quarta-feira, 23 de março de 2011

Guerra Justa (Prof. Carlos Nougué).


É a guerra contra a Líbia uma guerra justa?



Carlos Nougué

Resumamos a doutrina de Santo Tomás de Aquino a respeito da guerra justa. Segundo ele, para que uma guerra seja justa, é preciso que se cumpram as seguintes precondições:

1) Que a causa que a move seja justa. Assim, não é justo fazer guerra para impor uma fé, como fazem os muçulmanos; conquanto seja justo mover guerra para permitir o exercício da fé verdadeira ou católica, como fizeram os cruzados.[1]

2) Deve ser reta a intenção de quem faz a guerra, ou seja, deve-se ter a intenção de fazer com que retorne a justa paz e a verdadeira ordem.

3) A guerra deve ter possibilidade de êxito, sob pena de nem ser guerra, mas mera sedição, revolta, etc. Foi o que fizeram os essênios e outros ao revoltar-se contra o Império Romano, sem a menor possibilidade de vitória.

4) Mais que isso, porém: ainda que movido por uma justa causa e intenção, e com possibilidade de vitória, aquele que guerreia não tem direito de usar de mentiras. Naturalmente, não deve revelar seus planos táticos ao inimigo. Mas uma coisa é não revelá-los; outra é mentir, que é pecado em qualquer situação. Assim, ao que parece, o estratagema de Pearl Harbor já condenaria os EUA por abuso do direito de guerra.

Mas, antes de considerarmos a atual guerra contra a Líbia, movida por poderosa coalizão internacional, consideremos, para efeitos de comparação, a Guerra do Iraque.

1) Era justa a causa da guerra contra o Iraque? Ainda que demos (mas sem conceder) que, sim, era justa, por tratar-se de impedir novos ataques como o levado a efeito contra as torres gêmeas, não o era por outro ângulo: o de impor o regime democrático-liberal. Isto é guerrear para impor uma espécie de fé ― e fé falsa. Com efeito, dizia São Pio X na Carta sobre Le Sillon: “A democracia é uma religião mais universal que a Igreja [...]. Resulta do grande movimento de apostasia organizado em todos os países para o estabelecimento de uma Igreja Universal que não terá dogmas, nem hierarquia, nem regra para o espírito, nem freio para as paixões”.

2) Tinha Bush intenção reta ao mover a guerra? Embora seja quase infantil acreditar que não fosse movido também por interesses econômicos os mais mesquinhos, [2] demos outra vez (novamente sem conceder) que não se movia por tais interesses.

3) Tinham os EUA possibilidade de vitória? Sim, é claro.

4) Mas é óbvio que tais “dares” se dissipam ao considerar-se que, em verdade, a alegada e propalada razão imediata da guerra era já uma grande mentira: a fabricação pelo Iraque de armas químicas. (Afora o fato de nunca, até hoje, se terem apresentado provas da suposta ligação direta entre Bin Laden e Saddam Hussein.) Isto, de per si, por ser mentirosa a própria alegada razão imediata da guerra, já macula a ação dos EUA e seus aliados.

5) Ademais, não sabiam os EUA que a situação interna do Iraque se tornaria pior, sem paz nem ordem, com a queda do presidente daquele país? Quem não sabia que, se Saddam não tivesse sido duro para conter a guerra fratricida das facções islâmicas rivais, incluindo os sanguinários curdos, o Iraque já seria sob Saddam o que é hoje: um território banhado de sangue do fanatismo de uma falsa religião?

6) Mas, como se disse, se não interesses econômicos petrolíferos, pelo menos moveu os EUA a atacar o Iraque a tentativa de impor o credo liberal-democrático. E isso também torna injusta a guerra em questão, porque não era intenção de Bush reinstaurar ali a ordem e paz. Estas, por certo aspecto, já se davam sob o governo de Saddam; ao passo que, como se pode ver perfeitamente hoje, o estado de coisas depois da guerra e do justiçamento de Saddam seria previsivelmente pior que o anterior. Tampouco, portanto, foi justa a guerra no Iraque por este ângulo: intenção não reta, e ao menos grande probabilidade de um estado pior que o anterior.

7) Além disso, pensemos: o regime de Saddam era o único regime islâmico que dava razoável liberdade à Igreja (havia até um ministro católico). O que sucedeu após a queda e morte de Saddam? O massacre sistemático dos católicos iraquianos. E quem é o principal aliado dos EUA no mundo árabe? A monstruosa Arábia Saudita, lugar de grande perseguição dos católicos.

8) Ademais, não sejamos ingênuos: tanto Saddam como Bin Laden eram agentes dos serviços secretos norte-americanos. Depois, naturalmente, os EUA perderam o controle sobre eles. Sucedeu algo semelhante ao ocorrido no Irã: para derrubar o xá Reza Parlevi, que estava montando a maior frota do Golfo Pérsico, os serviços secretos britânicos estimularam sua derrubada pelo movimento xiita. Depois, é claro, perderam o controle sobre os aiatolás; mas foram a causa primeira da ascensão destes.[3]

Ou seja, a Guerra do Iraque não foi uma guerra justa.

Consideremos agora a atual guerra contra a Líbia.

1) Diga-se de antemão que Kadafi é um perfeito tirano, e que sob sua tirania a fé católica não pode propagar-se, o que de per si, pelo que dissemos, já torna seu regime ilegítimo.

2) Perguntemo-nos, porém, sobre os móveis da guerra movida pela coalizão liderada pelos Estados Unidos, com apoio (relativo) da chamada Liga Árabe e com abstenção (afinal de contas, conivente) da China, da Rússia, etc., na ONU. Podemos dar (ainda sem conceder), também aqui, que tal coalizão não se mova de modo algum por interesses econômicos mesquinhos...

3) Mas pode-se dar que seu móvel central seja outro senão a progressiva instalação no mundo da democracia liberal, importante alicerce para a ereção de um efetivo governo mundial? É verdade que, na marcha para tal governo, podem as forças que concorrem para sua constituição absorver as Chinas e as Arábias Sauditas da vida (por sua importância para a manutenção do capitalismo internacional, que por sua vez é alicerce fundamental da democracia liberal), neutralizando-as no bojo de tal impulso. Mas também é verdade que, se puderem livrar-se das pedras no sapato de sua religião universal, os condutores da globalização certamente o farão, como agora estão fazendo com uma série de governos tirânicos do mundo árabe-africano, entre os quais se inclui o de Kadafi. Só por isso já se pode dizer injusta a guerra movida contra a Líbia: ela tem por fim a instauração pela força de uma fé – e de uma falsa fé.

4) E que dizer da sucessão de mentiras sobre as quais se fundam os argumentos dos atacantes?

a) Kadafi é, sim, um tirano; mas não o são também os governantes de diversos países aliados da coalizão que ora ataca a Líbia, como o da Arábia Saudita?

b) Kadafi está atacando populações civis ou está atacando grupos rebeldes?

c) Os ataques aéreos da coalizão atacante não atingem alvos e populações civis?

d) A ação militar da coalizão atacante visa apenas a bloquear o espaço aéreo da Líbia?

e) Essa mesma ação militar não visa a derrubar nem a matar Kadafi?

5) Tal sucessão de mentiras, de per si, já macula a guerra movida contra a Líbia, e faz ao menos suspeitar que seja movida também por mesquinhos interesses econômicos.

