quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A Parábola dos Operários da Vinha

A Parábola dos Operários da Vinha



“Na parábola dos trabalhadores e das diversas horas de trabalho (Mt 20,2-16), não se vê por que é proclamada a justiça do pagamento feito; principalmente não se entende por que muitos são chamados e poucos escolhidos”.



1) As parábolas constituem um gênero literário que pede ser interpretado segundo normas próprias. Dentre estas, interessa-nos particularmente a seguinte: deve-se considerar a história parabólica como um conjunto que, como conjunto, significa uma realidade superior (dogmática ou moral). Quanto aos pormenores da peça, nem todos são portadores de ensinamento religioso; alguns ai figuram Cinicamente a fim de tornar mais viva a narrativa. Sendo assim, para se fazer a exegese de uma parábola do Evangelho, é preciso, antes do mais, averiguar qual a doutrina religiosa que Jesus queria ilustrar ao narrá-la; em função desta é que se interpretarão o conjunto da história narrada e os seus traços particulares. Ora a moralidade que o Senhor queria incutir mediante tal ou tal parábola, a é enunciada pelo próprio Mestre (cf. Mt 13,18-23) ou se deve depreender do contexto.



2) Dito isto, abordemos a secção de Mt que se refere aos operários angariados para a vinha.



O texto da parábola termina propriamente no v. 15 com as palavras: “Será teu olhar malvado, porque eu sou bom ?” Evidentemente, já não pertence à peça literária o v. 16 assim concebido: “Por conseguinte, os últimos serão os primeiros e os primeiros os últimos, pois há muitos chamados e poucos escolhidos”. A história que precede, não dá ocasião a tais dizeres, que aparecem imprevistamente, sem concatenação nem propósito no contexto. Com efeito, na narrativa parabólica não é o fato de serem os últimos operários pagos antes dos primeiros que tem importância e provoca protestos, mas é o fato de receberem todos igual salário. Por isto a sentença a respeito dos últimos que se tornam os primeiros e vice-versa, parece ter sido uma frase de Jesus que a tradição oral referia independentemente de determinado contexto e que S. Mateus houve por bem consignar duas vezes: em 19,30 e 20,16. Em Lc 13,30 e Mc 10,31 ela ocorre em contextos assaz diferentes. Sendo assim, para se instituir a exegese da parábola dos operários, será lícito (mesmo necessário) abstrair de tal sentença do Mestre.



Muito menos na interpretação da parábola se levará em conta a frase anexa à anterior e concernente aos “muitos chamados e poucos escolhidos”; percebe-se sem dificuldade que estes dizeres não estão no seu lugar lógico. Alguns códigos antigos do Evangelho chegam a omiti-los em Mt 20,16 e os referem apenas uma vez, isto é, em Mt 22,14, onde têm realmente certo nexo com a parábola do banquete anteriormente narrada, — A propósito, deve-se notar que, segundo o modo semita de falar, a sentença significa: “Maior é o número de chamados, menor é o número de escolhidos”. Os semitas não tinham forma gramatical própria para indicar o grau comparativo; por isto enunciavam a comparação justapondo simplesmente os dois termos que eles queriam confrontar entre si (cf. casos análogos em Mc 9,43. 45.47; Mt 5,29s; 18,6.8a; Lc 17,2; 18,14). As palavras de Jesus significam, pois, que maior é o número dos que são chamados à fé e ao batismo nesta vida, menor é o número dos que possuirão a vida eterna no céu (dentre os batizados haverá ao menos um réprobo, simbolizado pelo homem que não tinha veste nupcial na parábola de Mt 22,1-14 e que por isto foi excluído do banquete).



Após estas considerações, já estão dissipadas algumas dificuldades de interpretação da parábola dos operários. À última frase “EU SOU BOM !” é que se atribuirá importância preponderante na exegese. Além disto, dever-se-á atender aos episódios que precedem a parábola: em Mt 19,16-26, por ocasião da história do jovem rico apegado aos seus haveres, Jesus incutira a necessidade da renúncia absoluta para que alguém O possa seguir; em resposta, Pedro, como que satisfeito consigo mesmo, lembrara que ele e seus condiscípulos tudo haviam abandonado; o Mestre propôs então a recompensa máxima tanto para Pedro como para os que lhe imitassem o exemplo (19,27-29), Depois destes episódios, os ouvintes de Jesus poderiam talvez crer que o Senhor viera a este mundo pregar o puro estoicismo, isto é a necessidade de esforço ascético baseado tão somente na energia natural do homem, abstração feita da graça sobrenatural. Esta impressão equivaleria a desvirtuar totalmente a mensagem do Redentor. Foi justamente para corrigi-la que Jesus se pôs a contar a “desconcertante” parábola dos operários e do seu salário. Nesta dois traços são dominantes:



1) tudo que era de justiça foi cumprido pelo patrão (pagou um dinheiro àqueles que, por contrato, tinham direito a isto);



2) além da justiça e sem lesar a esta, manifestou-se a bondade, dom gratuito; àqueles com quem não tinha feito contrato nenhum, o patrão quis dar mais do que o que propriamente lhes tocaria.



E — note-se bem — as partes da bondade gratuita foram muito mais copiosas do que as da estrita justiça. Apenas com uma turma, isto é, com os operários da primeira hora, o patrão usou de justiça estrita; com quatro outras turmas usou de pura bondade.



É justamente este predomínio “escandaloso” da Bondade (Misericórdia) sobre a Justiça que a parábola quer acentuar, inculcando que Deus trata de tal modo todo indivíduo humano (o tratamento aplicado à coletividade dos operários na parábola é, na realidade cotidiana, aplicado a cada individuo, cristão ou pagão, em particular); a Bondade de Deus antecipa e ultrapassa os direitos do homem; é ela quem a este dá a capacidade de merecer, e é ela quem recompensa as suas próprias obras no homem. Em outros termos: os esforços da alma virtuosa não são algo de absoluto, como poderiam crer os discípulos, mas são suscitados e sustentados pela graça de Deus. Anteriormente a esta, o homem não tem titulo de justiça que ele possa fazer valer perante Deus. Isto não quer dizer que os fiéis se devam desinteressar dos esforços pela sua santificação. Jesus e São Paulo inculcam repetidamente o dever que toca a todos, de lutar energicamente pela sua salvação (cf. Lc 13,23s; Mt 7,13s; 1 Cor 9,24-27; Flp 3,7-14). Exerçam, portanto, o máximo zelo de que são capazes. Saibam, porém, que seu esforço nunca lhes poderá ser motivo do vã glória, pois é Deus quem lhes dá a graça de se esforçarem; e, a graça, Ele a dá a todos indistintamente, desejando que todos sejam salvos (cf. 1 Tim 2,4).



Portanto, a frase final da parábola “Eu sou bom !” (ou “Deus é bom !”, pois o patrão representa a Deus, na narrativa) é a palavra-chave da interpretação. As reclamações dos operários ou (sem metáfora) das crianças que não entendem os procedimentos de Deus (sempre bom), se devem não à pretensa injustiça de Deus, mas à mesquinhez do homem (o “olhar malvado” do v. 15 significa “o modo de ver errôneo”); acontece não raro que, justamente quando Deus mais bondade exerce, o homem menos compreende e mais tende a corrigir a Deus.



