quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Mito sobre Maomé - parte 3.






MITO: Maomé nunca matou crianças

É justo dizer que Maomé não aprovou a matança intencional de crianças. Um verso do Alcorão lamenta a práctica árabe pré-islâmica de infanticídio contra as meninas.
Outro tipo de evidências provenientes das hadith sugerem que ele instruiu os seus homens para - se fosse possível - não matarem crianças durante uma batalha mas que as capturassem para serem vendidas como escravas,
Normalmente, as crianças estavam excluídas da ordem de Maomé onde ele diz "Matem todos aqueles que não acreditam em Alá":

[Maomé disse:] Lutem contra todos segundo os caminhos de Alá e matem todos aqueles que não acreditam em Alá. Não sejam falsos com os despojos; não sejam traiçoeiros , não mutilem e nem matem as crianças.
(Ibn Ishaq/Hisham 992)

Mas a definição de criança usada por Maomé não é a mesma usada hoje em dia. Logo depois da rendição da tribo Quraiza, ele ordenou a execução de todas as crianças do sexo masculino que haviam já atingido a puberdade. Os seus homens forçaram as crianças a baixar as calças de modo a que pudessem decapitar quem quer que exibisse pêlos púbicos (Sahih Muslim 4390).

Convém notar que muitos maometanos contemporâneos afirmam que Aisha havia já atingido a puberdade quando esta tinha 9 anos uma vez que foi nesta idade que Maomé começou a ter relações sexuais com ela. Se isto é assim, então a idade "adulta" masculina provavelmente era 12 anos.

Maomé brincou também com as vidas das mulheres e crianças em momentos de guerra, tal como registado em Bukhari e nas tradições Sahih Muslim:
É relatado segundo a autoridade de Sa'b b. Jaththama que o profeta de Alá (que a paz esteja com ele), quando inquirido acerca das mulheres e crianças dos politeístas mortas durante o ataque nocturno, disse "Elas pertencem a eles."
(Sahih Muslim 4322, ver também Bukhari 52:256)

Por si só, isto não justifica o ataque às mulheres e crianças, mas mostra que os danos colaterais eram perfeitamente aceitáveis se o resultado final era a propagação do domínio islâmico.

Maomé fez distinção entre crianças muçulmanas e crianças não-muçulmanas e disse que seria permissível matar uma criança que não tinha planos para aceitar o islão.
O mensageiro de Alá (que a paz esteja com ele) dizia frequentemente para não matar crianças e como tal, tu não as deves matar a menos que tenhas forma de saber o que Khadir sabia acerca da criança que ele matou, ou se pudesses distinguir entre uma criança que seria mais tarde um crente (e uma criança que cresceria para ser um descrente), de forma que tu matasses um (futuro) descrente e deixasses o (futuro) crente de lado.
(Sahih Muslim 4457)

Depois de capturar Meca, o profeta do islão ordenou a execução de duas "raparigas cantantes" que haviam gozado com ele com versos:
(...) duas miúdas cantoras, Fartana e a sua amiga, costumavam cantar músicas sátiras acerca do apóstolo e como tal, ele ordenou a sua execução.
(Ibn Ishaq/Hisham 819)

Mito: Os habitantes de Meca foram os primeiros a violar o Tratado de Hudaibiya
Menos de dois anos depois de ter feito um tratado com os habitantes de Meca, Maomé regressou à cidade com um exército e tomou a cidade de surpresa. Embora através dos séculos isto tenha sido uma fonte de orgulho por parte dos maometanos, os eruditos contemporâneos são mais susceptíveis desculpabilizar o comportamento de Maomé visto que o mesmo contradiz a alegação de que o islão é uma religião pacífica.

Em vez de construir um argumento em favor da tese de que Maomé foi forçado a escolher a guerra - algo que os registos históricos contradizem - os apologistas maometanos actuais alegam que Maomé tinha "justificações" para tomar Meca visto que o parceiro do acordo havia violado o tratado entre ambos. De particular importância são os pormenores técnicos em torno da aliança.

Depois do Tratado de Hudaibiya (TdH) ter sido feito, duas tribos em guerra aliaram-se a lados opostos na guerra Maomé versus habitantes de Meca. Devido ao facto da tribo que se aliou aos habitantes de Meca ter sofrido uma série de assassinatos por parte da tribo que se aliou aos muçulmanos, os primeiros buscavam forma de vingança junto dos segundos.

A evolução dos eventos pode ser resumida da seguinte forma:

• Membro da Tribo A (que se alinhou com Meca) foi assassinado por membros da Tribo B (que mais tarde se alinhou com Maomé).
• Tribo A mata um membro da Tribo B como forma de vingança.
• Tribo B mata 3 membros da Tribo A.
• Depois de levar a cabo estes assassinatos, a Tribo B junta-se aos muçulmanos.
• Em jeito de resposta, a Tribo A junta-se aos habitantes de Meca.
• Tribo A busca vingança pela morte de 3 membros seus.

Este desenrolar de ventos está detalhada em Ibn Ishaq/Hisham 803, onde a Tribo A chama-se Banu Bakr e a Tribo B tem o nome de Khuza’a.

Embora os Khuza’a (Tribo B) tenham iniciado a sequência de assassinatos, o facto deles terem sido atacados pela Tribo A (Bani Bakr) depois de se terem aliado a Maomé constituía uma violação técnica do acordo - que Maomé capitalizou como forma de fazer marchar as suas superiores forças para Meca e estabelecer a autoridade islâmica pela via da força.

Superficialmente, os habitantes de Meca parecem ter sido os primeiros a violar o TdH. Embora muitos maometanos admitam que os habitantes de Meca não desejavam a guerra, eles insistem à mesma que Maomé tinha justificação para atacar Meca tendo como base a violação do TdH.

A verdade dos factos revela que Maomé foi o primeiro a violar o TdH, tal como o Alcorão reconhece - o que significa que qualquer maometano conhecedor do Alcorão também o deva reconhecer.

Os termos do tratado especificavam que qualquer maometano que fugisse de Meca para Medina (onde Maomé vivia) deveria ser retornado. No entanto, quando um grupo de maometanos fez exactamente isso (fugir para Medina), Maomé não os retornou na totalidade, mas reteve para si as mulheres. Sem surpresa alguma, um verso "desceu" de Alá para justificar esta violação do TdH (60:10).

Os maometanos actuais possuem apenas uma resposta para isto: Alá deu a Maomé a permissão pessoal para violar o tratado. Só que isto constitui uma gritante dualidade de critérios - uma com a qual os muçulmanos estão perfeitamente confortáveis visto que eles acreditam que a sua religião lhes torna superiores aos demais. (Não deixa de ser curioso que o deus Alá tenha permitido que Maomé assinasse um tratado cujos termos eles tencionava violar).

Pondo de parte os pormenores técnicos por agora, os apologistas maometanos começam então a falar na "gravidade" das violações contratuais, alegando que a morte dos membros da tribo aliada com Maomé constituía uma "ofensa grave".
Claro que eles estão certos no que dizem, mas há ainda outro pormenor da história que demonstra a dualidade de critérios do gesto: Segundo se sabe, os maometanos estavam a matar habitantes de Meca DEPOIS do tratado ter sido assinado, e ANTES dos membros da Tribo A terem morto alguém da Tribo B.

Bukhari 50:891 relata a história dum homem chamado Abu Basir que "abraçou" o islão e posteriormente matou um habitante de Meca. Maomé ordenou que o homem fosse viver para a costa, onde ele formou um grupo de 70 maometanos que se financiava atacando as caravanas de Meca.

Segundo a hadith, ele e os outros maometanos "mataram-nos e tomaram as suas possessões". Muir descreve o incidente do seguinte modo:

Eles assaltaram todas as caravanas provenientes de Meca (uma vez que, desde as tréguas, o tráfego com a Síria tinha reatado) e não pouparam a vida de ninguém.
Atacar e matar habitantes de Meca era uma óbvia violação do TdH mas uma vez que as vítimas (habitantes de Meca) não queriam guerra com Maomé, eles não marcharam contra Medina. No entanto, Maomé agarrou a primeira desculpa para atacar Meca embora estes últimos não constituíssem qualquer tipo de ameaça para ele. Os seus adversários queriam a paz, mas ele - Maomé - queria poder.

Escusado será dizer isto, mas eles não tiveram alternativa senão renderem-se a ele em vez de enfrentar o seu exército numa guerra convencional.
A dualidade ética do islão está impregnada na religião, incluindo a forma díspar no tratamento dos descrentes. Sem surpresa alguma, Maomé colocava imposições morais sobre os outros mas ele não estava disposto a viver segundo os mesmos padrões.
Neste caso, como ele foi o primeiro a violar o TdH, ele estabeleceu um exemplo para os seus seguidores: uma promessa feita aos descrentes não é vinculativa para os maometanos. O próprio Abu Bakr declarou:

Se eu faço um juramento mas mais tarde deparo-me com algo melhor que o juramento prévio, então faço o que é melhor e mais tarde faço expiação pelo meu juramento. (Bukhari 78:618)

Sem dúvida que Maomé teria concordado com Abu Bakr porque ele mesmo disse "fazer guerra é enganar" (Bukhari 52:269)

"Jihad: guerra contra os não-muçulmanos como forma de os converter ao islão."
("Islam and Christianity", impresso pela "Waqf Ikhlas Publications", página 316 - 7ª edição)

"Foi narrado por 'Umar b. al-Khattib que ele ouviu o mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) dizer:

Vou expulsar os Judeus e os Cristãos da Península Árabe e não vou deixar mais ninguém a não ser muçulmanos."

Em quem votar?

Três passos para escolher o candidato.

Uma orientação clara, concisa e objetiva. Sem rodeios e palavreados vagos, como as diretrizes das dioceses e dos regionais da CNBB.

Por Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz

I. O primeiro passo é examinar o Partido a que ele pertence.

Os partidos que se dizem comunistas ou socialistas são incompatíveis com a Doutrina Social da Igreja:

“Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista” (Pio XI, Quadragesimo Anno, n.º 119).

“Entre comunismo e cristianismo, o Pontífice [Pio XI] declara novamente que a oposição é radical. E acrescenta não poder admitir-se de maneira alguma que os católicos adiram ao socialismo moderado” (João XXIII, Mater et Magistra, n.º 31).

“O erro fundamental do socialismo é de caráter antropológico. De fato, ele considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social” (João Paulo II, Centesimus Annus, n.º 13).

Eis a lista dos partidos brasileiros que se declaram comunistas ou socialistas:

Partido dos Trabalhadores (PT) – 13

Partido Comunista Brasileiro (PCB) – 21

Partido Popular Socialista (PPS), sucessor do PCB – 23

Partido Comunista do Brasil (PC do B) – 65

Partido da Causa Operária (PCO) – 29

Partido Democrático Trabalhista (PDT) – 12

Partido da Mobilização Nacional (PMN) – 33

Partido Pátria Livre (PPL) – 54

Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) – 50

Partido Socialista Brasileiro (PSB) – 40

Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) – 16

Partido Verde (PV) – 43

Nota: O PV não se declara socialista, mas em seu Programa defende o homossexualismo e a legalização do aborto. O PT, além de se declarar socialista, exige de seus candidatos um compromisso com o aborto.

Exclua, portanto, de seus candidatos, os números 13, 21, 23, 65, 29, 12, 33, 54, 50, 40, 16 e 43.

II. O segundo passo é examinar a atuação passada de seu candidato.

Se o seu candidato já foi parlamentar, verifique como foi seu voto em questões relativas à vida e à família.

02/03/2005: Deputados que votaram contra ou a favor do artigo 5º da Lei de Biossegurança, que permite a destruição de embriões humanos: http://www.providaanapolis.org.br/votobios.pdf

13/08/2008: Deputados que assinaram o Recurso 0201/08, de José Genoíno, solicitando que o projeto abortista PL 1135/91 não fosse arquivado, mas primeiro fosse apreciado pelo plenário da Câmara: http://www.providaanapolis.org.br/senaofoss.htm

28/05/2009: Deputados que assinaram a PEC 367/2009, pretendendo dar um terceiro mandato (pró-aborto) ao presidente Lula: http://www.providaanapolis.org.br/prolongab.htm

19/05/2010: Deputados que votaram contra o Estatuto do Nascituro na Comissão de Seguridade Social e Família: http://www.providaanapolis.org.br/meandros.htm

III. O terceiro passo é verificar o compromisso do candidato para o futuro.

Há uma lista de candidatos que se comprometeram a defender a vida em http://www.brasilsemaborto.com.br/?action=campanha&cache=0.1641827216371894

Mas atenção: só devemos dar o terceiro passo depois de ter dado os dois primeiros.

