sábado, 2 de julho de 2016

RITUAL DE IMPOSIÇÃO DO CORDÃO DE SÃO JOSÉ.

RITUAL DE IMPOSIÇÃO E BÊNÇÃO DO CORDÃO DE SÃO JOSÉ SEGUNDO O RITUALE ROMANUM.

BENEDICTIO CINGULORUM in honorem sancti Joseph Sponsi B.M.V

V. Ajutórium nostrum in nomine Dómini
R. Qui fecit caelum et terram.
V. Dóminus vobiscum.
R. Et cum spiritu tuo.

Orémus.
Dómine Jesu Christe, qui virginátis consílium et amórem iingeris atque castitátem práecipis: orámus cleméntiam tuam, ut haec cingula castitátis tésseram bene + dícere, et sancti + fícare dignéris, ut, quicúmque pro castitáte servánda illis praecíncti fúerint, intercedente beáto Joseph, sanctíssimae Genitrícis tuae sponso, gratam tibi continéntiam, mandatorúmque tuórum obediéntiam servente, atque béniam peccatórum suórum obtíneant, et santitátem mentis et córporis percipiant, vitámque consequántur aetérnam: Qui vivis et regnas cum Deo Patre in uniáte Spíritus Sancti Deus, per ómnia sáecula saeculórum.
R: Amen.

Orémus.
Da, quáesumus, omnípotens aetérne Deus: ut puríssimae Virginis Maríae, ejúsque sponsi Joseph, integérriman virginitátem, eórum intercessiónibus puritátem mentis et córporis consequámur. Per Christum Dómmum nostrum.
R: Amen

Orémus.
Omnípotens sempitérne Deus, qui castíssimo viro Joseph puríssimam Maríam semper Virginem, et púerum Jesum commisísti; te súplices exorámus; ut fidéles tui, qui his cíngulis in honórem, et sub protectióne ejúsdem sancti Joseph praecíncti fúerint, te largiénte, et ipso intercedente, in castitáte semper devote persísant. Per eúmdem Dóminum nostrum Jesum Christum Fílium tuum: Qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus, per ómnia sáecula saeculórum.
R: Amen.

Orémus.
Deus, innocéntiae restitútor et amátor: quáesumus, ut fidéles tui, qui haec cíngula adhibúerint, intercedente beato Joseph, sanctíssimae Genitrícis tuae sponso, in lumbis suis sint semper pracíncti, et lucernas ardentes gestent in mánibus suis; ac símiles sint homínibus exspectántibus dóminum suum, quando revertátur a núptiis, ut, cum venérit et pulsáverit, conféstim apériant ei, et in aetérna gáudia récipi mereántur. Qui vivis et regnas in sáecula saeculórum.
R: Amen.

Deinde Sacerdos, imposto thure in thuribulo, aqua benedicta aspergit cingula, dicens:

Aspérges me, Dómine, hyssópo et mundábor: lavábis me, ec super nivem dealbábor

Postea incensat, et tandem diciti:

Orémus.
Deus miséricors, Deus clemens, cui bona cuncta placenta, sine quo nihil boni inchoátur, nihílque boni perficitur: adsint nostrls humilimis précibus tuae pietátis aures, et fidéles tuos, qui in tuo santo nomine cíngulo benedícto in honrórem et sub protectióne sancti Joseph praecíncti fúerint, a mundi impedimento, vel saeculári desidério defende; et concede eis, ut in hoc santo propósito devóti persistere, et remissióne percépta ad electórum tuórum váleant perveníre consortium. Per Dóminum nostrum Jesum Christum Fílium tuum; Qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus, per ómnia sáecula saeculórum.
R: Amen

NOVENA A SÃO FILIPE NERI.

+NOVENA A SÃO FILIPE NERI.+

1° Dia – Inocentíssimo e humilíssimo São Filipe, cuja pureza e humildade emularam as dos mais sublimes santos do Paraíso, impetrai também em nós uma e outra destas virtudes afim de que vivendo puros e humildes, possamos conseguir a bem aventurada visão de Deus, prometida aos humildes e puros de coração.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
2° Dia – Miraculoso exemplo da mais perfeita mortificação, glorioso São Filipe, vós que com as penitências tratastes com tanto rigor a vossa inocente carne, impetrai-nos também este espírito de penitência, afim de que subjugando os nossos sentimentos rebeldes às santas Leis de Deus, possamos conseguir aquele último bem aventurado fim pelo qual fomos criados.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
3° Dia – Glorioso São Filipe, vós que fostes heróico na paciência e constante nas mais penosas dificuldades, adversidades e sofrimentos, obtende-nos um verdadeiro espírito de resignação nas contrariedades; assim, suportando-as pacientemente por amor de Deus e penitência dos nossos pecados, que  participemos das bênçãos eternas, prometidas aos verdadeiros pacientes.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
4° Dia- Fidelíssimo sequaz de Jesus Cristo Crucificado, São Filipe, vós que assim desprendido de qualquer coisa terrena, pois os vossos desejos eram somente de viver pobre e abandonado, impetrai-nos uma verdadeira e santa pobreza de espírito, afim de que, à vossa imitação, desprezando as coisas caducas do mundo, aprendamos a amar e procurar as celestes.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
5° Dia- Potentíssimo São Filipe, cujo nome era tão formidável aos demônios que apenas pronunciado por vossos penitentes, nas tentações, dizendo-se: “nós vos acusaremos a Filipe”, o inferno perdia toda força e audácia; impetrai-nos também poder resistir às insídias inimigas, afim de que possamos vencer e conseguir a coroa que está preparada a quem virilmente combate.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
6° Dia- Devotíssimo São Filipe, vós que fostes ternamente devoto de Jesus e de Maria até entreter-vos noites inteiras em santas contemplações sobre o Seu amor e grandeza, impetrai-nos que vencendo a nossa negligência no bem, nos tornemos vossos imitadores em honrar Jesus e Maria, afim de que possamos gozar das Suas graças e bênçãos nesta vida, como prêmio da eterna glória na outra.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
7° Dia- Zelosíssimo São Filipe, vós que ardestes de um grande e operoso amor pela glória de Deus e salvação das almas, que só a essas eram dirigidos os vossos pensamentos, as vossas fadigas, o vosso viver; impetrai-nos que, vencidos os respeitos humanos, procuremos sempre, em cada ação, a maior glória de Deus e procuremos à toda força, conforme o nosso estado, a santificação de nós mesmos e dos outros.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
8° Dia- Amabilíssimo São Filipe, vós que amastes o próximo com pura caridade e tornastes-vos tudo para todos querendo sempre beneficiá-los em cada circunstância, impetrai-nos esta virtude tão necessária, afim de que, amando o próximo como a nós mesmos, tenhamos o belo caráter de verdadeiros discípulos do Redentor e de vossos verdadeiros devotos.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
9° Dia- Vítima do divino Amor, puríssimo São Filipe, vós que, assim repleto do Espírito Santo, que na exuberância das divinas doçuras, exultando-vos o coração do peito tivestes maravilhosamente quebradas duas costelas, impetrai-nos a centelha daquela divina caridade que vos inflamou vigorosamente, de modo que vivamos como verdadeiros amantes do nosso Deus na terra e mereçamos gozá-Lo convosco numa caridade consumada eternamente no Céu.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
ORAÇÃO A SÃO FILIPE NERI
Ó glorioso S. Filipe, vós que fostes tão favorecido de Deus em ajudar e consolar os vossos filhos espirituais na hora da sua morte, sede-nos advogado e Pai quando nos achar naquele tremendo passo. Impetrai-nos a graça para que naquela hora o demônio não nos vença, que a tentação não nos oprima e que o temor não nos desanime.
Fortalecidos de viva Fé, firme Esperança e ardente Caridade, sustentai-nos com perseverança naquele último combate, de modo que, cheios de confiança na misericórdia de Deus, nos merecimentos de Jesus Cristo, e na proteção de Maria Santíssima, sejamos feitos dignos de morrermos a morte dos justos e de alcançarmos a bem aventurada Pátria do Paraíso para vermos e louvarmos a Deus convosco e com todos os Santos do Céu. Assim Seja.
Rogai por nós, ó São Filipe: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
OREMOS
Ó Deus, que enriquecestes de maravilhosos dons da Vossa graça o bem aventurado São Filipe, confessor que era inflamado pela salvação das almas, concedei-nos benigno, que nós verdadeiramente contritos, sejamos por sua intercessão, livrados dos iminentes perigos da alma e do corpo e mereçamos chegar a Eterna Vida, - Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Com aprovação eclesiástica.  

sábado, 25 de junho de 2016

COROINHA DE SÃO FILIPE NERI.

COROINHA DE SÃO FILIPE NERI.
(Início.)
Vinde, ó Deus, em meu auxílio,
Senhor, socorrei-me sem demora.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo! Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos, amém!

Após a jaculatória e o Glória, inicia-se a recitação da Coroa nas mesmas contas do Terço de Nossa Senhora. Em cada uma das contas do Pai-Nosso, recita-se a oração:
“Virgem e Mãe, Mãe e Virgem.”

Em cada uma das 10 contas das Ave-Marias, recita-se a oração: “Virgem Maria, Mãe de Deus, rogai a Jesus por mim”.

(Ao final.) “À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem Gloriosa e Bendita. Amém”.

COROINHA DE SÃO FILIPE NERI.
Devoção Oratoriana à Santíssima Virgem Mãe de Deus.

Santo Afonso (“Glórias de Maria”) conta que São Filipe Neri tinha tão grande devoção à Nossa Senhora que só lhe bastava pensar n’Ela e já tinha consolações. Exclamava que não há meio mais poderoso para obter a graça de Deus que a devoção a Nossa Senhora”. São Filipe Neri dizia ainda que é necessária a devoção à Santíssima Virgem para começarmos bem na vida espiritual e para perseverarmos e alcançarmos mais rapidamente a perfeição. Por isso, recomendava, além do Santo Terço diário, a recitação da Coroinha de Nossa Senhora, que ele mesmo compusera por inspiração, para honrar os títulos mais belos de Maria, “Virgem e Mãe de Deus”:

“Nossa Senhora ama aqueles que a chamam por Virgem e Mãe de Deus”. “Meus filhinhos, sede devotos de Nossa Senhora; sede devotos de Maria”.  (São Filipe Neri, * 21/07/1515 - +26/05/1595.) Festa em 26 de maio.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Métodos para assistir à Missa.

Vários Métodos para assistir à Santa Missa
(São Leonardo de Porto-Maurício, As Excelências da Santa Missa)

O desígnio exclusivo do presente opúsculo é levar aqueles que o quiserem ler, a adotar com fervor um método de assistir à Santa Missa, conforme vou expor.
Como, porém, muitas maneiras de assistir à Santa Missa, todas louváveis e santas, têm sido ensinadas até hoje, não tenho a intenção de impor-vos a minha.

Deixo-vos, portanto, a liberdade de escolher aquele modo que mais vos agradar e vos parecer mais conforme à vossa devoção e capacidade, e farei junto de vós apenas o ofício de Anjo da Guarda, propondo-vos o método mais frutuoso, quero dizer, o que, a meu humilde julgamento, poderá ser para vós mais vantajoso e fácil. Neste fim, distinguimos três classes de métodos.

PRIMEIRO é o das pessoas que, de livro na mão, seguem atentamente todas as ações do sacerdote, a cada uma recitam outra prece vocal que lêem no livro, e assim passam todo o tempo da Missa a ler. Não há dúvida que, se a essa leitura se junta a meditação dos grandes mistérios, é uma excelente maneira de assistir ao Santo Sacrifício e produz também grandes frutos.

Visto, porém, exigir atenção excessiva, pois é necessário seguir todas as cerimônias que o sacerdote efetua, e em seguida dirigir os olhos ao livro para aí ler a oração correspondente, torna-se uma prática fatigante, na qual poucas pessoas, creio, hão de persistir, dada a fraqueza do nosso espírito que se enfada facilmente de refletir sobre tantas ações diversas que o sacerdote executa no altar. Enfim, aquele que se acha bem assim e tira proveito espiritual, continue a seguir este sistema; pois à prática tão laboriosa não faltará uma recompensa da parte de DEUS.

SEGUNDA maneira de assistir à Santa Missa é a das pessoas que não se servem de livros e não lêem  absolutamente nada durante todo o tempo do santo Sacrifício, mas que, com viva fé, fixam os olhos da alma em JESUS crucificado, e, apoiadas na árvore da Cruz, dela recolhem os frutos por meio de doce contemplação. Passam todo esse tempo em piedoso recolhimento interior e na consideração dos sagrados mistérios da Paixão de JESUS CRISTO, que são, não somente representados, mas misticamente reproduzidos na Santa Missa. É certo que estas pessoas, mantendo suas almas assim recolhidas em DEUS, exercem atos heróicos de Fé, Esperança e  Caridade e de outras virtudes, e não há dúvida que esta maneira de assistir à Santa Missa é muito mais perfeita que a primeira, e também mais doce e mais suave, como o atesta a experiência de um bom irmão converso.

