso – deixando a Veneração à Grande Mulher – perdem justamente o essencial. Estes homens tolos não sabem como “Aquele lá de cima” – o Altíssimo – a ama. Ele a ama como a si mesmo. Sim, sim, uma única palavra que Ela fala ao Altíssimo já é atendida – tudo o que Ela diz se realiza – tudo – tudo o que Ela pede se realiza...

O TERÇO – é a oração mais forte e mais nobre. Uma única Ave-Maria tem poder, poder... Uma única Ave-Maria até o purgatório, o lugar do sofrimento... Quando um homem diz: Ave-Maria – a Grande Mulher se alegra, e como se alegra – e nós huuu levamos um susto, susto, susto! Mas nós trabalhamos e inspiramos e cochichamos nos ouvidos dos homens: - o Terço não adianta – é rotina – é costume, é tagarelice – vocês precisam rezar outras orações, outras, ouviram, outras... O Terço é um terror para o inferno.

Também o escapulário...

Nós dizemos aos homens: - O que adianta esses pãezinhos, pãezinhos (hóstias) – nós temos a tarefa de destruir tudo isto, tudo isto, é nossa obra, nossa, nossa...

Nós inspiramos aos homens dizendo: - Os dias de festas??? Ha, ha, dias de festa??? Estes dias de festa devem desaparecer! Sim, desaparecer... Ou mudar tudo – os dias de festa que não conseguimos destruir – apagar – devem tornar-se dias de abundância, dias de esbanjamento... Para nós é melhor que estes dias não existam.

Porque muitos iriam à Igreja – rezar – fazer adoração, fazer as cerimônias e assim iriam atrair sobre si a MISERICÓRDIA DE DEUS. Nós vamos atrás dos grandes, dos grandes, os pequenos vêm por si... Nós também dizemos que tudo é natural, natural, natural... Dizemos que o demônio não tem influência, ha, haa! – e eles acreditam tudo... Nós agora atacamos principalmente os sacerdotes e dizemos a eles: - “O demônio tem influência sobre as coisas materiais”. Mas os sacerdotes esqueceram o que ensinou a sua Santa Igreja. Não sabem mais quanto poder, quantas forças receberam na hora da ordenação e não conhecem mais que poder tem tudo, também as coisas bentas, eles não conhecem mais quanto poder elas tem, as coisas bentas por eles.

Eles deveriam reconhecer isto pelo efeito que tem tais coisas bentas, quando são usadas com humildade e piedade. Nós também inspiramos que o demônio está preso numa corrente, há, há, corrente – eles acham que não podemos fazer nada – vocês sabem como somos presos??? Presos nada – nós temos liberdade, nós podemos tentar os homens, perseguir os homens... Vocês sabem por que Aquele permitiu isto? Como poderia ser glorificado seu Nome se houvesse vitória, vitória sobre nós, vitória em seu Nome. Mas o Lúcifer – sim ele está preso no inferno – até o tempo em que surgir o anti-Cristo.

Na Igreja – durante o sermão nós fazemos assim: nós cuidamos que o padre pregue bossa-nova, um sermão moderno... Com os ouvintes nós fazemos assim, para os grandes dizemos: - “O que, você vai escutar o sermão??? Você já sabe tudo isto – tudo você já sabe, melhor do que o padre... Você sabe o que deve fazer... E não é bem assim como o pregador diz... Com o povo simples nós fazemos assim: Pois quando os homens escutam o sermão com humildade e quando estão preparados para entender tudo – isto seria para eles – para eles de grande vantagem – e para nós isto seria prejuízo... Você nem calcula quanto prejuízo é para nós um bom sermão... Huiiii – Eu tenho que falar – falar.

Quando os homens se reúnem para adorar “Aquele lá de cima” – então os anjos deles também se reúnem e se alegram – alegram, mas nós não podemos chegar perto – anjos, anjos... Mas quando os homens se reúnem por nós, em nosso nome, então nós nos alegramos quando criticam, criticam... nós nos alegramos, mas os anjos se afastam... Você deve saber que todo homem tem um anjo, sim um anjo... O anjo está sempre à direita, à esquerda nós, sempre ao lado... O anjo quer levar o homem ao caminho do bem, mas nós o tentamos, conquistamos... Quando nós conseguimos conquistar o homem, então o anjo sai, mas depois ele volta – ele faz tudo para levar o homem de volta ao bom caminho. Anjo, anjo... E quando o homem segue o bom caminho, aceita o conselho do anjo então o anjo nos manda embora e nós temos muito medo dele... Mas apesar disto nós não desistimos logo, nós rodeamos o homem e procuramos jogar as nossas redes sobre ele... Mas a Grande Mulher nos prejudica muito. Nós também fazemos nossa reunião, somos muito numerosos.

Você deve saber que também sabemos pensar como você e quem de nós tem a opinião melhor – esta aceitamos. Quando os homens fazem reunião e não rezam e não tem fé, então o lucro é sempre nosso. Mas quando começam a reunião com Deus, então a obra é de Deus.

O Batismo e a Confissão é o pior para nós. Antes do Batismo temos muito poder sobre as almas, mas no Batismo ela é arrancada de nossas mãos. Pior ainda é a Confissão, porque lá nós já não temos tudo em nossas mãos, em nossas garras e por uma boa confissão tudo é perdido, tudo é arrancado de nós... Mas nós inspiramos os homens dizendo: - O que? Você quer confessar? O que você quer dizer a um simples homem, homem como você? Ele é bem igual a você..... Ou nós inspiramos tanta vergonha, que já não é capaz de falar... Mas quando o homem vence a vergonha então está perdido para nós... Começa o horror para nós...