6) Mas, acima de tudo, não se deve perder de vista que o que move centralmente esta nova guerra levada a cabo pela atual liderança mundial é o próprio vetor da história em seus estertores: a marcha para um governo mundial anticristão, democrático-liberal – o cenário do surgimento do Anticristo. E não é preciso que os governantes dos EUA, de Israel, da França, etc., bem como os papas pós-conciliares, tenham consciência de que sua ação conduz à entronização desse tenebroso e apocalíptico personagem, por meio do qual os poderes infernais tentarão derrotar total e definitivamente a Realeza Total de Nosso Senhor Jesus Cristo. Basta que ajam, de algum modo, segundo tais poderes.

E, com efeito, ou se está sob a bandeira de Cristo Rei e sua Igreja (não a Igreja do homem), ou se está sob o pavilhão de Satanás. Tertium non datur: não há terceira possibilidade.

Adendo: Tampouco pode o vencedor de uma guerra castigar o derrotado em proporção maior que a de sua agressão. No máximo o olho por olho, dente por dente. Ora, as bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki eram imensamente desproporcionais ao dano causado pelo derrotado (que, aliás, já estava realmente derrotado quando sofreu o holocausto nuclear): a bomba atômica não mata apenas inimigos; afeta parte da natureza humana, degenera-a ao longo de gerações. Crime inominável, que clama ao céu por vingança. E crime cometido contra as duas únicas cidades japonesas com catedrais católicas; cidades compostas de grande maioria de xintoístas convertidos ao catolicismo. Como já se disse, se não tivessem ganhado a Segunda Guerra Mundial, os EUA é que se teriam sentado no banco dos réus de algum tribunal como o de Nuremberg. Com efeito, pode alguém honestamente afirmar que bombas atômicas são menos criminosas que câmaras de gás ou que gulags?

[1] Diga-se, aliás, que um governo não cristão perde a legitimidade no momento mesmo em que começa a impedir a propagação da verdadeira fé.

[2] Com efeito, como acreditar em tal desinteresse se acabamos de ler que, segundo o megainvestidor Warren Buffett – o terceiro homem mais rico do mundo segundo a revista Forbes –, as ações japonesas são bons investimentos após o dramático terremoto e tsunami que arrasaram o Japão, sobre cuja cabeça, ademais, pende a espada de Dâmocles de uma catástrofe nuclear... Assim é o mundo iniciado pela revolução industrial inglesa e pela lei de Le Chapelier (da revolução francesa), que esmagaram tanto a produção artesanal e as unidades camponesas familiares quanto as corporações de ofício. Nem é preciso dizer que, com tal esmagamento, se esmagaram também a família e toda uma ordenação socioeconômica ainda reta.

[3] Nada de surpreendente, se pensarmos que foram os ingleses, mediante Lawrence da Arábia, quem forjou os estados nacionais daqueles beduínos do deserto que constituíam grande parte do povo islâmico; e o fizeram para derrotar seus inimigos na Primeira Guerra Mundial, ainda que à custa da islamização de boa parte da terra. E não nos esqueçamos, sobretudo, de que foram os EUA quem pressionou a União Europeia a aceitar em seu seio a islâmica Turquia (que sempre fora considerada da Ásia Menor); e, especialmente, quem fez de tudo para que os países europeus aceitassem a entrada maciça de imigrantes muçulmanos. Por quê? Será preciso repetir o óbvio? Para acabar com o que restava de Cristandade. (Aliás, já a Primeira Guerra Mundial não se dera, essencialmente, para acabar com o que já então era o único império católico, o Austro-Húngaro? E a revolução bolchevique também não ocorrera para acabar com o Império czarista, não católico, é verdade, cismático, é verdade, cesaripapista, é verdade, mas ao fim e ao cabo cristão aos olhos do inimigo? E não ocorrera a sanguinária revolução francesa para acabar não só com a monarquia, mas sobretudo com a Igreja Católica e sua união com os poderes temporais? E assim por diante.)

segunda-feira, 21 de março de 2011

Cavalheiro, cafajeste, escravo ou besta? As vantagens da cultura católica.





Vamos lá, gente! Certo discernimento faz bem. Não se deixem manipular por qualquer tempestade doutrinária:


homem conservador = cavalheiro católico = a vontade divina é a lei (poder = proteger, guiar e servir); nobreza de alma, gentileza, coragem e espírito sacrificial; acha que só pode o que Deus quer e permite;

homem liberal = acha que pode tudo; a própria vontade e os próprios instintos são a lei = beberrão,hedonista, bronco, mulherengo, violento, avarento, machista, materialista e impiedoso(poder = violência e humilhação pela força física ou pelo poder do dinheiro, proteger os interesses egoísticos, guiar-se pelo pecado e pelo prazer, servir à carne - contra estes e por causa destes surgiu o comunismo e as feministas - um "deus" que destronou o cavalheiro);

homem comunista = impotente, materialista sem poder, escravo (com as mesmas tendências cafajestes descritas no homem liberal - só que limitado pelo poder tirânico do Estado, ou seja, não pode contrariar as "políticas públicas" - feminismo, gayzismo, feitiçaria, ateísmo, perda de bens, privilégios a crianças e jovens, etc); a vontade dos outros (do grupinho elitista que manipula e diz representar o povo ou comuna) é a lei (poder = proteger o partido, guiar-se pelo partido, servir ao partido e os interesses desse grupinho); vítima da mulher comunista e feminista (chantageado por extorsões consumistas da "deusa" e do Estado - o sócio-parasitário da empresa individual, familiar ou comercial mesmo, dependendo de como você consegue seu ganho); tem certeza que só pode o que o partido (fantasiado de "Estado") quer (ou os banqueiros que o financiam); outro "deus" que destronou o animal liberal e passou a ser submetido aos outros deuses - crianças, animais, feministas, criminosos de rua ou de colarinho branco, políticos, empregos, etc.);

homem tribal pós-contemporâneo = escravo numa mescla entre o capitalismo e o comunismo numa dialética hegeliana (barbárie pagã tribal e impiedosa, escravizado pelo "Estado" e pelo dinheiro - veja o modelo chinês atual para ver como ficaremos em algumas décadas); um homem comunista com mentalidade de neanderthal; pode o que seus pajés ideólogos tribais lhe dizem para fazer (um maria-vai-com-as-outras dominado por todos);

mulher conservadora = dama (veja o seu correspondente em homem conservador);

mulher liberal = desvairada sem freios morais, religiosos ou éticos, ou uma pobre choramingas indefesa vitimada pelo homem liberal, que vê o outro como uma coisa a lhe proporcionar alguma satisfação (idem, sobre o homem liberal);

mulher comunista = déspota feminista e sem freio como reação ao homem liberal(idem, sobre o homem comunista - só que se submete ao "Estado" e se acha a poderosa); a mulher da TPM (=tenho problemas mentais);

mulher tribal pós-contemporânea = vide homem tribal acima, com os mesmos direitos e deveres (o "Estado" acaba colocando-a em igualdade com o homem, ou seja, completamente dominada e escravizada).

Isto é, o homem de hoje é a mulher de amanhã (principalmente naquilo que não presta).

Assim caminha a humanidade, de revolução em revolução. E de idolatria em idolatria.

A menos que você conserve os bons valores tradicionais. A escolha é sua.

quinta-feira, 17 de março de 2011

NOVENA DE SÃO JOSÉ.


NOVENA DE SÃO JOSÉ

NOSSOS AGRADECIMENTOS AO PADRE RAIMUNDO NOGUEIRA-NDS, QUE TRADUZIU DO INGLÊS.

Ouça o que lhe diz o irmão André..., Grande devoto de São José.