Costumava ele dizer que, ao assistir à Santa Missa, não lia mais que três letras: a primeira, negra, era a consideração de seus pecados que lhe produziam confusão e arrependimento, e ocupava-o desde o começo até ao ofertório.
A segunda era vermelha: a meditação da Paixão de CRISTO, na qual considerava o preciosíssimo Sangue que JESUS derramou por nós no Calvário, sofrendo morte tão cruel; nisto se entretinha até à Comunhão.
A terceira letra era branca, pois enquanto o sacerdote comungava, ele se unia a JESUS pela comunhão espiritual, ficando, em seguida, todo absorto em DEUS, contemplando a glória eterna que esperava como fruto do divino Sacrifício. Esse homem simples assistia à Santa Missa com grande perfeição; quisera eu que todos aprendessem dele tão alta sabedoria.

 Método de São Leonardo de Porto-Maurício (As Excelências da Santa Missa)

TERCEIRO método para assistir com fruto à Santa Missa, é como que a média dos dois precedentes. Não exige a leitura de inúmeras preces vocais do primeiro, nem obriga a um espírito de contemplação tão elevado como o segundo. Bem compreendido, porém, é o mais conforme ao espírito da Santa Igreja, que almeja ver-vos unidos aos sentimentos do sacerdote que celebra. Ora, o sacerdote deve oferecer o sacrifício pelos quatro fins explicados na instrução precedente, pois que a Missa, no dizer de Santo Tomás, é o meio mais eficaz de cumprir os quatro grandes deveres que temos para com DEUS. Por conseguinte, já que exerceis de certo modo o ofício do sacerdote, ao assistir à Santa Missa, deveis aplicar-vos quanto possível à consideração dos ditos quatro fins, que atingis muito facilmente se, durante a Missa fizerdes as quatro ofertas indicadas a seguir. Tomai convosco, durante algum tempo, este livrinho, até que tenhais aprendido bem estes atos, ou ao menos até lhes terdes penetrado bastante o sentido, pois não tenho em mira que estejais ligados demais às palavras.

Logo que a Santa Missa começa, enquanto o sacerdote se humilha ao pé do altar, dizendo o Confiteor, fazei também um pequeno exame, excitai em vosso coração um ato de contrição sincera, pedindo a DEUS perdão de vossos pecados.

Implorai, ao mesmo tempo, o auxílio do ESPÍRITO SANTO e da Santíssima Virgem Maria, a fim de assistir à Santa Missa com todo o respeito e devoção possíveis. Em seguida, dividi em quatro partes o tempo da Missa, para, nessas quatro partes, vos desobrigardes dos quatro grandes deveres, e isso do modo que segue:

Na primeira parte, que irá desde o começo até ao Evangelho, cumpris o primeiro dever de honrar e louvar a majestade de DEUS, digno de receber honras e louvores infinitos. Para isso humilhai-vos com JESUS, abaixando-vos na consideração do vosso nada, e confessai sinceramente que nada sois absolutamente diante da imensa Majestade divina. Dizei-o, humilhando-vos não só em vosso coração, como também exteriormente, pois importa assistir à Santa Missa com uma atitude recolhida e modesta:  “Ó meu DEUS, adoro-vos e reconheço-vos como meu Senhor e o Mestre de minha alma. Tudo que sou, tudo que tenho, reconheço dever a vós. E, como vossa soberana Majestade merece homenagem e adoração infinitas, e eu sou a mais pobre das criaturas, absolutamente incapaz de pagar-vos esta grande dívida, ofereço-vos os méritos das humilhações e homenagens que JESUS vos tributa sobre o altar. O que Ele faz, eu tenho a mesma intenção de fazer. Humilho-me e prostro-me com Ele diante de vossa Majestade, e vos adoro pelas próprias humilhações que JESUS vos oferece. Regozijo-me e felicito-me de que vosso FILHO bem-amado Vos preste por mim homenagem e honra infinitas”. Amém.

Fechai agora o livro; continuai a fazer muitos atos interiores, comprazendo-vos de que DEUS seja infinitamente honrado, e repeti muitas vezes:

Sim, meu DEUS, regozijo-me da honra infinita que resulta deste Santo Sacrifício, para Vossa Majestade; felicito-me e regozijo-me quanto posso.

Não vos preocupeis em observar à risca as palavras que vos indico, mas usai aquelas que vos inspirar vossa piedade, mantendo-vos recolhido e unido a DEUS. Deste modo tereis saldado bem a primeira dívida.


Durante a segunda parte da Santa Missa, do Evangelho à elevação, desobrigar-vos-eis do segundo dever. Lançando um rápido olhar aos vossos pecados, e vendo a dívida imensa que por eles contraístes com a Justiça Divina, dizei, com o coração humilhado:

Eis aqui, ó meu DEUS, este traidor que tantas vezes se revoltou contra vós. Infeliz que sou! Cheio de dor, detesto, odeio, com a mais viva contrição meus enormes pecados, e ofereço-vos em reparação a própria satisfação que JESUS vos dá sobre o altar.

Ofereço-vos o CRISTO total, com seu preciosíssimo Sangue, e todos os Seus méritos, DEUS e Homem, que na qualidade de vítima, de novo se sacrifica por mim. Pois que o Senhor JESUS se faz, sobre este altar, meu mediador, meu advogado, e por seu Sangue implora o perdão para mim, eu me uno à voz deste SENHOR tão amante, e vos peço misericórdia por tantos pecados tão graves, que tenho cometido. Misericórdia! Clama-vos o Sangue de JESUS. Misericórdia! Clama-vos meu coração desolado.

Ah! Meu adorável SENHOR, se minhas lágrimas não vos comovem, deixai-vos tocar pelos gemidos de JESUS. Por que não obteria Ele para mim, sobre este altar, o perdão que, na Cruz, mereceu para todo o gênero humano? Em virtude deste preciosíssimo Sangue, espero que me perdoeis, também, todos os meus pecados, os quais não cessarei de chorar até meu último suspiro. Amém.

Fechai o livro e repeti muitos destes atos de profunda e sincera contrição. Dai livre curso a vossos sentimentos e, sem confusão de palavras, mas do fundo do coração dizei a JESUS:

JESUS adorável, dai-me as lágrimas de São Pedro, a contrição de Madalena, e a dor daqueles santos que, depois de terem sido grandes pecadores, se tornaram verdadeiros penitentes, a fim de que, por esta Santa Missa, eu obtenha o mais completo perdão de meus pecados. Amém.

Fazei muitos destes atos, todo recolhido em DEUS, e ficai certo de que assim pagareis completamente todas as dívidas que, por vossos pecados, contraístes com DEUS.
Na terceira parte, isto é, depois da Elevação até à Comunhão, considerai os imensos benefícios de que fostes cumulado e, em troca, oferecei a DEUS um presente de valor infinito: o Corpo e o Sangue de JESUS CRISTO. Convidai mesmo todos os Anjos e Santos a render graças a DEUS, por vós, da maneira seguinte ou de outra qualquer equivalente:

Eis-me aqui, meu amado SENHOR, cumulado de benefícios, tanto gerais como particulares, que me concedestes e quereis conceder-me no tempo e na eternidade. Reconheço que vossas misericórdias para comigo foram e são infinitas. Eis aqui, portanto, em reconhecimento e em paga, este Sangue Divino, este Corpo Sacratíssimo, que vos apresento pela mão do sacerdote. Estou certo de que esta oferenda é suficiente para vos pagar por todos os bens que me tendes concedido.
Este dom de valor infinito vale por si todos os dons que recebi, que recebo, e que ainda receberei de vós. Ah! Santos Anjos e vós todos os habitantes do Céu, ajudai-me a agradecer a DEUS, e oferecei-Lhe em ação de graças não só esta Santa Missa, mas todas as que se celebram neste momento no Mundo inteiro, a fim de que sua bondade tão cheia de amor seja dignamente agradecida, por tantas graças que me concedeu e que quer conceder-me agora e nos séculos dos séculos. Amém

Ah! Quanto agradará a nosso boníssimo DEUS tão afetuoso reconhecimento! Como não ficará pago com esta única oferta que vale mais que tudo, porque é de valor infinito! E, para mais excitar estes piedosos sentimentos, convidai o Céu a cooperar convosco. Invocai os Santos aos quais tendes mais devoção e dizei-lhes do fundo do coração: Ó queridos Santos, meus advogados, agradecei por mim a DEUS de infinita bondade, não viva e morra eu como ingrato. Peco-vos, suplicai-Lhe aceitar minha boa vontade e levar em conta o agradecimento cheio de amor, que, por esta Santa Missa, Lhe oferece, por mim, o adorável JESUS. Amém.

Não vos contenteis em dizer isto uma vez, mas repeti-o, e ficai certo de que assim chegareis a pagar completamente esta grande dívida. Maior sucesso ainda tereis se cada manhã fizerdes o ato de oferecimento que começa com as palavras DEUS ETERNO a fim de com este intuito oferecer todas as Santas Missas celebradas no Mundo inteiro.

Na quarta parte, depois da Comunhão até ao fim da Santa Missa, enquanto o sacerdote comunga sacramentalmente, fareis a COMUNHÃO ESPIRITUAL. Em seguida, contemplando a DEUS no íntimo de vosso coração, não receeis pedir-Lhe muitas graças, pois neste momento JESUS une-se todo a vós e Ele mesmo ora por vós.

Expandi, portanto, vosso coração, pedindo, não coisas de pouca importância, mas grandes graças. Já que tão grande é a oferenda que Lhe fazeis, o seu Divino Filho. Dizei-Lhe, então, com o coração repleto de humildade: Ó meu DEUS, reconheço-me por demais indigno de vossos favores; confesso minha suma indignidade, e que, tendo cometido tantos e tão grandes pecados, não mereço ser atendido. Como poderíeis, porém, deixar de escutar vosso Divino Filho, que sobre este altar, pede por mim, oferecendo-vos sua vida e seu Sangue? Ó meu DEUS, fonte do Amor, ouvi as súplicas deste poderoso advogado, e, em consideração a Ele, concedei-me todas as graças que sabeis que necessito para realizar o grande trabalho de minha salvação eterna. É agora que ouso pedir-vos o perdão geral de todos os meus pecados e a graça da perseverança no bem. Mais ainda, confiante nas preces de JESUS, peço-vos, ó meu DEUS, todas as virtudes num grau heróico, e todas as graças eficazes para tornar-me um verdadeiro santo. Peço-vos a conversão de todos os infiéis e de todos os pecadores e particularmente daqueles a quem estou unido pelos laços do sangue ou por um parentesco espiritual.

Imploro-vos a libertação não só de uma, mas de todas as almas do Purgatório: libertai-as todas e que, pela eficácia deste Divino Sacrifício, fique vazia aquela prisão. Peço-vos, humildemente, a conversão de todos os vivos, a fim de que este miserável Mundo se transforme num paraíso de delícias onde sejais amado, reverenciado, adorado por todos no tempo, para depois irmos louvar-vos e bendizer-vos por toda a eternidade. Amém

Pedi ainda, graças para vós, para as crianças, para vossos amigos, parentes e conhecidos; implorai socorro para todas as vossas necessidades espirituais e temporais; rogai para a Santa Igreja Católica Apostólica Romana, pedindo a plenitude de todos os bens, e o fim de todos os males.

Rezai muito, especialmente pelo Sacerdote que celebrou a Santa Missa, mais do que todos, ele merece sua gratidão. Peça ao boníssimo DEUS a perseverança para ele e, muito especialmente, que faça dele um grande santo.

E não façais com negligência, mas com grande confiança, seguros de que vossas orações, unidas às de JESUS, serão atendidas.

Terminada a Santa Missa, fazei um ato de agradecimento a DEUS, dizendo-Lhe: Agimus tibi gratias, etc., Se puderdes, ficai uns quinze minutos em Ação de graças, depois saí da Igreja com o coração compungido, como se descêsseis do Calvário.
Dizei-me agora: se tivésseis assistido deste modo a todas as Santas Missas, do passado até ao presente, de quantos tesouros não teríeis enriquecido vossa alma!? Oh! Que enormes prejuízos vos causastes, quando assistíeis à Santa Missa, olhando para um e outro lado, observando os que entravam e saíam da igreja e, muitas vezes até, conversando ou cochilando, ou, sobretudo, engrolando de qualquer jeito algumas preces vocais, sem o menor recolhimento interior. Tomai, portanto, a resolução de adotar este método tão fácil, tão suave, de assistir com fruto à Santa Missa, e que consiste em cumprirdes os quatro grandes deveres para com DEUS: não tenhais dúvida que em pouco tempo reunireis um grande tesouro de graças especiais, e nunca mais vos virá à idéia dizer: “Uma missa a mais, uma missa a menos, que importa!”