Quando o homem está na hora da morte, estamos presentes, sempre são muitos de nós que vem... Então mostramos a ele seus inumeráveis pecados, mostramos todo o tempo que perdeu em ninharias, falamos da justiça de Deus, da severidade d’Aquele lá de cima – fazemos de tudo para deixá-lo confuso e para que fique com medo, com horror... e ele não tem coragem de arrepender-se... e depois choramos e gritamos para que ele não ouça o que os outros dizem. Mas quando vem a Grande Mulher – num só instante devemos desaparecer. Ela vem e cuida do seu filho. O homem é aliviado e Ela toma a sua alma e a leva até o Céu. E no Céu tem muitas alegrias e festa... Quando levamos uma alma para o inferno, os diabos também fazem festa. No momento que a alma se separa do corpo ela é julgada. Vocês não sabem e não podem imaginar como é isso – nós o sabemos muito bem, mas para vocês isto é incompreensível... Tenho que falar, tenho que falar...

Tenho que contar do nosso caso. Foi a vaidade que nos levou a este estado, foi a vaidade que nos tirou lá do Céu... Huuuuu! Não existe nenhum homem nesta terra que já não foi atacado pela vaidade. Os homens são assim: quando fazem alguma coisa boa, querem que todos os homens o saibam e vejam... Eles não reconhecem que aquilo que fazem é Obra do Altíssimo. Tenho que falar, tenho que contar das alegrias do Céu para vocês. Huuuu! Para nós não há mais esperança! Eternamente sem esperança! A maior alegria do Céu é de contemplar a face de Deus. Escuta, escuta bem (diz, chegando perto do sacerdote), escuta o que digo: se pudesse só por um pouco de tempo contemplar esta face, aceitaria passar por todos os tormentos que existem (isso foi dito com tanta dor, que as palavras me penetraram pelo corpo e pela alma, estremeci, disse o sacerdote).

Tenho que falar, tenho que contar dos nossos tormentos. Os homens acham que é o fogo que nos atormenta. Sim, sim, é fogo, fogo, mas um fogo de vingança. Você sabe qual é o tormento maior no inferno? A ira do Altíssimo! Você não pode imaginar como Ele é terrível na ira, como nós o experimentamos e o temos continuamente em nossa frente, diante dos nossos olhos... Aiiii de nós! Também tenho que dizer como o pecado é horrível... Se vocês pudessem nos ver... Ai de nós. Podemos somente pecar, pecar – somos monstros – mas o pecado é mais horrível - é muito mais feio do que nós... Temos o poder de tentar todos os homens, fazê-los pecar, só a Grande Mulher não, Aquele lá de cima nos proibiu de tocá-la, mas aquele que d´Ela nasceu, nós tentamos, sim, nós tentamos, você sabe porque? Para vocês terem um exemplo, um modelo de como se luta contra nós. Haaaa... Não foram os judeus que o mataram, fomos nós, nós, nós.

Nós entramos nos judeus e conseguimos maltratá-lo, soltamos todas nossas fúrias, toda a nossa raiva, matamos Aquele. (O sacerdote ressalta: com estas palavras o demônio, através da pessoa, mostrou uma alegria, uma satisfação tão grande, tão feia que quem não viu não pode imaginar tal risada...). Você sabe que na hora da morte d´Aquele ainda ganhamos uma alma? O sacerdote respondeu: - A alma do bom ladrão você não ganhou. E o demônio: - Sabe por quê? Por causa d´Ela que estava aos pés da cruz. (Havia um motivo, mas o sacerdote não anotou e esqueceu).

Continua o demônio: - Com os jovens nós fazemos assim: cuidamos que um desperte o amor no outro. Eles acham que não há nada de mal... não sabem como se expõem ao perigo e como facilitam o nosso trabalho... Em geral cuidamos que o homem se torne preguiçoso e se afaste do bom caminho, até que por fim chegue a dizer: não quero rezar, não tenho vontade, não vou à Igreja, estou cansado demais... Não quero jejuar, sou muito fraco para viver uma vida assim.

Também cuidamos para que tudo agora seja provado pela ciência, para que tudo tenha fundamento científico. Isto também é nossa obra. Quando o homem levanta de manhã cedo e não inicia o dia com a oração e com a boa intenção, o dia é nosso. Se o homem começa o dia com a oração, está perdido para nós. Tenho que dizer também o que é assim – e assim (a pessoa imita o sinal da cruz) – é um horror para nós. Inspiramos os homens e dizemos: Que adianta tudo isso? Isto é água como a outra água, água qualquer (água benta); isto é pão como o outro pão (referindo-se à Hóstia) e sal, também não é o melhor (do sal bento para as cerimônias). Nós dizemos: é bobagem, tudo bobagem. Olha você (dirigindo-se ao sacerdote), a água apaga os pecados veniais, sim, os veniais... Ó se eu pudesse ganhar uma só gotinha, uma só gota, o que não faria!...? Agora teria arrependimento, mas é tarde, é tarde, não há mais esperança. Aiii de mim! Se vocês soubessem que grandiosidade é o sacrifício (Missa)!

O sacrifício que é feito pelo filho d’Aquele lá de cima, em nome d’Ele, vocês participariam bem diferente neste sacrifício que estão participando agora. É o sacrifício mais sublime, é o maior sacrifício. Oh, se eu pudesse participar num só sacrifício, se pudessem nos dar o valor de um só destes sacrifícios... Se vocês soubessem o que é para as vossas almas, o lucro, quando vocês meditam, contemplam o sofrimento e a morte d’Ele... Quem o contemplar, quem se abrigar em suas chagas, nunca mais... Por que vocês não contemplam mais a grande bondade do Altíssimo? Vocês cometem milhões de pecados, sim, vocês engolem os pecados como se fossem água. Mas quando fazeis penitência, então Ele perdoa e vos aceita novamente. Um tal... Vocês tem um tal... (A palavra foi mal pronunciada). Nós cometemos um só pecado, só um, e fomos condenados.