Costumam-se fazer da parábola algumas aplicações particulares. Estas serão lícitas na medida em que se derivarem da lição acima exposta. Assim diz-se que Jesus se quis referir à vocação dos judeus (operários da primeira hora) e gentios (operários posteriores) ao Reino de Deus. Esta aplicação tem cabimento enquanto na vocação de Judeus e gentios se manifesta a liberalidade de Deus para com uns (pagãos) sem derrogar à justiça para com outros (judeus). — Quanto às horas sucessivas em que os operários são chamados à vinha, não se poderia dizer que significam as idades do mundo, nem as idades em que um indivíduo possa ser chamado à fé; as diversas horas são mencionadas apenas para ilustrar quanto Deus ultrapassa os estritos direitos (ou méritos) do homem.





Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Origem e Significado do Casamento Civil



Origem e Significado do Casamento Civil



QUINTINO (Currais Novos, Rio Grande do Norte) :

“Donde e de quando vem o casamento civil” ?



Em que se apoiam os protestantes para aceitar o mero contrato civil como meio lícito para se viver a vida conjugal?



O matrimônio é instituição baseada na natureza humana e intimamente relacionada com a transmissão da vida, Ora a vida sempre foi considerada por todos os povos como propriedade divina; é um bem que o homem não deu a si mesmo, nem pode conservar a seu bel-prazer. Atribuíam-lhe, pois, caráter sagrado, caráter que consequentemente foi reconhecido à união conjugal.



Sendo assim, não somente o judaísmo, mas também as sociedades pagãs anteriores a Cristo, consideravam o ato de contrair matrimônio como algo que transcendia a esfera puramente profana; era, sim, uma cerimônia religiosa. Os gregos, por exemplo, conheciam os “deuses do casamento” (theoíga-mélioi), aos quais ofereciam sacrifícios e dádivas por ocasião das núpcias; a primeira noite que a estas se seguia, era por eles considerada a noite mística (nyx mystíkc). Entre os romanos, o ritual de núpcias costumava prescrever o oferecimento de um sacrifício a Júpiter. Aliás, bem compreensível é tal praxe: os antigos povos não separavam o foro civil e o religioso; antes, julgavam que as instituições pátrias eram sagradas e vice-versa; por isto, também o juramento do soldado que ingressava na milícia imperial era, para os romanos, um sacramentam, consagração ao serviço da deusa Roma).



Em tal ambiente é que teve origem o Cristianismo. Este anunciava aos povos uma doutrina matrimonial bem definida: o casamento é contrato natural, instituído pelo próprio Criador (cf. Gên 1,28; Mt 19,4-6) e elevado pelo Redentor a nova dignidade ou à categoria de sacramento, imagem da união de Cristo com a Igreja (cf. Ef 5,32); goza, por conseguinte, das notas da unidade e da indissolubilidade (note-se que o divórcio era livremente praticado pelos romanos). Os cristãos, professando tal doutrina, começaram a se propagar no Império em meio a uma civilização e uma ordem de coisas instauradas havia séculos; não lhes era possível remodelar bruscamente as instituições vigentes. Por conseguinte, enquanto o Império Romano subsistiu no Ocidente (Roma caiu em 476), duas autoridades legislavam a respeito do matrimônio: a autoridade civil e a da Igreja; verdade é que, após a conversão de Constantino (313), os Imperadores mais e mais procuravam adaptar as leis civis matrimoniais aos costumes cristãos e prestigiavam largamente a implantação destes. Um eloquente testemunho de que a Igreja reivindicava para si independência perante o Estado em matéria de direito conjugal, é o seguinte fato: as leis romanas não reconheciam o casamento de cidadãos livres com escravos nem com libertos (chamavam-no contubernium, não matrimonium); não obstante, o Papa S. Calisto (218-223) permitiu que mulheres romanas de elevada posição social contraíssem matrimônio desse tipo. Mais tarde o Papa S. Leão (440-461), por sua vez, declarou o escravo apto a casar-se com um cidadão romano.



Após a queda da autoridade imperial no Ocidente, quando foi preciso reorganizar a vida pública, pode-se dizer que a autoridade geralmente acatada na Europa era a dos bispos. Estes, por conseguinte, aproveitando o que havia de sadio nas instituições romanas, foram restaurando a civilização sobre princípios essencialmente cristãos. Desde então a legislação matrimonial, atinente que era a um sacramento, ficou sendo de competência da Igreja; os povos germânicos, embora tivessem suas tradições anteriores, iam cedendo às leis cristãs; os reis merovíngios e carolíngios (séc. VII/IX) apoiavam a estas o mais possível. Em consequência, por toda a Idade Média foi reconhecida à Igreja jurisdição plena em tudo que concernia ao matrimônio; este era tido como algo de essencialmente religioso e cristão.



No séc. XVI, porém, sobreveio Lutero, que introduziu concepções novas. Tinha o matrimônio na conta de função meramente natural, que interessava unicamente à fisiologia e à psicologia: para a mulher e principalmente para o varão, seria um remédio dado por Deus a fim de poderem ceder à concupiscência invencível e má sem que o pecado lhes fosse imputado (o ato conjugal seria por si mesmo pecaminoso, daí se derivava no reformador uma concepção sinistra do matrimônio: julgava-o rescindível pelo divórcio; dos seus princípios concluía outrossim que, se a um varão não bastasse uma esposa só, deveria tomar duas simultaneamente. Eis algumas de suas afirmações mais características:



“Apesar de todos os elogios que acabo de fazer à. vida conjugal, não entendo conceder à natureza que na vida matrimonial não haja pecado; corrompidos por Adão, a carne e o sangue, como diz o salmo 50, são concebidos e nascem no pecado. Por conseguinte, o dever conjugal nunca se cumpre sem pecado; mas, por misericórdia, Deus perdoa esse pecado, porque o matrimônio é obra dEle; por meio deste pecado, Ele conserva todo o bem que Ele colocou e abençoou no matrimônio” (fim do sermão sobre o matrimônio. Vom ehelichen Leben; Werke X b 304)

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“Como diz o salmo 50, o dever conjugal é pecado, pecado propriamente furioso. Pelo ardor e a volúpia perversa que nele se atuam, não difere em nada do adultério e da fornicação. Seria preciso, portanto, não lhe ceder, mas os esposos não o podem evitar. E, por fim, Deus não lhes imputa esse pecado, por pura misericórdia” (Julgamento sobre os votos monásticos; Werkc VIII 654,19).



“Deus cobre o pecado, sem o qual não poderia haver gente casada” (Werke XLII 582,30).