Método para assistir à Santa Missa pela meditação das Sete Palavras de Jesus Cristo na Cruz  (São Pedro Julião Eymard, A Divina Eucaristia, Vol 2)

Para assistir devotamente à Santa Missa, meditai nos diversos passos da Paixão do Salvador, renovados ali de maneira tão admirável.

Preparação — Considerai o Templo como o lugar mais santo e respeitável do mundo, como um novo Calvário. O Altar, de pedra, contém os ossos dos Mártires. Os círios, que ardem e se consomem, são o símbolo da fé, esperança e caridade. As toalhas brancas, que cobrem o Altar, lembram-nos as mortalhas em que foi envolvido o Corpo de Jesus Cristo. O Crucifixo no-lo representa morrendo por nós.
No sacerdote, vede Jesus Cristo com as vestes de sua Paixão: no amito, o pedaço de tecido com que os carrascos velaram a Face do Salvador; na alva, a túnica branca de escárnio com que o vestiu o impudico Herodes; no cordão, os laços com que os Judeus o ataram no Jardim das Oliveiras, a fim de levá-lo aos tribunais; no manípulo, as cadeias com que foi preso à coluna de flagelação; na estola, as cordas com que o puxaram pelas ruas de Jerusalém com a Cruz às costas; na casula, o manto púrpura que lhe lançaram no pretório, ou a Cruz que lhe impuseram.
Numa palavra, o ministro, trazendo as vestes sacerdotais, representa-nos o próprio Jesus Cristo, caminhando para o suplício do Calvário. E, além disso, ensina-nos quais as disposições com que nos devemos apresentar ao Santo Sacrifício.
O amito, colocado primeiro na cabeça e logo depois nos ombros, é símbolo da modéstia e do recolhimento; a alva branca e o cordão, da pureza; o manípulo, da contrição; a estola, da veste de inocência; a casula, do amor da cruz e do jugo do Senhor.

O sacerdote entra e se aproxima do altar levando o cálice. Vede Jesus dirigindo-se ao Jardim de Getsêmani para ali começar sua Paixão de Amor. Com os Apóstolos, acompanhai-o, mas ficai a velar e rogar com Ele. Afastai toda distração e todo pensamento alheios a tão tremendo Mistério.

O sacerdote, aos pés do Altar, inclina-se, ora e humilha-se profundamente, à vista dos seus pecados. Jesus, no Jardim, prostra-se com a face por terra; humilha-se pelos pecadores; um suor de Sangue, fruto de sua imensa dor, corre-lhe pelo Corpo, ensangüentando-lhe as vestes, manchando a terra. É que Ele tomou para si nossos pecados, com toda a amargura inerente.

A vós, então, cabe confessar com o sacerdote vossas faltas; com ele pedir humildemente perdão e receber a absolvição, para que, purificado, possais assistir ao Santo Sacrifício. Se esta só consideração vos ocupar durante todo o Sacrifício; se vos for dado participar dos sentimentos e da agonia de Jesus; se a graça vos retiver ao seu lado, está bem. De outra forma, acompanhai-o no percurso da Paixão.

O sacerdote, subindo o Altar, beija-o. Judas, chegando ao Jardim das Oliveiras, dá a Jesus um beijo pérfido. Ah! Quantos não tem ele recebido dos seus filhos e ministros infiéis!

Ai de mim! Nunca o traí eu? Nunca o entreguei aos seus inimigos ou às minhas paixões? E, no entanto, Ele muito me amou!

Podeis também contemplar a Jesus preso, tornando a Jerusalém, a fim de comparecer perante seus inimigos e deixando-se levar com a doçura do Cordeiro. Pedi-lhe a paciência e a mansidão nas provações por parte do próximo.

O sacerdote começa o intróito e benze-se. Jesus é conduzido à presença do sumo Pontífice Caifás, onde Pedro o renega. Ah! Quantas vezes não reneguei a sua verdade, a sua lei, as minhas promessas! E não foi nem o temor, nem a surpresa que me levaram a renegar meu Salvador. Ai de mim! Sou, por conseguinte, mais culpado do que Pedro, cujas lágrimas correram sem demora, uma vez cometida a culpa. E ele chorou-a toda a vida, enquanto meu coração permanece duro e insensível.

O sacerdote recita o Kyrie. Jesus clama ao Pai por nós. Aceitai, com Ele, todos os sacrifícios que Deus vos pedir.

O sacerdote recita as Orações e a Epístola. Jesus, em presença de Caifás, confessa sua Divindade, ciente de que a sentença de morte lhe virá punir semelhante declaração.

Meu Deus, fortificai, aumentai minha fé nessa mesma Divindade, para que, mesmo em perigo de vida, eu a adore, a ame e a confesse, feliz em poder dar meu sangue para defendê-la.

O sacerdote lê o Evangelho. Jesus, na presença de Pilatos, dá testemunho de sua realeza. Sede sempre, ó Jesus, rei do meu espírito pela vossa Verdade, rei do meu coração pelo vosso Amor, rei do meu corpo pela vossa Pureza, rei de toda a minha vida pela vontade que tenho de consagrá-la à vossa maior Glória.
Recitai em seguida o Credo, com fé e piedade, lembrando-vos de que o Salvador morreu em defesa da Verdade.

O sacerdote oferece o pão e o vinho do sacrifício, a hóstia a Deus Pai. Pilatos apresenta Jesus ao povo exclamando: Ecce Homo, eis o Homem! Seu estado excita compaixão. A flagelação feriu-o até o Sangue, e a coroa de espinhos lhe ensangüentou a Face. Um manto de púrpura, já gasto, junto à vara que leva na mão, fazem dele um rei de comédia. Pilatos propõe ao povo que lhe conceda a liberdade. Mas este não quer e responde: Seja crucificado! Crucifigatur! E nesse momento Jesus se oferecia ao Pai pela salvação do mundo todo e do seu povo em particular, e o Pai aceitava sua oblação.

Ofereço-vos, com o sacerdote, ó Pai Santo, a Hóstia pura e imaculada de minha salvação e da salvação de todos os homens. Ofereço-vos, em união com essa oblação divina, minha alma, meu corpo e minha vida. Quero continuar a fazer reviver em mim a santidade, as virtudes e a penitência de vosso divino Filho. O Domine, regna super nos.

O sacerdote lava as mãos. Pilatos também lavou as mãos para protestar a inocência de Jesus. Ah! Meu Salvador, lavai-me no vosso Sangue puríssimo e purificai-me dos muitos pecados e imperfeições que maculam minha vida.

O sacerdote convida os fiéis, no Prefácio, a louvar a Deus. Jesus, Homem das Dores, há pouco aclamado por aqueles que hoje o coroam de espinhos e o atam num poste, recebe ali as homenagens derrisórias e sacrílegas de seus carrascos, que o atormentam com ultrajes indignos, lhe cospem na Face e dele zombam. Ai de nós! Tais são as homenagens que nosso orgulho, nossa sensualidade, nosso respeito humano rendem a Jesus Cristo!

No Cânon, o sacerdote inclina-se, ora e santifica as ofertas por numerosos Sinais-da-Cruz. Jesus curva os ombros sob o fardo da Cruz. Toma-a com amor, beija-a, leva-a com carinho, encaminhando-se para o Calvário, dobrado sob esse peso de amor. Ah! Ele carrega meus pecados a fim de expiá-los, e minhas cruzes a fim de santificá-las. Sigamos Jesus Cristo, levando a Cruz e subindo penosamente o monte Calvário. Acompanhemo-lo com Maria, as santas mulheres e Simão, o Cireneu.
O sacerdote impõe as mãos sobre o cálice e a hóstia. Os carrascos, apoderando-se de Jesus Cristo, despem-no violentamente, e estendem-no sobre a Cruz, onde o crucificam.

Consagração e Elevação. O sacerdote consagra o pão e vinho no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Adora, de joelhos, seu Salvador e seu Deus, real e verdadeiramente presente em suas mãos. Eleva-o, em seguida, apresentando-o à adoração dos fiéis. É Jesus erguido na Cruz, entre o céu e a terra, 
qual Vítima e Mediador entre Deus irritado e nós, míseros pecadores.

Adorai e oferecei esta Vítima Divina em expiação, não somente pelos vossos próprios pecados, mas também pelos pecados dos homens em geral e dos vossos pais, parentes e amigos em particular. Prostrados a seus pés, seja o grito de vosso coração: Meu Senhor e meu Deus!

Considerai a Jesus estendido no Altar, como outrora na Cruz, adorando ao Pai, no profundo aniquilamento de sua própria Glória, rendendo-lhe graças por todos os bens concedidos aos homens seus irmãos — e irmãos redimidos — mostrando-lhe as Chagas, ainda abertas, que pedem graça e misericórdia pelos pecadores; rezando por nós de tal forma, que o Pai nada lhe pode recusar, a Ele, seu Filho, e Filho que se imolou por amor à sua Glória.

Prestai ao próprio Jesus o culto que Ele presta ao Pai. Adoro-vos, ó meu Salvador presente realmente sobre o Altar para renovar em meu benefício o Sacrifício do Calvário. A vós que sois o Cordeiro, ainda e diariamente imolado, bênção, glória e poder nos séculos dos séculos! Rendo-vos, agora, e por toda a eternidade vos renderei ações de graças pelo grande Amor que me manifestastes.

O sacerdote invoca, profundamente inclinado, a Clemência Divina para si e para todos. É Jesus quem diz: Pai, perdoai-lhes, que não sabem o que fazem. Adorai tamanha Bondade que, desculpando sempre os criminosos, não lhes quer chamar nem inimigos, nem carrascos.

Perdoai-me, ó meu Salvador, que minha culpa excede a deles, porquanto eu vos ofendi, embora soubesse que éreis o Messias, meu Salvador e meu Deus. Perdoai-me. Vossa Misericórdia será maior e, por conseguinte, mais digna ainda do vosso Coração. Se sou pródigo, sou todavia, filho. Eis-me aos vossos pés.

O sacerdote ora pelos mortos. Jesus na Cruz reza pelos mortos espirituais, pelos pecadores. Sua prece converte um dos dois celerados que primeiro o haviam insultado, blasfemando contra Ele. “Lembrai-vos de mim, Senhor, quando estiverdes no vosso Reino”, diz-lhe o bom ladrão. E Jesus responde-lhe: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”.

Ó meu Deus, pudesse eu, na hora da morte, fazer-vos o mesmo pedido e ouvir a mesma resposta! Lembrai-vos de mim nesse momento terrível, como vos lembrastes do ladrão penitente.

No “Pater”, o sacerdote invoca o Pai Celeste. Jesus na Cruz recomenda sua Alma ao Pai. Pedi a graça da perseverança final.

No “Libera nos”o sacerdote roga para ser preservado dos males desta vida. Jesus, no grande Amor que nos tem, tem sede de novos sofrimentos e bebe, para expiar nossas gulodices, o fel misturado com vinagre.

O sacerdote divide a Hóstia santa. Jesus inclina a cabeça, a fim de lançar sobre nós 
um último olhar todo de amor e expira, exclamando: Tudo está consumado.

É a Alma que se separa do Corpo! Adora, ó minha alma, a Jesus morrendo, e já que 
Ele morreu por ti, saibas tu também viver e morrer por Ele. Implorai a graça de uma morte boa e santa, nos braços de Jesus, Maria e José.

O sacerdote, no “Agnus Dei”, bate três vezes no peito. Enquanto Jesus expira, o sol se eclipsa de dor, a terra estremece apavorada, os túmulos se abrem. Então, carrascos e espectadores, batendo no peito, confessam publicamente seu erro, em presença de Jesus na Cruz, proclamam-no Filho de Deus e afastam-se contritos e perdoados. Uni-vos à sua contrição e merecereis o mesmo perdão.

O sacerdote bate no peito e comunga. Jesus é descido da Cruz, e colocado nos braços de sua Mãe dolorosa. É embalsamado, amortalhado num lençol branco e colocado num sepulcro novo.

Ó Jesus, ao receber-vos no meu corpo e na minha alma, desejo que meu coração seja não um túmulo, mas sim um templo alvo e puro, ornado de belas virtudes, onde só Vós reinareis.