Vocês sabem por que os primeiros homens não foram condenados também? Porque não conheciam o céu, é por isso? Se vocês soubessem, se vocês soubessem, se pudessem ver quantos diabos os cercam... Vocês estariam perplexos... Se também agora sou obrigado a dizer tudo isso, então todos os outros meus companheiros, junto comigo, trabalharemos para destruir tudo o que revelamos a vocês. Esconderemos tudo, faremos com que vocês esqueçam de tudo e procuraremos vocês em toda a parte para confundir seus pensamentos, para tirá-los do bom caminho e lançá-los no abismo do inferno, do pecado.

Quando vocês se reúnem, nós também aparecemos em grande número e fazemos tudo para que a reunião não tenha efeito, para que seja monótona, para que não haja vida... Mas quando alguém diz “em nome d’Aquele que está no céu” e ainda faz assim, assim e assim (sinal da cruz) então devemos fugir, fugir no mesmo instante, podemos só olhar de longe, observar o que vocês fazem. Vejam, assim treme o inferno, quando vem uma ordem d’Aquele lá de cima. Devemos fugir (enquanto o demônio disse assim, produziu na pessoa um tremor que não se pode imitar e seu rosto cobriu-se com pelos. Era horrível de ver...). Depois ele disse: vocês podem ganhar a alma dos maiores, é só fazer assim e assim (sinal da cruz). Quando vocês têm muita fé, nós devemos nos afastar. Assim vocês poderiam ganhar muitas almas e para nós estaria tudo perdido.

Quando vocês todos fazem assim e assim, devemos nos calar. Por que você começou tudo isso? Por que você me pergunta? (Ao sacerdote) Eu sei, você não queria fazer isso, nós que judiamos bastante de você, não é? Mas é Aquele lá de cima que te inspirou e te ajuda. Oh! Vamos judiar muito de você, mas enquanto você conservar a fé, então vencerá.

Nesse momento o sacerdote disse ao demônio: - “Sim, em nome de Jesus devemos lutar”. O demônio respondeu: - “Sim, e você sabe como se pronuncia este nome? Olha aqui, deve-se pronunciar este nome assim (a pessoa ajoelhou-se no chão e disse), assim deve-se pronunciar este nome, pois sem devoção e respeito não se deve pronunciá-lo, não se deve desonrar o nome... Com isto o demônio calou e a pessoa voltou a si, recebendo de novo o domínio sobre os seus sentidos. O sacerdote quis dar uma explicação a outras pessoas que também estavam presentes, mas o demônio voltou e continuou a falar. Preciso ainda dizer alguma coisa... O Anjo assim ordenou.

Vocês devem se esforçar e viver sempre unidos, unidos, unidos, unidos, ouviram? U n i d o s ... Um deve viver pelo outro, um trabalhar pelo outro, devem comunicar-se mutuamente, falar das vossas experiências, ser família. Vocês devem ajudar-se mutuamente, um deve ajudar o outro, assim todo o inferno nada consegue com vocês, nada, nada, pois quando conquistamos um de vocês, vem o outro, manda-nos embora e se fosse somente um de vocês que se lembrasse de fazer assim, assim e assim então teríamos esperanças de vencê-los, mas onde mais de um, dois, três fazem (sinal da cruz), aí não podemos fazer nada... E se tivéssemos conquistado todos e houvesse um que fizesse assim (sinal da cruz), então este um nos mandaria embora...

Vocês terão muito que suportar, sofrer e lutar, mas enquanto estiverem unidos, vencerão. Vão lutando, vão lutando, vocês não sabem quanta vantagem e quanto lucro vocês têm... Eu tenho que falar, falar... Sim, vocês assim ganham muitas almas. Vocês não têm somente vantagem para a sua vida, mas também para a sua morte, pois na hora da morte nenhum de nós poderá se aproximar de vocês se continuarem a lutar e a sofrer assim.

Neste tempo haveis de conquistar muitos irmãos; sim, em pouco tempo sereis numerosos. Não serão os grandes que vos seguirão, mas somente os pequenos, assim como o mais alto início das coisas da fé com pequenos, impotentes, assim Ele levará toda a obra a um bom fim pelos pequenos. Nós ainda vamos preparar muitas armadilhas para vós, mas quando invocais a Grande Mulher, Ela há de interceder por vós.

Segurai também aquilo, aquilo, aqueles propósitos que fizeram a respeito dos santos Anjos. Então sereis vitoriosos. Vede o que o mais ‘ Alto’ faz por vocês. Ele ordena ao demônio dizer todas as verdades. Ele ordena o demônio a fazer-vos um sermão e ainda não o acreditais... Que coisa é essa, tenho que falar aquilo que me causa tanto prejuízo, tenho que revelar tudo contra a minha vontade. Ai de mim, ai de mim, não há mais esperanças para mim, nenhuma esperança, estamos todos perdidos.

Ninguém pode acreditar, assim relata o exorcista, como era horrível de ouvir tudo aquilo, de ver todo aquele desespero do demônio, aqueles traços horríveis, aquele rosto desfigurado da pessoa, e os gritos de angústia que ecoaram, as queixas e aflições depois da fúria e as batidas que me transpassaram na alma e no corpo, penetraram até a medula dos ossos.

INQUISIÇÃO PROTESTANTE: CRUELDADE, INJUSTIÇA E DESONESTIDADE.

. INQUISIÇÃO PROTESTANTE
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Autor: Fernando Nascimento
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Introdução
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O artigo que segue, revela em rica bibliografia, os números de mortos e requintes de crueldade dos incomparáveis tribunais eclesiásticos protestantes. E deixará claro que as levianas acusações protestantes contra a Igreja Católica, sorrateiramente mudaram o significado da palavra “inquisição”, que quer dizer apenas: “sindicância”, “investigação”, em sinônimo de “matança de pessoas”.