Imbuído de tais ideias, Lutero afirmava que o matrimônio não é sacramento, mas “um ato exterior e físico, do tipo das outras ocupações ordinárias” (Werke X b 283,8), por isto depende imediatamente da jurisdição civil:



“Como se deve tratar de questões de matrimônio e de divórcio, já o expus: devem ser entregues aos peritos em leis e colocadas nas mãos dos magistrados civis. Com efeito, o casamento é coisa mundana e secundária, exatamente como o são esposa e filhos, casa e propriedades e o mais; por conseguinte, está sujeito à jurisdição do poder civil, o qual por sua vez está subordinado à lei da razão” (Werke XLII 116),



Os príncipes luteranos não hesitaram em valer-se destes princípios, tomando a seus cuidados as causas matrimoniais; instituíram cortes e instâncias próprias às quais atribuíam as antigas funções da cúria eclesiástica de legislar na matéria e reconhecer os contratos matrimoniais. Assim o casamento passou a ser assunto do foro civil, do qual a religião não era propriamente banida, mas entrava apenas secundária ou remotamente; o príncipe civil vinha a ser autoridade religiosa autônoma. Um grande passo estava assim dado em direção da total laicização do casamento.



Nos séc. XVII/XVIII verificou-se na França o movimento chamado “galicano” que, tendendo a constituir uma Igreja nacional, emancipada da autoridade papal, atingia de muito perto as questões matrimoniais; estas, conforme os galicanos, deveriam ser julgadas não na base das leis da Igreja Universal, mas de acordo com a jurisprudência do Estado, que legislaria autonomamente em matéria religiosa. Esta nova tendência a transferir da autoridade da Igreja para o poder civil os casos de casamentos se estendeu à Áustria, onde o Imperador José II (1780-1790), imbuído de galicanismo veemente, esteve prestes a declarar o cisma eclesiástico. Por influência de um canonista astuto e dissimulado sob o pseudônimo de Febrônio, os principados de Colônia, Tréviris, Mogúncia e Salzburgo, assim como o Grão-Ducado da Toscana (Sínodo de Pistoia, Itália) adotaram por sua vez idéias galicanas, separatistas, no decorrer do séc. XVIII. Observe-se que por essa época ainda não se celebrava o matrimônio meramente civil; contudo o valor religioso que, nas reivindicações galicanas, josefistas e febronianas, ainda se reconhecia ao casamento, ficava inteiramente subordinado às leis do Estado; o que quer dizer que era desvirtuado ou sufocado.



Finalmente a Revolução Francesa de 1789 constituiu a etapa final do processo. Os seus chefes apregoavam ao mundo ideia até então inaudita, ou seja, a concepção de um Estado meramente leigo, desconhecedor de qualquer valor religioso e, não obstante, pretensamente suficiente para atender a todas as necessidades do homem; nesta perspectiva, o governo civil seria competente para legislar em qualquer setor da vida humana, inclusive no do matrimônio, sem ter que responder a alguma autoridade eclesiástica; as crenças religiosas seriam questão de tendência particular dos cidadãos.



Uma das consequências mais notáveis da nova mentalidade foi a introdução do casamento civil obrigatório, acompanhado de sua legislação própria (lista de impedimentos, cláusulas favoráveis ao divórcio, etc.); o matrimônio religioso e seus requisitos ficavam na conta de não existentes.



O primeiro país a impor o casamento civil foi a França, no ano de 1792. Esta medida talvez tivesse tido consequências restritas à França, se Napoleão não a houvesse adotado no seu Código Civil (art. 191). O Imperador reconhecia, sim, oficialmente a existência da Igreja, não, porém, para atribuir- -lhe autoridade independente, mas para torná-la instrumento do Estado. “Toute influence qui ne vient pas du gouvernement est un crime en politique”, declarou ele certa vez.



O Código Civil de Napoleão tornou-se t modelo inspirador de numerosas legislações estrangeiras; e, com ele, o matrimônio civil obrigatório ganhou difusão... : a Itália, por exemplo, o incorporou ao seu Código em 1866; a Suíça, em 1874; a Alemanha, em 1875; a Holanda, onde os franceses o haviam introduzido em 1795, o agregou à sua legislação nova em 1833; a Bélgica o fez em 1830. Estes novos sistemas legislavam sobre o matrimônio em independência ou em oposição para com as leis da Igreja... Concorreram fortemente para que nos povos outrora genuinamente cristãos se difundisse a ideia, hoje tão comum, de que o casamento recebe do Estado o seu vigor de contrato;... de que é preciso, portanto, absolutamente preencher as condições da lei civil, não sempre, porém, as da lei eclesiástica, pois o aspecto religioso no caso é acessório.



Quem assim pensa, mal tem consciência de que estas ideias constituem uma aberração aos olhos da razão esclarecida e uma inovação recentíssima no curso da história; há pouco mais de cem anos atrás ainda causariam espanto em muitos homens de pensamento profundo.



Está claro que os contratos matrimoniais interessam de muito perto o governo civil, o qual pode legitimamente reivindicar para si o direito de os controlar. É o que reconhecia perfeitamente S. S. o Papa Leão XIII na sua encíclica sobre o matrimônio cristão, em 1880 : “A Igreja não ignora nem contesta que o sacramento do matrimônio, instituído em vista da conservação e da propagação do gênero humano, está associado necessariamente às circunstâncias de vida que... pertencem ao foro civil e a respeito das quais o Estado com razão tem suas exigências o promulga justos decretos”. Mas, como lembra o Pontifico, disto não decorre para o Estado a necessidade do criar seu tipo de casamento próprio, ao lado do religioso; ao contrário, um acordo amigável entre os poderes eclesiástico e civil resolve melhor a situação (como o comprova, por exemplo, a experiência da Itália e da Espanha). Na verdade, pode-se dizer que os fautores do matrimônio civil não visam apenas realçar o valor humano e nacional do matrimônio, mas têm procurado, e em parte ainda procuram, desferir por essa via um golpe contra a Igreja e a mentalidade cristã; a promulgação do casamento civil obrigatório, embora não exclua o religioso, sempre implica num juízo depreciativo publicamente proferido sobre este.



Alguns autores têm procurado justificar a existência do casamento meramente civil, alegando que nos primeiros séculos do Cristianismo a legislação matrimonial dependia do governo e que, por conseguinte, a volta ao estado de coisas antigo não pode ser tida como injúria feita à Igreja. O paralelismo, porém, é de todo inconsistente. Nos primeiros séculos a Igreja já reivindicava para si plena autoridade sobre o sacramento do matrimônio; encontrou, porém, no Império romano uma legislação já feita, à qual só lentamente ela pôde impor as necessárias correções; a partir do séc. IV, a tendência que animava os Imperadores era francamente a de aproximar mais e mais a legislação civil da eclesiástica. Totalmente oposta é a situação moderna: depois de reconhecidos durante séculos os plenos direitos do matrimônio-sacramento, procura-se voltar a um estado de coisas que desde o início foi tido como alheio à mentalidade cristã.



No Brasil, o contrato civil foi tornado obrigatório por lei do governo republicano de janeiro de 1890. Hoje em dia, porém, é facultado aos cidadãos o matrimônio religioso com efeitos civis, instituição que merece alta estima por parte dos católicos, pois os isenta de uma formalidade que em seu âmago equivale a cima ofensa à consciência cristã.





Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Santo Amaro.