Não adianta, por exemplo, que um candidato pertencente a um partido comprometido com o aborto, venha depois assinar um compromisso pela vida.

FONTE: http://fratresinunum.com/2012/09/24/tres-passos-para-escolher-o-candidato/#comment-46199

POR NOSSA PRÓPRIA CONTA: O PSDB TAMBÉM É SOCIALISTA! ESTÁ DIFÍCIL...

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Mito sobre Maomé - parte 2.






MITO: Maomé nunca sancionou a violação sexual

É contra o maometanismo (=islão) a violação de mulheres muçulmanas, mas Maomé encorajou a violação de mulheres capturadas. A seguinte hadith oferece-nos o contexto à volta do verso alcorânico 4:24:

O apóstolo de Alá (que a paz esteja com ele) enviou uma expedição militar até Awtas por ocasião da batalha de Hunain. Eles depararam-se com o inimigo e combateram-no. Depois de os terem vencido, levaram consigo os cativos.

Alguns dos Companheiros do apóstolo de Alá (que a paz esteja com ele) estavam relutantes em ter relações sexuais com as cativas na presença dos seus esposos, que eram descrentes. Então Alá, o exaltado, enviou o verso alcorânico onde se lê:
"Também vos está vedado desposar as mulheres casadas, salvo as que tendes à mão." (4:24)
Abu Dawud 2150 e Muslim 3433

Na verdade, e como indica a tradição islâmica supracitada, não foi Maomé mas "Alá o exaltado" quem deu permissão aos maometanos para abusar sexualmente as cativas em frente aos seus esposos. Isto é suficiente para vermos que o islão é totalmente distinto do Judaísmo e do Cristianismo, onde Deus nunca deu permissão para abusar sexualmente de mulheres.

Note-se também que os esposos destas vítimas infortunadas estavam ainda vivos depois da batalha. Isto é muito importante visto que refuta os apologistas maometanos que gostam de afirmar que as mulheres que Maomé escravizou eram "viúvas" e, como tal, incapazes de tomar conta de si mesmas.

Mas mesmo que os embaraçados apologistas islâmicos estivessem correctos, e elas fossem viúvas, que espécie de "código moral" é este que obriga uma viúva a escolher entre ser violada ou morrer a fome?

Há muitos outros episódios onde a Maomé são fornecidas oportunidades para condenar a violação de mulheres, mas onde ele oferece conselhos em como avançar com o abuso sexual.

Num dos casos, os seus homens estavam relutantes em desvalorizar as escravas (para venda futura) engravidando-as. Perguntaram a Maomé o que ele tinha a dizer sobre coitus interruptus:

Ó apóstolo de Alá! Temos cativas como parte do nosso espólio e estamos interessados no seu preço. Qual é a tua opinião àcerca do coitus interruptus? O apóstolo respondeu: "Vocês fazem mesmo isso? É melhor não o fazerem. Nenhuma alma que Alá destinou que viesse a existir deixará de existir."
Bukhari 34:432

Como indicado, o profeta do islão não se importou com o facto dos seus homens abusarem sexualmente de mulheres; desde que eles ejaculassem dentro delas, estava tudo bem.

Como se pode imaginar, a óbvia aprovação de Maomé pela violação das mulheres capturadas em batalhas e a sua participação pessoal nelas - tal como registado em muitas fontes islâmicas - é um facto de extrema inconveniência para os apologistas maometanos que tentam a todo o custo pintar Maomé como um líder religioso ao nível do Senhor Jesus ou do Profeta Moisés.

Devido a isto, alguns destes jihadistas-do-teclado tentam explicar estes episódios e as referências alcorânicas em favor do sexo com as cativas como situações onde as mulheres supostamente tinham "maus casamentos" com os maridos e buscavam "refúgio" junto dos maometanos.

Alguns apologistas chegam a referir estas prisioneiras de guerra como "esposas", embora o Alcorão faça a distinção clara entre "aquelas que tendas à mão" e as genuínas esposas (ver Sura 33:50). Para além do previsível desespero dos apologistas maometanos do século 21, não há nada historicamente defensível que suporte a versão rosada dos factos que eles apresentam.

As mulheres da tribo Banu Mustaliq foram vendidas como escravas depois de terem sido violadas:

Fomos com o apóstolo de Alá (que a paz esteja com ele) na expedição até Bi'l-Mustalia e levamos cativas excelentes mulheres árabes; tínhamos desejo por elas visto que sofríamos a ausência das nossas mulheres, [mas ao mesmo tempo] queríamos também compensação por elas.

Decidimos então ter relações sexuais com elas mas observar ao mesmo tempo o azl (remoção do órgão sexual masculino antes da emissão do sémen como forma de impedir a concepção). No entanto dissemos: "Vamos levar isto a cabo enquanto o mensageiro de Alá está entre nós; porque não questioná-lo?"

Perguntamos então ao mensageiro de Alá (que a paz esteja com ele) e ele respondeu "Não faz mal" [ou "não é importante"].
Sahih Muslim 3371

Na verdade, Maomé e o seu grupo de fiéis seguidores comercializaram as escravas como se fossem uma comodidade na sua posse:

Foi então que o apóstolo enviou Sa-d b. Zayd al-Ansari, irmão de Abdu'l-Ashal com algumas das cativas da tribo Banu Quraiza a Najd e ele vendeu-as em troca de cavalos e armas.
Ibn Ishaq/Hisham/Hisham 693

Faz parte da religião islâmica vender as "esposas" em troca de cavalos? Como se pode ver, e contrariamente ao que os apologistas afirmam, estas não eram esposas mas escravas.

Mais importante ainda, por definição, uma mulher "capturada" não é aquela que foge do marido. Ela foge dos seus captores (isto é, os esclavagistas maometanos). A hadith seguinte descreve um típico raid muçulmano onde as mulheres e crianças são capturadas no momento em que tentam fugir dos invasores maometanos:

[...] e então nós atacamos por todos os lados e atingimos o lugar onde davam de beber os animais, onde uma batalha foi combatida. Alguns dos nossos inimigos foram mortos e alguns foram levados como prisioneiros.

Vi um grupo consistido por mulheres e crianças [a escapar]. Temi que eles atingissem a montanha antes de mim e como tal, atirei uma seta entre eles e a montanha. Quando eles viram a seta, pararam. Foi então que os conduzi de volta.
Sahin Muslim 4345

O narrador maometano - que por acaso é o filho adoptivo de Maomé - viu ao longe mulheres e crianças a fugir da investida islâmica depois do massacre dos seus homens. Como forma de impedir a sua fuga, ele atira uma seta como forma de aviso. A seta cai um pouco mais à frente do grupo em fuga e eles param de fugir mal a vêem.
Claramente estas mulheres não buscam "refúgio" junto dos muçulmanos. Elas fogem DOS muçulmanos como forma de evitar a captura.

A mesma hadith reporta ainda que Maomé pessoalmente exigiu uma das mulheres capturadas para o seu "uso pessoal":

Conduzi-as [mulheres e crianças] até junto de Abu Bakr, e ele concedeu-me aquela rapariga como prémio. Então chegamos a Medina.

Eu não a tinha ainda desnudado quando o mensageiro (que a paz esteja com ele) encontrou-se comigo no caminho e disse: "Dá-me aquela rapariga."
Sahih Muslim 4345

Portanto, para além de violador, aparentemente Maomé cobiçou uma cativa que havia já sido escolhida pelo filho adoptivo.

Conclusão:

O "profeta" do maometanismo e os seus companheiros usaram a jihad como forma de obter mulheres para uso sexual pessoal e para comércio. A menos que ela fosse arbitrariamente declarada esposa de alguém, ela tornar-se-ia numa escrava sexual.
De qualquer forma, o seu destino não era consequência de algo que ela tivesse feito, e nem possuía ela qualquer tipo de escolha em relação ao seu trágico futuro.

Que "religião" é essa?

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A paz da alma.

A PAZ DA ALMA

(Primeira parte: liberdade, felicidade e oblação)

d. CURZIO NITOGLIA

{Tradução: Gederson Falcometa]

30 de março de 2012

http://www.doncurzionitoglia.com/pace_anima.htm



Início uma série de artigos sobre paz interior.

Neste primeiro artigo trato da verdadeira liberdade dos filhos de Deus, diametralmente oposta a licença do liberalismo e dos mundanos. Como abordarei todos os aspectos que dizem respeito a beatitude sobrenatural, imperfeita nesta vida e cumprida apenas na eternidade.

D. Curzio Nitoglia

PRIMEIRA PARTE

*

Liberdade, felicidade e oblação.



Se vivemos na graça de Deus, a SS. Trindade habita fisicamente e realmente na nossa alma. Os Santos nos convidam a entrar na parte mais profunda dela (o “espírito”, que é a alma elevada à ordem sobrenatural) e a permanecemos na presença amorosa de Deus. Também nas circunstâncias externas mais difíceis e desfavoráveis, temos dentro de nós um espaço de paz interior que ninguém pode perturbar, porque esta presente Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Esta é uma verdade de Fé que todo cristão deveria conhecer, e que, uma vez conhecida e crida, deve ser vivida e cultivada. Deus esta presente em nós para conhecer-nos, amar-nos e conviver conosco, e nós devemos conhecê-lo, amá-lo e viver junto a Ele. Esta é a natureza da vida espiritual ou sobrenatural: Fé, Esperança e Caridade vividas na meditação ou colóquios com Deus. Enquanto não vivermos sobrenaturalmente, estaremos angustiados, aleijados e privados de verdadeira paz e liberdade da alma, que apenas Deus conhecido, amado e vivido pode nos dar. São Paulo nos revela: “Onde está o Espírito do Senhor, ai existe a liberdade” (2 Cor., III, 17). Se quisermos viver, apesar das provas e das cruzes da vida terrena, em paz com Deus, com nós mesmos e possivelmente com o próximo, devemos aprofundar na meditação desta verdade e buscar vive-la quotidianamente. Somente então, nada nos sufocará interiormente, ainda que exteriormente as vicissitudes possam ser extremamente adversas e dolorosas.

O homem conquista a verdadeira liberdade interior e a paz da alma na medida em que fortifica a sua Fé e a vive na Esperança e na Caridade, mediante a oração e os Sacramentos.



Conditio sine qua non para fortificar as Virtudes teologais é a verdadeira humildade de coração, que consiste em esvaziar-se do nosso amor próprio ou do nosso “eu” para dar espaço a Deus que nos ama e quer ser amado. A verdadeira liberdade é a liberdade do erro e do pecado, que apenas o Bem e o Verdadeiro nos dão. O liberalismo é o pervertimento egocêntrico desta máxima e faz da liberdade não um meio, mas um fim e absoluto, uma espécie de ídolo ou falsa divindade, que nos tornaria patrões e capazes de fazer aquilo que queremos, incluindo o mal e o erro. Jesus, ao invés nos revelou: “a Verdade vos fará livres” (Jo, VII, 32), enquanto “quem faz pecado, é escravo do pecado”. Deus quer que nós reconheçamos não sermos nada e que Ele é tudo. “Eu sou Aquele que é, tu aquela que não é” disse Jesus a S. Catarina de Siena. Portanto não devemos nos preocupar com aquilo que não podemos fazer com as nossas forças. Deus é onipotente e muitas vezes que para nós aquilo que nós não queremos, mas Ele pode aquilo que nós não podemos fazer. Então, se nos chama a uma tarefa tenhamos confiança na sua Providência onipotente e misericordiosa, a qual nos ajudará a fazer aquilo que sozinhos não conseguiríamos jamais cumprir.