Ainda hoje, esse erro circula no meio protestante. Tal quimera caiu por terra, quando o renomado historiador Agostino Borromeo, após demorado estudo sobre a inquisição, concluiu que não chegaram a cem, o número de mortes, cometidas por católicos que em desobediência ao Papa, empregaram pena de morte contra os inquiridos.

Antes, abramos um parêntese, para de fato mostrarmos conforme os historiadores, que muita calúnia se lançou contra a Igreja Católica, no que concerne a falsa acusação de matança de “centenas”, “milhares” e até “milhões” de pessoas. Pura lenda, que na verdade não passava de mentira estratégica protestante, fomentada por anticatólicos como: Russel Hope Robbins, o apostata Doelling, Jules Baissac, Jean Français e Reinach.

O próprio Rui Barbosa quando principiante inexperiente, traduziu “O Papa e o Concílio” uma obra de um deles, do Doelling, e se arrependeu mais tarde, proibindo no prefácio a publicação da mesma, pelas calúnias apaixonadas. Dizia mais tarde Rui Barbosa, quando maduro e experiente: “Estudei todas as religiões do mundo e cheguei a seguinte conclusão: religião ou a Católica ou nenhuma.” (Livro Oriente, Carlos Mariano de M. Santos (1998-2004) artigo 5º).

Publicou a Agência européia de notícias Zenit: [CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 16 de junho de 2004 (ZENIT.org).

- [Atualmente, os pesquisadores têm os elementos necessários para fazer uma história da Inquisição sem cair em preconceitos negativos ou na apologética propagandista, afirma o coordenador do livro «Atas do Simpósio Internacional “A Inquisição”».

No volume, Agostino Borromeo, historiador, recolhe as palestras do congresso que reuniu ao final de outubro de 1998, no Vaticano, historiadores universalmente reconhecidos especializados nestes tribunais eclesiásticos.«Hoje em dia --afirmou essa terça-feira, em uma coletiva de imprensa de apresentação do livro, o professor da Universidade «La Sapienza» de Roma-- os historiadores já não utilizam o tema da Inquisição como instrumento para defender ou atacar a Igreja».

Diferentemente do que antes sucedia, acrescentou o presidente do Instituto Italiano de Estudos Ibéricos, «o debate se encaminhou para o ambiente histórico, com estatísticas sérias».O especialista constatou que, à «lenda negra» criada contra a Inquisição em países protestantes, opôs uma apologética católica propagandista que, em nenhum dos casos, ajudava a conseguir uma visão objetiva.

Isto se deve, entre outras coisas --indicou--, ao «grande passo adiante» dado pela abertura dos arquivos secretos da Congregação para a Doutrina da Fé (antigo Santo Ofício), ordenada por João Paulo II em 1998, onde se encontra uma base documental amplíssima.

Borromeu ilustrou alguns dos dados possibilitados pelas «Atas do Simpósio Internacional “A Inquisição”».

Revela o historiador sobre os processos e condenação referentes ao tribunal católico: “dos 125.000 processos de sua história, a Inquisição espanhola condenou à morte 59 «bruxas». Na Itália, acrescentou, foram 36 e em Portugal 4. Se somarmos estes dados --comentou o historiador-- não se chega nem sequer a cem casos...” A Inquisição na Espanha, afirmou o historiador, em referência ao tribunal mais conhecido, celebrou entre 1540 e 1700, 44.674 julgamentos. Os acusados condenados à morte foram 1,8% e, destes, 1,7% foi condenado em «contumácia», ou seja, pessoas de paradeiro desconhecido ou que em seu lugar se queimavam ou enforcavam bonecos].(1) Até aqui a notícia de ZENIT.org.

Outro historiador, o protestante, Henry Charles Léa, cita 47 bulas, nas quais a Santa Sé continuamente insiste na jurisprudência que deve se observar nos tribunais eclesiásticos católicos.

Alertam para não cair na violência e injustiças freqüentes dos juizes leigos. Basta folhear a monumental obra do próprio Léa, para convencer-se que na realidade as bruxas foram perseguidas e condenadas mais pelos detentores do poder civil e pelos protestantes do que pelo tribunal católico. (2)

Também o historiador Daniel Roups, é categórico nos seus registros: ”Foram numerosos os cânones dos concílios que, excomungando os hereges e proibindo os cristãos de lhes darem asilo, não admitiam que se utilizassem contra eles a pena de morte. Deviam bastar as penas espirituais ou, quando muito, as penas temporais moderadas”. (3)

João Paulo II enviou uma mensagem com motivo da apresentação das «Atas» do Simpósio Internacional sobre a Inquisição, na qual sublinha a necessidade de que a Igreja peça perdão pelos pecados cometidos por seus filhos através da história. Ao mesmo tempo, declarava, «antes de pedir perdão é necessário conhecer exatamente os fatos e reconhecer as carências ante as exigências cristãs». (Zenit).

Pelos filhos da Igreja Católica, que em desobediência cometeram alguns crimes, o Papa João Paulo II pediu perdão. Mas, quando o protestantismo cessará de deturpar, omitir e caluniar, reconhecendo finalmente os extermínios que cometeu e atribui maldosamente aos católicos? Fecha parêntese.

VEJAMOS ENTÃO, A VERDADE DOCUMENTAL, E A CRUELDADE SEM PRECEDENTES DOS TRIBUNAIS PROTESTANTES.

A quantidade de registros literários dos próprios protestantes é vasta, porém, estranhamente ocultada pelos livros escolares, pela imprensa e mídia em geral. Muitas vezes vemos o que é omitido pelo lado protestante sendo por esses veículos, atribuídos maldosamente à Igreja Católica.

O próprio Lutero nos legou o relato dessa prática, anos antes de lançar-se em revolta aberta, dizia:“(...) os hereges não são bem acolhidos se não pintam a Igreja como má, falsa e mentirosa. Só eles querem passar por bons: a Igreja há de figurar como ruim em tudo.” (Franca, Leonel, S.J. A Igreja, a reforma e a civilização, Ed. Agir, 1952, 6ª ed. Pág. 200).