“ Reze a São José. Ele não o abandonará nunca.”

“ Faça uma novena. Você começará por confessar-se e comungar.”

“ O óleo e a medalha o farão lembrar-se de São José e despertará em você a confiança nele.”

“ Reze a São José. Eu rezarei com você.”

“ Você deveria confiar mais em São José.”

“ Muitos doentes teriam sido curados se houvessem perseverado na oração por mais tempo.”

“ Vá e reze diante da imagem de São José. Diga-lhe: “ São José, ore por mim, como o Senhor teria rezado, em meu lugar, se o Senhor estivesse ainda na terra.”

“ São José vai curar você.”

“ Você crê em Deus? Você acredita que Deus tem o poder de curar você? Fique de pé e caminhe!”

“ Deus é infinitamente bom. Estas curas são ótimas para as pessoas que são curadas e para outras que vão ouvira respeito delas.”

“ Nós iremos e faremos preces de ação de graças para agradecer ao nosso bom Deus."

"É extraordinário que, no mais das vezes, as pessoas pedem para serem curadas, mas, muito raramente, fazem súplicas para obterem a humildade ou o espírito de fé. E, no entanto, isto é tão importante.”

“ Na oração, a pessoa fala com Deus como se fala com um amigo.”

“ Devemos rezar. Quando você murmura: “ Pai nosso que estas no céu...., o ouvido de Deus está bem junto a sua boca.”

SÃO JOSÉ, UMA VIDA DE FÉ BEM SUCEDIDA.

Nós tendemos espontaneamente a admirar os indivíduos excepcionais, que ultrapassam toda a sorte de barreiras e, assim, excitam a nossa imaginação com uma perspectiva que se estende além de nossos limitados horizontes.Com um profundo interesse volvemos nossos olhares para os grandes artistas internacionais, os astronautas, os astros esportivos, os cientistas e os chefes de estado. O sucesso destas celebridades nos impressiona e fascina.Isto é verdadeiro também na vida cristã. Sentimos uma urgência semelhante a nos render admiração àqueles que foram bem sucedidos na busca da fé, porque fizeram algo de suas vidas e encontraram a Deus. Agora, eles estão, de fato, numa posição de nos guiar e nos dirigir. Unidos a nós em cristo, eles levam a peito os nossos interesses e mantêm-se sempre atentos a nossas esperanças e apreensões.A novena de são José, que se inicia hoje, nos proporciona uma oportunidade de levantarmos, uma vez mais, os nossos olhos para o grande Santo e , assim, apreciar as lições exemplares de sua vida cotidiana.Portanto, deveríamos ter todo apreço em responder ao desafio de seu exemplo e encomendar-lhe, confiantemente, nossas intenções e as de toda a Igreja.

PRIMEIRO DIA - São José modelo de fé.

São José, hoje nós vos invocamos como modelo de fé. Vós acolhestes com amor,a Deus nossa vida. Atento a sua palavra, vós concordastes em participar do mais profundo dos mistérios, o da encarnação do filho de Deus.

Vossa esposa virgem concebeu sem intervenção humana, e um filho lhe nasceu, que era Deus. E Vós o adorastes e protegestes. Estes acontecimentos foram perturbadores e surpreendentes e, para aqueles que crêem, poderiam parecer impossíveis.

Mas, Vós certamente compreendestes que, quando Deus fala a um homem, Ele não tenta seduzi-lo ao erro. Sem contestar ou questionar a vontade de deus a vosso respeito, fostes em frente, pondo vossa confiança na luz que só ele nos proporciona. Por vossa vida com Maria, Vós contribuístes para a implementação da salvação da humanidade.

Nós também queremos ter uma fé como a vossa, para que Deus possa habitar em nós e, assim, sejamos fiéis a vossa vontade. Às vezes, nós hesitamos em nossa vida cristã. Acreditamos em Deus, em cristo e na Igreja, mas muitos vivemos uma fé marginalizada.

Contudo, pois que a fé modelou toda a nossa vida, nós vos suplicamos que esta mesma fé seja para nós a luz que sem cessar nos cative e guie nossas ações cotidianas. Que sempre vejamos, numa perspectiva de fé, a mão de deus em todos nossos acontecimentos diários e em tudo que nos acontece. Assim, pois participaremos de vosso trabalho de justiça, e de paz e de amor. Amém.

SEGUNDO DIA - São José, modelo de esperança.

Durante a vossa vida, Ó São José, fostes um homem de esperança. Como o povo de Israel, partilhastes a esperança de ver um dia consumada a redenção da humanidade.E foi assim, que bem no seio do vosso lar, unido a Vós como um filho a seu pai, viveu o Messias. Isto foi um sinal da bondade e fidelidade do Senhor e o próprio deus mostrou-se fiel a suas promessas e novos horizontes de esperança se manifestaram a toda humanidade.

Que Vós houvésseis esperado a salvação de Maria e a vossa, poderia ser de outro modo, pois que acolhestes o próprio Deus em vossa vida. Nos imprevisíveis acontecimentos que se sucederam, tais como as aflições que envolveram o nascimento mesmo de Jesus e a fuga para o Egito, vossa única força foi a inabalável esperança que pusestes na bondade, no poder e na fidelidade do Senhor.

Sem sombra de dúvida, isto explica a serenidade cheia de paz que irradiava de vosso lar. Vós sabíeis que, em tudo o que vos acontecia, Deus teria sempre a última palavra.

Dai-nos, ó São José, aprender a ter esperança como vós tivestes. Muitas vezes nós somos tão passivos diante de nossas responsabilidades cotidianas. Falhamos tantas vezes no cumprimento de vossas promessas. Ontem prometíamos nos dedicar ao serviço ao próximo e hoje nos surpreendemos envolvidos em ridícula mesquinhez; prometemos a mar com todo o nosso coração e hoje contatamos nossa dificuldade de amarmos plenamente os outros; prometemos realizar o bem e hoje nos defrontamos com nossas próprias limitações.

Quantas vezes nos desanimamos. Conscientemente, ou não, as vezes colocamos a esperança em segundo plano e dizemos: “Afinal de contas“Afinal de contas, para que serve tudo isto?

São José, ensinai-nos a esperar contra todos os obstáculos; o mal jamais poderá dominar as pessoas que elevam seu olhar para Deus. Para além de toda fraqueza há sempre a fidelidade do criador; só com ele nós contamos. Para nós há apenas um caminho para se viver e este é – ter esperança. Que esta esperança nos transforme e nos dê segurança e força em nossa vida de todos os dias. Amém.

TERCEIRO DIA - São José - Modelo de Amor.

São José, vossa vida foi ocupada inteiramente por um generoso amor. Vós amaste Maria, que trouxe ao mundo o Filho de Deus. E, assim, com Ela participastes, de modo especial, do mais belo ato de amor jamais conhecido neste mundo; a vinda do Filho de Deus para a salvação da humanidade.

Deus, que é amor, viveu em nosso lar. Ele se alimentou à vossa mesa, partilhou da intimidade de vossa vida familiar, de vossas alegrias e tristezas; enfim, participou de todos os momentos de vossa vida.

Como a atenção dos pais tem como centro os seus filhos, porque os amam, assim vossa generosidade e a de Maria tinham naturalmente o seu centro no Filho de Deus, vosso próprio Filho. Como uma única família, amastes aqueles que estavam ao seu redor.

Por causa de vosso profundo amor, merecestes desempenhar uma parte ativa e importante no mistério da salvação, o mais perfeito ato de amor que abarca em seu amplexo todos os homens.