O homem foi criado para a Felicidade ou Beatitudine, que poderá conseguir perfeitamente apenas no Paraíso, depois de ter atravessado muitas provas ou “cruzes” (“cruz” vem do latim “cruciari” que é ser atormentado). Apenas a via do calvário e do tormento leva a Ressurreição. Sobre isto não devemos nos iludir. Mas nem sequer ver jansenisticamente a vida como feita apenas de penes e de dores. Não. Nesta vida terrena existem alegrias e dores, e a dor deve ser vivida positivamente, como meio de refinamento espiritual que nos aproxima de Deus. Não deve ser absolutizada, nem recusada, é uma realidade com a qual devemos fazer as contas todos os dias, mas que podemos superar e transmutar em “ouro” com a ajuda da graça do Senhor.



A alma é aberta ao infinito, embora sendo finita em si mesma. O homem tem o desejo de conhecer e amar alguma coisa de espiritual e infinita que é Deus. Pelo qual não pode e nem deve conduzir uma vida raquitica e atrofiada. S. Agostinho depois de ter buscado a felicidade nos bens materiais, nos prazeres sensíveis e na filosofia maniqueista, escreveu nas Confissões: “Tu nos fez para Ti, ó Senhor, e o nosso espírito é infeliz até que não encontre paz em Ti”. Apenas qualquer coisa de infinito, o Summum Bonum et Verum, que é Deus, pode dar a verdadeira paz – relativa sobre esta terra e absoluta apenas na outra vida – ao homem, que tem uma alma espiritual aberta ao infinito e que não pode ser satisfeita pelas coisas finitas e limitadas. O conhecimento e o amor do Verdadeiro e do Bem nos dão a felicidade e a liberdade, o erro e o mal nos tornam infelizes e escravos (S. Catarina de Siena, Diálogo, cap. 51). O homem sente a necessidade de ser conhecido, benquisto, amado pelo próximo e sobretudo por Deus, o qual é o único que pode fazê-lo perfeitamente e segundo as nossas reais necessidades, que os homes podem não conhecer e que certas vezes, até fogem de nós mesmos.



A verdadeira liberdade interior não é uma “conquista social e política do homem moderno”, que se emancipou de toda autoridade humana e divina (“nem Deus, nem patrão”), para o cristianismo e a sã filosofia a liberdade é uma faculdade que nos ajuda a escolher os melhores meios para fazer o bem e fugir do mal. Essa consiste exatamente no contrário da “liberdade” ou melhor “licença” moderna: livre é quem se uniformiza e conforma a realidade verdadeira e boa e a Deus autor da realidade criada. Devemos pedir a Deus para reforçar em nós, feridos pelo pecado original, esta capacidade, que é um meio e não um fim, de forma que possamos ser verdadeiramente livres e não abusar ou usar mal da liberdade fazendo o mal e aderindo ao erro, os quais são sinais defeituosos de liberdade, mas não são a essência da liberdade, como por exemplo, a doença é sinal de deficiência de vida: tem a virtude da força e o dom e fortaleza do Espírito Santo que aperfeiçoam em nós o querer e o operar de modo que são segundo a natureza, que tem como fim o verdadeiro e o bem e não contra a natureza e des/ordenada ao erro e ao mal. Apenas o santo, que é o verdadeiro cristão, é verdadeiramente livre, porque – como ensina S. Paulo – perdeu o próprio “eu” para fazer viver nele Jesus Cristo (“vivo jam non ego, sed Christus vivit in me”). Depois do pecado original a nossa personalidade é vulnerável, um pouco “original” e apenas perdendo a nossa para adquirir aquela de Jesus Cristo poderemos ter uma sã e plena personalidade, livre e dona de si e dos acontecimentos, e não escrava do amor próprio, do egoísmo, daquilo que acontece em torno de nós: “Quem quer preservar a sua vida a perderá, mas quem a perder por amor a mim a salvará” (Mt., XVI, 25). Só o que esta dentro de nós, pode nos fazer o bem ou o mal, enobrecer ou nos diminuir. Aquilo que acontece em torno de nós, não deve nos preocupar. Esta é a verdadeira liberdade, que poderemos alcançar apenas com a ajuda da graça de Deus: “Sine Me nihil potestis facere” nos revelou Jesus.



Muitas vezes nos enganamos e pensamos que a verdadeira liberdade e felicidade são alguma coisa exterior, dependente das circunstâncias que estão ao nosso redor. Também Santo Agostinho antes de converter-se tinha cometido este erro: “Quaerebam Te foras sed intus eras; Te buscava fora de mim, mas tu estavas dentro e eu fora de mim” (Confissões, liv. X). Que não são as circunstâncias da vida a limitar a nossa liberdade e a paz da nossa alma. Certamente essas ainda exercitam um certo influxo sobre nosso ânimo, mas não o determinam. É dever nosso, superar certos obstáculos externos que nos impediriam de fazer o bem e evitar o mal. Todavia o essencial não consiste nas circunstâncias externas a nós, mas na nossa vontade. Não devemos (e não podemos) mudar a realidade, porém podemos e devemos mudar nós mesmos em relação a Deus e ao próximo.



Santo Tomás de Aquino ensina que “um homem é dito bom, não porque tem boa inteligência, mas porque tem uma boa vontade”. Então, é sobre a nossa vontate que devemos trabalhar para melhorá-la e torná-la verdadeiramente livre e em paz consigo mesma. A vontade humana será livre se submissa a vontade de Deus e capaz de comandar as paixões da sensibilidade de forma que o corpo obedeça a alma e essa a Deus. A monotonia da vida quotidiana e mesmo os sacrificios que nos faz enfrentar podem ser transformadas e sublimadas pelo homem interior que vive unido a Deus, o qual de Deus obtém tudo (“eu posso tudo Naquele que me fortalece”, S. Paulo). O amor que nos faz sair de nós mesmos e nos une a Deus, nos dilata e nos torna “participantes” de maneira limitada e finita da Natureza do próprio Deus (2 Epístola de São Pedro). Se nos sentimos em dificuldade, angustiados ou “no aperto”, quase aprisionados e privados de liberdade e paz, o problema não se encontra especialmente no lugar onde vivemos, mas sobretudo em nós, na nossa alma e na falta de verdadeiro amor sobrenatural por Deus e pelo próximo, que nos torna frios, egoistas, curvados sobre nós e estéreis. A liberdade e a paz se encontram em nós mesmos, na nossa alma espiritual e livre, não nas coisas que nos circundam. Certamente algumas circunstâncias podem ser dificeís, mas somos nós a piorar a situação pela nossa falta de Fé e de Amor.



Se olhássemos todas as coisas a luz da Fé e amássemos sobrenaturalmente, também as cruzes mais pesadas, tudo se transformaria em meio e em graça; este é o segredo. O cristão, mediante a graça de Deus, tem a capacidade real de crer, esperar e amar em cada circunstância e isto o torna capaz de tirar um bem espiritual de cada mal que possa tocá-lo ou ferí-lo. Ainda em cárcere, ainda sobre o patíbulo nos resta a capacidade de crer, esperar e amar e então de sermos livres e em paz com Deus; certamente é uma paz interior, da parte superior da alma (intelecto e vontade), que não excluí o sofrimento da sensibilidade. Jesus no Getsemani quer provar “medo, cansaço e tristeza” na parte sensível da sua humanidade, mas ao mesmo tempo a sua alma gozava da visão Beatifica. Não devemos jamais confundir o sentir com o querer. Se a sensibilidade sofre em certas circunstâncias, a alma com a ajuda da graça divina pode sempre continuar a crer, esperar e amar em liberdade e paz de espírito.



A liberdade interior não consiste tanto no escolher aquilo que queremos, mas no dizer “sim” também àquilo que não nos dá prazer e que encontramos à frente. Nossa Senhora disse “fiat” ao Anjo que lhe anunciava a sua Materinidade divina e o seu Calvário aos pés de Jesus crucificado. Esta é a verdadeira liberdade interior que também nos faz superar com amor as provas mais árduas, porque nessas vemos a mão de Deus e a amamos. A liberdade consiste mais no dar-se que no possuir ou dominar. É preciso saber como aceitar a realidade, tal qual ela é, e não como nós gostaríamos que ela fosse, com esperança e amor, dia após dia, para fazer-lhe um sacríficio a Deus.



O problema, a dificuldade começa propriamente quando bate a nossa porta aquilo que não nos dá prazer, que nos contrária e nos faz sofrer. Mas é precisamente nestas situações que devemos usar da vontade livremente para conseguir a paz interior, aceitando aquilo que nós não tinhamos projetado e mesmo que nunca iríamos querer. O segredo para obter a plena liberdade interior consiste no recusar os nossos caprichos, os nossos gostos, porque a nossa natureza é ferida pelo pecado original e nos faz tender para aquilo que em si, não é bem, mas parece sê-lo para nós (o bem aparente que não é bem real).



Aceitar aquilo que entra em colisão com a nossa “vontade de potência”, que coincide com a “liberdade” absoluta ou melhor licença, aceitar os nossos limites, dizer sim a uma situação imprevista e não desejada que a vida nos apresenta, é isto, que o homem moderno, manchado pelo liberalismo, não sabe mais fazer e é por isto que não é mais verdadeiramente livre com a “liberdade dos filhos de Deus”. Gostaríamos de controlar tudo, como um “deus”, mas isto é impossível e as situações que não conseguimos “criar” segundo o nosso gosto tornam-se ocasião de desesperação e revolta. Ao invés, se soubessemos aceitar-lhe com os olhos da Fé, então seria ocasião de crescimento e de uniformidade a vontade de Deus.



Se conseguissemos aceitar uma realidade que a primeira vista parece negativa e pode ainda sê-lo em si e por si, mas que aceitada a luz de Deus e amada em Deus pode ser transmutada em qualquer coisa de boa, toda dificuldade se tornaria assunta a Deus. Posso aceitar me apesar dos meus limites, conaturais a minha natureza, porque sei que Deus me ama se eu O amo malgrado as minhas deficiências. Partindo do nada Deus criou o mundo, partindo das nossas misérias humanas, Deus pode produzir coisas esplêndidas como a santidade. Na aceitação daquilo que não gostamos é a Fé, a Esperança e o Amor em Deus que de cada mal tira um bem. Por exemplo, se sou pobre e digo sim a minha pobreza com Fé amorosa para Deus, a pobreza torna ocasião de santificação, como ocorreu a Jesus. Como se vê não é a realidade a determinar nos, mas o nosso modo de vê-la e aceitá-la com confiança ou recusá-la com revolta desesperada. A felicidade depende da nossa livre escolha, que, é feita segundo a ordem querida por Deus, é verdadeira e boa e leva a paz e a beatitude. O bom ladrão aceitou com amor a cruz e se salvou enquanto o mau ladrão a recusou, se revoltou, morreu desesperado e se danou. A mesma circunstância pode ser ocasião de felicidade ou infelicidade, segundo a vontade com a qual a vivemos. A parte principal depende de nós, sempre prevenidos e ajudados pela graça divina.



Os erros que se compreendem e se corrigem são o “adubo” que faz crescer o nosso espírito. Se ao invés nos obstinamos nesses e não queremos corrigi-los, permanecem “chorume” e o nosso espírito não cresce, mas si rotula na lama. “Errare humanum est, perseverare diabolicum”. Na segunda parte veremos a aceitação de si mesmo, como via para alcançar a paz de espírito.



d. CURZIO NITOGLIA



30 de março de 2012

http://www.doncurzionitoglia.com/pace_anima.htm

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Tatuagens: o neopaganismo.




Tatuagens: "Vós adorais o que não sabeis"

Durante toda a História do homem as tatuagens sempre estiveram associadas ao paganismo, demonismo, misticismo, xamanismo, adoração de baal, canibalismo e practicamente todas as prácticas pagãs conhecidas. As tatuagens NUNCA estiveram associadas ao Cristianismo nem a Cristãos firmes crentes na Palavra de Deus.

Para além disso, sempre que o Cristianismo entra numa cultura, as tatuagens (tal como o paganismo) desaparecem. A única excepção são os mornos, carnais, e desobedientes "Cristãos" laodecianos.

O nascimento das tatuagens deu sempre origem ao crescimento de religiões pagãs e misticismo. Sem excepção, pesquisa após pesquisa, estudo após estudo, livro após livro confirmam exactamente isso: as tatuagens estão relacionadas ao paganismo.

A documentação que se segue é apenas uma pequena gota de água no oceano de documentação que comprova a origem ocultista e demoníaca das tatuagens.

Lembrem-se duma coisa: a documentação que se segue é feita por livros pró-tatuagem a listar a óbvia ligação espiritual e conexão religiosa das tatuagens. Não são escritores Cristãos a tentar colocar as tatuagens sob uma má luz.