Uma vez no protestantismo, já ensinava Lutero aos protestantes: "Que mal pode causar se um homem diz uma boa e grossa mentira por uma causa meritória e para o bem da igreja (luterana)." (Grisar, Hartmann, S.J., Martin Luther, His life & work, The Newman Press, 1960- pág 522).

Logo a mentira, a omissão e o falso testemunho se tornaram as colunas das doutrinas dos pseudos “reformadores” protestantes.

A crueldade foi especialmente severa na Alemanha protestante. As posições de Lutero, contra os anabatistas, causaram a morte de pelo menos 30.000 camponeses (4). Foram as palavras de Lutero:“Eu, Martinho Lutero, exterminei os camponeses revoltados, ordenei-lhes os suplícios, que o seu sangue recaia sobre mim, mas o faço subir até Deus, pois foi ele quem me mandou falar e agir como agi e falei”.

Centenas de rebeldes, segundo Goethe, foram torturados, empalados, esquartejados e queimados vivos. A Alemanha, disse o autor de Hermann e Dorothéia, “parecia um açougue onde a carne humana tinha preço vil”.

Calvino, pai dos presbiterianos, mandou queimar o espanhol Miguel Servet Grizar, médico descobridor da circulação sanguínea. Acusado de heresia, Servet foi preso e julgado em Lyon, na França. Conseguiu evadir-se da prisão e quando se dirigia para a Itália, através da Suíça, foi novamente preso em Genebra, julgado e condenado a morrer na fogueira, por decisão de um tribunal eclesiástico sob direção do próprio Calvino. A sentença foi cumprida em Champel, nas proximidades de Genebra, no dia 27 de outubro de 1553. Puseram-lhe na cabeça uma coroa de juncos impregnada de enxofre e foi queimado vivo em fogo lento com requintes de sadismo e crueldade. (5)

O luterano Benedict Carpzov, foi legista brilhante e figura esclarecida, até hoje ocupando lugar destacado na história do Direito Penal. Mas perdia a compostura contra a bruxaria, que considerava merecedora de torturas três vezes intensificadas com respeito a outros crimes, e cinco vezes punível com pena de morte. Protestante fanático, afirmava, quando velho, ter lido a Bíblia inteira 53 vezes. Assinou sentença de morte contra 20.000 bruxas, apoiando-se principalmente na "Lei" do Antigo Testamento. Não compreendendo o verdadeiro significado da Bíblia, considerava o Pentateuco como lei promulgada pelo próprio Deus, Supremo Legislador.

Carpzov, para condenar a morte, usava (Lv 19,31; 20,6.27; Dt 12,1-5), citava de preferência o Êxodo (22,18); "Não deixarás viver a feiticeira". (6)

Outro famoso perseguidor de bruxas na Alemanha, foi Nicholas Romy, considerado grande especialista e que escreveu um longo tratado sobre bruxaria, teve sobre sua consciência a morte de 900 pessoas. (7)

Já Froehligh, reitor da Universidade de Innsbruck e catedrático de Direito, que chegou a ser chanceler da Alta Áustria, insistia em que não só as supostas bruxas fossem condenadas, senão também seus filhos! E não se precisava muito para ser considerada bruxa, pois o seria qualquer pessoa que não tivesse um olhar franco.(8)

Naquele ambiente de superstição, crueldade e pânico perante as bruxas, foi possível o aparecimento de um Franz Buirmann, pervertido magistrado protestante e degenerado inimigo da bruxaria. Era um juiz itinerante. Referindo-se a ele dizia seu contemporâneo Hermann Loher: "Preferiria mil vezes ser julgado por animais selvagens, cair numa fossa cheia de leões, de lobos e ursos, do que cair em suas mãos".

Deste impiedoso juiz se afirma que somente em duas incursões que realizou por pequeninas aldeias ao redor de Bonn, que perfaziam um total de 300 pessoas contando-se crianças e velhos, queimou vivas nada menos que 150 pessoas! Consta que ao menos em duas oportunidades (da viúva Boffgen e do Alcaide de Rheinbach), o juiz se apoderou de todos os bens dos condenados à fogueira (o Alcaide de Rheinbach era seu inimigo político. . .).(9)

Em Bamberga, sob a administração de um bispo protestante, queimou-se 600 pessoas. Na Genebra protestante, foram queimadas 500 pessoas durante a gestão de Calvino. (10)

Se os protestantes do passado nenhum valor davam a essas muitíssimas vidas ceifadas no fogo, muito menos valor dão os protestantes de hoje, que por ignorância, orgulho ou omissão, se escusam de um simples pedido de perdão, para não ter que admitir as iniqüidades que falaciosamente atribuem aos outros.

A técnica, é a mesma do gatuno que bate uma carteira e grita: “pega ladrão!!!” Baseados no grito do gatuno, as mal informadas e ou mal intencionadas editoras de livros didáticos, a imprensa e a mídia, fazem o resto do trabalho sujo. Tudo contribui para a perdição do que não busca conhecer a verdade.

Dizia Marcus Moreira Lassance Pimenta: “Ao ignorante, basta uma mentira bem contada para que a tenha como verdade. E ao sábio, não há mentira que o impeça de buscar a verdade”.

Bibliografia:

1. Agência Zenit, Sunday, June 20, 2004 1:17 PM.

2. Henry Charles Léa, A History of the inquisition of the Middle Ages, 3 vols. Nova Yorque, Happer, 1888, principalmente vol. I, pp. 137ss; tradução de Salomon Reinach, Historie de L’Inquisition au Moyen-Áge. Ouvrage traduit sur l’exemplaire revu et corrigé de l’auter, 3 vols., Paris, 1900-2 vol. 3.