São José, o amor foi uma praticamente permanente em toda a nossa vida. Ensinai-nos a fazer o mesmo. Ajudai-nos a compreender que o amor vem de Deus. Quando não conseguimos compreender a vontade de Deus, e às vezes vivemos mesmo no ódio, ajudai-nos no desejo de realizar a vontade de Deus a nosso respeito. Sabemos que, uma vez que nossos corações se abrirem ao amor, a face do mundo se transformará. O nosso próximo não será mais uma pessoa voltada ao menosprezo, mas ao amor. Concedei-nos ver que a vida cristã é uma vida de amor total, e que, realmente, com exceção do amor de Deus e do próximo, nada é verdadeiramente importante. Como vós, ó São José, desejamos amar a Deus cada vez mais e partilhar com nosso próximo um amor fiel e generoso. Amém.

QUARTO DIA - São José, o pai de Jesus.

São José, para o povo de Nazaré, Jesus era o vosso filho, pois eles mesmos disseram quando ele os visitou durante o seu mistério. “ Não é ele o filho do carpinteiro?” Vós fostes verdadeiramente um pai para Jesus, o Filho de Deus.

Vossa solicitude paternal se mostrou no terno carinho para com Maria, durante os meses que precederam o nascimento de Jesus. Constantemente, Vós a ajudastes e animastes. Deus vos escolheu porque sabia que teríeis um terno amor por Maria. Ele sabia que Vós seríeis capaz de lhe falar de um modo encorajador, quando ela se sentisse cansada ou em dificuldades: este amor contribui para a formação do caráter humano do Filho de Deus.

Como um bom pai Vós proporcionastes a Jesus uma boa educação. Vós lhe ensinastes, quando ele ainda era criança, todas as coisas que um pai partilha com seu filho. Sua prontidão para com as pessoas e as coisas se desenvolveram sob vossa influencia de tal modo que, juntos, admiraram os lírios dos campos, os pássaros do céu, os vinhedos e os trigais. Em vossa companhia Jesus veio a descobrir, por própria experiência, a beleza da terra e da humanidade. Sem o saber, estáveis ajudando a preparar algumas das mais belas páginas do Evangelho.

São José ensinai-nos a mar nossos próprios filhos, como vós amastes a Jesus. A partir do exemplo de vosso amor, possam eles ter em apreço a fé, a pureza, a devoção e o respeito por tudo o que é belo. Que sua visão da vida possa ser sempre centrada no Cristo. Amém.

QUINTO DIA - São José, esposo da Mãe de Deus

São José, quando contemplamos a fé de Maria, seu amor, coragem e pureza, compreendemos vossa felicidade em tê-la como esposa.

Éreis marido e mulher e vos dedicastes um ao outro. Vosso amor era terno e repleto de ação mútua. Era um amor forte, nunca abalado pelas provações e dificuldades da vida; era um amor puro, que renunciou às gratificações da carne a fim de realizar o plano salvador de Deus.

A Virgem Maria vos confiou seu corpo e alma e, assim, permaneceu sempre virgem de comum acordo convosco. Vosso amor mútuo floresceu, através de vossa virgindade, como um sinal do amor de Deus pelo homem. A solidariedade de Adão e Eva rejeitou a Deus, enquanto vossa união com Maria trouxe o Cristo ao mundo.

São José, ensinai-nos a amar, não de modo egoísta, pensando só em nós mesmos, mas generosamente, com um amor terno, gentil, dedicado a outra pessoa. Sabemos, perfeitamente, que a pessoa que diz amar, quando na realidade só pensa em si mesma, é mentirosa.

Não somos todos chamados à virgindade como Vós. Nossos matrimônios são bons, de acordo com o plano Criador . Ensinai-nos a fidelidade em nosso amor, para que nosso matrimônio seja um testemunho da presença de Deus em nós. Ensinai-nos a respeitar um ao outro para juntos, conseguirmos a salvação.

São José, Vós abristes ao mundo o caminho da salvação na pureza de vosso amor. Concedei-nos acolher com amor o Filho de Deus em nossas vidas e sermos vossas testemunhas em nosso mundo contemporâneo. Amém.

SEXTO DIA - São José, Homem de Oração.

Ao terminar vosso trabalho no fim do dia, ó meu caro São José, Vós procuráveis Maria para, juntos, cuidarem do Menino Jesus, pois, à semelhança das outras crianças, o Filho de Deus necessitava de alguém que o orientasse e guiasse enquanto crescia. De fato, segundo a tradição judaica, era o vosso papel, como chefe de família, ensinar-lhe tanto as lições da vida quanto os ensinamentos da Bíblia, porque assim prescrevem as Escrituras: “Tu repetirás e inculcarás estas palavras a teus filhos.” (Dt.6-7).

Junto com Maria, Vós, portanto, deveis ter falado a Jesus sobre tudo o que Deus fizera por seu povo, bem como lhe haveis ensinado tanto o significado quanto o uso de sinais e gestos sagrados. Em tudo isto Vós pudestes ser um verdadeiro pai para Jesus e, assim, com a colaboração de Maria fostes competente, ao cumprir a responsabilidade de formar a sua alma humana.

Com certeza, juntamente com vossa família, Vós recitastes a grande oração do Deuteronômio: “ Ouve, ó Israel, o Senhor teu Deus é o único Deus. Por isso, tu amarás o Senhor teu deus de todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda as tuas forças. “Sem dúvida , Vós haveis pronunciado estas maravilhosas palavras lentamente, para que Maria tivesse tempo de poder ajudar vosso filho a repeti-las.

Familiarizado com a palavra divina, vós deveis, também, ter rezado nos momentos de alegria e de mágoa, especialmente quando éreis incapaz de compreender tudo que estava acontecendo ao vosso redor. Por isso, ó doce São José, ensinai-nos como devemos rezar e como devemos valorizar os momentos em que, sozinhos, com nossas famílias ou com toda a comunidade cristã, convidamos a Deus para que faça parte de nossa vida de todos os dias. Amém.

SÉTIMO DIA - São José, modelo justo.

Ajudai-nos, ó São José, a sermos justos. Vós sabeis que, para sermos um homem completo, nossos corações e mentes devem estar abertos ao nosso Criador. Vosso filho não nos pede uma falsa piedade, mas um coração sintonizado com a vontade de Deus. Àqueles que se contentavam com uma oração ritual e formal, ele disse: “ Não aqueles que dizem Senhor!, Senhor!, que entrarão no reino dos céus, mas os que fazem a vontade de meu Pai. “O mais importante é viver todos os dias na presença de Deus”.

À primeira vista, nossa vida pode nos parecer ter sido bem banal. Eram as mesmas coisas a serem feitas todos os dias; os mesmos encargos e obrigações a serem cumpridos. Porém, vós os realizastes com tal alegria e fidelidade que, aos olhos de Deus, fostes digno de ser o pai nutrício de Jesus.

Em vossa família partilhastes com Jesus e Maria trabalho, sofrimento e amor; com humildade cumpriste a missão que vos foi confiada pelo amor de nosso Deus.

São José, ensinai-nos a ser justos. Como Vós, nós queremos viver uma vida de fidelidade a nosso Criador. Ajudai-nos a compreender que amar é partilhar. Ensinai-nos a fazer a vontade de nosso Pai que nos ama tanto. Amém.