Santo Amaro, ou São Mauro, foi monge e abade beneditino, ou seja, da Ordem de São Bento. Nascido em Roma, de família senatorial, Amaro, quando tinha apenas doze anos, foi entregue no mosteiro por seu pai, Egrico, homem ilustre pela virtude e pela nobreza do nascimento, confiando-o aos cuidados de São Bento, em 522.

Correspondeu tão bem à afeição e à solicitude do mestre, que foi em breve proposto como modelo aos outros religiosos. São Gregório exaltou-o por se ter distinguido no amor da oração e do silêncio. Sempre se lhe notou profunda humildade e admirável simplicidade de coração. Mas nele sobressaia a virtude da obediência, sendo por isso recompensado por Deus, com o milagre semelhante ao de São Pedro no lago de Tiberíades, caminhando sobre as águas. Foi o caso de um jovem chamado Plácido, que caiu num lago perto de Subiaco, onde ficava o mosteiro. São Bento soube-o por revelação e, chamando Amaro, disse-lhe: “Irmão Amaro, vai depressa procurar Plácido, que está prestes a se afogar”. Munido com a bênção do mestre, o discípulo correu sobre a água a socorrer Plácido, a quem agarrou pelos cabelos e trouxe para a margem, não se apercebendo Amaro ter saído da terra firme. Quando deu pelo milagre, atribuiu-o aos méritos de São Bento. Mas este o atribuiu à obediência do discípulo.

“O homem obediente contará vitórias” (Pr 21,28). A obediência é a virtude cristã pela qual a pessoa sujeita sua própria vontade à de seu superior, no qual vê um representante de Deus. O maior exemplo de obediência temos em Jesus Cristo, obediente até a morte de Cruz (Fl 2, 8), reparando assim a desobediência de Adão (Rm 5, 19-20). Assim, o conselho evangélico da obediência, professado na vida consagrada, assumido livremente com espírito de fé e amor no seguimento de Cristo obediente até a morte, leva o consagrado à submissão da vontade aos legítimos superiores, que fazem as vezes de Deus quando ordenam de acordo com as próprias constituições (cf. CDC cân. 601).

Santo Amaro foi fiel ao seu ideal monástico, a ponto de todos o considerarem o perfeito herdeiro espiritual de São Bento. Segundo uma tradição, foi Santo Amaro que substituiu São Bento quando este se transferiu para Monte Cassino. Consta também que Santo Amaro se distinguiu particularmente por sua aplicação aos estudos. Sendo enviado à França, lá fundou o Mosteiro de Glanfeuil, em Anjou, vindo a falecer em 15 de janeiro de 584.

Possa o exemplo de Santo Amaro levar os filhos a serem mais obedientes aos seus pais, os alunos aos seus mestres, os cidadãos às leis e superiores civis, os católicos aos seus superiores hierárquicos. “Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5, 21).

Que é a Graça Santificante?

Que é a Graça Santificante?



A graça santificante é um dom criado que Deus se digna conceder à alma do justo, a fim de o tornar filho adotivo de Deus (cf. 1 Jo 3,1-3); habilita-o assim a produzir, dentro da sua capacidade de criatura, os atos de conhecimento e amor do próprio Deus. Por esse dom o homem vem a ser realmente consorte da natureza divina (cf. 2 Pdr 1,4), templo do Espírito Santo (cf. 1 Cor 3,16) ou da Ssma. Trindade (cf. Jo 14,23).



Em linguagem metafórica, pode-se dizer que a graça santificante é um hábito ou uma veste que recobre a substância da alma, dando-lhe uma entidade nova, um ser sobrenatural. Esse ser novo há de ter suas faculdades de agir, paralelas às faculdades de agir da alma na ordem natural. Por isto a graça santificante é sempre comunicada ao homem juntamente com as virtudes infusas, dentre as quais se destacam a fé e a caridade. A fé é um dom outorgado à inteligência para que esta possa conhecer a Deus como Deus conhece a Si ; a caridade é dom que se localiza na vontade, fazendo que o homem possa amar a Deus e às criaturas como Deus ama. Consequentemente, diz-se que, pela graça santificante e as virtudes da fé e da caridade, Deus prolonga sua vida no justo; as processões intra-trinitárias se estendem ao cristão: Deus Pai gera nele o seu Verbo ou Filho, servindo-se dos atos de fé sobrenatural desse justo ; Deus Pai e Deus Filho fazem proceder nele o Amor, servindo-se para isto dos atos de amor sobrenatural dessa criatura. O valor da graça aparece nitidamente se é considerado dentro do seguinte quadro :



A pedra tem analogia com Deus na medida em que ela é ou existe (Deus é o Ser por excelência); a planta tem analogia com Deus na medida em que ela vive (Deus é a Vida por excelência); o homem e o anjo, por sua natureza, têm analogia com Deus na medida em que possuem inteligência (Deus é a primeira Inteligência).



Pois bem ; acima da natureza angélica coloca-se o dom da graça santificante, que confere à criatura semelhança com Deus enquanto é Deus mesmo, ou com Deus no mistério da sua vida íntima. Pode-se, pois, dizer que, acima dos reinos da natureza (reino mineral, vegetal, animal, humano e angélico), está o Reino de Deus, constituído pela vida íntima do Todo-Poderoso e pela participação dessa vida outorgada, mediante a graça santificante, às almas dos justos e aos anjos bons.



Esta escala nos dá a ver que um só ato de amor sobrenatural a Deus emitido ocultamente por uma velhinha ou uma alma simples no canto de uma igreja mais vale do que todas as maravilhas da natureza reunidas; Deus se compraz mais nesse ato do que na existência dos espaços cósmicos com seus esplendores deslumbrantes.



À luz desta doutrina entendem-se os adágios : «O reino dos céus é a alma do justo» e «A graça é a semente da glória». Com efeito, a glória celeste já começa embrionariamente na terra pela posse da graça santificante; esta tende a mais e mais se desenvolver, penetrando as faculdades da alma até o âmago, de sorte que, ao terminar a sua peregrinação terrestre, o justo vê irromper de sua alma a fonte da eterna felicidade; a vida de Deus está depositada no seu íntimo desde agora; não é preciso que espere a morte para a receber.



Oxalá tivessem os cristãos consciência um pouco mais profunda do “tesouro que trazem em vasos de argila” (cf. 2 Cor 4,7) !



Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O Mistério da Santíssima Trindade

O Mistério da Santíssima Trindade



T. J. (Rio de Janeiro) :

“Em vista de um folheto divulgado entre nós, torna-se para mim um enigma a proposição de um Deus em três Pessoas. Parece-me muito mais um mito pagão do que uma verdade revelada na Bíblia”.

PROBLEMÁTICO (Rio de Janeiro) :

"Se uma das características da substância de Deus é a simplicidade absoluta, como conciliá-la com a tripersonalidade divina ?"



Ao falar da Santíssima Trindade, toca-se na realidade mais íntima da vida de Deus, que necessariamente há de ser um mistério. Se Deus «coubesse» todo dentro da exígua inteligência humana, seria realmente Deus ? Não ; seria exíguo como o próprio homem. De antemão, pois, é de prever que a sua natureza ultrapasse o alcance da nossa inteligência (sem, porém, lhe impor absurdo).