3. Daniel-Rops, História da Igreja de Cristo, vol. III, A Igreja das Catedrais e das “Cruzadas”, Quadrante, pp. 605-606.

4.. VEIT, Valentim, História Universal, Livraria Martins Editoras, SP, 1961, Tomo II, pp. 248-249.

5. http://www.adventistas.com/marco2003/miguel_servetus.htm

6. Benedict Carpzov, Practica Nova Rerum Criminalium Imperialis Saxonica in Tres Partes Divisão, Wittenberg, 1635.

7. Nichólas Romy, Daemonolatriae Libri Tres, Lião, 1595; Colônia, 1596; Frankfurt, 1597.

8. Johan Christopher Froehlich von Froehlichsberg, De sorcelleria, Innsbruck, 1696; tradução: Animismes, Paris, Orent, 1964, pp. 62ss.

9. Cf.. Jacques Finné, Erotismo et sorcellerie, Verviers (Bélgica), Gerard, 1972; tradução de Charles Marie Antoine Bouéry, Erotismo e feitiçaria, São Paulo, Mundo Musical, 1973, p. 41.

10. W. Bommbeg, The mind of man: the history of man’s conquest of mental illness, 2ª ed., Nova Yorque, Harpel, 1959; tradução: La mente del hombre, Buenos Aires, 1940.




A SEVERIDADE DOS TRIBUNAIS PROTESTANTES


Foram terríveis os genocídios causados pelos protestantes na Alemanha. A então Alemanha estava dividida em mais de trezentas circunscrições, cada uma delas com seu próprio Supremo Tribunal civil e seu Direito particular. A perseguição às bruxas e a severidade dos castigos, dependiam geralmente dos respectivos senhores de cada região, que governavam com muita independência e poder quase absoluto.

Dentro de cada região, havia oscilações pendulares inclusive extremas, segundo os critérios subjetivos do mesmo senhor e segundo os conceitos das diversas sucessões no poder através dos anos e dos séculos. Daí a dificuldade em se calcular o número de pessoas condenadas à fogueira e à forca na Alemanha. Mas, das crônicas e processos regionais que chegaram até nós, cabe deduzir, que as vítimas se contaram por milhares. Gardner calcula 9 milhões (1). Morrow simplesmente diz que foram milhões (2).

W. A. Schoeder, contemporâneo aos fatos, anotou que nas localidades de Bamberg e Zeil, entre 1625 e 1630, (cinco anos) se realizaram nada menos que 900 processos de bruxaria. Deles (numa exceção), 236 terminaram com condenação à morte na fogueira. Só num ano, 1617, em Wurzburgo, foram queimadas 300 bruxas (3); em total nesta região, as atas apresentam l.200 condenações à morte (4).

Em 20 anos, de 1615 à 1635, em Estrasburgo, houve 5.000 queimas de bruxas (5).

Em cidades pequenas como a imperial Offenburg, que só tinha entre dois e três mil habitantes, se desenvolveram acérrimas perseguições às bruxas durante três decênios, e em só dois anos, segundo as atas, foram queimadas 79 pessoas (6).

Segundo o VERITY MURPHY em 16/6/2004, da BBC de Londres, o novo e mais completo relatório da inquisição, indica que, no auge da Inquisição, a Alemanha protestante matou mais bruxas e bruxos que em qualquer outro lugar.

Na Suíça, quando protestante, os casos de condenação de bruxas descritos nas crônicas conservadas, chegam a 5.417 (7). Nos Alpes Austríacos, as mortes chegaram ao menos a 5.000 (8).

Era absolutamente falsa a afirmação de muitos autores protestantes ingleses, de que a Inglaterra foi uma exceção dentro da bruxomania geral.

Segundo Ewen, (9), que cita documentos oficiais, o número de condenados à pena de morte por bruxaria, na Inglaterra protestante, exatamente de 1541 a 1736, teria sido menos de mil. As condenações à morte teriam sido menos de 30% das acusações. Mesmo assim, o comportamento inglês não fugiu ao ditado de que não há regras sem exceções.

Na Inglaterra destacava-se o protestante Mathew Hopkins que se autodenominava "descobridor geral de bruxas". Parece que era um sádico encoberto. Quando encontrava uma mulher que excitava seus instintos sexuais anormais, obrigava-a a despir-se na sua presença e começava a fincar com uma agulha, as diversas partes do corpo dela (assim se procuravam áreas insensíveis, o que seria sinal de possessão demoníaca).

Mas... ele mesmo diante de outros protestantes, foi acusado de possuir estranhos poderes. Submetido às provas de bruxaria que empregara, foi condenado e morto (10).

Na Inglaterra não era necessário aplicar torturas — às vezes se deram! — porque a condenação freqüentemente era sentenciada sem necessidade de confissão por parte do acusado (11).

Em 1562 a rainha Elizabeth, e a versão definitiva do Witch Act ou “lei contra os bruxos”, de Jacques I em 1604, condenavam à morte a pessoa que tivesse feito qualquer malefício pretendendo acabar com a vida ou danar o corpo de alguém. Mesmo que não se percebesse efeito nenhum do malefício! Esta lei se manteve em vigor na Constituição até 1736.

Os protestantes do Reino Unido foram lentos. Na Inglaterra do século XVII, na área da interpretação dos fenômenos misteriosos ainda grassava a superstição demonológica, e houve várias condenações. O último juízo por bruxaria foi já entrado o século XVIII, em 1717, (12). E ainda demorariam mais vinte anos para abolir o estatuto inglês contra as bruxas, em 1736 (13).

A última morte por condenação como bruxa, na Escócia, foi em 1738. Na Irlanda, a lei contra bruxaria não foi abolida até 1821!
Em 1863, segunda metade do século XIX!, o povo inglês ainda linchou um velho por considerá-lo bruxo.