Por mais que o "Cristão" carnal e rebelde tente justificar a sua lógica distorcida para se tatuarem com a marca demoníaca proibida, os factos falam mais alto - suportados por toneladas de pesquisas e documentação escritas por autoridades pró-tatuagens:

O fundamento, origem, propósito e significado das tatuagens encontra-se no demonismo pagão, xamanismo, adoração de baal e misticismo ocultista.

Em muitas culturas, o tatuador é ao mesmo tempo um xamã, um "magick-man", um sacerdote ou sacerdotisa. De acordo com o dicionário, o xamã é um intermediário entre o mundo natural e o mundo sobrenatural, usando magia para curar doenças, prever o futuro e controlar as forças espirituais (www.infoplease.com/ipd/A0648969.html).

Tatuar o corpo é muitas vezes um ritual mágico em culturas mais tradicionais e o tatuador é um sacerdote ou xamã respeitado.
(Michelle Delio, Tattoo: The Exotic Art of Skin Decoration, p. 73)

Nas Ilhas Fiji, Formosa, Nova Zelândia e em certas tribos índias norte americanas, tatuar era visto como uma cerimónia religiosa levada a cabo por sacerdotes e sacerdotisas.
(Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 64)

O processo de tatuar um corpo, que envolvia rituais complexos e tabus, só poderia ser feito por sacerdotes, e estava associado a crenças que eram conhecidas apenas pelos membros da casta sacerdotal.... Hambly concluiu que, historicamente, tatuar se tinha originado em conexão com rituais antigos de escarificação e sangria que estavam associadas com prácticas religiosas destinadas a colocar a alma humana em harmonia com forças sobrenaturais, e garantir a continuidade entre esta vida e a próxima.
(Gilbert, Steve, Tattoo History: A Source Book, p. 158)

O tatuador, o xamã ou o sacerdote ocultista muitas vezes usa a tatuagem como um ponto de contacto, ou zonas de entrada para o mundo espiritual. A tatuagem não só é muito mais que só uma "decoração corporal" mas também é muito mais que uma camada de tinta cortada para dentro da pele.

De facto, até ao século 20, a tatuagem foi sempre um veículo para invocações religiosas pagãs. Mesmo hoje, em muitos países ocidentais, acredita-se que a tatuagem é uma ponte para o mundo sobrenatural. A famosa bruxa e autora Laurie Cabot escreve o seguinte sobre as tatuagens:

As origens da tatuação estão relacionadas com artes mágicas antigas.
(Laurie Cabot, Power of the Witch, cited in Masonic and Occult Symbols Illustrated by Dr. Cathy Burns, p. 301)

De acordo com Amy Krakow no sua crónica The Total Tattoo Book, 'tatuar sempre teve funções bem definidas: marcar um ritual de passagem duma fase da vida, invocar os espíritos, orgulhosamente, desafiadoramente ou sorrateiramente mostrar quem tu és através da arte corporal.'

Muitas tribos praticavam tatuação terapêutica. Os Ojibwa, por exemplo, tatuavam as têmporas, a testa e as bochechas daqueles que sofriam de dores de cabeça ou dores de dentes que eles julgavam terem sido causadas por espíritos malignos. Músicas e danças que eram supostas exorcizar os demónios acompanhavam a cerimónia de tatuação.
(Gilbert, Steve, Tattoo History: A Source Book, p. 90)

A tatuagem centra-se na personalização do corpo, tornando-o num verdadeiro corpo e templo digno do espírito que habita dentro dele. . .Tatuar o corpo, portanto, é uma forma de manter as necessidades espirituais e materiais do meu corpo em equilíbrio.
(Michelle Delio, Tattoo: The Exotic Art of Skin Decoration, p. 8)

Entre as taras actuais no que de tatuagens se trata, existem as "tatuagens tribais" - que mais não são que puro paganismo. As tatuagens tribais são designs que possuem simbolismo místico sério e significado ocultista. As tatuagens tribais em especial são canais possíveis para a possessão espiritual e demoníaca.

Quando os designs são escolhidos com cuidado, as tatuagens possuem um poder e magia próprias. Elas decoram o corpo mas ao mesmo tempo engrandecem a alma.
(Michelle Delio, Tattoo: The Exotic Art of Skin Decoration, p. 13)

O motivo pelo qual perfurar a pele pode ser considerado com algum grau de admiração não é difícil de encontrar, uma vez que, em primeiro lugar, há o derramamento se sangue - o que para o mundo selvagem é algo cheio de significado como um factor de rejuvenescimento e imortalidade.Há em adição a abertura de várias entradas por onde o mal pode penetrar. . .
(Hambly Wilfrid D. 1925. The History of Tattooing and its Significance, p. 233, cited in Gilbert, Steve, Tattoo History: A Source Book, p. 162)

A revista Rolling Stone descreve o famoso artista tatuador durante a tatuação como alguém . . . . que permite que os seus demónios-clientes o ajudem a guiar a agulha.
(Rolling Stone magazine, March 28, 2002, p. 40)

A tatuação birmanesa tem sido associada com a religião há milhares de anos. O acto de tatuar entre os grupos indígenas da América do Norte . . . . está fundada na esfera espiritual também.
(Laura Reybold, Everything you need to know about the dangers of tattooing and body piercing, p. 15)

Crânios impressos na pele abundam e representações do Anjo da Morte (eng: "Grim Reaper") são vistas com regularidade. . . . Estas imagens, indelevelmente marcadas na pele, reflectem a incerteza em relação ao futuro e sublimam o medo universal do desconhecido.

Possivelmente, e ao mesmo tempo, o uso da figura de morte no corpo pode ser uma invocação de quaisquer que sejam as forças indefiníveis da natureza e do cosmos que existem, numa tentativa de proteger de tal destino quem carrega a tatuagem.
(Henry Ferguson and Lynn Procter, The Art of the Tattoo, p. 76)

No seu livro exaustivo Art, Sex and Symbol, Ronald Scutt foca-se em grande detalhe na história e na cultura das tatuagens. Scutt documenta que, na maioria das vezes, as tatuagens estão associadas a propósitos espirituais, religiosos e místicos. A documentação seguinte é do livro de Scutt:

De facto, tendo em vista o seu desenvolvimento subsequente, é muito mais provável que as tatuagens tenham um significado místico, ou que tenham sido usadas como um símbolo de estatuto...
(Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 22)

[Tatuar] "Em associação com a adoração do Sol, construções megalíticas, perfuração das orelhas, adoração da serpente . . . "
(Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 22)

Acredita-se que estas marcas [tatuagens] estão associadas à adoração da deusa do Sol Neith.
(Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 24)

Seja o que fôr, as tribos primitivas estavam sem dúvidas convencidas que o espírito, havendo escapado do corpo por altura da morte, retinha uma réplica do anfitrião terrestre. Devido a isso, eles usavam as tatuagens como identificação no próximo mundo e um passaporte para a futura felicidade.
(Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 63)

Os índios Mohave instituíram a tatuação do queixo em ambos os sexos porque acreditava-se que um tipo de Juiz observava todos os que chegavam ao Sil’aid (Terra dos Mortos) e se um homem não tivesse marcas na sua face, Ele [o Juiz] enviava-o para o submundo onde os ratos do deserto estão.
(Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 63)

Entre outras tribos índias existia a convicção que durante a viagem em direcção aos céus - em direcção às "muitas moradias" - eles seriam parados por uma mulher velha e examinados (em busca de tatuagens na testa, no queixo ou no pulso). Se não houvesse alguma, o soldado desafortunado seria empurrado de um ponto alto e lançado na Terra sem esperança de alguma vez readquirir aceitação no mundo espiritual.
(Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 63)

Os Hindus em Bengal acreditavam que sem tatuagens os pais não seriam capazes de reconhecer os fulhos no outro mundo.
(Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 63)

Outras tribos defendiam que as mulheres sem tatuagens serviriam de comida para os deuses.
(Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 64)

No entanto, a adoração do deus-Sol baal envolvia a marcação das mãos com o sinal divino [tatuagens] numa tentativa mística de adquirir força.
(Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 64)

De acordo com as pesquisas e estatísticas, Scutt lista as razões que levam as pessoas a fazer uma tatuagem e a segunda razão é: "garantir um lugar no céu".

"Razões para fazer uma tatuagem:

2. Garantir um lugar no céu.
5. Aplacar os maus espíritos na altura da morte
6. Adquirir características especiais através do totemismo e a adoração de ancestrais.
9. Tornar o corpo sexualmente interessante.
(Ronald Scutt, Art, Sex and Symbol, 1974, p. 13)

O Dr. Hambly, provavelmente o maior historiador e pesquisador de tatuagens que alguma vez viveu, escreve vez após vez que as tatuagens baseiam-se em rituais religiosos e espiritismo pagão. Qualquer estudo honesto e sério em torno das origens e fundamentos das tatuagens vai claramente expôr as intenções demoníacas e sobrenaturais das mesmas.

No seu popular livro "Tattoo History: A Source Book", o entusiasta das tatuagens e historiador, Steve Gilbert cita alguns factos históricos encontrados que Hambly encontrou durante a sua extensa pesquisa.

[Hambly] recontou uma vasta gama de exemplos que ele havia escolhido da pesquisa dos antropólogos em muitas partes do mundo. O propósito das tatuagens era:

Prevenir as dores
Proteger o corpo das feridas causadas com armas
Dar força sobre-humana
Preservar a juventude
Aumentar os poderes sobrenaturais do xamã
Garantir a sobrevivência da alma depois da morte
Identificar a alma no além
Atrair a boa sorte.
Proteger o corpo da bruxaria
Garantir a protecção duma divindade
Conferir poderes ocultistas
Prevenir o afogamento
Exorcizar os demónios
Garantir a protecção por parte dum animal totémico ou guarda espiritual
Lembrar uma peregrinação a um lugar santo
etc.

O GRANDE INIMIGO DAS TATUAGENS: O SENHOR JESUS CRISTO

Segundo a História, sempre que as tribos pagãs (com o hábito de usar tatuagens) se convertiam ao Cristianismo, sem excepção, uma das primeiras prácticas pagãs a desaparecer era o uso de tatuagens [II CORÍNTIOS 5:17].

E porquê? Porque, ao contrário dos "Cristãos" desobedientes e carnais da actualidade, os pagãos convertidos SABIAM que as tatuagens são contra a Palavra de Deus. O Espírito Santo rapidamente dizia aos pagãos convertidos: "Agora que és meu, não quero tatuagens no teu corpo".

E os ex-pagãos, ao contrário dos Cristãos ocidentais, OBEDECEM.

Tal como aconteceu nas civilizações que usavam as tatuagens, quando estas tribos pagãs se converteram ao Cristianismo, os seus rituais religiosos e culturais (que incluíam o uso de tatuagens, piercing e escarificação) forma tornados banidos.
(Jean-Chris Miller, The Body Art Book : A Complete, Illustrated Guide to Tattoos, Piercings, and Other Body Modifications, p.9)

Quando o Senhor Jesus chega, as tatuagens desaparecem.

Sempre que os missionários se depararam com tatuagens, eles irradicaram-nas.
(Gilbert, Steve, Tattoo History: A Source Book, p. 101)

Embora estas e outras modificações corporais tenham continuado a ser praticadas no "underground" como forma dos não-Cristãos se identificarem uns aos outros, Deus te livre de seres apanhado e teres as tuas marcas reveladas.
(Jean-Chris Miller, The Body Art Book : A Complete, Illustrated Guide to Tattoos, Piercings, and Other Body Modifications, p.11)

O autor deste texto diz o seguinte:

Tenho muitos amigos que fizeram tatuagens antes de aceitarem a salvação. Sem excepção alguma, todos eles estão hoje em dia envergonhados com as suas tatuagens, e sempre que podem, tentam escondê-las.

Mas antes de terem sido salvos - tal como as tribos pagãs - eles orgulhosamente exibiam as suas tatuagens.

Deixem-me acrescentar uma coisa: muitos deles começaram a sentir vergonha das tatuagens ANTES de lerem Levítico 19:28, ou antes de alguém os dizer que as tatuagens são condenáveis.

Depois de receberem o Senhor Jesus Cristo, e com a ajuda da infusão do Espírito Santo, eles SABIAM que as tatuagens desagradam a Deus.