Vejamos, por conseguinte, sucessivamente os fundamentos revelados do mistério da Ssma. Trindade e a maneira como pode ser ilustrado. Concluir-se-á que tal mistério, longe de ser um enigma especulativo, constitui verdade sumamente bela e vital.



1) Os fundamentos bíblicos



A fim de evitar o perigo de politeísmo no povo israelita cercado de nações idólatras, a Revelação feita aos judeus inculcava o mais estreito monoteísmo, silenciando tudo que pudesse ser mal entendido no assunto.



Quando, porém, o Messias veio ao mundo na plenitude dos tempos, «manifestou o nome de Deus aos homens» (cf. Jo 17,6), isto é, disse-lhes que Deus é não somente Criador e Legislador, mas também Pai, o qual desde toda a eternidade vive em comunhão com o seu Filho Unigênito (segunda Pessoa Divina) no ósculo ou no Amor sagrado, que é o Espírito Santo (terceira Pessoa Divina). É essa paternidade que se estende a todo cristão no dia do seu Batismo.



Há explícitas fórmulas trinitárias no Novo Testamento, como Mt 28,19 ; Jo 14,26 ; 15,26 ; tenham-se em vista também as cenas da Anunciação, do Batismo de Jesus e da Transfiguração, em que se manifestam as três Pessoas Divinas (Lc 1,32-35 ; Mt 3,16; 17,1-5). Os textos do S. Evangelho em que Jesus professa subordinação ao Pai, se referem à santíssima humanidade, e não à natureza divina do Salvador (cf. Jo 5,30 ; 8,17 ; Mt 26,39).



Modernos historiadores das religiões têm asseverado origem pagã para a doutrina da Santíssima Trindade. Apontam o fato de que vários povos antigos professavam três deuses supremos ; os egípcios, por exemplo, conheciam Osiris ou Serapis (o Touro Sagrado), Isis (a Lua-Vaca) e Horus (o Filho); os babilônios, Anu, Enlil e Ea ; os budistas cultuam Dhama (a Lei), Budha (o Propagador da Lei), Sangha (o Fruto da propagação da Lei ou a união dos ascetas entre si), etc. Contudo tais autores não saberiam explicar como a concepção pagã entrou nas Escrituras do Novo Testamento ; vão seria afirmar, como querem alguns, que a Trindade só começou a ser professada pelos cristãos sob o Imperador Constantino no séc. IV ; os testemunhos do Evangelho e de São Paulo são demasiado explícitos no caso.



Em verdade, .não se pode provar influência da ideologia pagã sobre a concepção cristã. Ao contrário, a um .observador atento torna-se clara a divergência de mentalidades pressuposta pelas tríades pagãs e a Trindade cristã. Entre os pagãos, os três elementos constituem três deuses distintos, colocados no ápice de uma escala de muitos deuses ; desses três seres supremos, um é geralmente elemento feminino ou materno ; a trindade pagã vem a ser então a família humana transposta para o mundo dos deuses, refletindo por vezes o regime social ou econômico vigente em tal ou tal povo antigo ; outras vezes, as tríades pagãs implicam a personificação de forças da natureza. Em oposição a essas concepções, a doutrina cristã é essencialmente monoteísta, inculcando não menos a unidade de Deus do que a Trindade ; nunca, portanto, o cristianismo admitirá distinção entre as Pessoas Divinas tal que rompa a unidade divina; este traço revela bem que a Igreja católica se inspira de pressupostos totalmente diversos da mentalidade politeísta.



Explica-se sem dificuldade que os pagãos espontaneamente tendessem a conceber a existência de três deuses no ápice do mundo supremo. Com efeito, segundo a mística dos números (tão cara aos antigos), três é o número da perfeição (haja vista o triângulo equilátero, que está sempre em pé, sempre igual a si mesmo) ; era, por conseguinte, o número da divindade, por isto frequentemente associado a esta nas especulações do politeísmo. — Ao contrário, a Ssma. Trindade da Revelação cristã, como se verá adiante, nada tem que ver com a mística dos números, assaz arbitrária e subjetiva ; ela se radica em princípios muito mais profundos, derivados do conceito de Ser Perfeito ; em consequência, é principalmente usando da inteligência e desvencilhando-se de concepções religiosas infantis que os cristãos conseguem ilustrar o mistério da vida íntima de Deus. Tentemos fazê-lo no parágrafo abaixo.



2. A ilustração do dogma



Deus é espírito, à semelhança do qual a criatura humana (mais precisamente: a alma humana) foi feita (cf. Gên 1,26). Será, pois, pela consideração da alma humana que lograremos aproximar-nos do mistério da Ssma. Trindade.



Todo espírito possui duas faculdades características mediante as quais exerce a sua vida: a inteligência e a vontade. Pela inteligência conhecemos os objetos que estão fora de nós imprimem-nos uma semelhança de si, fecundando o nosso intelecto e levando-o a conceber ou gerar uma imagem (quase uma «chapa fotográfica») desses objetos; projetamos essa imagem ante a nossa inteligência e a contemplamos. É o que se chama «conceber uma ideia» ou «pronunciar uma palavra interior». Acontece, porém, que o conhecimento da verdade não pode deixar de suscitar o amor; passamos então a gravitar em torno do objeto conhecido, pondo em ação a nossa segunda faculdade espiritual que é a vontade. Ao passo que a inteligência como que atrai o objeto a si (pelo conhecimento recebemos uma semelhança do objeto), a vontade se deixa atrair ; tende a ir buscar e a possuir plenamente o objeto conhecido, para finalmente deleitar-se nele. Uma vez conseguido este deleite, dá-se por satisfeita e repousa. — Ora nossa vida humana consta de uma série de ciclos desse tipo ; dotados da capacidade de apreender o Infinito, aqui na terra só conhecemos objetos finitos ou conhecemos o Infinito (Deus) à semelhança das coisas finitas, de modo que nunca alcançamos a quietude definitiva; vamos sucessivamente conhecendo os aspectos da verdade, passamos a gravitar em torno deles, obtendo de cada vez algum deleite; este, porém, sendo finito, não nos sacia plenamente. Por conseguinte, sempre recomeçamos a conhecer e amar neste mundo. Somente no céu, onde os justos veem a Deus face a face, é que conhecimento e amor estão definitivamente estabilizados.



Pois bem. A atividade espiritual que se dá no homem com tanta imperfeição, verifica-se em Deus de maneira perfeita. Deus tem também o seu conhecimento e o seu amor. O conhecimento divino, porém, não é progressivo como o nosso, mas num só ato apreende a Verdade — a Verdade, que não é distinta de Deus, mas que é o próprio Deus, Assim Deus, num ato único, eterno como eterna é a vida divina, conhece a Si mesmo de maneira exaustiva; o que significa: num só ato concebe-Se ou pronuncia-Se a Si mesmo na eternidade, o produto dessa concepção não é uma imagem parcelada da verdade, como em nós, mas é a própria Verdade, o próprio Deus a subsistir diante de Deus; é Pessoa Divina, como o sujeito do conhecimento é Pessoa Divina. A esta segunda Pessoa a S. Escritura dá o nome de Logos (Palavra, Imagem mental) ou de Filho (já que todo filho é a expressão subsistente de seu genitor), ficando o titulo de Pai reservado à primeira Pessoa.