Ofereço-vos minha alma para morada. Vinde nela habitar, qual Senhor supremo. 

Não seja eu um túmulo de morte, mas um tabernáculo vivo. Ah! Aproximai-vos de 
mim, pois longe de vós, desfaleço.

Acompanhai a Alma de Jesus enquanto desce ao limbo a levar às almas dos justos a sua libertação. Uni-vos à sua alegria, ao seu reconhecimento e dai-vos para sempre ao vosso Salvador e vosso Deus.

O sacerdote purifica o cálice e cobre-o com o véu. Jesus ergue-se do túmulo, glorioso e triunfante, encobrindo, todavia, por amor aos homens, o esplendor de sua Glória.

O sacerdote, em ação de graças, recita as orações. Jesus convida aos seus a se regozijarem pela sua vitória sobre a morte e sobre o inferno. Uni-vos ao júbilo dos discípulos e das santas mulheres em presença de Jesus ressuscitado.

O sacerdote abençoa o povo. Jesus abençoa seus discípulos. Inclinai-vos, confiante de receber uma Bênção que há de realizar tudo quanto promete.

O sacerdote lê o último Evangelho. É quase sempre o de São João, onde está descrita a Geração Eterna, temporal e espiritual do Verbo Encarnado.

Adorai a Jesus que subiu ao Céu para ali vos preparar um lugar. Contemplai-o reinando num trono de glória e enviando aos Apóstolos seu Espírito de Verdade e de Amor.

Pedi que esse Espírito divino habite em vós e vos dirija em tudo o que fizerdes no correr do dia, e que este, pela graça do Santo Sacrifício, seja todo santificado e tornado fecundo em obras de graça e de salvação.

O Santo Sacrifício divide-se em três partes: a primeira vai do começo da Missa ao 
Ofertório; a segunda, do Ofertório à Comunhão; a terceira, da Comunhão ao último Evangelho.