Glória a Deus por tal evidência de unidade no Espírito.

Um testemunho poderoso em torno do autor das tatuagens é descrito por Steve Gilbert:

Quando Cortez e os seus conquistadores chegaram às costas do México em 1519, eles ficaram horrorizados por descobrir que os nativos não só adoravam demónios em forma de estátuas e ídolos, como de alguma forma haviam conseguido imprimir imagens indeléveis destes ídolos na sua pela.Os espanhóis, que nunca haviam sido expostos às tatuagens, reconheceram rapidamente isto como obra do Satanás.
(Gilbert, Steve, Tattoo History: A Source Book, p. 99)

Embora os Católicos espanhóis nunca tivessem sido expostos a tatuagens, eles "reconheceram rapidamente isto como obra do Satanás". No entanto, os desobedientes, carnais e rebeldes "Cristãos" actuais dizem coisas ridículas como "marcarem-se para Jesus" (!).

AS TATUAGENS E O MUNDO CIVILIZADO.

Alguém pode dizer "Mas isso foi nas idade das trevas. Isso foi nas terras pagãs. Tudo isso mudou hoje em dia. Hoje ninguém faz relação entre as tatuagens e rituais espirituais pagãos."

Fazem sim senhor!

Estas tatuagens agem como talismãs protectores e conferidores de poder a quem o usa. Há até alguns artistas corporais que executam tatuagens ritualistas, piercing, marcações, e cortes. Eles podem até sugerir que tu consultes o teu quadro astrológico como forma de escolheres a melhor altura para fazer a tua arte corporal. Eles irão arder incenso e acender velas.
(Jean-Chris Miller, The Body Art Book : A Complete, Illustrated Guide to Tattoos, Piercings, and Other Body Modifications, p. 29)

Alguns tatuadores no Ocidente estão a experimentar tatuação ritualista. Este método de trabalho incorpora rituais para a criação de um espaço sagrado na área onde a tatuagem será posicionada. Usualmente incenso é queimado e os deuses convidados para abençoar os resultados.
(Michelle Delio, Tattoo: The Exotic Art of Skin Decoration, p. 75)

TATUAGENS: O CÁLICE DOS DEMÓNIOS.

Não podeis beber o cálix do Senhor e o cálix dos demónios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demónios..
1 CORÍNTIOS 10:21

FONTE: http://adalges.blogspot.com.br/2011/07/tatuagens-vos-adorais-o-que-nao-sabeis.html

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O que é TEOSOFIA?

Teosofia, o que é?

FILOSOFIA e RELIGIÃO

ADYR (São Paulo): “Dizem-nos que a Teosofia é a sabedoria do homem espiritualmente maduro ou emancipado de crenças infantis. Que pensar a respeito ?”



«Teosofia» é vocábulo que geralmente se contrapõe a «Teologia». Este termo (composto do grego Theós, Deus, e Logos, razão) costuma designar o trabalho da inteligência que reflete sobre as proposições da fé, a fim de lhes penetrar o sentido profundo. Ao contrário, Teosofia (...sophía = sabedoria) vem a ser, como dizem, o conhecimento concernente a Deus recebido por revelação direta da Divindade ou por iluminação reservada a poucos; atinge verdades que o raciocínio já não consegue alcançar...


O título «Teosofia» já era usado por escolas antigas, como a dos Neo-platônicos (séc.-III/VI d. C.), a dos Cabalistas, a dos Alquimistas. Depois de haver caído em descrédito, dada a fantasmagoria dessas escolas, foi reabilitado no fim do século passado por uma corrente de pensamento que refundia idéias antigas, adaptando-as a circunstâncias novas. Sendo assim, começaremos nosso estudo propondo breve histórico das origens da Sociedade Teosófica; a seguir, percorreremos as principais doutrinas teosóficas, para finalmente tomar posição diante dessa ideologia.



1. Breve histórico


Protagonistas do movimento teosófico moderno são duas figuras femininas: Helena Petrowna Blavatsky e sua continuadora, Annie Besant.


A Sra. Blavatsky (+1891), de origem russa, abandonou seu marido aos 17 anos de idade, um ano após o casamento, e pôs-se a percorrer o mundo em demanda da sabedoria... Ouviu mestres ocultistas, magos e «médiuns» da Ásia Menor, da Inglaterra, do Egito e, por fim, nos Estados Unidos da América (Nova Iorque) resolveu fundar a Sociedade chamada «Teosófica» (1875), a qual em 1877 transferiu sua sede principal para Adyar, perto de Madras, na índia. Ciência e religião pareciam associar-se na nova escola; fenômenos maravilhosos, semelhantes aos do espiritismo, ai se verificavam: mensagens, luzes no ar, «precipitações» ou descidas de flores, cartas, etc., tudo obtido, como diziam, pela intervenção de espíritos que alguns mestres tibetanos (ou Mahatmas) evocavam. Surgiram, porém, suspeitas sobre a autenticidade de tais prodígios; em consequência, a Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres instituiu inquérito, que terminou em 1885, denunciando ao mundo Mme. Blavatsky como «uma das mais completas, finórias e interessantes mistificadoras que a história jamais tenha conhecido...».



Sem demora, a Sra. Blavatsky retirou-se para a Europa, deixando bastante comprometido o futuro da Sociedade. Quando, porém, morreu (1891), sucedeu-lhe na direção da escola uma de suas discípulas, Annie Besant, a qual havia de reerguer o prestigio da nóvel instituição.


Annie, filha de família irlandesa protestante, também abandonou seu marido, Frank Besant, tornando-se primeiramente pregadora de materialismo. Após dez anos de propaganda ateia, voltou-se para o espiritismo, o hipnotismo e a maçonaria, até que foi atraída por Mme. Blavatsky; muito inteligente e ativa, conseguiu ser colocada à frente da Sociedade Teosófica em 1891.


A nova Presidente esperava um Messias, cujos caminhos ela queria preparar juntamente com um antigo ministro anglicano a quem se associara: Charles Leadbeater. Annie Besant fez-se então tutora de um jovem hindu, Jiddu Krishnamurti, que ela apresentava ao mundo como o futuro Mestre e Salvador da humanidade (cf. «P.R.» 14/1959, qu. 8). Corriam, porém, graves rumores sobre a moralidade de Leadbeater. Nessa situação, o pai do jovem resolveu mover um processo contra os tutores do menino, obtendo finalmente ganho de causa, sem resultado prático, porém. Após a sentença condenatória proferida contra Leadbeater, a seção alemã da Sociedade Teosófica, chefiada por Rudolf Steiner, separou-se do bloco teosofista (1913), constituindo uma escola independente, hoje dita «Antroposofia» (cf. «P. R.» 3/1958, qu. 3).


A Sra. Besant ainda se envolveu em movimentos de política da Índia, o que lhe suscitou novos amigos e adversários. Terminou seus dias em 1933, na sede de Adyar, gozando de prestígio tanto entre os seus discípulos como junto às autoridades britânicas.

Importa-nos agora analisar sumàriamente



2. As principais teses da Teosofia


Quatro aspectos doutrinários hão de merecer a nossa atenção:


1) A atitude fundamental do pensamento teosófico. A Teosofia pretende anunciar ao mundo não um sistema religioso à semelhança dos muitos credos propostos no decorrer dos séculos, mas, sim, o patrimônio mesmo donde todas as religiões tiraram algo. Este patrimônio seria antiquíssimo, remontando aos tempos da Atlântida (continente que dizem haver sido submerso 9.000 anos antes de Cristo); os destroços da famosa cultura atlântida teriam sido guardados em arquivos secretos do Egito, do Tibete e da China, e finalmente explorados pelas fundadoras da Sociedade Teosófica. Esta assim apregoa a emancipação do homem frente às tradicionais ideologias religiosas : quem possui a Teosofia possui a luz branca ou a Verdade plena, ao passo que cada sistema religioso só apresenta uma das sete cores do espectro ou uma faceta depauperada da Verdade.


Munida de tais «credenciais», que ensina a Teosofia a respeito de Deus e do homem ?



2) O Deus dos teosofistas não é um Deus pessoal, distinto do mundo, mas é substância neutra que se identifica com tudo : «A Teosofia, em matéria teológica, é panteísta: Deus é tudo, e tudo é Deus» (Annie Besant, Why I became a Theo- sophist. London 1891, 18).


Esse Deus, no interior de cada criatura, vai aos poucos tomando consciência de si ou vai-se desenvolvendo. São palavras de Mme. Blavatsky:


«Cremos em um Princípio universal, do qual tudo procede e no qual tudo será reabsorvido no fim do grande ciclo do Ser... Nossa Divindade é [It is, no gênero neutro] o misterioso poder de evolução e involução, a onipresente, onipotente e mesmo oniciente Potencialidade criadora» (The key to Theosophy 44).


3) Consequentemente, o mundo e o homem, para o teosofista, não são senão aspectos fugazes da Divindade posta em evolução.


Em particular sobre a alma humana, ensina a Teosofia que o Absoluto produz, por emanação, as almas. Portanto, cada alma, chamada Mônada, é fundamentalmente divina. Acontece, porém, que, logo após a emanação, as almas se acham em estado de inconsciência ou como que adormecidas, à semelhança da planta na semente, antes da germinação. Para que despertem, têm que descer ao mundo visível.


Encerradas na matéria, as almas sofrem as vibrações desta, que aos poucos as fazem chegar ao estado de consciência ou vigília. O encarceramento se dá primeiramente na matéria mineral, para se reproduzir em ritmo ascensional através dos reinos vegetal e animal.


Chegando ao estado de consciência, a alma se individualiza, isto é, torna-se um eu distinto do tu e do ele: distingue-se das outras almas, embora conserve em comum com elas a mesma natureza divina. Incumbe então ao indivíduo a tarefa de aprofundar o seu eu, compenetrando-se de que é Deus..., de que constitui uma só substância com os demais seres e apenas uma manifestação do Grande Ser. A fim de realizar este processo de aprofundamento, a alma tem que sofrer encarnações sucessivas, nas quais ela há de se esforçar por purificar-se ou por viver cada vez mais emancipada das ilusões dos sentidos:


No termo final das reencarnações, «aquele que era um pobre e limitado ser humano, verá que sua natureza real é divina e... que ele é Deus» (A. Lyra, O Homem e a Evolução, em «O Teosofista» jan.-fev. 1956, 35). A centelha feita chama perde-se e deixa-se «absorver na essência universal» ou Nirvana (cf. Blavatsky, The key to Theosophy 78).

Nirvana é palavra que etimològicamente significa «extinção». Não implica aniquilação da alma, mas, antes, o estado em que «a alma deixa de ser alguma coisa, visto que se tornou tudo» (Blavatsky, The key to Theosophy 78). Em outros termos: tendo adquirido a consciência perfeita da sua Divindade ou da sua identificação com o Grande Todo, a alma perde todo o senso de separação individual; destrói-se para ela a ilusão do eu e do tu.


Ainda se deve observar que as reencarnações sucessivas se verificam rigorosamente segundo a Lei do Carma. Conforme esta, a alma em sua próxima existência sobre a terra colherá exatamente as consequências das ações praticadas na vida presente; há inexorável correspondência entre a conduta atual do homem e a sua sorte futura. Contra essa lei nada podem o arrependimento e o pranto. Todo ato humano é elo numa corrente inquebrantável de causas e efeitos, ou ainda: todo ato é efeito que se torna causa e infalivelmente produz outro efeito.


Em consequência, cada indivíduo humano vem a ser o autor exclusivo da sua sorte, o seu próprio Salvador. As idéias de redenção gratuita, perdão e indulgência são totalmente alheias às concepções teosofistas.



4) Quanto à Moral que decorre destes princípios, é assaz sóbria. Sintetiza-se num único preceito, que é o de praticar o bem ou o altruísmo, como o fizeram os grandes mestres da humanidade (Buda e Jesus de Nazaré).


Na vida prática, o teosofista, não admitindo um Deus pessoal distinto do homem, vem a ser o seu próprio e absoluto legislador; é o indivíduo quem formula as suas normas de procedimento concreto, sem ter que ouvir autoridade alguma que lhe fale em nome de Deus. . .

Este sumário da doutrina teosófica já nos permite



3. Uma tomada de posição


A razão humana teria três observações a fazer à mensagem teosofista.