Contemplando a sua infinita Perfeição, Deus não pode deixar de comprazer-se em Si. Ora esta complacência é outro ato em que Deus se afirma com toda a sua perfeição; é o Amor de Deus ou Deus que ama; é o Amor subsistente que vincula o Pai ao Filho e o Filho ao Pai, rematando (por assim dizer) o processo da vida divina, A esta terceira Pessoa a Escritura d& o nome de Espírito Santo.



Faz-se mister ainda notar as duas seguintes notas das «processões» divinas (assim se chamam os dois atos característicos da vida divina):



a) elas não implicam divisão da infinita. Perfeição ou da Substância de Deus ; esta fica" sendo uma só e a mesma, afirmando-se, porém, três vezes. Destarte a Trindade de Pessoas não derroga cm absoluto à unidade e simplicidade da natureza divina. As três pessoas só diferem entre si por aspectos relativos, não por títulos absolutos, isto ê, diferem porque a primeira é Deus que concebe e a segunda é Deus mesmo que corresponde a este ato de conceber ; por sua vez, a terceira Pessoa é Deus que corresponde ao ato de amor emitido pelo Pai e o Filho. As três Pessoas, portanto, têm (ou são) toda a Perfeição Divina, que se diversifica apenas por três modos de subsistir ; e esses três modos se apelam mutuamente, são correlativos e inseparáveis entre si, mas não se podem identificar uns com os outros, porque os termos correlativos, por definição, se opõem um ao outro (todo pai, na medida em que é pai, se distingue de seu filho, embora só seja pai caso exista o filho).



b) As processões em Deus se verificam sem sucessão cronológica nem subordinação; nossa pobre linguagem, porém, nos leva a falar, como se entre elas houvesse anterioridade e posterioridade. Desde que Deus existe, isto é, desde toda a eternidade, Deus é Pai, Filho e Espírito Santo ; a geração e o deleite amoroso são a própria vida de Deus, não são atos adventícios a ela. Vê-se assim que tão necessária e essencialmente como Deus é uno, Deus também é trino ; vê-se outrossim que Deus não poderia subsistir nem em duas, nem em quatro ou cinco Pessoas, mas é muito logicamente uno e ao mesmo tempo trino» A Trindade não é menos necessária do que a unidade em Deus.



«Ser em três Pessoas», Pai, Filho e Espírito Santo, é na realidade a mesma coisa que «ser Deus», embora a nossa inteligência não perceba logo a equivalência destas proposições. Se podemos separar os dois enunciados, isto se dá porque conhecemos a Deus indiretamente, através das criaturas, no regime da fé ; no céu, porém, perceberemos claramente o fundamento da sinonímia.





Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

Juramento dos Jesuítas - mais uma mentira protestante.

O Juramento dos Jesuítas Refutado
Por Fernando Nascimento

O “Juramentos dos Jesuítas” é uma mentira que já passa dos 100 anos. Ela mostra até que ponto pode chegar o ódio e a loucura de alguns protestantes que elaboram calúnias alucinatórias, eivadas de ressentimentos cegos contra a Igreja Católica

Eis abaixo, alguns dos muitos sites protestantes que ainda difundem essa mentira das mais variadas formas e adulterações a gosto:

O deste link, além de acrescentar nomes de vários santos e outras crueldades ao embuste, publica palavras forjadas para um suposto acompanhante do jesuíta:
http://www.tabernaculonet.com.br/luz.php?facho=t00312

Este da Congregação Evangélica Luterana, entre outras falsidades, publica um trecho do falso juramento: http://bit.ly/jcvguK

Este viaja como ninguém no embuste que se apresenta ali mais longo ainda, atribuindo-o à Associação caritativa dos Cavaleiros de Colombo:
http://www.ianpaisley.org/article.asp?ArtKey=jesuit

O “Juramento dos Jesuítas” e o “Juramento do cavaleiro de Colombo” são duas falsidades que para ganhar fama, tiveram o dedo difamatório protestante contra a Igreja Católica. Essas duas quimeras tiveram origem no romance fictício “Rome Souterraine”, publicado em 1883 pelo mal-intencionado escritor Charles Didier (1805-1864). Didier foi um fantasioso difamador que se valia de personagens imaginários, nos moldes do Dan Brown de hoje, para sorrateiramente atacar à Igreja. Eu mesmo localizei nas três páginas finais de seu livro um falso “juramento” tão “aproveitado” para inspirar outros desonestos inimigos da Igreja.

O próprio Lutero nos legou o relato dessa prática, anos antes de lançar-se em revolta aberta, dizia: “(...) os hereges não são bem acolhidos se não pintam a Igreja como má, falsa e mentirosa. Só eles querem passar por bons: a Igreja há de figurar como ruim em tudo.” (Franca, Leonel, S.J. A Igreja, a reforma e a civilização, Ed. Agir, 1952, 6ª ed. Pág. 200).

Uma vez protestante, ensinava Lutero: "Que mal pode causar se um homem diz uma boa e grossa mentira por uma causa meritória e para o bem da Igreja (luterana)." (Grisar, Hartmann, S.J., Martin Luther, His life & work, The Newman Press, 1960- pág 522).

Esses dois “Juramentos” para parecerem autênticos, são sempre citados pelos protestantes como estando o primeiro, “Juramento dos Jesuítas”, na Biblioteca do Congresso Americano, e o segundo “Juramento do Cavaleiro de Colombo”, no Congressional Record.


Desmascarando o “Juramento dos Jesuítas”


O “Juramento dos Jesuítas” é a versão mais citada dos dois embustes devido ao fato de poder ser localizado na Biblioteca do Congresso em Washington, DC, Catálogo Card # 66-43354.

Algum inimigo da Igreja lá o depositou para que os incautos acreditassem que, sendo tal falsidade encontrada ali, isto faria aquele ser um autêntico documento católico. Fez isso com mera intenção de rapinar na ignorância dos que iriam ler o crédito daquela biblioteca nas citações protestantes deste embuste.

Abaixo, numa completa investigação, iremos desmascarar essa farsa, mas antes de fazê-lo, aqui está uma cópia completa do injurioso e sanguinário “Juramento” mencionado.

“... Eu prometo e declaro que, quando a oportunidade se apresentar, farei uma guerra implacável, secreta ou abertamente, contra todos os hereges, protestantes e liberais, como eu sou direcionado para fazer, para extirpar e exterminá-los da face da terra inteira. E que eu não vou poupar nem a idade, sexo ou condição, e que eu vou queimar os resíduos, ferver, esfolar, estrangular e enterrar vivo esses hereges infames, rasgar os estômagos e ventres de suas mulheres, e seus bebês esmagar a cabeça contra as paredes, a fim de aniquilar para sempre essa raça abominável. Que, quando o mesmo não puder ser feito abertamente, eu secretamente usarei o copo envenenado, o cabo de estrangulamento, o aço do punhal ou autoridade da pessoa ou pessoas, seja qual for sua condição na vida, seja ele público ou privado. Como eu, a qualquer momento pode ser direcionado a fazer qualquer agente do Papa ou Superior da Irmandade da Santa Fé, da Companhia de Jesus.