OITAVO DIA - São José, Operário modelo

Quando Deus criou o mundo, segundo os planos do Criador, o trabalho deveria ser algo agradável e realizador. Mas, depois que o homem se afastou de Deus, o trabalho tornou-se fonte de dificuldades e sofrimentos. São José, Vós vos submeteste a lei do trabalho porque compreendeste que o trabalho deveria novamente tornar-se bom e enobrecedor, de acordo com o projeto do Criador. Este foi o segredo de vossa vida de operário.

Quando Deus decidiu que seu Filho teria um pai adotivo, Ele escolheu um operário, para mostrar seu apreço pelo trabalho. E Vós não o desapontastes. Pusestes todo vosso coração no cumprimento de vosso labor, que se tornou uma expressão de amor para com o Senhor.

Hoje, nós vos imaginamos facilmente sorrindo, a face bronzeada brilhante de suor, caminhando pela estrada em direção a Nazaré, com uma sacola de ferramentas no ombro. Éreis, então, um carpinteiro e trabalhavas a madeira, cortando, aplainando, serrando e pregando. Fizestes tudo o que os carpinteiros sabem fazer, pois, com efeito, vosso trabalho era semelhante ao de qualquer outro carpinteiro de osso tempo, só que tudo era feito inteiramente na presença de Deus.

São José, ensinai-nos a amar nosso próprio trabalho, de tal modo que ele se torne para nós fonte de realização e de felicidade. Concedei-nos fazer nosso trabalho com justiça e honestidade, considerando que um trabalho bem feito é uma expressão do amor que temos por nosso Deus. A vosso exemplo, ensinai-nos a acolher com carinho o Filho de Deus, onde quer que estejamos trabalhando. Amém.

NONO DIA - São José, Modelo de obediência

São José, vossa constante obediência a Deus foi uma das mais notáveis características de vossa vida espiritual, porque toda vossa vida foi baseada na fidelidade, confiança e obediência ao Senhor que vos amou.

Bem no início do Evangelho, conta-se que Maria, que vos estava prometida em casamento, ficou grávida. Sendo um homem justo, Vós decidistes abandoná-la secretamente para não prejudicá-la. O Senhor, no entanto, vos pediu que a desposasse como a uma esposa fiel e, Vós, em atenção a esta primeira intervenção de Deus, penetrastes plenamente com Ele, nos sempre misteriosos caminhos da Encarnação. Apenas uns meses mais tarde, o Imperador Romano ordenou que um recenseamento fosse feito em todo seu Império. Com firme confiança na Providência Divina Vós aceitastes esta segunda provação. Assim, vos pusestes a caminho de Nazaré para Belém, a cidade de Davi, onde nasceu o filho de Deus.

Após a visita dos Magos, novamente o Senhor vos ordenou: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito e fica lá até o tempo que eu te disser.” Sem hesitar um só momento, despertastes vossa família e, naquela mesma noite, iniciaste viagem para o Egito e lá permanecestes todo o tempo que a Deus aprouve.

Numerosos anos se passaram até a morte do Rei Herodes, mas, finalmente, o Senhor ordenou uma vez mais: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe volta para a terra de Israel.” E, então, com admirável fidelidade, Vós vos levantastes, tomastes o menino e sua mãe e voltastes para viver na aldeia de Nazaré.

Embora o Evangelho seja muito parcimonioso sobre como aconteceram estas intervenções, a cada momento ele diz que Deus enviava o Anjo para vos comunicar a sua vontade. Estes exemplos bastam para nos fazer compreender como obedecestes completamente a estes mensageiros.

Porém, como Vós bem sabeis, o Senhor nos fala também em nossas vidas; isto Ele o faz pelos acontecimentos que se sucedem a nosso redor, no silencio da oração, nos ensinamentos da Igreja. Ajudai-nos, ó glorioso São José, a discernir a voz de Deus no meio de todas as distrações do nosso mundo. Amém.

Liturgia das Horas (Ofício Divino): Ofício das Leituras.


Das Homilias de Santo Astério de Amaséia, bispo



(Hom. 13:PG40,355-358.362)

(Séc.V)



Imitemos o exemplo de Cristo como pastor


Se quereis parecer-vos com Deus porque fostes criados à sua imagem, imitai o seu exemplo. Se sois cristãos, nome que já é uma proclamação de caridade, imitai o amor de Cristo.

Considerai as riquezas de sua bondade. Estando para vir como homem ao meio dos homens,enviou à sua frente João, como pregoeiro e exemplo de penitência; e antes de João, tinha enviado todos os profetas para ensinarem aos homens o arrependimento, a volta ao bom caminho e a conversão a uma vida melhor.

Vindo, pouco depois, ele mesmo em pessoa, proclamou coma sua voz: Vinde a mim, todos vós que estais cansados e fatigados e eu vos darei descanso (Mt 11,28). Como acolheu ele os que ouviram a sua voz? Concedeu-lhes sem dificuldade o perdão dos pecados e a imediata libertação de seus sofrimentos. O Verbo os santificou, o Espírito os confirmou; o velho homem foi sepultado nas águas do batismo e o novo, regenerado, resplandeceu pela graça.

Que conseguimos ainda? De inimigos de Deus, nos tornamos amigos; de estranhos, filhos; e de pagãos, santos e piedosos.

Imitemos o exemplo de Cristo como pastor. Contemplemos os evangelhos e vendo neles, como num espelho, o exemplo de sua solicitude e bondade, aprendamos a praticá-las.

Vejo ali, em parábolas e figuras, um pastor de cem ovelhas que, ao verificar que uma delas se afastara do rebanho e andava sem rumo, não permaneceu com as outras que pastavam tranqüilamente. Saiu à sua procura, atravessando vales e florestas, transpondo altos e escarpados montes, percorrendo desertos, num esforço incansável até encontrá-la.

Tendo-a encontrado, não a castigou nem a obrigou com violência a voltar para o rebanho; pelo contrário, tomando-a nos ombros e tratando-a com doçura, levou-a para o aprisco, alegrando-se mais por esta única ovelha recuperada do que por todas as outras. Consideremos a realidade oculta na obscuridade da parábola. Nem esta ovelha nem este pastor são propriamente uma ovelha e um pastor; são imagem de uma realidade mais profunda.

Há nesses exemplos um ensinamento sagrado: nunca devemos considerar os homens como
perdidos e sem esperança de salvação,nem deixar de ajudar com todo empenho os que se
encontram em perigo nem demorar em prestar-lhes auxílio. Pelo contrário, reconduzamos ao bom caminho os que se afastaram da verdadeira vida e alegremo-nos com a sua volta à comunhão daqueles que vivem reta e piedosamente.

Liturgia das Horas (Ofício Divino): Ofício das Leituras.


Das Demonstrações de Afraates, bispo



(Dem.11,De circumcisione, 11-12:PS 1,498-503)

(Séc.IV)



A circuncisão do coração



A lei e a aliança foram totalmente mudadas. Primeiramente Deus substituiu o pacto com Adão por outro que estabeleceu com Noé; e ainda estabeleceu outro com Abraão, substituindo-o depois por um novo, feito com Moisés. Como a aliança mosaica não era observada, ao chegar a plenitude dos tempos, Deus firmou uma aliança que não seria mais mudada. Com efeito, a Adão Deus ordenara não comer da árvore da vida, a Noé dera o arco-íris, a Abraão, já escolhido por causa da sua fé, deu mais tarde a circuncisão, como sinal característico de seus descendentes; a Moisés deu o cordeiro pascal para ser imolado como propiciação pelo povo.