1) O panteísmo ou a doutrina de que «Deus é tudo e tudo é Deus» (A. Besant) constitui autêntica aberração lógica; cf. «P. R.» 7/1957, qu. 1. De fato, Deus, por definição (formulada pelos teosofistas mesmos), é o Absoluto. Ora o Absoluto de modo nenhum pode coincidir com o ser transitório, quais são o mundo visível e a alma humana, pois tudo que se move e evolui adquire perfeição que não tinha; não é, pois, o Absoluto ou Aquele que esgota o conceito de Ser Perfeito.


Observam alguns pensadores que o panteísmo é forma requintada de ateísmo ou a forma de ateísmo que menos surpreende a natureza humana, porque ainda conserva o rótulo de Deus, de acordo com as exigências da sã razão. A filosofia não cristã moderna não tende tanto ao ateísmo como ao panteísmo e monismo. Porque isto? — Porque, na verdade, estes equivalem àquele, guardando, porém, aparências aptas a seduzir o inelutável senso religioso do homem.


Annie Besant mesma oferece fundamento para esta afirmação, ao escrever:


«A primeira coisa que ensinam os teosofistas, é que toda ideia de sobrenatural deve ser rejeitada... A segunda... é a negação de um Deus pessoal; dai decorre que os agnósticos e os ateus assimilam mais fàcilmente os ensinamentos da Teosofia do que os fiéis dos credos ortodoxos» (Why I became a Theosophist 17s).


A fundadora da Sociedade Teosófica bem reconhecia a afinidade prática, se não filosófica, do panteísmo (negação de um Deus pessoal) com o ateísmo!


Torna-se oportuno observar que a dita «Ordem de Rosa-Cruz», hoje em dia tão notória por sua propaganda, também professa o panteísmo, por muito que se queira dissimular sob as aparências de corrente cristã; cf. «P. R.» 2/1958, qu. 1.


2) A respeito da doutrina da reencarnação, faz-se mister notar que é vã, pois não pode apelar para um só argumento direto e positivo em seu favor. Com efeito,


a) não temos reminiscência de reencarnações sucessivas, como confessam os próprios reencarnacionistas, dos quais é aqui citado W. Lutoslawski:


«O mais importante argumento contra a reencarnação é o esquecimento quase geral das vidas passadas... Se é verdade que já vivemos algumas vezes, como se explica não só o esquecimento geral (das vidas anteriores), mas o esquecimento dessas vidas por espíritos elevados e sobretudo pelos místicos, os quais penetraram até a essência do ser?» (citado por P. Siwek, A reencarnação dos espíritos. São Paulo 1946, 192).


Mme. Blavatsky julgava que a falta de reminiscências é «a velha dificuldade» contra a reencarnação (The key to Theosophy 122).


Os pretensos casos de reencarnação, após os estudos mais modernos, não passam de reconhecidos fenômenos parapsicológicos, os quais nada têm que ver com vidas anteriores à atual; cf. «P.R.» 3/1957, qu. 8.


b) a reencarnação constituiria um castigo injusto. Pergunta-se com razão: de que serviria a uma alma voltar à carne, se ela não sabe por que culpas e taras é enviada a este mundo?... se ela ignora quais as etapas que já percorreu na sua purificação espiritual?


c) a reencarnação prende-se geralmente a falso conceito de Deus, ou seja, ao panteísmo, junto com o qual ela é professada na Índia. De fato, se não há um Deus pessoal, que o homem possa invocar, é este mesmo quem tem que remir a si; ora os esforços do homem em demanda da perfeição são sempre lentos. Donde se segue que uma série de encarnações sucessivas se impõe como solução para o problema. Esta solução errônea, por apregoar autorredenção, não deixa de ser sedutora, pois bajula o orgulho da criatura humana, dando-lhe a ilusão de que ela de ninguém depende.


Conceba, porém, o homem um Deus pessoal e distinto do mundo; saiba humildemente que é amado por esse Deus, o qual toma a iniciativa de salvar a sua criatura..., e ver-se-á dispensado de recorrer aos imaginários ciclos das reencarnações!



3) A Teosofia pretende ser «a essência de todas as religiões e da verdade absoluta, da qual uma gota apenas se encontra em cada crença» (Blavatsky, The key of Theoso- phy, ed. franc. 1916, 85).

O titulo é sumamente lisonjeiro, mas... precisaria de ser comprovado.


Mme. Blavatsky baseava essa sua afirmação no «testemunho dos Videntes», isto é, de Mahatmas iluminados do Tibete,... no ensinamento da «Loja Branca», da «Hierarquia dos Adeptos»,... na cultura do pretenso continente «Atlântida», cultura que em verdade não passa de mera ficção literária de Platão (como prova a critica moderna). Ora aos olhos do bom senso humano tais testemunhos exigem muita fé, e fé não suficientemente justificada, pois as autoridades acima mencionadas são secretas e incontroláveis; já foram mesmo mais de uma vez comprovadas nulas ou falsas, desde que se tenha podido proceder a um inquérito judiciário.


O que no titulo de «quintessência de todas as religiões» muito atrai os homens, parece ser o caráter relativo que ele comunica a todo sistema religioso tradicional; a Teosofia serve para emancipar o homem de qualquer lei religiosa, conferindo-lhe autonomia em matéria de consciência, sem lhe deixar ver que na realidade ele está renegando a Deus...


Na verdade, a Etnologia e a História das Religiões, em suas conclusões mais recentes, ensinam que o patrimônio primitivo do gênero humano não é o panteísmo com o seu reencarnacionismo, mas, antes, o monoteísmo ou crença num Deus que é Pai bondoso e tutor da moralidade; cf. «P. R.» 6/1957, qu. 1.



Feitas estas observações, torna-se oportuno por fim notar que o movimento teosófico, apesar de erros capitais, traz sua mensagem positiva para o homem contemporâneo, pois constitui uma reação de caráter místico (embora de mística falsamente concebida) contra o materialismo e o mecanicismo que invadiam a sociedade em fins do século passado. A Teosofia significa em plena época de ateísmo que impossível é ao homem viver sem Deus, e que, quando ele abandona a face do autêntico Senhor, tem que criar seus ídolos ou forjar um espectro de Deus.



Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A mulher "sem alma".



A mulher sem alma

Régine Pernoud

Em 1975, “ano internacional da mulher”, o ritmo de referências à Idade Média tornou-se estonteante; a imagem da Idade Média, dos tempos obscuros de onde se emerge, como a Verdade de um poço, impunha-se a todos os espíritos e fornecia um tema básico para os discursos, colóquios, simpósios e seminários de todos os tipos. Como eu mencionasse, um dia, em sociedade, o nome de Eleonora de Aquitânia, obtive logo aprovações entusiásticas: “Que personagem admirável! — exclamou um dos presentes. Numa época em que as mulheres só pensavam em ter filhos...”. Eu lhe fiz uma observação sobre o fato de que Eleonora parecia haver pensado assim pois teve dez e, considerando sua personalidade, isto não poderia ter ocorrido por simples advertência. O entusiasmo tornou-se um pouco menor.



A situação da mulher, na França medieval, é na atualidade assunto mais ou menos novo: poucos estudos sérios lhe foram consagrados, pode-se mesmo dizer que se os poderia contar pelos dedos. A sociedade Jean Bodin, cujos trabalhos são tão notáveis, editou em 1959-1962 dois grossos volumes (respectivamente 346 e 770 páginas) sobre a mulher. Todas as civilizações são sucessivamente examinadas. A mulher é estudada na sociedade do Sião, ou de acordo com os vários direitos cuneiformes, ou no Direito malikité-magrebino, mas, para o nosso Ocidente medieval, não se contam mais do que dez páginas relativas ao Direito canônico, outras dez ao período que vai do século XIII ao fim do século XVII, um estudo consagrado aos tempos clássicos até o Código Civil, um outro, a monarquia Franca, e trabalhos mais pormenorizados sobre a Itália, a Bélgica e a Inglaterra, na Idade Média. E eis tudo. O período feudal é completamente esquecido.



É igualmente inútil procurar nesta obra um estudo sobre a mulher nas sociedades célticas, onde, estamos certos, ela tinha um papel contrastante com o confinamento a que estava sujeita nas sociedades do tipo clássico greco-romano. No que se refere aos celtas, para os historiadores de nossa época, o homem e a mulher se encontravam num pé de igualdade completa, tanto que não se ressalta nunca nem um nem outro. Aos celtas, de uma vez por todas, foi recusado o direito de existir.



No entanto, impõe-se uma imagem, à qual já tive ocasião de me referir.1.Não é, em realidade, surpreendente pensar que nos tempos feudais a rainha é coroada como o rei, geralmente em Reims, às vezes em outra catedral do domínio real (em Sens, como Margarida de Provence), mas sempre pelas mãos do arcebispo de Reims? Dito de outra forma, atribuía-se à coroação da rainha tanto valor quanto à do rei. Ora, a última rainha a ser coroada foi Maria de Medicis; ela o foi, aliás, tardiamente, em 1610, na véspera do assassinato de seu marido, Henrique IV; a cerimônia ocorreu em Paris, segundo um costume consagrado nos séculos anteriores (atingir Reims representava então um feito militar por causa das guerras anglo-francesas). E, além disso, desde os tempos medievais (o termo é tomado aqui em oposição a tempos feudais), a coroação da rainha tinha-se tornado menos importante que a do rei; numa época em que a guerra se alastrava pela França de forma endêmica (a famosa Guerra dos Cem Anos), as necessidades militares começaram a ter primazia entre todas as preocupações, por ser o rei, antes de tudo, o “chefe da guerra”. Tanto assim é que, no século XVII, a rainha desaparece literalmente da cena em proveito da favorita. Basta lembrar qual foi o destino de Maria Teresa ou o de Maria Leszcynska para se convencer. E quando a última rainha quis retomar uma parte deste poder, lhe foi dada ocasião de se arrepender, pois ela se chamava Maria Antonieta (é justo lembrar que a última favorita, a Du Barry, reuniu-se à última rainha no cadafalso).



Esta rápida visão do papel das rainhas dá idéia bem exata do que se passou com as mulheres; o lugar que elas ocuparam na sociedade; a influência que exerceram seguiu, exatamente, um traçado paralelo. Enquanto uma Eleonora de Aquitânia, uma Branca de Castela dominam realmente seus séculos, exercem poder sem contestação no caso de ausência do rei, doente ou morto, e têm suas chancelarias, suas alfândegas, seus campos de atividade pessoal (que poderia ser reivindicado como um fecundo exemplo para os movimentos feministas de nosso tempo), a mulher, nos tempos clássicos, foi relegada a um segundo plano; exerce influência só na clandestinidade e se encontra notoriamente excluída de toda função política ou administrativa. Ela é mesmo tida como incapaz de reinar, de suceder no feudo ou no domínio, principalmente nos países latinos e, finalmente, em nosso Código, de exercer qualquer direito sobre seus bens pessoais.



É, como sempre, na História do Direito que se deve procurar os fatos e seu significado, ou seja, a razão desta decadência que se transformou, com o século XIX, no desaparecimento total do papel da mulher, principalmente na França. Sua influência diminui paralelamente à ascensão do Direito romano nos estudos jurídicos, depois nas instituições e, por fim, nos costumes. É um apagar progressivo do qual se pode seguir as principais etapas, pelo menos na França, muito bem.



Curiosamente a primeira disposição que afasta a mulher da sucessão ao trono foi tomada por Filipe, o Belo. É verdade que este rei estava sob a influência dos legisladores meridionais, que tinham literalmente invadido a corte de França, o começo do século XIV, e que, representantes típicos da burguesia das cidades notadamente das do Sul mais voltadas para o comércio, redescobriram o Direito romano com uma verdadeira avidez intelectual.