Na confirmação de que, tenho a honra de dedicar a minha vida, minha alma e todos os meus poderes corpóreos, e com este punhal que eu recebo agora, vou assinar meu nome escrito em meu próprio sangue, em depoimento dela, e se eu provar falsa ou enfraquecer na minha determinação, podem meus irmãos e companheiros soldados da milícia do Papa cortar as minhas mãos e meus pés, e minha garganta de orelha a orelha, abrir minha barriga e por enxofre queimado aí, com toda a punição que pode ser infligida em mim na terra, e minha alma seja torturada pelos demônios em um inferno eterno para sempre!

Tudo que eu, M_______ N_______, faço jurar pela Santíssima Trindade e o Santíssimo, que agora estou diante, executarei de minha parte para manter-me inviolável, por todo o exército celestial e glorioso do céu para testemunhar esta minha verdadeiras intenção de manter meu juramento.

Em testemunho disto tomo deste santíssimo sacramento e abençoado da Eucaristia, e testemunho o mesmo mais longe, com meu nome escrito com a ponta deste punhal mergulhado em meu próprio sangue e selado em face deste convento santo ".

Eis o embuste adaptado da fantasia de Didier. Estranho é saber que, por causa desta falsidade, muitos protestantes odeiam cegamente os jesuítas, mas não sabem eles explicar porque os jesuítas nunca os fizeram qualquer mal; do mesmo modo, não sabem eles explicar porquê os jesuítas nunca tiveram seus membros cortados, nem colocaram enxofre queimado dentro de suas barrigas por jamais terem feito mal aos protestantes e liberais”. Que “juramento” é esse que ninguém cumpre e não é cobrado??? Sobra ódio e falta inteligência a essa pobre gente escrava da mentira.

Nos ajudando grandemente a elucidar essa farsa, um membro do site católico americano “Apologétics”(link: http://www.reocities.com/okc_catholic/articles/jesuit_oath.html ) fez uma excursão ao site da Biblioteca do Congresso Americano, para ver por si mesmo este embuste lá, e viu o que postamos acima, e descobriu como é fácil depositar qualquer asneira ali, bastando pagar 30 dólares para isso. Relata o site:

“Na Biblioteca do Congresso, (link: http://www.loc.gov/index.html ) eu estava interessado em como poderia fazer uma apresentação naquela biblioteca, então me deparei com o Formulário FL 109 (link:http://www.copyright.gov/fls/fl109.pdf ) que fala sobre direitos autorais. De acordo com o Formulário FL 109, três coisas são necessárias para obter um direito de autor e o registro posterior na Biblioteca do Congresso. Eles são os seguintes:

- O formulário TX preenchido. (link: http://www.copyright.gov/forms/formtx.pdf );
- uma taxa de depósito não reembolsável de US $ 30;
- um depósito de seu trabalho.

O Formulário FL 109 também afirma no início:

REGISTRO DE DIREITOS AUTORAIS de livros, manuscritos e discursos.
Um livro publicado ou inédito ou manuscrito pode ser apresentado para inscrição no Escritório de Direitos Autorais. O Formulário TX deve ser utilizado para solicitar o registro de copyright para obras textuais, com ou sem ilustrações. O Formulário TX é apropriado para o registro de obras literárias, incluindo: ficção, não-ficção, poesia, as contribuições para o volume de trabalhos coletivos, coletâneas, guias, catálogos, dissertações, teses, relatórios, discursos, vinculados ou folhas soltas, folhetos, brochuras, páginas simples e com texto. Não há nenhuma exigência específica quanto ao formato, impressão, encadernação, ou tamanho do papel e a qualidade do material manuscrito inédito. Datilografada, fotocopiada, e manuscritos de forma legível manuscrita, de preferência com tinta, são aceitáveis para o depósito.”

Como vemos, de acordo com a Biblioteca do Congresso Americano, qualquer falsidade pode ser depositada ali por apenas 30 dólares. E assim fez algum protestante mal-intencionado para outros usarem isso contra a Igreja Católica.

Poderíamos simplesmente escrever num pedaço de papel higiênico um falso “Juramento dos protestantes”, usando as mesma sandices, e a Biblioteca do Congresso americano faria isso tão “crível” quanto o animalesco embuste protestante depositado ali por 30 dólares.

Como tudo contribui para a derrocada da alma dos seguidores de Lutero, pegando carona neste falso “Juramento”, apareceu nos Estados Unidos um apostata católico chamado Alberto Rivera (1935-1997) que havia virado um fundamentalista protestante. Este afirmava ter sido um ex-jesuíta (sem jamais ter sido), e sustentava ser este “juramento” verdadeiro, logo ele passou convenientemente a ser fonte de todos os embustes anticatólicos para os fundamentalistas protestantes em geral. Nossa investigação, também se estendeu a este impostor:


Alberto Rivera


De acordo com a exposição de Cornerstone: Rivera tinha uma "história de embaraços legais", incluindo fraude, roubo de cartões de crédito e cheques sem fundos. Ordens foram emitidas para a sua prisão em Nova Jersey e Flórida, e era procurado pela polícia espanhola por "burlas e fraudes", enquanto nos EUA em 1967, ele alegou estar recolhendo dinheiro para uma faculdade espanhola, que nunca recebeu este dinheiro.

Eis os detalhes de sua vida alterados: Em 1964, ele disse que tinha deixado a Igreja Católica em Julho de 1952, mas depois ele colocou a data de 20 de marco de 1967, apesar disso, ele ainda estava promovendo o catolicismo em entrevista a um jornal de agosto do mesmo ano. Embora alegasse ter sido colocado supostamente num sanatório pela Igreja em 1965 e mantido lá por três meses, ele deu a data de sua saída em setembro de 1967, deixando um período de mais de um ano sem explicações.

O documento exibido por Rivera para provar seu status como um padre católico foi obtido fraudulentamente e à Igreja Católica nega suas pretensões de ter sido um sacerdote jesuíta e um bispo. Sua afirmação de que tinha uma irmã freira interna chamada Maria, é falsa. Ele tinha apenas uma irmã, em Londres, ela não foi chamada Maria, não era uma freira, e não viveu em convento algum. Em um trabalho seu, datado de 1963, ele confessou ser casado com Carmen Lydia Torres com quem teve dois filhos nos EUA, quando por outro lado, ele se dizia um padre celibatário, na Espanha.

Cornerstone também questionou a alegação de Rivera, em graus diversos, incluindo três doutorados (Th.D., DD, e doutorado), relatando que sua cronologia conhecida não permite tempo suficiente para ele ter completado estes graus e que ele havia admitido tê-los recebido de uma fábrica de diploma no Colorado. Fonte pesquisada: Metz, Gary (1981). "The Alberto Story". Cornerstone 9 (53): 29–31. Archived from the original on 2005-12-02.


Elucida-se assim a farsa que tinha um falsário montado sobre ela.