Todas essas alianças eram diferentes umas das outras. Mas a circuncisão que agrada ao autor de todas elas é aquela de que fala Jeremias: Circuncidai o vosso coração (Jr 4,4). Pois se o pacto estabelecido por Deus com Abraão foi firme, também este é firme e imutável e não seria possível estabelecer depois outra lei, seja por parte dos que estão fora da Lei ou dos que a ela estão submetidos.

O Senhor deu a lei a Moisés, com todas as suas observâncias e preceitos; como não cumpriram, anulou a lei e seus preceitos e prometeu fazer uma nova aliança, que seria, como disse, diferente da primeira, embora fosse um só o doador de ambas. E é esta a aliança que prometeu dar: Todos se reconhecerão, do menor ao maior deles (Jr 31,34). Nessa aliança não há mais a circuncisão da carne como sinal de pertença a seu povo.

Sabemos com certeza, caríssimos irmãos, que durante várias gerações Deus estabeleceu leis que estiveram em vigor enquanto foi de seu agrado, e que mais tarde caíram em desuso, como disse o Apóstolo: “No passado, o reino de Deus assumiu formas diversas, segundo os diversos tempos”.

O nosso Deus é veraz e os seus preceitos são fidelíssimos. Por isso, cada uma das alianças foi em seu tempo firme e verdadeira. Agora, os circuncisos de coração têm a vida por meio da nova circuncisão que se realiza no verdadeiro Jordão, isto é, por meio do batismo para a remissão dos pecados.

Josué, filho de Nun, com uma faca de pedra circuncidou o povo pela segunda vez, quando ele e seu povo atravessaram o rio Jordão. Jesus, nosso Salvador, circuncidou pela segunda vez, com a circuncisão do coração,os povos que nele creram purificados pelo batismo e circuncidados com a espada que é a palavra de Deus, mais cortante do que qualquer espada de dois gumes (Hb 4,12).

Josué, filho de Nun, introduziu o povo na terra da promissão; Jesus, nosso Salvador, prometeu a terra da vida a todos que atravessassem o Jordão, cressem nele e fossem circuncidados no coração.

Felizes, portanto, os que foram circuncidados em seu coração e renasceram das águas da segunda circuncisão! Estes receberão a herança prometida, juntamente com Abraão, guia fiel e pai de todos os povos, porque a sua fé lhe foi atribuída como justiça.

Quantos já tiveram de fazer isso?

Reverendíssimo Pe. xxx, Pároco da Paróquia xxxxx:


Comunicação da saída. Comunico-lhe, por esta, a nossa saída da Pastoral do xxxx da Comunidade xxxxx . Já há tempo em que a xxx e xxxx fazem um estágio conosco e nos auxiliam, e já estão procurando engajar-se em curso de capacitação para essa função, pelo que pude me informar, e a Pastoral do xxx dará continuidade ao seu serviço por meio dessas e outras pessoas.

Depois de muito pensarmos, chegamos à conclusão de que nossa saída era melhor do que nossa permanência por uma série de motivos, que expomos abaixo.

Impossibilidade de nossa presença na maioria das reuniões, cursos, eventos, etc. (devido aos nossos horários de trabalho). Só nos resta o domingo.

Força dos argumentos x argumento da força. Não nos sentimos capazes de lidar com divergências entre linhas de pensamento e ação sem a mediação de uma autoridade acima das partes divergentes (entre comunidades, pastorais e até dentro da mesma pastoral) pois acaba prevalecendo o que impuserem pessoas de prestígio ou quem saiba manipular melhor as dinâmicas de persuasão e poder, não importando se o que prevalece (com a concordância ou a omissão da “tirania da maioria”) esteja em conformidade com as regras da Igreja ou mesmo com o bom senso. Não há espaço para a força dos argumentos e o argumento da força é frequentemente usado. Sem uma mediação, acordos ficam difíceis e certos grupos ou pessoas acabam dominando o espaço coletivo. Isso fica muito claro nos CPCs. Esse modelo não funciona bem.
Gostaria de ver o conselho como “conselho” , órgão consultivo, de uma diversidade de pontos de vista (como a Regra Beneditina), e não como órgão decisório e deliberativo (=Padre). A decisão final não pode simplesmente derivar de uma síntese ou até de uma síncrese, mas de algo independente de gostos e razões pessoais para o bem da Igreja. Creio que o Padre é o melhor decisor e mediador de conflitos para o afastamento e a neutralização de atitudes daninhas, ouvindo as vozes e as visões de pessoas que têm contato mais próximo com a realidade debatida para fundamentar melhor suas determinações.

Vida comunitária submetida a eventos de outras comunidades (ora, só os sacramentos não podem ser simultâneos porque o Padre não pode estar em 2 lugares ao mesmo tempo). Há a presença de grupos hegemônicos uniformizadores e massificadores, sem consideração pela diversidade comunitária (os quais, inclusive, acabam impondo uma Missa muito agitada e ruidosa através dos músicos e cantores) apesar de dever haver uma unidade paroquial em torno de certas atividades. Com isso, pouco se ousa em nossa Capela no domingo, que fica vazia e de portas fechadas porque “há algo acontecendo em outras comunidades” (não separam eventos paroquiais de eventos comunitários – eventos comunitários podem coincidir entre si, mas não com eventos paroquiais, a meu ver), empobrecendo nossa vida comunitária e espantando a criatividade e a iniciativa.

Esvaziamento espiritual + caixa de ressonância filo-marxista da “teologia da libertação” (socialismo/comunismo) – isso , uma regra quase geral no Brasil, afastando os fiéis da Igreja e atraindo pessoas de perfil ativista ou sindicalista, principalmente pelo material de catequese (evangelização) por parte da Arquidiocese. A comunidade não atende às necessidades espirituais (acaba num ativismo esvaziado de conteúdo espiritual). Obras ambiciosas de construção são a prioridade quase exclusiva, e o mesmo cuidado com a parte espiritual, ao lado das obras de misericórdia, a razão de ser da Igreja, não está sendo tomado. Gostaria de ver a reintrodução da devoção e da oração profunda para não haver espiritualidade superficial “desencarnada” nem pessoas espiritualmente em crise (fugindo para outras religiões ou engajando-se em práticas mundanas hedonistas). Protesto por uma catequese até a idade adulta (para não haver abandono da identidade católica) ao invés de uma evangelização sem os ensinamentos da Igreja. Isso se vê até nos cursos e eventos de formação de catequistas, nos quais mais se ensinam dinâmicas, e se despreza o bom ensinamento da Igreja, relativizando-o. Lamento, também, a burocratização do sacerdócio (por parte dos bispos) na administração atual da Igreja, que provoca o afastamento do sacerdote de sua missão catequética (contra sua vontade) e a consequente deformação e enfraquecimento espiritual dos fiéis. E os leigos, sem o respaldo do sacerdote, não têm o poder de influenciar nem de mobilizar os outros leigos em prol de algo diferente dos modismos que sacodem a Igreja.

“Espiritualidade ecumênica”. Fiquei espantado com essa determinação da Arquidiocese sobre o perfil do catequista: “ter espiritualidade ecumênica”. O catequista deve ensinar a fé católica, não a religião “ecumênica”. Na prática, o ecumenismo só faz confusões de conceitos nas mentes dos católicos e provoca uma evasão de fiéis para outras religiões, já que o ecumenismo nos põe, católicos, na condição de ouvintes de ataques à Igreja e nos manda calar a boca para não “ofendermos os irmãos separados”. Bíblia sem catecismo é abandono da identidade católica, desprezo pelos sacramentos, pela devoção e oração. O ecumenismo é a melhor propaganda para as igrejas protestantes.