Esse Direito concebido por militares, funcionários, comerciantes, conferia aos proprietários o jus utendi et abutendi, o direito de usar e abusar, em completa contradição com o Direito consuetudinário de então, mas eminentemente favorável aos que detinham riquezas, principalmente móveis. Àqueles, com razão, esta legislação parecia infinitamente superior aos costumes existentes para assegurar e garantir bens, tráficos e negócios. O Direito romano do qual vemos renascer a influência na Itália, em Bolonha principalmente, foi a grande tentação do período medieval; ele foi estudado com entusiasmo não só pela burguesia das cidades, mas, também, por todos os que viam nele um instrumento de centralização e de autoridade. Ele se ressente, com efeito, de suas origens imperialistas e, por que não dizer, colonialistas. Ele é o Direito, por excelência, dos que querem firmar uma autoridade central estatizada. Também é reivindicado, adotado, estendido para as potências que procuravam, então, a centralização: pelo imperador, primeiro, depois pelo Papa. Em meados do século XIII, o imperador Frederico II, cujas tendências eram as de um monarca, fez deste tipo de direito a lei comum dos países germânicos. A universidade que ele funda em Nápoles — a única que os súditos do imperador estavam daí em diante autorizados a freqüentar — ministra o estudo do Direito romano, tão bem que esse Direito regeu as instituições e os costumes dos países germânicos numa época em que o Ocidente não o admitia ainda.2. Apenas ao longo do século XVII é que o estudo do Direito romano, precisamente, porque era o Direito imperial, será admitido na Universidade de Paris. É verdade que, muito antes, era ensinado em Toulouse, e que, favorecido pela admiração exagerada que se sente, no século XVI, pela Antiguidade, tinha começado a impregnar os hábitos e a modificar profundamente os costumes e as mentalidades, na própria França.



Ora, o Direito romano não é favorável à mulher, nem tampouco à criança. É um direito monárquico, que só admite um fim. É o direito do pater familias, pai, proprietário e, em sua casa, grande-sacerdote, chefe da família com poderes sagrados, sem limites no que concerne a seus filhos; tem sobre eles direito de vida e de morte — e da mesma forma sobre sua mulher, apesar das limitações, tardiamente introduzidas sob o Baixo Império.



Apoiando-se no Direito romano é que juristas como Dumoulin, por seus tratados e seus ensinamentos, contribuem, por sua vez, para estender o poder do Estado centralizado e também — o que nos interessa aqui — para restringir a liberdade da mulher e da sua capacidade de ação, principalmente no casamento. A influência deste direito será tão forte que, no século XVI, a maioridade, que era aos doze anos para as meninas e quatorze para os rapazes, na maior parte dos costumes, vai ser transferida para a mesma idade fixada em Roma, isto é, vinte e cinco anos (em Roma, a maioridade não importava muito, pois o poder do pai sobre os filhos perdurava durante toda a vida). Era uma nítida regressão sobre o Direito consuetudinário, que permitia à criança adquirir, muito jovem, uma verdadeira autonomia, sem que, por isso, a solidariedade da família lhe fosse negada. Nesta estrutura, o pai tinha autoridade de gerente, não de proprietário: ele não tinha o poder de deserdar seu filho mais velho e era o costume que, nas famílias nobres ou de homens comuns, regulava a devolução dos bens, em um sentido que mostra claramente o poder que a mulher conservava sobre o que lhe pertencia: no caso de um casal morrer sem herdeiros diretos, os bens provenientes do pai iam para a família paterna, mas os provenientes da mãe voltavam para a família materna, segundo o adágio bem conhecido do Direito consuetudinário: paterna paternis, materna maternis.



No século XVII já se constata uma profunda evolução neste ponto de vista: os filhos, considerados como menores até vinte e cinco anos, continuam sob a autoridade do pai e a característica de propriedade tendente a tornar-se monopólio do pai não faz mais do que se firmar. O Código de Napoleão dá o último retoque a este dispositivo e dá um sentido imperativo às tendências que começaram a se firmar desde o fim da época medieval. Lembremos que apenas no fim do século XVII a mulher toma obrigatoriamente o nome do marido; e, também, que é somente com o Concílio de Trento, portanto na segunda metade do século XVI, que o consentimento dos pais torna-se necessário para o casamento de adolescentes; tanto quanto se tornou indispensável a sanção da Igreja. Ao velho adágio dos tempos anteriores:

Beber, comer, dormir juntos

Fazem o casamento, me parece

junta-se:

Mas é preciso passar pela Igreja.

Não nos esqueceremos de destacar aqui o número de uniões devidamente arranjadas pela família nos tempos feudais: os exemplos são abundantes realmente, moças e rapazes, noivos desde o berço, prometidos um ao outro. Também não faltou quem quisesse argumentar com o fato de que as mulheres não eram livres na época; o que é fácil de retrucar, pois que, deste ponto de vista, rapazes e moças se encontravam em pé de igualdade rigorosa, porque se dispõe do futuro esposo absolutamente do mesmo modo que da futura esposa. Deste modo, é incontestável que ocorria, então, o que ainda hoje acontece em dois terços do mundo, isto é, que as uniões, em sua grande maioria, eram arranjadas pelas famílias. E nas famílias nobres, especialmente as reais, essas disposições faziam, de algum modo, parte das responsabilidades de nascimento, porque um casamento entre dois herdeiros de feudo ou de reinos era considerado como o melhor meio de selar um tratado de paz, assegurar amizade recíproca e, também, de garantir para o futuro uma herança vultosa.



Uma força lutou contra estas uniões impostas, e esta foi a Igreja; ela multiplicou, no Direito canônico, as causas de nulidade, reclamou sem cessar a liberdade para os que se unem, um com relação ao outro e, com freqüência, mostrou-se bastante indulgente ao tolerar, na realidade, a ruptura de laços impostos — muito mais nesta época do que mais tarde, notemos. O resultado é a constatação que provém da simples evidência de que o progresso da livre escolha do esposo acompanhou em toda parte o progresso da difusão do Cristianismo. Hoje, em países cristãos, esta liberdade, tão justamente reclamada, é reconhecida pelas leis, enquanto que, nos países muçulmanos ou nos países do Extremo Oriente, esta liberdade, que nos parece essencial, não existe ou só recentemente foi concedida.3



Isto nos leva a discutir o slogan: “Igreja hostil à mulher”. Não nos demoraremos em questionar a afirmação acima, o que exigiria um volume à parte; não iremos mais discutir as tolices evidentes4 que foram proferidas sobre o assunto. “Não foi senão no século XV que a Igreja admitiu que a mulher tinha alma”, afirmava candidamente, um dia no rádio, não sei que romancista certamente cheio de boas intenções, mas cuja informação apresentava algumas lacunas! Assim, durante séculos, batizou-se, confessou-se e ministrou-se a Eucaristia a seres sem alma! Neste caso, por que não aos animais? É estranho que os primeiros mártires honrados como santos tenham sido mulheres e não homens. Santa Agnes, Santa Cecília, Santa Ágata e tantas outras. É verdadeiramente triste que Santa Blandina ou Santa Genoveva tenham sido desprovidas de uma alma imortal. É surpreendente que uma das mais antigas pinturas das catacumbas (no cemitério de Priscille) representasse, precisamente, a Virgem com o Menino, bem designado pela estrela e pelo profeta Isaías. Enfim, em quem acreditar, nos que reprovam na Igreja medieval justamente o culto da Virgem Maria, ou naqueles que julgam que a Virgem Maria era, então, considerada como uma criatura sem alma?



Sem nos demorarmos, portanto, nestas tolices, recordaremos aqui que algumas mulheres (que nada designavam particularmente, pela família ou pelo nascimento, pois que vinham, como diríamos atualmente, de todas as camadas sociais, como, por exemplo, a pastora de Nanterre) usufruíram na Igreja, e justamente por sua função na Igreja, de um extraordinário poder na Idade Média. Certas abadessas eram senhoras feudais cujo poder era respeitado do mesmo modo que o de outros senhores; algumas usavam o báculo como os bispos; administravam, muitas vezes, vastos territórios com cidades e paróquias... Um exemplo, entre mil outros: no meio do século XII, cartulários nos permitem seguir a formação do mosteiro de Paraclet, cuja superiora é Heloisa; basta percorre-los para constatar que a vida de uma abadessa, na época, comporta todo um aspecto administrativo: as doações que se acumulam, que permitiam perceber ora o dízimo de um vinhedo, ora o direito às taxas sobre o feno e o trigo, aqui o direito de usufruir uma granja, e lá o direito de pastagem na floresta... Sua atividade é, também, a de um usufruidor, ou seja, a de um senhor. Quer dizer que, a par de suas funções religiosas, algumas mulheres exerciam, mesmo na vida laica, um poder que muitos homens invejariam no presente.



Por outro lado, constata-se que as religiosas desta época — sobre as quais, digamos de passagem, ainda nos faltam estudos sérios — são na maioria mulheres extremamente instruídas, que poderiam rivalizar, em sabedoria, com os monges mais letrados do tempo. A própria Heloísa conhece e ensina às monjas o grego e o hebraico. É de uma abadia de mulheres, a de Gandersheim, que provém um manuscrito do século X contendo seis comédias, em prosa rimada, imitação de Terêncio, e que são atribuídas à famosa abadessa Hrostsvitha, da qual, há muito tempo, conhecemos a influência sobre o desenvolvimento literário nos países germânicos. Estas comédias, provavelmente representadas pelas religiosas, são, do ponto de vista da história dramática, consideradas como prova de uma tradição escolar que terá contribuído para o desenvolvimento do teatro na Idade Média. Digamos, de passagem, que muitos mosteiros de homens e de mulheres ministravam instrução às crianças da região.



É surpreendente, também, constatar que a mais conhecida enciclopédia do século XII é da autoria de uma religiosa, a abadessa Herrade de Landsberg. É a famosa Hortus deliciarum (Jardim das delícias) na qual os eruditos retiravam os ensinamentos mais corretos sobre o avanço das técnicas, em sua época. Poder-se-ia dizer o mesmo das obras da celebre Hildegarde de Bingen. Enfim, uma outra religiosa, Gertrude de Helfa, no século XIII, conta-nos como se sentiu feliz ao passar de estado de gramaticista ao de teóloga, isto é, depois de ter percorrido o ciclo de estudos preparatórios ela galgara o ciclo superior, como se fazia na Universidade. O que prova que, ainda no século XIII, os conventos de mulheres permaneciam sendo o que sempre foram desde São Jerônimo, que instituiu o primeiro dentre eles, a comunidade de Belém: lugares de oração, mas, também, de ciência religiosa, de exegese, de erudição; estuda-se a Escritura Sagrada, considerada como a base de todo conhecimento e, também, os elementos de saber religioso e profano. As religiosas são moças instruídas; portanto, entrar para o convento é o caminho normal para as que querem desenvolver seus conhecimentos além do nível comum. O que parece extraordinário em Heloísa é que, em sua juventude, não sendo religiosa e não desejando claramente entrar para o convento, procurava, todavia, estudos muito áridos, ao invés de se contentar com a vida mais frívola, mais despreocupada, de uma jovem desejando “viver no século”. A carta que Pedro, o Venerável lhe enviou o diz expressamente.



Mas há algo mais surpreendente. Se quisermos fazer uma idéia exata do lugar ocupado pela mulher na Igreja dos tempos feudais, é preciso perguntarmo-nos o que se diria, em nosso século XX, de conventos de homens colocados sob a direção de uma mulher. Um projeto deste gênero teria, em nosso tempo, alguma possibilidade de se realizar? E, no entanto, isto foi realizado com pleno sucesso, e sem provocar o menor escândalo, na Igreja por Robert d’Arbrissel, em Fontevrault, nos primeiros anos do século XII. Tendo resolvido fixar a incrível multidão de homens e mulheres que se arrastava atrás dele — porque ele foi um dos maiores pregadores de todos os tempos —, Robert d’Abrissel decidiu fundar dois conventos, um de homens, outro de mulheres;5 entre eles se elevava a Igreja, único lugar em que monges e monjas podiam se encontrar. Ora, este mosteiro duplo foi colocado sob a autoridade, não de um abade, mas de uma abadessa. Esta, por vontade do fundador, devia ser viúva, tendo tido a experiência do casamento. Para completar, digamos que a primeira abadessa que presidiu os destinos da Ordem de Fontevrault, Petronila de Chemillé, tinha 22 anos. Não acreditamos que, mesmo nos dias de hoje, semelhante audácia tivesse a menor oportunidade de ser considerada ao menos uma única vez.