As perseguições protestantes atravessaram o Atlântico, e chegaram aos EUA. O primeiro corpo de estatutos — The Body of Liberties — que houve em Massachusetts, é de 1641 (14). Nele se diz: "Se algum homem ou mulher é bruxo que manifesta ou consulta um espírito familiar(?), será enviado à morte" (15).

A revisão de 1649 reiterava a mesma lei com pena capital (16). De sua vigência é um exemplo famoso,“o processo das bruxas de Salem,” em 1692. Como resquício, ainda hoje em alguns estados americanos, a pena de morte é vista com naturalidade, aos condenados gravemente pela justiça. Mudaram apenas os réus e a forma de exterminar.

O pânico da população perante as bruxas e a ira contra elas, refletem-se no caso de Ann Hibbins. Parece que foi acusada por motivos meramente socioeconômicos. Era irmã de um rico comerciante e antigo assistente da colônia, Richard Beilingham, que fora governador da Baía de Massachusetts. O júri a condenou. Os juizes não aceitaram o veredicto. O caso foi levado à Corte Geral. Foi fácil incitar a opinião pública. Tanto pressionaram a Corte que Ann Hibbins foi condenada à morte (17).

ATÉ CRIANÇAS ERAM QUEIMADAS PELOS PROTESTANTES

No ano 1670, na Suécia, houve um processo deplorável: Como conseqüência das declarações, arrancadas pelas interrogações feitas pelos teólogos protestantes, foram queimadas 70 mulheres, açoitadas mais 56, queimadas 15 crianças que já tinham chegado aos 16 anos e outras 40 foram açoitadas (18).

Na Alemanha protestante, o poder civil condenou Anna Maria Schwugelin. Foi decapitada como bruxa em 1759.

No dia 18 de junho de 1782, o governo protestante ainda decapitou uma bruxa na Suíça (19).

Agora os protestantes têem aqui reunidos, grande parte dos números de mortes, nomes e documentos, para a própria cruel “inquisição” de seus tribunais, que tanto omitem. E isso não é tudo.

Atacado por um diabólico ódio racial, Lutero antes de sua morte, lançou o panfleto “Contra os judeus e as suas mentiras.” onde pregava aos alemães, toda sorte de desumanidade contra os judeus, culminando no holocausto nazista. Esta obra, está reproduzida na “História do anti-semitismo”, de Leon Poliakov.

Dia 6 de maio de 1527, quando saquearam Roma, cerca de quarenta mil homens espalharam na Cidade Eterna o terror, a violência e a morte. Eram seis mil espanhóis, quatorze mil italianos e vinte mil alemães, quase todos luteranos, esses últimos, indivíduos perversos, gananciosos, desprovidos de qualquer escrúpulo. Gritavam:
E no Brasil? Encontra-se facilmente nas enciclopédias que, os protestantes calvinistas em 15 de julho de 1570, mataram 40 jesuítas, entre eles Inácio de Azevedo, morto a CUTILADAS (golpe de espada) quando, segurando num quadro da Virgem Maria, animava a tripulação a resistir ao ataque protestante, que degolou a todos, (Enc. Microsoft Encarta 99, verbete: “Inácio de Azevedo, beato”).

Todo esse genocídio com requintes de crueldade, parece encontrar doce justificativa nas palavras de Lutero, pai do protestantismo do “somente a fé”:

“... Seja um pecador e peque fortemente, mas creia e se alegre em Cristo mais fortemente ainda...Se estamos aqui (neste mundo) devemos pecar...Pecado algum nos separará do Cordeiro, mesmo praticando fornicação e assassinatos milhares de vezes ao dia”. (Carta a Melanchthon, 1 de agosto de 1521 (American Edition, Luther's Works, vol. 48, pp. 281-82, editado por H. Lehmann, Fortress, 1963).

Esta "fé", de Lutero, apesar de dirigida pela vontade, é um simples ato do intelecto. Apesar de necessária à salvação, não é suficiente. Tiago diz que até mesmo os demônios têm esta fé (Tg 2,19). É por este motivo que ele diz: "Vedes como o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé?" (Tg 2,24). Infelizmente, Lutero designou esta carta do Apóstolo de "Carta de Palha". Ele não entendeu o que Tiago esta querendo dizer (sobre a fé de Abraão): "Vês como a fé cooperava com as suas obras e era completada por elas" (Tg 2,22). Sob o erro do pai do protestantismo, as seitas evangélicas ainda hoje, pregam que seus seguidores já estão “salvos”, só porque simplesmente “crêem” em Jesus. Se assim fosse, iriam encontrar Lúcifer no céu.

Agradecimentos especiais ao padre Oscar G. Quevedo, S.J, pelos brilhantes estudos iniciais.

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Bibliografia:

1. Gerald B. Gardner, Ursprung und Wirklichkeít der Hexen, Weilheim, 1965, pp. 30s.

2. F. Morrow, no prólogo e Montagne Summers, The history of wttchcraft and
demonology, 2a ed., Nova Iorque, 1956.

3. Citado por Merzbacher, Die Hexenprozesse in Franken, Munique, 1975, p. 43.

4. Kurt Baschwitz, Hexen und Hexenprozesse. Die Geschichte eines Massenwalms und Bekampfung, Munique, 1963; uso a tradução de Ana Grossman, Brujas y proceso de brujeria, Barcelona, Luiz de Caralt, 1968, p. 261.

5. Cf. Wilhelm Gottieb Soldan, Geschichte der Hexenprozesse aus der Quellen dargestellt, Stutgard, 1843; 2º edição revisasda: Soldan-Ludwig Julius Heppe, Geschichte der Hexenprozesse, 2 vols. Stuttgard, 1880; 3º edição revisada: Soldan –Heppe-Max Bauer, com o mesmo título, Munique, 1012, tomo I, p. 530.