Uma sociedade desagregada. A desconfiança, o medo, a desunião e a falta de unidade entre os católicos por causa de vários movimentos divergentes (tradicionais, libertários, “carismáticos”, liberais, etc.) dificultam uma aproximação entre as pessoas e sua articulação para a atuação na vida espiritual na Igreja.
Chego à conclusão que, quem não concorda com o modo de funcionar das pastorais, precisa contentar-se com a oração individual, a catequese de si próprio, a freqüência silenciosa e constante aos sacramentos, a obediência fiel aos ensinamentos consagrados da Santa Madre Igreja e a contribuição de seu dízimo.
Tentarei cumprir esse papel com a melhor fidelidade possível, incapaz de contribuir com algo mais.

Mantenho e expresso a minha admiração, obediência e respeito por Vossa Reverendíssima, que sempre foi um exemplo de boas intenções, de entusiasmo por seu sacerdócio, de terno e sábio acolhimento de todos os que o procuram em busca de aconselhamento ou de uma palavra misericordiosa.

terça-feira, 15 de março de 2011

Liturgia das Horas (Ofício Divino): Ofício das Leituras.


Do Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano, bispo e mártir

(Cap.1-3: CSEL 3,267-268)(Séc.III)



Quem nos deu a vida também nos ensinou a orar



Os preceitos evangélicos, irmãos caríssimos, não são outra coisa que ensinamentos divinos fundamentos para edificar a esperança, bases para consolidar a fé, alimento para revigorar o coração, guias para mostrar o caminho, garantias para obter a salvação. Enquanto instruem na terra os espíritos dóceis dos que crêem, eles os conduzem para o Reino dos céus.

Outrora quis Deus falar e fazer-nos ouvir de muitas maneiras pelos profetas, seus servos. Mas muito mais sublime é o que nos diz o Filho, a Palavra de Deus, que já estava presente nos profetas e agora dá testemunho pela sua própria voz. Ele não manda mais preparar o caminho para aquele que há de vir, mas vem, ele próprio, mostrar-nos e abrir-nos o caminho para que nós, outrora cegos e imprevidentes,errantes nas trevas da morte, iluminados agora pela luz da graça, sigamos o caminho da vida, sob a proteção e guia do Senhor.

Entre as exortações salutares e os preceitos divinos com que orienta seu povo para a salvação, o Senhor ensinou o modo de orar e nos instruiu e aconselhou sobre o que havemos de pedir. Quem nos deu a vida, também nos ensinou a orar com a mesma bondade com que se dignou conceder-nos tantos outros benefícios, a fim de que, dirigindo-nos ao Pai com a súplica e oração que o Filho nos ensinou, sejamos mais facilmente ouvidos.

Jesus havia predito que chegaria a hora em que os verdadeiros adoradores adorariam o Pai em espírito e em verdade. E cumpriu o que prometera. De fato, tendo nós recebido por sua graça santificadora o Espírito e a verdade, podemos adorar a Deus verdadeira e espiritualmente segundo os seus ensinamentos.

Pode haver, com efeito, oração mais espiritual do que aquela que nos foi ensinada por Cristo, que também nos enviou o Espírito Santo? Pode haver prece mais verdadeira aos olhos do Pai do que aquela que saiu dos lábios do próprio Filho que é a Verdade? Assim, orar de maneira diferente da que o Senhor nos ensinou não é só ignorância, mas também culpa, pois ele mesmo disse: Anulais o mandamento de Deus a fim de guardar as vossas tradições (cf. Mc 7,9).

Oremos, portanto, irmãos caríssimos, como Deus, nosso Mestre, nos ensinou. A oração
agradável e querida por Deus é a que rezamos com as suas próprias palavras, fazendo subir aos seus ouvidos a oração de Cristo.

Reconheça o Pai as palavras de seu Filho, quando oramos. Aquele que habita interiormente em nosso coração, esteja também em nossa voz; e já que o temos junto ao Pai como advogado por causa de nossos pecados, digamos as palavras deste nosso advogado quando, como pecadores, suplicarmos por nossas faltas. Se ele disse que tudo o que pedirmos ao Pai em seu nome nos será dado (cf. Jo 14,13), quanto mais eficaz não será a nossa súplica para obtermos o que pedimos em nome de Cristo, se pedirmos com sua própria oração!

ORAÇÕES DE SANTO AFONSO A SÃO JOSÉ


ORAÇÕES DE SANTO AFONSO A SÃO JOSÉ



- Santo Patriarca, pela pena que padeceste, vendo o Verbo divino nascido num estábulo, em tão grande pobreza, sem fogo, sem vestidos, chorando de frio, vos peço, me obtenhais verdadeira dor dos meus pecados que foram causa das lágrimas de meu Jesus. Pela consolação que depois tivestes, ao contemplar o Menino Jesus no presépio, tão belo e atraente, que o vosso coração começou, desde então, a arder em amor mais vivo para com um Deus tão amável, obtende-me a graça de amá-lo, também, com um grande amor na terra, a fim de poder possuí-lo, um dia no céu.

- Santo protetor meu, pela vossa pronta e contínua obediência à vontade de Deus, alcançai-me do vosso Jesus a graça de obedecer aos seus divinos preceitos. Alcançai-me que, na viagem que faço para a eternidade, no meio de tantos inimigos, não perca jamais a companhia de Jesus e Maria até ao meu último suspiro. Nesta companhia, todas as penas da vida e a própria morte me serão doces e preciosas.

- Ó grande Santo, pelo merecimento da angústia que padecestes, quando perdestes a Jesus no templo, obtende-me, para mim, lágrimas com que choro, incessantemente, as injúrias que fiz ao meu divino Senhor. Pela alegria que tivestes, encontrando-o no templo, rogo-vos, me alcanceis a felicidade de achá-lo também, fazendo-o entrar em minha alma, pela sua graça, e de não perdê-lo nunca mais.

- Ó santo Patriarca, pelas lágrimas que derramastes, contemplando antecipadamente a Paixão de vosso Jesus, alcançai-me contínua e terna memória dos tormentos do meu Redentor. Pelas santas chamas de amor, que estes pensamentos e colóquios acendiam no vosso coração, obtende-me uma centelha dele, para a minha alma, que, pelos seus pecados, tanto contribuiu para as dores de Jesus.

- Alegro-me com a vossa felicidade e glória, ó meu santo Patriarca, pois fostes considerado digno de governar como Pai a Jesus e de vos fazer obedecer por Aquele a quem o céu, e a terra obedecem. Visto como, ó grande Santo, um Deus vos quis servir, quero, também eu, por-me em o número dos vossos servos. Escolho-vos para meu principal advogado e protetor, depois de Maria.Prometo honrar-vos cada dia, com alguma homenagem especial.Cada dia quero colocar-me de novo sob o vosso patrocínio. Pela doce companhia de Jesus e Maria, da qual tanto gozastes, durante a vossa vida, protegei-nos, sempre, por todo o decurso da minha. Pela assistência que na vossa morte vos prestaram Jesus e Maria, protegei-me especialmente na minha última hora. Fazei que, morrendo assistido por vós, por Jesus e Maria, vá agradecer-vos no paraíso e possa em vossa companhia louvar e amar a Deus por séculos eternos.
Assim seja.

Quatro razões para se rejeitar o novo Rosário.


Quatro razões para se rejeitar o novo Rosário.