Se se examinam os fatos, uma conclusão se impõe: durante todo o período feudal, o lugar da mulher na igreja apresentou algumas diferenças daquele ocupado pelo homem (e em que medida não seria esta uma prova de sabedoria: levar em conta que o homem e a mulher são duas criaturas equivalentes, mas diferentes?), mas este foi um lugar eminente, que simboliza, por outro lado, perfeitamente o culto, insigne também, prestado à Virgem entre todos os santos. E é pouco surpreendente que a época termine por uma figura de mulher: a de Joana D’Arc, que, seja dito de passagem, não poderia, jamais, nos séculos seguintes, obter a audiência e suscitar a confiança que conseguiu, afinal.



É surpreendente, também, observar a rigidez que se produziu ao redor da mulher no extremo fim do século XIII. É por uma medida bastante significativa que, em 1298, o Papa Bonifácio VII decide para as monjas (cartuxas, cistercienses) a clausura total e rigorosa que elas conheceram a partir daí. Em seguida, não se admitirá mais que a religiosa se misture com o mundo. Não se tolerarão mais estas leigas consagradas, que foram as penitentes, no século XIII, que levavam uma vida igual a todos, mas que se consagravam por um voto religioso. No século XVII, principalmente, veremos as religiosas da Visitação, destinadas, por sua fundadora, a se misturarem com a vida quotidiana, obrigadas a se conformar com a mesma clausura das carmelitas; tanto que São Vicente de Paulo, para permitir às Irmãs de Caridade prestar serviço aos pobres, tratar dos doentes e cuidar das famílias necessitadas, evitará tratá-las como religiosas e de fazê-las proferir os votos: seu destino foi, então, de Visitadoras. Não se poderia mais conceber que uma mulher tendo decidido consagrar sua vida a Deus não fosse enclausurada; enquanto que, nas novas ordens criadas para os homens, por exemplo os Jesuítas, estes permaneciam no mundo.



Basta dizer que o status da mulher na Igreja é exatamente o mesmo que na sociedade civil e que tudo o que lhe conferia alguma autonomia, alguma independência, alguma instrução, lhe foi, pouco a pouco, retirado depois da Idade Média. Ora, como ao mesmo tempo a universidade — que admite apenas os homens — tenta concentrar o saber e o ensino, os conventos deixam, de modo gradativo, de ser os centros de estudo que tinham sido anteriormente; digamos que eles param, também, e muito rapidamente, de ser centros de oração.



A mulher se encontra, portanto, excluída da vida eclesiástica, como da vida intelectual. O movimento se precipita quando, no começo do século XVI, o rei de França mantém nas mãos a nomeação de abadessas e abades. O melhor exemplo continua sendo a Ordem de Fontevrault, que se torna um asilo para as velhas amantes do rei. Asilo onde se leva daí em diante uma vida cada vez menos edificante, porque a clausura tão rigorosa não demora a sofrer grandes alterações, confessadas ou não. Se algumas ordens, como a do Carmelo ou de Santa Clara, guardam sua pureza graças a reformas, a maior parte dos mosteiros de mulheres, no fim do Antigo Regime, é de casas de recolhimento onde as filhas caçulas de grandes famílias recebem muitas visitas e onde se jogam cartas e outros “jogos proibidos”, até tarde da noite.



Faltaria falar das mulheres que não eram nem grandes damas nem abadessas, nem mesmo monjas: camponesas ou citadinas, mães de família ou trabalhadoras. Inútil dizer que, para ser corretamente tratada, a questão reclamaria muitos volumes e, também, que exigiria trabalhos preliminares, que não foram feitos. Seria indispensável pesquisar não somente as coleções sobre os costumes ou os estatutos das cidades, mas, também, os cartulários, os documentos judiciários ou, ainda, os inquéritos ordenados por São Luís; 6 destacam-se aí, colhidos na vida quotidiana, mil pequenos pormenores colhidos ao acaso e sem ordem preconcebida, que nos mostram homens e mulheres através dos menores atos de suas existências: aqui a queixa de uma cabeleireira, ali a de uma salineira (comércio do sal), de uma moleira, da viúva de um agricultor, de uma castelã, da mulher de um cruzado, etc.



É por documentos deste gênero que se pode, peça por peça, reconstituir, como em um mosaico, a história real. Ela nos parece aí, é inútil dizer, muito diferente das canções de gesta, dos romances de cavalaria ou das fontes literárias que tão freqüentemente tomamos por fontes históricas!



O quadro que se delineia da reunião desses documentos nos apresenta mais de um traço surpreendente, pois vemos, por exemplo, mulheres votarem como homens em assembléias urbanas ou nas das comunas rurais. Freqüentemente, no divertimos em conferências ou palestras diversas, citando o caso de Gaillardine de Fréchou, que diante de um arrendamento proposto aos habitantes de Cauterets, nos Pirineus, pela Abadia de Saint-Savin, foi a única a votar não, quando todo o resto da população votou sim. O voto das mulheres nem sempre é expressamente mencionado, mas isto pode ser porque não se via necessidade em faze-lo. Quando os textos permitem diferenciar a origem dos votos, percebe-se que, em certas regiões, tão diferentes como as comunas bearnenses, certas cidades de Champanha, ou algumas cidades do leste como Pont-à-Mousson, ou ainda na Touraine, na ocasião dos Estados-Gerais de 1308, as mulheres são explicitamente citadas entre os votantes, sem que isto seja apresentado como um uso particular do local. Nos estatutos das cidades indica-se, em geral, que os votos são recolhidos na assembléia dos habitantes sem nenhuma especificação; às vezes, faz-se menção da idade, indicando, como em Aurillac, que o direito de voto é exercido com a idade de vinte anos, ou em Embrun, a partir de quatorze anos. Acrescentamos a isto que, como geralmente os votos se fazem por fogo, quer dizer, lar, lareira, por casa, de preferência a por indivíduo, é aquele que representa o “fogo”, portanto, o pai de família, que é chamado a representar os seus; se é o pai de família que é naturalmente seu chefe, fica bem claro que sua autoridade é a de um gerente e de um administrador, não a de um proprietário.



Nas atas de notários é muito freqüente ver uma mulher casada agir por si mesma, abrir, por exemplo, uma loja ou uma venda, e isto sem ser obrigada a apresentar uma autorização do marido. Enfim, os registros de impostos (nós diríamos, os registros de coletor), desde que foram conservados, como é o caso de Paris, no fim do século XIII, mostram multidão de mulheres exercendo funções: professora, médica, boticária, estucadora, tintureira, copista, miniaturista, encadernadora, etc.



Não é senão no fim do século XVI, por um decreto do Parlamento, datado de 1593, que a mulher será afastada explicitamente de toda a função no Estado. A influência crescente do Direito romano não tarda, então, a confinar a mulher no que foi sempre seu domínio privilegiado: os cuidados domésticos e a educação dos filhos. Até o momento em que isto, também lhe será retirado por lei, porque, destaquemos, com o Código de Napoleão ela já não é nem mesmo a senhora de seus próprios bens e desempenha, em sua casa, papel subalterno. Embora desde Montaigne até Jean-Jacques Rousseau sejam os homens que elaborem tratados sobre a educação, o primeiro, publicado na França foi de uma mulher, Dhuoda, que o elaborou (em versos latinos) por volta de 841-843, para uso de seus filhos. 7



Há alguns anos, certas discussões ocorridas a respeito da questão da autoridade paterna, na França, foram muito desconcertantes para o historiador da Idade Média; realmente, a idéia de que foi necessária uma lei para dar à mulher direito de olhar pela educação de seus filhos teria parecido paradoxal nos tempos feudais. A comunidade conjugal, pai e mãe, exercia conjuntamente, então, a função da educação e da proteção dos filhos, assim como, eventualmente, a administração de seus bens. É verdade que a família era concebida em um sentido mais amplo; esta educação causa infinitamente menos problemas, porque ela se faz no meio de um contexto vital, de uma comunidade familiar mais abrangente e mais diversificada do que hoje, pois não está reduzida à célula inicial pai-mãe-criança, mas comporta também os avós, colaterais, domésticos no sentido etimológico do termo. O que não impede que a criança tenha, eventualmente, sua personalidade jurídica distinta; assim, se ela herda bens próprios (legados, por exemplo, por um tio), estes são administrados pela comunidade familiar, que, em seguida, deverá prestar-lhe conta.



Poder-se-ia multiplicar assim os exemplos, com pormenores fornecidos pela história do Direito e dos costumes, atestando a degradação do lugar ocupado pela mulher entre os costumes feudais e o triunfo de uma legislação “à romana”, da qual nosso Código ainda está impregnado. Seria melhor que, na época em que os moralistas queriam ver “a mulher em casa”, fosse mais indicado inverter a proposição e exigir que o lar fosse da mulher.



A reação só chegou em nossos tempos. Entretanto, ela é, digamo-lo, muito decepcionante: tudo se passa como se a mulher, eufórica pela idéia de ter penetrado no mundo masculino, continuasse incapaz da força da imaginação suplementar, que lhe seria necessária, para levar a este mundo seu traço particular, precisamente aquele que faz falta à nossa sociedade. Basta-lhe imitar o homem, ser julgada capaz de exercer as mesmas funções, adotar os comportamentos e até os hábitos de vestir do seu parceiro, sem mesmo se questionar sobre o que é realmente contestável e o que deveria ser contestado. Seria o caso de se perguntar se ela não está movida por uma admiração inconsciente, o que podemos considerar excessivo, por um mundo masculino que ela acredita necessário e suficiente copiar com tanta exatidão quanto possível, seja perdendo ela própria sua identidade, ou negando antecipadamente sua originalidade.



Tais constatações levaram-nos bem longe do mundo feudal; elas podem, em todo o caso, levar ao desejo que este mundo feudal seja um pouco mais bem conhecido, dos que crêem, de boa fé, que a mulher “sai enfim da Idade Média”: elas têm muito que fazer para reencontrar o lugar que foi seu nos tempos da rainha Eleonora ou da rainha Branca...

Idade Média: O Que Não Nos Ensinaram, Capítulo VI, Editora Agir, Rio de Janeiro 1978.

Notas:

P. Riché, Dhuoda Manuel pour mon fils, Paris, Ed. du Cerf, 1975.


1.Histoire de la bourgeoisie, op. Cit., t. II, pp. 30-31.
2.[ Paradoxalmente, os países germânicos foram modelados pelo Direito romano, enquanto que, na França, embora desagrade aos que continuam presos ao mito de “raça latina”, os costumes eram formados por hábitos que acreditamos “germânicos” e que devíamos antes chamar “célticos”.

3.“A legislação muçulmana proíbe à mulher o que ela reivindica, atualmente, e que chama de seus direitos, o que não constitui senão uma agressão contra os direitos que foram conferidos apenas aos homens”. Assim se exprimia, em 1952, em uma publicação intitulada Al Mistri, o Xeque Hasanam Makhluf (ver La Documentation française, n° 2418, 31 de maio de 1952, p. 4).

4.Não pensamos que fosse necessário, quando da primeira edição deste livro, lembrar as origens desta ridícula afirmação. Mas acontece que, ouvindo-a recentemente (1989), este esclarecimento parece útil. Gregório de Tour, na sua Histoire des Francs (História dos Francos), cap. 91, conta que o Sínodo de Mâcon de 486, ao qual ele não assistiu — diga-se de passagem —, um dos prelados fez notar “que não se devia compreender as mulheres sob o nome dos homens”, dando à palavra homo o sentido restrito do latim vir. Acrescenta que, consultando a Sagrada Escritura, “os argumentos dos bispos o fizeram reconhecer” essa falsa interpretação, o que “fez cessar a discussão”. Mas os autores da Grande Enciclopédia do século XVIII iriam explorar este pequeno incidente (que sequer consta dos cânones do Concílio) para deixar crer que se recusava à mulher a natureza...

5.Houve, daí em diante, numerosas ordens duplas na época, principalmente nos países anglo-saxões e na Espanha.

6.Iniciativa sem precedente, e também sem futuro, que consistia em fazer supervisionar, pelo rei, sua própria administração, dirigindo-se diretamente aos administradores: o rei enviava aos lugares os pesquisadores, unicamente encarregados de recolher as palavras das pessoas sem importância, que tinham motivos de reclamar dos agentes reais, e reformar assim, no local, os abusos cometidos; em outras palavras, era o caminho eficaz que remediou os defeitos do estatismo.

7.. Riché, Dhuoda Manuel pour mon fils, Paris, Ed. du Cerf, 1975.

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