I
Enquanto o sacerdote ora aos pés do Altar e se humilha pelos seus pecados, deveis confessar vossas culpas e adorar a Deus em toda humildade, a fim de vos preparar para assistir dignamente ao Santo Sacrifício.
Durante o Intróito lembrai-vos dos santos desejos dos Patriarcas e Profetas, que ansiavam pela vinda do Messias, unindo-vos a eles para pedir a Jesus Cristo que venha a vós e em vós reine.
No Glória, uni-vos em espírito aos Anjos para louvar a Deus e agradecer-lhe o mistério da Encarnação.
Nas Orações, uni vossas intenções e vossos pedidos aos da Santa Igreja. Adorai o Deus infinitamente bondoso, de quem procede todo dom.
Prestai à Epistola a mesma atenção que prestaríeis se vos falassem os Profetas ou Apóstolos, e adorai a Santidade de Deus.
No Evangelho, ouvi a Jesus Cristo em Pessoa falando-vos e adorai a Verdade de Deus.
Recitai o Credo com vivos sentimentos de Fé, Fé essa que renovareis em união com a da Igreja, protestando, ao mesmo tempo, que defendereis, se preciso for, com vosso próprio sangue todas as verdades contidas no Símbolo.
II
Na segunda parte da Missa, unindo vossas intenções às do sacerdote, oferecei-a pelos quatro fins do Santo Sacrifício:
1.°) Como homenagem de suma adoração. Oferecei ao Pai Eterno as adorações do seu Filho Encarnado, unidas às vossas próprias adorações e às de toda a Igreja. Oferecei-vos também a vós mesmos com Jesus Cristo, para amá-lo e servi-lo.
2.°) Como homenagem de ação de graças. Oferecei o Santo Sacrifício ao Pai, a fim de lhe agradecer os méritos, as graças e a glória de Jesus Cristo; os méritos e a glória de Maria Santíssima, e de todos os Santos; todos os benefícios pessoais recebidos, e a receber, pelos méritos de seu Filho.
3.°) Como hóstia satisfatória. Oferecei-o para satisfazer todos os vossos pecados, e expiar todos os crimes que se cometem no mundo. Lembrai ao Pai Eterno que Ele nada nos pode recusar, já que nos deu seu Filho, que ali está em sua Presença, num estado de Sacrifício e de Vítima — Vítima que é dos nossos pecados e dos pecados de todos os homens.
4.°) Como sacrifício impetratório ou hóstia de oração. Oferecei ao Pai, como o penhor que nos deu do Amor Divino, para que, confiantes, possamos dele esperar, em abundância, os bens espirituais e temporais. Exponde-lhe as vossas necessidades e pedi-lhe instantemente a graça de vos corrigir do vosso defeito dominante.
No Lavabo, purificai-vos pela contrição a fim de vos tornardes uma verdadeira hóstia de louvor, agradável a Deus, o que lhe atrairá um olhar de complacência.
No Prefácio, uni-vos ao concerto da Corte Celeste, para louvar, bendizer e glorificar o Deus três vezes Santo por todos os seus dons de graça e de glória, e, sobretudo, por nos ter remido na Pessoa de Jesus Cristo.
No Cânon, associai-vos à piedade e ao amor dos Santos da Nova Lei, para, com eles, celebrar dignamente a nova encarnação e a nova imolação que se vão operar pela palavra do sacerdote. Pedi ao Pai Celeste que, nesse Sacrifício, abençoe a todos os outros sacrifícios que lhe ofertareis, quer de virtude, quer de santidade.
Enquanto o sacerdote, cercado por uma falange de Anjos, se inclina profundamente cheio de respeito ante a Ação Divina que lhe cabe realizar; enquanto fala e opera divinamente na Pessoa de Jesus Cristo, consagra o pão e o vinho no Corpo, no Sangue, na Alma e na Divindade do Homem-Deus, renovando o mistério da Ceia, admirai esse Poder inaudito, transmitido aos sacerdotes em vosso favor.
Depois, ao baixar Jesus sobre o Altar à palavra do seu ministro, adorai a Hóstia Santa, o cálice do Sangue de Jesus Cristo, clamando misericórdia por vós e recebei, qual outra Madalena, ao pé da Cruz, o Sangue que brota das Chagas de Jesus.
Oferecei essa Vítima divina à Justiça de Deus, por vós e por todos os homens, oferecei-a à sua Misericórdia infinita e divina, para que seu Coração, à vista das vossas próprias misérias, se enterneça e vos abra a fonte de sua Bondade sem fim.
Oferecei ainda essa mesma Vítima à Bondade de Deus, para que Ele aplique seus frutos de luz e de paz às almas padecentes do Purgatório, até que esse Sangue lhes apague as chamas e, purificando-as inteiramente, as torne dignas do Paraíso.
Recitai o Pater, com Jesus Cristo na Cruz, perdoando aos seus inimigos, e perdoai, por vossa vez, do fundo do coração e com toda sinceridade, àqueles que vos ofenderam.
No Libera nos, pedi a Deus que, por Maria e todos os Santos, vos livre dos pecados e dos males passados, presentes e futuros, bem como de toda ocasião de pecado.
No Agnus Dei, lembrai-vos dos carrascos convertidos no Calvário e, como eles, batei no peito. Depois recolhei-vos por meio dum ato de fé, humildade e de confiança, de amor e de desejo, e ide receber a Jesus Cristo.
III
Se não comungardes de fato, comungai espiritualmente, do seguinte modo:
Desejai ardentemente unir-vos a Jesus Cristo, confessando quão necessário é para vós viver de sua Vida. Recitai um ato de contrição perfeito, por todos os vossos pecados, passados e presentes, baseado na Bondade e Santidade de Deus.
Levai, em espírito, a Jesus Cristo ao fundo de vossa alma, pedindo-lhe para fazer-vos viver unicamente para Ele, já que não podeis viver senão por Ele.
Imitai a Zaqueu, tomando boas resoluções e agradecei a Nosso Senhor terdes podido assistir à Santa Missa e fazer a Comunhão espiritual. Oferecei-lhe, em ação de graças, uma homenagem particular, um sacrifício, um ato de virtude, e pedi a Nosso Senhor que abençoe a vós e a todos os vossos parentes e amigos.
No Intróito. Jesus ora pelos seus carrascos. “Pater, ignosce illis; non enim sciunt quid faciunt”. “Pai, perdoai-lhes, que não sabem o que fazem”. Ah! Vossa culpa excede a deles, porquanto vosso conhecimento de Jesus era maior, e assim mesmo o crucificastes, pelos vossos pecados. Pedi perdão a Jesus Cristo!
Nas Orações. O bom ladrão diz a Jesus: “Memento mei cum veneris in regnum tuum”. “Lembrai-vos de mim, quando estiverdes no vosso Reino”. E Jesus lhe respondeu: “Hodie mecum eris in paradiso”. “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”. O ladrão, grato, une seu sofrimento ao do Salvador. Pedi a mesma graça para hoje e o dia da vossa morte.
No Ofertório. Jesus dá São João a Maria por filho. “Mulier, ecce filius tuus”.  “Mulher, eis teu filho”. Sucederá a Jesus na sua qualidade de filho, enquanto na sua pessoa, todos os homens receberão a Maria por mãe. Agradecei a Nosso Senhor vo-la ter dado, e pedi a esta boa Mãe que vos ame e vos dirija em tudo o que for do serviço de Jesus.
No Prefácio“Fili, ecce Mater tua”. “Filho, eis tua Mãe”. É como filho que Maria vos recebe. Agradecei ao divino Salvador o belo título de filho de Maria, que vos dá direito tanto sobre seu Coração materno como sobre todos os seus bens.
Na Elevação“Sitio!” “Tenho sede!” Adorai a Jesus, novamente sacrificado no Altar, pedindo licença ao Pai para sofrer ainda por amor aos homens exclamando: “Tenho sede! Sede de corações! Sede de vossa glória!” Saciai essa sede ardente de Jesus, sede pelo sofrimento, pela salvação do mundo, pela reparação devida à Majestade de Deus tão ofendido, e sofrei e reparai com Ele.
No Pater“Deus meus, Deus meus, ut quid dereliquisti me?” “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” Adorai os santos e inefáveis abandonos por que passou o Salvador em expiação do abandono em que o deixastes a Ele e à sua santa Lei e protestai que nunca mais o abandonareis.
Na Comunhão. Jesus expira exclamando: “Pater, in manus tuas commendo spiritum meum. Consummatum est!” “Pai, entrego minha Alma em vossas Mãos. Tudo está consumado!” Adorai a Jesus na Santa Comunhão entregando a todos os homens tudo o que é — seu Corpo, seu Sangue, sua Alma e sua Divindade. Uni-vos ao seu Ministro e adorai a Jesus descido da Cruz e colocado nos braços de sua Santíssima Mãe. Recebei-o também e apertai-o junto ao coração, onde o guardareis para sempre.
Método curto e devoto, para assistir com fruto à Santa Missa
(São Leonardo de Porto-Maurício, As Excelências da Santa Missa)
Era opinião de São João Crisóstomo, opinião aprovada e confirmada por São Gregório, no quarto de seus Diálogos, que, no momento em que o padre celebra a Missa, os céus se abrem, e multidões de Anjos descem do Paraíso para assistir ao Santo Sacrifício. São Nilo abade, discípulo do mesmo São João Crisóstomo, afirma que via, quando este santo doutor celebrava, uma grande multidão daqueles espíritos celestes assistindo os ministros sagrados em suas augustas funções.
Eis o meio mais adequado para assistir com fruto à Santa Missa: consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes diante do altar, como o faríeis diante do trono de DEUS, em companhia dos Santos Anjos. Vede, por conseguinte, que modéstia, que respeito, que recolhimento são necessários para receber o fruto e as graças que DEUS costuma conceder àqueles que honram, com sua piedosa atitude, mistérios tão santos.
Entre os hebreus, enquanto se celebravam os sacrifícios da antiga Lei, nos quais se ofereciam apenas touros, cordeiros e outros animais, era coisa digna de admiração ver com quanto recolhimento, modéstia e silêncio o povo todo acompanhava. E, se bem que o número de assistentes fosse incalculável, além dos setecentos ministros que sacrificavam, parecia, no entanto, que o templo estava vazio, pois não se ouvia o menor ruído, nem um sopro. Ora, se havia tanto respeito e veneração por esses sacrifícios que, afinal, não eram mais que uma sombra e figura do nosso, que silêncio, que atenção, que devoção não merece a Santa Missa, na qual o próprio Cordeiro Imaculado, o Verbo de DEUS, se imola por nós?!
Bem o compreendia Santo Ambrósio. No testemunho de Cesário, quando ele celebrava a Santa Missa, após o Evangelho virava-se para o povo e o exortava a um piedoso recolhimento e impunha a todos guardar o mais rigoroso silêncio, não só proibindo a menor palavra, mas ainda abstendo-se de tossir ou fazer qualquer ruído. E era obedecido. Quem quer que assistisse à Santa Missa do santo Bispo, sentia-se tomado de profundo respeito e comovido até ao fundo da alma, tirando assim grande proveito e acréscimo de graças
Método para assistir à Santa Missa pela meditação da Paixão
(São Pedro Julião Eymard, A Divina Eucaristia, Vol 2)
Para assistir devotamente à Santa Missa, meditai nos diversos passos da Paixão do Salvador, renovados ali de maneira tão admirável.
Preparação — Considerai o Templo como o lugar mais santo e respeitável do mundo, como um novo Calvário. O Altar, de pedra, contém os ossos dos Mártires. Os círios, que ardem e se consomem, são o símbolo da fé, esperança e caridade. As toalhas brancas, que cobrem o Altar, lembram-nos as mortalhas em que foi envolvido o Corpo de Jesus Cristo. O Crucifixo no-lo representa morrendo por nós.
No sacerdote, vede Jesus Cristo com as vestes de sua Paixão: no amito, o pedaço de tecido com que os carrascos velaram a Face do Salvador; na alva, a túnica branca de escárnio com que o vestiu o impudico Herodes; no cordão, os laços com que os Judeus o ataram no Jardim das Oliveiras, a fim de levá-lo aos tribunais; no manípulo, as cadeias com que foi preso à coluna de flagelação; na estola, as cordas com que o puxaram pelas ruas de Jerusalém com a Cruz às costas; na casula, o manto púrpura que lhe lançaram no pretório, ou a Cruz que lhe impuseram.
Numa palavra, o ministro, trazendo as vestes sacerdotais, representa-nos o próprio Jesus Cristo, caminhando para o suplício do Calvário. E, além disso, ensina-nos quais as disposições com que nos devemos apresentar ao Santo Sacrifício.
O amito, colocado primeiro na cabeça e logo depois nos ombros, é símbolo da modéstia e do recolhimento; a alva branca e o cordão, da pureza; o manípulo, da contrição; a estola, da veste de inocência; a casula, do amor da cruz e do jugo do Senhor.