Pe. Fabrice Delestre, FSSPX




1 – O Rosário, tal como ele foi recitado desde a época de São Domingos (entre 1170 e 1221), ou seja, desde oito séculos, deu inumeráveis provas de sua eficácia sobrenatural, tanto no plano individual (é um instrumento poderoso de santificação, graças ao qual o Céu se povoou e se povoará até o fim do mundo de inumeráveis eleitos), como no plano social e político, assegurando a vitória da Cristandade sobre os inimigos da verdadeira Fé (cátaros, muçulmanos e protestantes em particular: toda a história da Igreja desde o século XIII testemunha isto). Portanto, já que o Santo Rosário mostrou sua perfeita eficácia durante oito séculos, assegurando a salvação das almas e da Igreja militante, não há nenhuma razão para modificá-lo substancialmente. Além disto, nas últimas aparições de Fátima, reconhecidas pela Igreja, às quais o Papa (João Paulo II, n.d.t.), se refere na sua carta apostólica (Rosarium Virginis Mariae, §7), a Santíssima Virgem pede, em cada uma de suas aparições, a recitação quotidiana do Rosário tal como sempre se praticou.

2 – O Antigo Testamento contêm 150 Salmos, que formam a trama do Ofício Divino ou breviário, ao qual são obrigados à recitação diária todos os padres, em honra da Santíssima Trindade e de Nosso Senhor Jesus Cristo. Este Ofício Divino é concebido de tal forma que, a cada semana, o padre recita ao menos uma vez cada Salmo. O Rosário, com as suas 150 Ave Marias, recitadas em honra de Nossa Senhora, sempre foi considerado, dentro do espírito da Igreja, como algo semelhante ao Ofício Divino; por causa disto, ele foi chamado “o Saltério de Nossa Senhora”, o que tinha a vantagem de sublinhar o lugar especial e único ocupado por Nossa Senhora na devoção da Igreja, e por consequência o culto particular que se deve render à Santíssima Virgem Maria: o culto de hiperdulia.
Mesmo o Papa sublinha esta correspondência entre as 150 Ave Marias do Rosário e os 150 Salmos do Antigo Testamento (Ibid. §19). Porque então acrescentar 5 novos mistérios, fazendo assim o Rosário passar a 200 Ave Marias, o que vem a provocar confusão, e rompe a bela simetria que exprimia tão bem a verdadeira devoção da Igreja em toda a sua riqueza tão perfeitamente ordenada?

3 – Assim também, existe uma eloquente correspondência entre os quinze mistérios do Rosário e os tempos mais importantes do ano litúrgico:

- Os cinco mistérios gozosos, quem têm por centro a encarnação e natividade de Nosso Senhor, fazem eco aos tempos litúrgicos do Advento e do Natal.

- Os cinco mistérios dolorosos nos fazem mergulhar no espirito do tempo da Quaresma, que é toda orientada para a paixão de Nosso Senhor e sua morte na Cruz.

- Finalmente, os cinco mistérios gloriosos lembram a nossas almas o tempo Pascal e seu espírito cheio de alegria e de esperança sobrenatural .

No entanto, enquanto que o ano litúrgico tem por fim “fazer que o cristão compartilhe, estação por estação e quase dia a dia, os sentimentos de Cristo em seus diferentes mistérios, fazendo assim o homem viver da vida em Deus , o Rosário considera os principais mistérios da vida de Nosso Senhor de uma outra maneira: “Dando uma atenção bem explícita ao lugar que Nossa Senhora aí ocupa .” Em consequência, o ano litúrgico e o Santo Rosário, complementares um do outro, têm um lugar bem definido na vida cristâ: (...) A liturgia não suprime o Rosário, que tem um caráter próprio e irredutível .” Propor cinco novos mistérios, que giram em torno de Nosso Senhor e nos quais Maria está quase ausente , “ a fim de dar uma consistência claramente mais cristológica ao Rosário , leva a desnaturar este último porque não respeita a sua especificidade, e isto é muito grave. Existe aí um perigo muito real que pode conduzir a um novo desprezo do Rosário e a novos ataques contra sua utilidade na vida cristâ: se se tira do Rosário seu “caráter próprio e irredutível”, ele se tornará inútil para muitos, pois ele será considerado como uma duplicação da liturgia.

4 – Estes novos mistérios com uma “consistência cristológica” diminuem o caráter mariano do Rosário, obscurecendo com um só golpe o lugar único que ocupa Maria no plano da Redenção: o papel de mediadora universal de todas as graças, em virtude de sua Corredenção ao pé da Cruz. De fato, no texto da carta apostólica do Papa, não encontramos nem uma só vez mencionados os termos de “Maternidade Divina e Virginal”, “Imaculada Conceição”, “Corredenção”, “Mediadora Universal de todas as Graças”, que se referem aos privilégios únicos que recebeu a Santíssima Virgem, dos quais os dois primeiros são dogmas de fé definidos, um deles desde o ano 431 no Concílio de Éfeso, e o outro em 1854 pelo Papa Pio IX. Somente o privilégio da Assunção é mencionado uma só vez, no número 23 da carta apostólica.. Tem-se a clara impressão de que o Papa procura evitar o emprego de termos que desagradem aos protestantes, e que possam criar novos obstáculos ao ecumenismo conciliar, ao mesmo tempo tentando tornar aceitável a esses mesmos protestantes um Rosário revisto e corrigido que permite “aprofundar a implicação antropológica do Rosário, uma implicação mais radical do que parece à primeira vista. Quem quer que se ponha a contemplar Cristo, fazendo memória das etapas de sua vida, não pode deixar de descobrir também nele a verdade sobre o homem. É a grande afirmação do concílio Vaticano II, que frequentemente foi objeto de meu magistério, desde a encíclica Redemptor Hominis: “Na realidade, o mistério do homem só se esclarece verdadeiramente no mistério do Verbo Encarnado” (...). Pode-se assim dizer que cada mistério do Rosário, bem meditado, esclarece o mistério do homem ”. Convenhamos, numa tal perspectiva, não resta muita coisa da devoção mariana tradicional tal como a Igreja sempre compreendeu e encorajou!

Nota do Anacoreta:

Quando experimentei rezar (poucas vezes) os mistérios propostos (mas não impostos - ele mesmo escreveu "sugiro" - ainda bem que a mentalidade modernista tem aversão à autoridade, aos dogmas e ao magistério verdadeiramente dogmático, e por isso não inventam dogmas heréticos e a Igreja permanece pura em seu ensinamento tradicional) por João Paulo II, percebi a falta de conexão com os outros mistérios, que se entrelaçam e se relacionam entre si de modo harmonioso e até similar, além da presença de Nossa Senhora, inexistente nos mistérios "novos". Os novos mistérios valem uma leitura orante apenas.

Isso além do Rosário ter funcionado tão bem por séculos, tinha de aparecer um demolidor da Igreja para deformá-lo, aumentando-o com coisas que nada têm a ver entre si e tornando-o excessivamente longo, desanimando os poucos devotos que ousam rezá-lo.

João Paulo II: se viajasse menos e escrevesse menos abobrinhas modernistas, cuidasse mais da disciplina do clero, condenasse as heresias (inclusive a do comunismo), amaldiçoasse o ecumenismo, fosse menos orgulhoso para não mandar escrever aquele catecismo cheio de heresias modernistas (misturadas com citações de boa doutrina, verdade) e promovesse o bom ensino e a boa devoção (também quis deformar a Via Crucis, negando a tradição e tornando-a "bíblica" - um segundo Lutero!) aí, então, seria beato.

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