6. Idem, Soldan –Heppe-Max Bauer, ibidem, p. 251.

7. Na tese doutoral de G. Bader, Die Hexenprozesse in der Schweiz, Zurique, 1945, p. 219.

8. Fritz Byloff, "Hexenglaube und Hexenverfolgung in der õsterreichischen Alpenlander"
in Quellen zur deutschen Volkskunde, 1934, caderno 6, p. 159.

9. C. L. Ewen, Witccraft and demonianism, Londres, Muller, 1970; Witch hunting witch trial, Londres, 1062; Nova Iorque, Harper, 1971.t.

10. Ramiro A. Calle, La magia negra y el ocultismo (técnicas para el conocimento de si mismo y de los demás), Barcelona, Cedel, 1968, p. 271s.

11. Cf. Ronald Seth, Children against witches, Londres, Robert Hale, 1969, p. 14; Davies, Four centuries…, op. cit.

12. Mair, La brujería..., op. cif, p. 216.

13. Fox, Science..., op. cit., p. 25; sobre a Bruxaria na Inglaterra, Peter Haining, A circie of witches - An anthology of victorian witchcraft stories, Londres, Robert Hale, 1971; idem, The anatomy o f witchcraft, Londres, Souvenir, 1972; tradução de René Cárdenas Barrios, La anatomia de Ia brujería, México, Diana, 1976.

14. The body of liberties é reproduzido por William Witmore (ed.), The Colonial Laws of Massachusetts. Reprinted from the edition of 1660, with suplements to 1672. Containing also the Body of Liberties of 1641, Boston, City Council, 1889.

15. Ibidem, Liberty, 94, Capital Lawa, p. 55.

16. Cf. Winfield S. Nevins, Witchcraft in Salem Village in 1692, Salem-Massachusetts, Salem-Press, 1916, pp. 29s.

17. Thomas Hutchinson, History of the Colony of Massachusetts Bay, Londres, Thomas and John Fleet, 1764, p. 187; William F. Poole, "Witchcraft in Boston" in Justin Windsor (ed.), Memorial history of Boston, Boston, Tickner, 1881, tomo 2, p. 130.

18. B. Bekker, De betoverde wereld, Amsterdã, p. 576-587; trad.: Le monde enchaté, 6 vols. Paris, 1964.

19. Mair, La brujería..., op. cif, p. 216.

http://fimdafarsa.blogspot.com.br/2008/04/inquisio-protestante.html

Lamentos de Jesus revelados ao Padre Pio

Lamentos de Jesus revelados ao Padre Pio



São Pe. Pio

Ouça, caro padre, os justos lamentos de nosso dulcíssimo Jesus: “deixam-me sozinho de noite, sozinho de dia nas igrejas. Não cuidam mais do sacramento do altar; nunca se fala desse sacramento de amor; e, mesmo os que falam, infelizmente, com que indiferença, com que frieza!
O meu coração, diz Jesus, está esquecido. Já ninguém se preocupa com o meu amor. Estou sempre triste. Minha casa tornou-se, para muitos, um teatro de divertimentos; mesmo os meus ministros, que sempre considerei com predileção, que amei como a pupila dos meus olhos, deveriam consolar o meu Coração cheio de amargura, deveriam ajudar-me na redenção das almas. Em vez disso, quem o acreditaria?, devo receber deles ingratidão e falta de reconhecimento. Vejo, meu filho, muitos desses que... (aí se calou, os soluços lhe apertaram a garganta, chorou em segredo), sob aparências hipócritas, me traem com comunhões sacrílegas, esmagando as luzes e as forças que continuamente lhes dou...”. Jesus continuou ainda a lamentar-se. Padre, como me faz mal ver Jesus chorar! Também o senhor passou por isso?

Sexta-feira de manhã (28-03-1913) eu ainda estava na cama quando me apareceu Jesus, totalmente maltratado e desfigurado. Mostrou-me um grande número de sacerdotes regulares e seculares, entre os quais diversos dignitários eclesiásticos; desdes, alguns estavam celebrando, outros se paramentando e outros retirando as sagradas vestes.

Ver Jesus angustiado causava-me grande sofrimento, por isso quis perguntar-lhe por que sofria tanto. Não obtive resposta. Porém, o seu olhar voltou-se para aqueles sacerdotes. Mas pouco depois, quase horrorizado e como se estivesse cansado de observar, desviou o olhar e, quando o ergueu para mim, com grande temor verifiquei que duas lágrimas lhe sulcavam as faces. Afastou-se daquela turba de sacerdotes, tendo no rosto uma expressão de profundo pesar, gritando: Carniceiros!

E voltado para mim disse: “Meu filho, não creias que a minha agonia tenha sido de três horas, não. Por causa das almas por mim mais beneficiadas, estarei em agonia até o fim do mundo. Durante o tempo da minha agonia, meu filho, não convém dormir. Minha alma vai à procura de algumas gotas de piedade humana; mas ai de mim! Deixam-me sozinho sob o peso da indiferença. A ingratidão e os meus ministros supremos tornam opressiva minha agonia.

Ai de mim! Como correspondem mal ao meu amor! O que mais me aflige é que, à sua indiferença, esses homens acrescentam o desprezo, a incredulidade. Quantas vezes eu estive a ponto de fulminá-los, se não tivesse sido detido pelos anjos e pelas almas enamoradas de mim... Escreve ao teu padre narrando o que viste e ouviste de mim esta manhã. Diz a ele que mostre a tua carta ao padre provincial...”

Jesus ainda continuou, mas o que disse não poderei revelar a criatura alguma deste mundo. Essa aparição me causou tal dor no corpo, porém ainda mais na alma, que durante o dia todo fiquei prostrado e acreditaria estar morrendo, se o dulcíssimo Jesus já não me tivesse revelado... Jesus tem razão de se queixar de nossa ingratidão!

Padre Pio, Palavras de Luz, Florilégio do Epistolário
Créditos: GRAA e O Segredo de Maria.
FONTE: http://escritosdossantos.blogspot.com.br/
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