O sacerdote entra e se aproxima do altar levando o cálice. Vede Jesus dirigindo-se ao Jardim de Getsêmani para ali começar sua Paixão de Amor. Com os Apóstolos, acompanhai-o, mas ficai a velar e rogar com Ele. Afastai toda distração e todo pensamento alheios a tão tremendo Mistério.
O sacerdote, aos pés do Altar, inclina-se, ora e humilha-se profundamente, à vista dos seus pecados. Jesus, no Jardim, prostra-se com a face por terra; humilha-se pelos pecadores; um suor de Sangue, fruto de sua imensa dor, corre-lhe pelo Corpo, ensangüentando-lhe as vestes, manchando a terra. É que Ele tomou para si nossos pecados, com toda a amargura inerente.
A vós, então, cabe confessar com o sacerdote vossas faltas; com ele pedir humildemente perdão e receber a absolvição, para que, purificado, possais assistir ao Santo Sacrifício. Se esta só consideração vos ocupar durante todo o Sacrifício; se vos for dado participar dos sentimentos e da agonia de Jesus; se a graça vos retiver ao seu lado, está bem. De outra forma, acompanhai-o no percurso da Paixão.
O sacerdote, subindo o Altar, beija-o. Judas, chegando ao Jardim das Oliveiras, dá a Jesus um beijo pérfido. Ah! Quantos não tem ele recebido dos seus filhos e ministros infiéis!
Ai de mim! Nunca o traí eu? Nunca o entreguei aos seus inimigos ou às minhas paixões? E, no entanto, Ele muito me amou!
Podeis também contemplar a Jesus preso, tornando a Jerusalém, a fim de comparecer perante seus inimigos e deixando-se levar com a doçura do Cordeiro. Pedi-lhe a paciência e a mansidão nas provações por parte do próximo.
O sacerdote começa o intróito e benze-se. Jesus é conduzido à presença do sumo Pontífice Caifás, onde Pedro o renega. Ah! Quantas vezes não reneguei a sua verdade, a sua lei, as minhas promessas! E não foi nem o temor, nem a surpresa que me levaram a renegar meu Salvador. Ai de mim! Sou, por conseguinte, mais culpado do que Pedro, cujas lágrimas correram sem demora, uma vez cometida a culpa. E ele chorou-a toda a vida, enquanto meu coração permanece duro e insensível.
O sacerdote recita o Kyrie. Jesus clama ao Pai por nós. Aceitai, com Ele, todos os sacrifícios que Deus vos pedir.
O sacerdote recita as Orações e a Epístola. Jesus, em presença de Caifás, confessa sua Divindade, ciente de que a sentença de morte lhe virá punir semelhante declaração.
Meu Deus, fortificai, aumentai minha fé nessa mesma Divindade, para que, mesmo em perigo de vida, eu a adore, a ame e a confesse, feliz em poder dar meu sangue para defendê-la.
O sacerdote lê o Evangelho. Jesus, na presença de Pilatos, dá testemunho de sua realeza. Sede sempre, ó Jesus, rei do meu espírito pela vossa Verdade, rei do meu coração pelo vosso Amor, rei do meu corpo pela vossa Pureza, rei de toda a minha vida pela vontade que tenho de consagrá-la à vossa maior Glória.
Recitai em seguida o Credo, com fé e piedade, lembrando-vos de que o Salvador morreu em defesa da Verdade.
O sacerdote oferece o pão e o vinho do sacrifício, a hóstia a Deus Pai. Pilatos apresenta Jesus ao povo exclamando: Ecce Homo, eis o Homem! Seu estado excita compaixão. A flagelação feriu-o até o Sangue, e a coroa de espinhos lhe ensangüentou a Face. Um manto de púrpura, já gasto, junto à vara que leva na mão, fazem dele um rei de comédia. Pilatos propõe ao povo que lhe conceda a liberdade. Mas este não quer e responde: Seja crucificado! Crucifigatur! E nesse momento Jesus se oferecia ao Pai pela salvação do mundo todo e do seu povo em particular, e o Pai aceitava sua oblação.
Ofereço-vos, com o sacerdote, ó Pai Santo, a Hóstia pura e imaculada de minha salvação e da salvação de todos os homens. Ofereço-vos, em união com essa oblação divina, minha alma, meu corpo e minha vida. Quero continuar a fazer reviver em mim a santidade, as virtudes e a penitência de vosso divino Filho. O Domine, regna super nos.
O sacerdote lava as mãos. Pilatos também lavou as mãos para protestar a inocência de Jesus. Ah! Meu Salvador, lavai-me no vosso Sangue puríssimo e purificai-me dos muitos pecados e imperfeições que maculam minha vida.
O sacerdote convida os fiéis, no Prefácio, a louvar a Deus. Jesus, Homem das Dores, há pouco aclamado por aqueles que hoje o coroam de espinhos e o atam num poste, recebe ali as homenagens derrisórias e sacrílegas de seus carrascos, que o atormentam com ultrajes indignos, lhe cospem na Face e dele zombam. Ai de nós! Tais são as homenagens que nosso orgulho, nossa sensualidade, nosso respeito humano rendem a Jesus Cristo!
No Cânon, o sacerdote inclina-se, ora e santifica as ofertas por numerosos Sinais-da-Cruz. Jesus curva os ombros sob o fardo da Cruz. Toma-a com amor, beija-a, leva-a com carinho, encaminhando-se para o Calvário, dobrado sob esse peso de amor. Ah! Ele carrega meus pecados a fim de expiá-los, e minhas cruzes a fim de santificá-las. Sigamos Jesus Cristo, levando a Cruz e subindo penosamente o monte Calvário. Acompanhemo-lo com Maria, as santas mulheres e Simão, o Cireneu.
O sacerdote impõe as mãos sobre o cálice e a hóstia. Os carrascos, apoderando-se de Jesus Cristo, despem-no violentamente, e estendem-no sobre a Cruz, onde o crucificam.
Consagração e Elevação. O sacerdote consagra o pão e vinho no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Adora, de joelhos, seu Salvador e seu Deus, real e verdadeiramente presente em suas mãos. Eleva-o, em seguida, apresentando-o à adoração dos fiéis. É Jesus erguido na Cruz, entre o céu e a terra, qual Vítima e Mediador entre Deus irritado e nós, míseros pecadores.
Adorai e oferecei esta Vítima Divina em expiação, não somente pelos vossos próprios pecados, mas também pelos pecados dos homens em geral e dos vossos pais, parentes e amigos em particular. Prostrados a seus pés, seja o grito de vosso coração: Meu Senhor e meu Deus!
Considerai a Jesus estendido no Altar, como outrora na Cruz, adorando ao Pai, no profundo aniquilamento de sua própria Glória, rendendo-lhe graças por todos os bens concedidos aos homens seus irmãos — e irmãos redimidos — mostrando-lhe as Chagas, ainda abertas, que pedem graça e misericórdia pelos pecadores; rezando por nós de tal forma, que o Pai nada lhe pode recusar, a Ele, seu Filho, e Filho que se imolou por amor à sua Glória.
Prestai ao próprio Jesus o culto que Ele presta ao Pai. Adoro-vos, ó meu Salvador presente realmente sobre o Altar para renovar em meu benefício o Sacrifício do Calvário. A vós que sois o Cordeiro, ainda e diariamente imolado, bênção, glória e poder nos séculos dos séculos! Rendo-vos, agora, e por toda a eternidade vos renderei ações de graças pelo grande Amor que me manifestastes.
O sacerdote invoca, profundamente inclinado, a Clemência Divina para si e para todos. É Jesus quem diz: Pai, perdoai-lhes, que não sabem o que fazem. Adorai tamanha Bondade que, desculpando sempre os criminosos, não lhes quer chamar nem inimigos, nem carrascos.
Perdoai-me, ó meu Salvador, que minha culpa excede a deles, porquanto eu vos ofendi, embora soubesse que éreis o Messias, meu Salvador e meu Deus. Perdoai-me. Vossa Misericórdia será maior e, por conseguinte, mais digna ainda do vosso Coração. Se sou pródigo, sou todavia, filho. Eis-me aos vossos pés.
O sacerdote ora pelos mortos. Jesus na Cruz reza pelos mortos espirituais, pelos pecadores. Sua prece converte um dos dois celerados que primeiro o haviam insultado, blasfemando contra Ele. “Lembrai-vos de mim, Senhor, quando estiverdes no vosso Reino”, diz-lhe o bom ladrão. E Jesus responde-lhe: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”.
Ó meu Deus, pudesse eu, na hora da morte, fazer-vos o mesmo pedido e ouvir a mesma resposta! Lembrai-vos de mim nesse momento terrível, como vos lembrastes do ladrão penitente.
No “Pater”, o sacerdote invoca o Pai Celeste. Jesus na Cruz recomenda sua Alma ao Pai. Pedi a graça da perseverança final.
No “Libera nos”o sacerdote roga para ser preservado dos males desta vida. Jesus, no grande Amor que nos tem, tem sede de novos sofrimentos e bebe, para expiar nossas gulodices, o fel misturado com vinagre.
O sacerdote divide a Hóstia santa. Jesus inclina a cabeça, a fim de lançar sobre nós um último olhar todo de amor e expira, exclamando: Tudo está consumado.
É a Alma que se separa do Corpo! Adora, ó minha alma, a Jesus morrendo, e já que Ele morreu por ti, saibas tu também viver e morrer por Ele. Implorai a graça de uma morte boa e santa, nos braços de Jesus, Maria e José.
O sacerdote, no “Agnus Dei”, bate três vezes no peito. Enquanto Jesus expira, o sol se eclipsa de dor, a terra estremece apavorada, os túmulos se abrem. Então, carrascos e espectadores, batendo no peito, confessam publicamente seu erro, em presença de Jesus na Cruz, proclamam-no Filho de Deus e afastam-se contritos e perdoados. Uni-vos à sua contrição e merecereis o mesmo perdão.
O sacerdote bate no peito e comunga. Jesus é descido da Cruz, e colocado nos braços de sua Mãe dolorosa. É embalsamado, amortalhado num lençol branco e colocado num sepulcro novo.
Ó Jesus, ao receber-vos no meu corpo e na minha alma, desejo que meu coração seja não um túmulo, mas sim um templo alvo e puro, ornado de belas virtudes, onde só Vós reinareis.
Ofereço-vos minha alma para morada. Vinde nela habitar, qual Senhor supremo. Não seja eu um túmulo de morte, mas um tabernáculo vivo. Ah! Aproximai-vos de mim, pois longe de vós, desfaleço.
Acompanhai a Alma de Jesus enquanto desce ao limbo a levar às almas dos justos a sua libertação. Uni-vos à sua alegria, ao seu reconhecimento e dai-vos para sempre ao vosso Salvador e vosso Deus.
O sacerdote purifica o cálice e cobre-o com o véu. Jesus ergue-se do túmulo, glorioso e triunfante, encobrindo, todavia, por amor aos homens, o esplendor de sua Glória.
O sacerdote, em ação de graças, recita as orações. Jesus convida aos seus a se regozijarem pela sua vitória sobre a morte e sobre o inferno. Uni-vos ao júbilo dos discípulos e das santas mulheres em presença de Jesus ressuscitado.
O sacerdote abençoa o povo. Jesus abençoa seus discípulos. Inclinai-vos, confiante de receber uma Bênção que há de realizar tudo quanto promete.
O sacerdote lê o último Evangelho. É quase sempre o de São João, onde está descrita a Geração Eterna, temporal e espiritual do Verbo Encarnado.
Adorai a Jesus que subiu ao Céu para ali vos preparar um lugar. Contemplai-o reinando num trono de glória e enviando aos Apóstolos seu Espírito de Verdade e de Amor.
Pedi que esse Espírito divino habite em vós e vos dirija em tudo o que fizerdes no correr do dia, e que este, pela graça do Santo Sacrifício, seja todo santificado e tornado fecundo em obras de graça e de salvação.
Do método para assistir à Santa Missa em união com o espírito do Santo Sacrifício
(São Pedro Julião Eymard, A Divina Eucaristia, Vol 2)
O Santo Sacrifício divide-se em três partes: a primeira vai do começo da Missa ao Ofertório; a segunda, do Ofertório à Comunhão; a terceira, da Comunhão ao último Evangelho.
I
Enquanto o sacerdote ora aos pés do Altar e se humilha pelos seus pecados, deveis confessar vossas culpas e adorar a Deus em toda humildade, a fim de vos preparar para assistir dignamente ao Santo Sacrifício.
Durante o Intróito lembrai-vos dos santos desejos dos Patriarcas e Profetas, que ansiavam pela vinda do Messias, unindo-vos a eles para pedir a Jesus Cristo que venha a vós e em vós reine.
No Glória, uni-vos em espírito aos Anjos para louvar a Deus e agradecer-lhe o mistério da Encarnação.
Nas Orações, uni vossas intenções e vossos pedidos aos da Santa Igreja. Adorai o Deus infinitamente bondoso, de quem procede todo dom.
Prestai à Epistola a mesma atenção que prestaríeis se vos falassem os Profetas ou Apóstolos, e adorai a Santidade de Deus.
No Evangelho, ouvi a Jesus Cristo em Pessoa falando-vos e adorai a Verdade de Deus.
Recitai o Credo com vivos sentimentos de Fé, Fé essa que renovareis em união com a da Igreja, protestando, ao mesmo tempo, que defendereis, se preciso for, com vosso próprio sangue todas as verdades contidas no Símbolo.

II
Na segunda parte da Missa, unindo vossas intenções às do sacerdote, oferecei-a pelos quatro fins do Santo Sacrifício:
1.°) Como homenagem de suma adoração. Oferecei ao Pai Eterno as adorações do seu Filho Encarnado, unidas às vossas próprias adorações e às de toda a Igreja. Oferecei-vos também a vós mesmos com Jesus Cristo, para amá-lo e servi-lo.
2.°) Como homenagem de ação de graças. Oferecei o Santo Sacrifício ao Pai, a fim de lhe agradecer os méritos, as graças e a glória de Jesus Cristo; os méritos e a glória de Maria Santíssima, e de todos os Santos; todos os benefícios pessoais recebidos, e a receber, pelos méritos de seu Filho.
3.°) Como hóstia satisfatória. Oferecei-o para satisfazer todos os vossos pecados, e expiar todos os crimes que se cometem no mundo. Lembrai ao Pai Eterno que Ele nada nos pode recusar, já que nos deu seu Filho, que ali está em sua Presença, num estado de Sacrifício e de Vítima — Vítima que é dos nossos pecados e dos pecados de todos os homens.
4.°) Como sacrifício impetratório ou hóstia de oração. Oferecei ao Pai, como o penhor que nos deu do Amor Divino, para que, confiantes, possamos dele esperar, em abundância, os bens espirituais e temporais. Exponde-lhe as vossas necessidades e pedi-lhe instantemente a graça de vos corrigir do vosso defeito dominante.
No Lavabo, purificai-vos pela contrição a fim de vos tornardes uma verdadeira hóstia de louvor, agradável a Deus, o que lhe atrairá um olhar de complacência.
No Prefácio, uni-vos ao concerto da Corte Celeste, para louvar, bendizer e glorificar o Deus três vezes Santo por todos os seus dons de graça e de glória, e, sobretudo, por nos ter remido na Pessoa de Jesus Cristo.
No Cânon, associai-vos à piedade e ao amor dos Santos da Nova Lei, para, com eles, celebrar dignamente a nova encarnação e a nova imolação que se vão operar pela palavra do sacerdote. Pedi ao Pai Celeste que, nesse Sacrifício, abençoe a todos os outros sacrifícios que lhe ofertareis, quer de virtude, quer de santidade.
Enquanto o sacerdote, cercado por uma falange de Anjos, se inclina profundamente cheio de respeito ante a Ação Divina que lhe cabe realizar; enquanto fala e opera divinamente na Pessoa de Jesus Cristo, consagra o pão e o vinho no Corpo, no Sangue, na Alma e na Divindade do Homem-Deus, renovando o mistério da Ceia, admirai esse Poder inaudito, transmitido aos sacerdotes em vosso favor.
Depois, ao baixar Jesus sobre o Altar à palavra do seu ministro, adorai a Hóstia Santa, o cálice do Sangue de Jesus Cristo, clamando misericórdia por vós e recebei, qual outra Madalena, ao pé da Cruz, o Sangue que brota das Chagas de Jesus.
Oferecei essa Vítima divina à Justiça de Deus, por vós e por todos os homens, oferecei-a à sua Misericórdia infinita e divina, para que seu Coração, à vista das vossas próprias misérias, se enterneça e vos abra a fonte de sua Bondade sem fim.
Oferecei ainda essa mesma Vítima à Bondade de Deus, para que Ele aplique seus frutos de luz e de paz às almas padecentes do Purgatório, até que esse Sangue lhes apague as chamas e, purificando-as inteiramente, as torne dignas do Paraíso.
Recitai o Pater, com Jesus Cristo na Cruz, perdoando aos seus inimigos, e perdoai, por vossa vez, do fundo do coração e com toda sinceridade, àqueles que vos ofenderam.
No Libera nos, pedi a Deus que, por Maria e todos os Santos, vos livre dos pecados e dos males passados, presentes e futuros, bem como de toda ocasião de pecado.
No Agnus Dei, lembrai-vos dos carrascos convertidos no Calvário e, como eles, batei no peito. Depois recolhei-vos por meio dum ato de fé, humildade e de confiança, de amor e de desejo, e ide receber a Jesus Cristo.
III
Se não comungardes de fato, comungai espiritualmente, do seguinte modo:
Desejai ardentemente unir-vos a Jesus Cristo, confessando quão necessário é para vós viver de sua Vida. Recitai um ato de contrição perfeito, por todos os vossos pecados, passados e presentes, baseado na Bondade e Santidade de Deus.
Levai, em espírito, a Jesus Cristo ao fundo de vossa alma, pedindo-lhe para fazer-vos viver unicamente para Ele, já que não podeis viver senão por Ele.
Imitai a Zaqueu, tomando boas resoluções e agradecei a Nosso Senhor terdes podido assistir à Santa Missa e fazer a Comunhão espiritual. Oferecei-lhe, em ação de graças, uma homenagem particular, um sacrifício, um ato de virtude, e pedi a Nosso Senhor que abençoe a vós e a todos os vossos parentes e amigos.
Método para assistir à Santa Missa pela meditação da Paixão
(São Pedro Julião Eymard, A Divina Eucaristia, Vol 2)
Para assistir devotamente à Santa Missa, meditai nos diversos passos da Paixão do Salvador, renovados ali de maneira tão admirável.
Preparação — Considerai o Templo como o lugar mais santo e respeitável do mundo, como um novo Calvário. O Altar, de pedra, contém os ossos dos Mártires. Os círios, que ardem e se consomem, são o símbolo da fé, esperança e caridade. As toalhas brancas, que cobrem o Altar, lembram-nos as mortalhas em que foi envolvido o Corpo de Jesus Cristo. O Crucifixo no-lo representa morrendo por nós.
No sacerdote, vede Jesus Cristo com as vestes de sua Paixão: no amito, o pedaço de tecido com que os carrascos velaram a Face do Salvador; na alva, a túnica branca de escárnio com que o vestiu o impudico Herodes; no cordão, os laços com que os Judeus o ataram no Jardim das Oliveiras, a fim de levá-lo aos tribunais; no manípulo, as cadeias com que foi preso à coluna de flagelação; na estola, as cordas com que o puxaram pelas ruas de Jerusalém com a Cruz às costas; na casula, o manto púrpura que lhe lançaram no pretório, ou a Cruz que lhe impuseram.
Numa palavra, o ministro, trazendo as vestes sacerdotais, representa-nos o próprio Jesus Cristo, caminhando para o suplício do Calvário. E, além disso, ensina-nos quais as disposições com que nos devemos apresentar ao Santo Sacrifício.
O amito, colocado primeiro na cabeça e logo depois nos ombros, é símbolo da modéstia e do recolhimento; a alva branca e o cordão, da pureza; o manípulo, da contrição; a estola, da veste de inocência; a casula, do amor da cruz e do jugo do Senhor.
O sacerdote entra e se aproxima do altar levando o cálice. Vede Jesus dirigindo-se ao Jardim de Getsêmani para ali começar sua Paixão de Amor. Com os Apóstolos, acompanhai-o, mas ficai a velar e rogar com Ele. Afastai toda distração e todo pensamento alheios a tão tremendo Mistério.
O sacerdote, aos pés do Altar, inclina-se, ora e humilha-se profundamente, à vista dos seus pecados. Jesus, no Jardim, prostra-se com a face por terra; humilha-se pelos pecadores; um suor de Sangue, fruto de sua imensa dor, corre-lhe pelo Corpo, ensangüentando-lhe as vestes, manchando a terra. É que Ele tomou para si nossos pecados, com toda a amargura inerente.
A vós, então, cabe confessar com o sacerdote vossas faltas; com ele pedir humildemente perdão e receber a absolvição, para que, purificado, possais assistir ao Santo Sacrifício. Se esta só consideração vos ocupar durante todo o Sacrifício; se vos for dado participar dos sentimentos e da agonia de Jesus; se a graça vos retiver ao seu lado, está bem. De outra forma, acompanhai-o no percurso da Paixão.
O sacerdote, subindo o Altar, beija-o. Judas, chegando ao Jardim das Oliveiras, dá a Jesus um beijo pérfido. Ah! Quantos não tem ele recebido dos seus filhos e ministros infiéis!
Ai de mim! Nunca o traí eu? Nunca o entreguei aos seus inimigos ou às minhas paixões? E, no entanto, Ele muito me amou!
Podeis também contemplar a Jesus preso, tornando a Jerusalém, a fim de comparecer perante seus inimigos e deixando-se levar com a doçura do Cordeiro. Pedi-lhe a paciência e a mansidão nas provações por parte do próximo.
O sacerdote começa o intróito e benze-se. Jesus é conduzido à presença do sumo Pontífice Caifás, onde Pedro o renega. Ah! Quantas vezes não reneguei a sua verdade, a sua lei, as minhas promessas! E não foi nem o temor, nem a surpresa que me levaram a renegar meu Salvador. Ai de mim! Sou, por conseguinte, mais culpado do que Pedro, cujas lágrimas correram sem demora, uma vez cometida a culpa. E ele chorou-a toda a vida, enquanto meu coração permanece duro e insensível.
O sacerdote recita o Kyrie. Jesus clama ao Pai por nós. Aceitai, com Ele, todos os sacrifícios que Deus vos pedir.
O sacerdote recita as Orações e a Epístola. Jesus, em presença de Caifás, confessa sua Divindade, ciente de que a sentença de morte lhe virá punir semelhante declaração.
Meu Deus, fortificai, aumentai minha fé nessa mesma Divindade, para que, mesmo em perigo de vida, eu a adore, a ame e a confesse, feliz em poder dar meu sangue para defendê-la.
O sacerdote lê o Evangelho. Jesus, na presença de Pilatos, dá testemunho de sua realeza. Sede sempre, ó Jesus, rei do meu espírito pela vossa Verdade, rei do meu coração pelo vosso Amor, rei do meu corpo pela vossa Pureza, rei de toda a minha vida pela vontade que tenho de consagrá-la à vossa maior Glória.
Recitai em seguida o Credo, com fé e piedade, lembrando-vos de que o Salvador morreu em defesa da Verdade.
O sacerdote oferece o pão e o vinho do sacrifício, a hóstia a Deus Pai. Pilatos apresenta Jesus ao povo exclamando: Ecce Homo, eis o Homem! Seu estado excita compaixão. A flagelação feriu-o até o Sangue, e a coroa de espinhos lhe ensangüentou a Face. Um manto de púrpura, já gasto, junto à vara que leva na mão, fazem dele um rei de comédia. Pilatos propõe ao povo que lhe conceda a liberdade. Mas este não quer e responde: Seja crucificado! Crucifigatur! E nesse momento Jesus se oferecia ao Pai pela salvação do mundo todo e do seu povo em particular, e o Pai aceitava sua oblação.
Ofereço-vos, com o sacerdote, ó Pai Santo, a Hóstia pura e imaculada de minha salvação e da salvação de todos os homens. Ofereço-vos, em união com essa oblação divina, minha alma, meu corpo e minha vida. Quero continuar a fazer reviver em mim a santidade, as virtudes e a penitência de vosso divino Filho. O Domine, regna super nos.
O sacerdote lava as mãos. Pilatos também lavou as mãos para protestar a inocência de Jesus. Ah! Meu Salvador, lavai-me no vosso Sangue puríssimo e purificai-me dos muitos pecados e imperfeições que maculam minha vida.
O sacerdote convida os fiéis, no Prefácio, a louvar a Deus. Jesus, Homem das Dores, há pouco aclamado por aqueles que hoje o coroam de espinhos e o atam num poste, recebe ali as homenagens derrisórias e sacrílegas de seus carrascos, que o atormentam com ultrajes indignos, lhe cospem na Face e dele zombam. Ai de nós! Tais são as homenagens que nosso orgulho, nossa sensualidade, nosso respeito humano rendem a Jesus Cristo!
No Cânon, o sacerdote inclina-se, ora e santifica as ofertas por numerosos Sinais-da-Cruz. Jesus curva os ombros sob o fardo da Cruz. Toma-a com amor, beija-a, leva-a com carinho, encaminhando-se para o Calvário, dobrado sob esse peso de amor. Ah! Ele carrega meus pecados a fim de expiá-los, e minhas cruzes a fim de santificá-las. Sigamos Jesus Cristo, levando a Cruz e subindo penosamente o monte Calvário. Acompanhemo-lo com Maria, as santas mulheres e Simão, o Cireneu.
O sacerdote impõe as mãos sobre o cálice e a hóstia. Os carrascos, apoderando-se de Jesus Cristo, despem-no violentamente, e estendem-no sobre a Cruz, onde o crucificam.
Consagração e Elevação. O sacerdote consagra o pão e vinho no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Adora, de joelhos, seu Salvador e seu Deus, real e verdadeiramente presente em suas mãos. Eleva-o, em seguida, apresentando-o à adoração dos fiéis. É Jesus erguido na Cruz, entre o céu e a terra, qual Vítima e Mediador entre Deus irritado e nós, míseros pecadores.
Adorai e oferecei esta Vítima Divina em expiação, não somente pelos vossos próprios pecados, mas também pelos pecados dos homens em geral e dos vossos pais, parentes e amigos em particular. Prostrados a seus pés, seja o grito de vosso coração: Meu Senhor e meu Deus!
Considerai a Jesus estendido no Altar, como outrora na Cruz, adorando ao Pai, no profundo aniquilamento de sua própria Glória, rendendo-lhe graças por todos os bens concedidos aos homens seus irmãos — e irmãos redimidos — mostrando-lhe as Chagas, ainda abertas, que pedem graça e misericórdia pelos pecadores; rezando por nós de tal forma, que o Pai nada lhe pode recusar, a Ele, seu Filho, e Filho que se imolou por amor à sua Glória.
Prestai ao próprio Jesus o culto que Ele presta ao Pai. Adoro-vos, ó meu Salvador presente realmente sobre o Altar para renovar em meu benefício o Sacrifício do Calvário. A vós que sois o Cordeiro, ainda e diariamente imolado, bênção, glória e poder nos séculos dos séculos! Rendo-vos, agora, e por toda a eternidade vos renderei ações de graças pelo grande Amor que me manifestastes.
O sacerdote invoca, profundamente inclinado, a Clemência Divina para si e para todos. É Jesus quem diz: Pai, perdoai-lhes, que não sabem o que fazem. Adorai tamanha Bondade que, desculpando sempre os criminosos, não lhes quer chamar nem inimigos, nem carrascos.
Perdoai-me, ó meu Salvador, que minha culpa excede a deles, porquanto eu vos ofendi, embora soubesse que éreis o Messias, meu Salvador e meu Deus. Perdoai-me. Vossa Misericórdia será maior e, por conseguinte, mais digna ainda do vosso Coração. Se sou pródigo, sou todavia, filho. Eis-me aos vossos pés.
O sacerdote ora pelos mortos. Jesus na Cruz reza pelos mortos espirituais, pelos pecadores. Sua prece converte um dos dois celerados que primeiro o haviam insultado, blasfemando contra Ele. “Lembrai-vos de mim, Senhor, quando estiverdes no vosso Reino”, diz-lhe o bom ladrão. E Jesus responde-lhe: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”.
Ó meu Deus, pudesse eu, na hora da morte, fazer-vos o mesmo pedido e ouvir a mesma resposta! Lembrai-vos de mim nesse momento terrível, como vos lembrastes do ladrão penitente.
No “Pater”, o sacerdote invoca o Pai Celeste. Jesus na Cruz recomenda sua Alma ao Pai. Pedi a graça da perseverança final.
No “Libera nos”o sacerdote roga para ser preservado dos males desta vida. Jesus, no grande Amor que nos tem, tem sede de novos sofrimentos e bebe, para expiar nossas gulodices, o fel misturado com vinagre.
O sacerdote divide a Hóstia santa. Jesus inclina a cabeça, a fim de lançar sobre nós um último olhar todo de amor e expira, exclamando: Tudo está consumado.
É a Alma que se separa do Corpo! Adora, ó minha alma, a Jesus morrendo, e já que Ele morreu por ti, saibas tu também viver e morrer por Ele. Implorai a graça de uma morte boa e santa, nos braços de Jesus, Maria e José.
O sacerdote, no “Agnus Dei”, bate três vezes no peito. Enquanto Jesus expira, o sol se eclipsa de dor, a terra estremece apavorada, os túmulos se abrem. Então, carrascos e espectadores, batendo no peito, confessam publicamente seu erro, em presença de Jesus na Cruz, proclamam-no Filho de Deus e afastam-se contritos e perdoados. Uni-vos à sua contrição e merecereis o mesmo perdão.
O sacerdote bate no peito e comunga. Jesus é descido da Cruz, e colocado nos braços de sua Mãe dolorosa. É embalsamado, amortalhado num lençol branco e colocado num sepulcro novo.
Ó Jesus, ao receber-vos no meu corpo e na minha alma, desejo que meu coração seja não um túmulo, mas sim um templo alvo e puro, ornado de belas virtudes, onde só Vós reinareis.
Ofereço-vos minha alma para morada. Vinde nela habitar, qual Senhor supremo. Não seja eu um túmulo de morte, mas um tabernáculo vivo. Ah! Aproximai-vos de mim, pois longe de vós, desfaleço.
Acompanhai a Alma de Jesus enquanto desce ao limbo a levar às almas dos justos a sua libertação. Uni-vos à sua alegria, ao seu reconhecimento e dai-vos para sempre ao vosso Salvador e vosso Deus.
O sacerdote purifica o cálice e cobre-o com o véu. Jesus ergue-se do túmulo, glorioso e triunfante, encobrindo, todavia, por amor aos homens, o esplendor de sua Glória.
O sacerdote, em ação de graças, recita as orações. Jesus convida aos seus a se regozijarem pela sua vitória sobre a morte e sobre o inferno. Uni-vos ao júbilo dos discípulos e das santas mulheres em presença de Jesus ressuscitado.
O sacerdote abençoa o povo. Jesus abençoa seus discípulos. Inclinai-vos, confiante de receber uma Bênção que há de realizar tudo quanto promete.
O sacerdote lê o último Evangelho. É quase sempre o de São João, onde está descrita a Geração Eterna, temporal e espiritual do Verbo Encarnado.
Adorai a Jesus que subiu ao Céu para ali vos preparar um lugar. Contemplai-o reinando num trono de glória e enviando aos Apóstolos seu Espírito de Verdade e de Amor.
Pedi que esse Espírito divino habite em vós e vos dirija em tudo o que fizerdes no correr do dia, e que este, pela graça do Santo Sacrifício, seja todo santificado e tornado fecundo em obras de graça e de salvação.
Método de São Francisco de Sales (Introdução à vida devota)
 Proponho-te um método de ouvir a Missa devotamente.
 a. Desde o começo da Missa até o padre subir ao altar, faze com ele a preparação que consiste em te apresentares a Deus, em confessares a tua indignidade e em pedires perdão de teus pecados.
b. Depois de subir o padre ao altar, até ao Evangelho, considera a vinda e a vida de Nosso Senhor neste mundo, lembrando-te delas com uma representação simples e geral.
c. Do Evangelho até depois do Credo considera a pregação de Nosso Senhor; protesta-lhe sinceramente que queres viver e morrer na fé, na prática de sua palavra divina e na união da santa Igreja Católica.
d. Do Credo ao Pater Noster, aplica teu espírito à meditação da paixão e morte de Jesus Cristo, as quais se representam atual e essencialmente neste santo sacrifício, que oferecerás em união com o padre e com todo o povo a Deus, o Pai de misericórdia, para sua glória e nossa salvação.
e. Do Pater Noster à comunhão, excita teu coração, por todos os modos possíveis, a querer ardentemente unir-se a Jesus Cristo pelos laços mais fortes do eterno amor.
f. Da comunhão ao fim, agradece à sua divina majestade, por sua encarnação, vida, paixão e morte e também pelo amor que nos testemunhou neste santo sacrifício, conjurando-o por tudo isso a ser propício a ti, a teus parentes e amigos e a toda a Igreja e, ajoelhando-te em seguida com profunda humildade, recebe devotamente a bênção que Nosso Senhor te dá na pessoa de seu ministro.


MODO DE ASSISTIR AO SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA
Santo Afonso Maria de Ligório
ORAÇÃO INICIAL.
V. Neste lugar santo e sobre este altar sagrado, o sacerdote vai oferecer à SS. Trindade o Sacrifício da Missa, isto é, a mesma vítima do Calvário, para desagravar a divina Justiça e para reconhecer a suprema excelência de Deus, como nosso Criador e nosso Pai, e, por conseqüência, a nossa completa e absoluta dependência Dele como criaturas e como filhos.
R. Fazei, Senhor, que participemos deste santo sacrifício com a mesma fé e o mesmo amor que tiveram os Apóstolos, quando assistiram à sua instituição e também com o mesmo espírito de sacrifício e de reparação que teve a Santíssima Virgem Maria, quando assistiu, ao pé da Cruz, à paixão e morte de seu divino Filho.
Dai-nos a graça de morrermos para nós mesmos, para vivermos unicamente da vida divina, que Jesus nos vai comunicar na Sagrada Comunhão.
E seja assim, a Santa Missa, a nossa passagem duma vida de pecado para a vida da graça; duma vida imperfeita para a de perfeição. Amém.
JESUS CRISTO NO JARDIM DAS OLIVEIRAS
O Sacerdote chega ao altar
Jesus entra no horto de Getsêmani...
Vai começar a Sua Paixão!... Geme, suspira e exclama:
- A minha alma sofre uma tristeza mortal...
Ele vê todos os pecados... Também os meus... Vê a série de todos os tormentos que lhe estão preparados... os flagelos... os espinhos... os cravos... a Cruz!...
JESUS SUANDO GOTAS DE SANGUE
Quando o Sacerdote se inclina ao pé do altar
A sua santíssima Humanidade fica aterrada e pede ao Eterno Pai que afaste o cálice da sua Paixão... Mas o Pai não lhe perdoa e condena-o à morte... Jesus desfalece, cai por terra e sua sangue... Ó Jesus, quão ingrato e cruel fui para convosco que tão bom e amável fostes para comigo!... Os meus pecados traspassaram o vosso santíssimo Coração e abriram uma larga ferida, donde manou o Sangue precioso que banha a vossa face adorável e corre por terra. Oh! Perdoai-me, pela Vossa infinita misericórdia!
COM UM BEIJO, JUDAS ATRAIÇOA JESUS
O Sacerdote sobe ao altar
Jesus, sabendo que os seus inimigos vêm para o prender, levanta-se da oração e vai ao seu encontro... Judas imprime um ósculo de traição na face do Senhor e assim entrega o seu Mestre... O seu Benfeitor!... Também eu, ó Jesus, tenho imitado, e por muitas vezes, esse apóstolo ingrato!... Tende piedade de mim, Senhor, e dai-me a graça de vos ser fiel até a morte...
Ao intróito, "Kyrie e Glória”.
JESUS É LEVADO PARA ANÁS E CAIFÁS Quando pela primeira vez o Sacerdote vai para o lado do livro
Jesus é preso... arrastado ao tribunal de Anás e ali recebe uma cruel bofetada na sua face divina!... Em seguida é levado a Caifás...
Confessa a sua divindade... e, em vez de adoração, recebe insultos... punhadas... escarros!... Ó Jesus, eu vos agradeço o amor que me tendes e que vos obriga a sofrer tanto por mim... Fazei que eu também sofra, por vosso amor, as afrontas e as contrariedades da vida...
JESUS É ACUSADO PERANTE O TRIBUNAL DE PILATOS
Às orações
Jesus é levado à presença de Herodes... Não responde às acusações, nem às perguntas... Uma palavra só bastaria para declarar a sua inocência... para transformar os insultos em aplausos... Mas Ele cala-se!... Ó Sabedoria infinita, dai-me a graça de desprezar a sabedoria do mundo... e seguir a loucura da Cruz!
Às epístola
Jesus é julgado inocente..., mas condenado à flagelação... ao suplício dos escravos!... Vê como prendem o Cordeiro divino a uma coluna... , como lhe despem os vestidos... Como ligam-lhe estreitamente as mãos... Como levantam ao alto os flagelos!...
Ouve os golpes... os escárnios dos algozes... , os gemidos da vítima!... O Corpo de Jesus primeiramente torna-se lívido... depois abre-se em mil feridas... , e o sangue corre abundante a banhar as mãos dos algozes... a coluna... a terra... Jesus sofre um martírio indizível e oferece ao Eterno Pai cada ferida do seu Corpo... cada gota do seu Sangue, em expiação dos meus pecados... Finalmente os algozes cansam e Jesus cai por terra... sem alento... e banhado no seu sangue.
Ó Jesus, a que estado vos reduziram os meus pecados!... Se eu não tivesse pecado, vós não teríeis padecido tanto!... Pesa-me, Senhor, de vos ter ofendido e proponho, com a vossa graça, não mais vos ofender...
BARRABÁS É PREFERIDO A JESUS
Ao Evangelho
Jesus está reduzido todo a uma chaga! Todavia os algozes não estão satisfeitos... Levantam da terra a Vítima divina... cobrem-lhe os ombros chegados com um pedaço de púrpura...; põem-lhe na cabeça
uma coroa de espinhos agudíssimos! Os espinhos rasgam a pele, a carne, as veias... e o sangue sai das feridas abertas e banha os cabelos, os olhos, a boca de Jesus... Depois, ajoelham, por escárnio, diante Dele, cospem-lhe na Face, esbofeteiam-no e, arrancando-lhe das mãos a cana, dão-lhe com ela na cabeça cercada de espinhos... Jesus sofre... Cala-se e ama!... - Ó Jesus, pelos méritos dos vossos martírios, criai em mim um coração puro, humilde, mortificado...
Jesus, nesse estado de dor e de agonia, é apresentado ao povo... O amorável Salvador passou a sua vida fazendo sempre o bem. Mas o povo rejeita-o e pede a sua morte!...
Ó Jesus, as vossas humilhações não me escandalizam, antes vos tomam mais estimado e mais querido ao meu coração... Creio que sois o Senhor do Paraíso, gerado, desde a eternidade, no seio do Divino Pai, cheio de graça, de verdade e de amor... Se esse povo ingrato vos rejeita, eu vos adoro e reconheço por meu Salvador e meu Rei... Oh! Reinai sobre a minha inteligência... Sobre o meu coração...
Jesus é condenado à morte... Nós merecíamos a morte eterna no inferno; e o Filho de Deus, para nos salvar, sujeita-se à morte, e à morte da Cruz!... Levanta ao céu os olhos, banhados em lágrimas e sangue, e oferece ao Divino Pai o sacrifício de sua vida...Ó Jesus, como sois bom!... Eu me ofereço todo a vós, para ser uma vítima imolada no altar do vosso amor... Aceitai este sacrifício e dai-me a graça para não faltar às minhas promessas.
JESUS É AÇOITADO E COROADO DE ESPINHOS
O Filho de Deus abraça, com imensa ternura, o seu patíbulo e encaminhando-se para o Calvário!... vacila a cada passo... e cai por terra! As feridas reabrem-se... Os algozes enfurecem-se e, com blasfêmia e golpes, levantam o Cordeiro Imolado... Depois, Jesus encontra sua Mãe..., a sua pobre e dileta Mãe...
Novos martírios para o seu Coração amantíssimo!... Mais além, uma piedosa mulher limpa a face de Jesus... Finalmente, depois de uma viagem dolorosa, Jesus chega ao Calvário...
Ó Jesus, dai-me força e coragem para levar a cruz das minhas tribulações até o fim da vida...
Chegando ao Calvário, Jesus é despido, com violência, dos vestidos, colados ao seu Corpo lacerado... Renovam-se as dores... Corre mais sangue...
O Salvador, por ordem dos algozes, estende-se sobre a cruz e apresenta as mãos e os pés para serem pregados...
Os algozes pregam terríveis cravos nas mãos e nos pés do Salvador... Os cravos rasgam a pele, rompem as veias, traspassam a carne... Oh! Quanto sofre o nosso Bom Jesus! Ó meu Deus, por que amastes tanto os pecadores ingratos?... Acabada esta obra de sangue, levantam ao alto a cruz e deixam-na cair na cova preparada... Que doloroso abalo!...
Ó Jesus, atraí-me ao vosso Santíssimo Coração, para que eu chore sempre os meus pecados e os vossos sofrimentos...
AO LEVANTAR A HÓSTIA.
Ao levantar a Hóstia
Eu vos adoro, ó Corpo Divino de Jesus, todo lacerado, para expiar os meus pecados!... Eu vos adoro, ó chagas sacratíssimas, testemunho do amor infinito do meu Salvador e penhor da minha felicidade eterna!... Eu vos amo, ó Jesus amantíssimo, meu Senhor e meu Deus, e prometo amar-vos sempre por toda a eternidade...
Eu vos adoro, ó Sangue preciosíssimo do meu Jesus, derramado com tanta generosidade, para expiar os meus pecados!
Ó Sangue inocente, subi em perfume de suavidade ao trono do Altíssimo, aplacai a sua cólera e, transformado em orvalho de graça e em fogo de amor, descei sobre a minha alma, para purificar das suas culpas e consumi-la nas chamas de vossa caridade...
Depois da elevação
O Redentor está agonizado sobre a Cruz... Não encontra o menos alívio naquele leito de dores... Os espinhos penetram-lhe, cada vez mais, na cabeça... Os cravos rasgam as feridas das mãos e dos pés... Quanto sofre!...
A estas dores do corpo juntam-se as desolações do espírito!... A ruína da cidade deicida... a ingratidão dos homens... a perda de tantas almas... são outros tantos espinhos que laceram o Coração amantíssimo de Jesus!... Quanto sofre!...
Jesus levanta os olhos ao Céu e pede perdão e misericórdia para os seus algozes... Que bondade!... - Ó Jesus, também eu fui um dos algozes, pois vos causei tantos desgostos e martírios com meus pecados! Pedi também por mim, e o vosso Pai me perdoará... Depois, Jesus promete o Paraíso a um facínora que lhe tinha pedido uma lembrança!... Ó meu adorado Redentor, os meus pecados são grandes, mas a vossa misericórdia é infinita...
É nessa misericórdia que eu tenho sempre confiado... Lembrai-vos de mim, Senhor, agora e sobretudo na hora terrível da minha morte... Que felicidade a minha se, nesse momento, pudesse ouvir da vossa boca aquelas palavras que dirigistes ao criminoso arrependido:
"Hoje estarás comigo no Paraíso!”.
Ó Jesus, vós sois o meu Pai! Depois de me terdes criado, infundis a vossa graça na minha alma, elevando-a a uma vida sobrenatural e tornando-a semelhante à vossa essência... Mas quantos sofrimentos, quanto sangue vos está custando a minha felicidade!... E, como se todas essas finezas não satisfizessem o vosso amor, dais-me por Mãe a vossa própria Mãe!... Jesus é meu Pai, porque verte por mim tanto sangue..., Maria é minha Mãe, porque derrama por mim tantas lágrimas!... Bendito o meu Jesus, que, na hora da morte, me constitui filho da mais pura, da mais santa, da mais amável de todas as criaturas!...
Jesus é o amparo, a consolação de todos os que sofrem... Mas Ele, agonizado no patíbulo da Cruz, não encontra o menor lenitivo! Se o Pai o consolasse!... Mas o Pai, vendo-o oprimido pelos pecados do mundo inteiro, abandonando-o à raiva dos inimigos!... Jesus queixa-se amorosamente deste abandono e exclama: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?”.
Ó Jesus, por esse tormento que amargurou e feriu o vosso Coração amantíssimo, não me desprezeis na vida, não me desampareis, sobretudo, na hora da minha morte!... Jesus tem sede... sede de outros sofrimentos... sede do meu amor, da salvação da minha alma... Meu adorado Redentor, quero dar-vos refrigério na sede ardente que devora o vosso Coração... Vós desejais o meu amor. Renuncio a todos os bens miseráveis e caducos, para não amar senão a vós, que sois tão amável e tão amante da minha alma!...
À Comunhão
A grande obra da Redenção está acabada... Jesus entrega a sua alma nas mãos do Pai... Os seus olhos obscurecem-se... o Coração amante bate com lentidão... a cabeça inclina-se, como para dar aos pecadores o ósculo do perdão e da misericórdia... E, assim o Senhor do Céu e da Terra, o nosso amável Redentor, abandonado por Deus e escarnecido pelos homens, solta o último suspiro... e... morre!... Um Deus morreu..., e morreu por mim! Ó meu Jesus, quanto vos devo! Que seria de mim, se não tivésseis expiado, com a vossa Paixão, a morte que mereço, como pecador, e uno-a desde já à vossa morte dolorosíssima.
Naquele momento terrível, tende piedade de mim!
Às últimas Orações
O Corpo do Redentor é descido da Cruz... Maria estende, com imenso transporte, seus braços e recebe seu Filho, não belo e cândido como em Belém, mas todo ferido e desfigurado... E, chorando amargamente, inclina-se sobre o seu Jesus morto... Pobre Mãe! Ó Maria, fui eu que dei a morte a Jesus e causei tão acerbas dores ao vosso Coração... Perdoai-me, pelo Sangue do vosso dileto Filho, e impetrai-me a graça de amar a Deus e de perseverar neste amor até o fim da minha vida...
Ao Último Evangelho
Jesus é encerrado num sepulcro... A sua aniquilação não podia ser mais completa!... É o Deus imenso que enche o Céu e a terra, mas aqui está completamente escondido!... o Deus vivo que comunica a vida a tudo o que se move, mas aqui é um Deus morto e sepultado!... Oh! Quem levou um Deus a descer a tanta humilhação?...
Foi o amor... Seja sempre bendito, amado e glorificado o vosso Coração, ó Dulcíssimo Jesus!... Fazei, ó meu Deus, que eu morra para o mundo, para as criaturas, para mim mesma, e só viva no doce remanso desse tão amável Coração... Assim, a uma vida de recolhimento, de piedade, de amor, sucederá a glória da ressurreição, a luz da bem-aventurança eterna. Amém.

ORAÇAO PELOS AGONIZANTES
Meu Deus, ofereço-vos todas as Missas que hoje se celebram no mundo inteiro, pelos pecadores que estão em agonia e neste dia hão de morrer. O Sangue preciosíssimo de Jesus lhes obtenha misericórdia e perdão.
V. Coração agonizante de Jesus,

R. Tende compaixão dos moribundos.

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