Desmascarando o “Juramento dos Cavaleiros de Colombo”


O segundo “Juramento”, intitulado “Juramento dos Cavaleiros de Colombo” é outra farsa que é uma cópia modificada da primeira, esta foi forjada nas eleições norte-americanas de 1912 e usada por partidários do republicano protestante Thomas S. Butler, para ganhar as eleições contra o democratacatólico, da Associação dos Cavaleiros de Colombo Eugene C. Bonniwell, no estado da Pensilvânia – EUA. Este outro falso “Juramento” está no Congressional Record - Casa do Congresso dos EUA Record, 1913, p. 3216, por denúncia do católico Bonniwell, e tem o seguinte teor:

“Eu faço promessa e declaro que, quando a oportunidade se apresentar, farei uma guerra implacável, secreta ou abertamente, contra todos os hereges, protestantes e maçons, como eu sou direcionado para fazer, para extirpar-los da face de toda a terra; e que eu não pouparei nem sexo, idade, nem condição, e que vou queimar os resíduos, ferver, esfolar, estrangular e enterrar vivo esses hereges infames; rasgar os estômagos e ventres de suas mulheres, e esmagar as cabeças de seus filhos contra as paredes, a fim de aniquilar a raça execrável. Que, quando o mesmo não puder ser feito abertamente eu secretamente usarei o copo venenoso, o cabo de estrangulamento, o aço do punhal ou a bala de chumbo, independentemente da honra, dignidade, ou a autoridade das pessoas, qualquer que seja sua condição na vida, seja ele público ou privado. Como eu, a qualquer momento podem ser direcionados a fazer todos os agentes do Papa ou Superiores da Irmandade do Santo Padre, da Companhia de Jesus.

Na confirmação de que tenho a honra de dedicar a minha vida, alma e todos os poderes corporais e, com o punhal que eu recebo agora vou assinar meu nome escrito em meu sangue em depoimento dela, e se eu provar falsa ou enfraquecer na minha determinação, podem meus irmãos e companheiros soldados da milícia do Papa cortar mãos e pés e minha garganta de orelha a orelha, o meu ventre se abrir e enxofre queimado nele colocar com toda a punição que pode ser infligida em mim na terra, e minha alma deve ser torturada por demônios do inferno eterno para sempre. Que eu vou sempre votar na votação para um Cavaleiro de Colombo, de preferência contra um protestante, especialmente um maçom, e que vou deixar o meu partido assim fazer; que, se dois católicos estão no bilhete eu vou me certificar que é o melhor defensor da Igreja Matriz e votarei em conformidade. Que eu não vou tratar ou empregar um protestante se em meu poder, posso lidar com ou empregar um católico. Que eu vou colocar as meninas católicas em famílias protestantes, e um relatório semanal pode ser feito dos movimentos internos dos hereges. Que vou me abastecer com armas e munições para que eu possa estar de prontidão quando a palavra for passada, ou me for ordenado para defender a Igreja, quer como indivíduo ou com a milícia do Papa.

Tudo o que eu ,_______________, juro pela Santíssima Trindade e Santíssimo Sacramento, que agora estou a receber para executar e em parte para manter meu juramento.

Em testemunho disto, aproveito este sacramento santíssimo e abençoado da Eucaristia e testemunho a mais, mesmo com meu nome escrito com a ponta deste punhal mergulhado no meu próprio sangue e selado na face deste santo sacramento.”

Observe aí que, os protestantes acrescentaram os maçons, seus aliados, como “perseguidos” e o “Cavaleiros de Colombo” como “perseguidor”.

O candidato católico Bonniwell perdeu e recorreu contra a eleição de Butler em representação ao estado da Pensilvânia, onde apresentou cópia do falso juramento forjado e distribuído contra sua pessoa.

O Comité Eleitoral investigou as objeções de Bonniwell e produziu o relatório 1523 (House Report 1523). Este relatório foi submetido a 15 de Fevereiro de 1913, e a pedido do congressista Olmsted, foi incluído no Congressional Record. Entre outras objeções, Eugene Bonniwell fazia menção a uma querela religiosa com os apoiantes de Thomas Butler que publicaram essa farsa nos jornais do estado seguida da seguinte frase:

"O Exmo. Thomas S. Butler, o candidato republicano para o Congresso, nasceu e foi criado na Sociedade dos Amigos, e é orgulhoso de sua ascendência Quaker. Seu adversário, Eugene C. Bonniwell, é um católico romano".
Um católico romano que iria fazer todas aquelas sandices do “Juramento” forjado pelos protestantes. Entende? Então o que temos aí é um documento anonimamente distribuído durante uma campanha eleitoral aquecida. Ambos os lados negaram a sua autenticidade. Logo foi incluído em um relatório resumido da Casa, uma investigação dessa eleição.

Essa conspiração protestante rendeu grande prejuízo não apenas para o concorrente católico, mas também para os Cavaleiros de Colombo e aos católicos em geral, dificilmente pode ser medido em termos de almas perdidas. Ainda hoje as seitas protestantes fazem uso desta falsidade na sua “evangelização” em diversos países, basta ver na internet.

Nos Anais do Congresso Americano, o Comitê Eleitoral declarou este artigo como falso e difamatório e que o “Juramento dos Cavaleiros de Colombo” é espúrio, cuja cópia foi anexada ao documento (HR Rep. No. 62-1523 (1913), reimpresso em Anais do Congresso de 15 de fevereiro, 1913, p. 3221)

A Revista Time da segunda-feira, 3 setembro de 1928, declarou este “juramento” FALSO. E publicou que os Cavaleiros de Colombo ofereceram 25.000 dólares a qualquer um que pudesse provar que ele seja parte do ritual. Ninguém se preocupou em fazê-lo.

Fonte: http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,928041-1,00.html

Nunca os Jesuítas ou Cavaleiros de Colombo perseguiram protestantes, liberais ou maçons. E depois que Charles Didier forjou seu falso “juramento” onde inverte os papeis da história, o historiador Maurice Andrieux (1898-1942) bem demonstra a quem deveria pertencer de fato tal “juramento”: relata Andreux que no dia 6 de maio de 1527, no terrível saque à Roma, uma horda de invasores protestantes, penetra o hospital do Espírito Santo e ali, aos berros, degola os enfermos. À semelhança de uma torrente bravia, os bárbaros se lançam sobre Roma gritando: -“Viva Lutero, nosso Papa!!!”- todos cumprem a palavra de ordem: quem for encontrado nas ruas deve morrer, seja moço ou velho, mulher ou homem, padre ou freira. Ávidos, incansáveis na busca das riquezas, dos despojos, os Reformadores e outros invasores assaltam, saqueiam, incendeiam, trucidam, arrebentam as suas vítimas, jogam crianças pelas janelas ou as esmagam contra as paredes. Conforme disse Maurice Andrieaux, esse ataque a Roma “superou em atrocidade todas as tragédias da história, até mesmo a destruição de Jerusalém e a tomada de Constantinopla.” Fonte: http://www.veritatis.com.br/article/2994 .

Isso aconteceu antes de Didier escrever seu livro em questão, observem a semelhança das brutalidades citadas. Teria Didier se baseado nesses reais requintes de crueldade protestante, ao escrever seu sanguinário “juramento” onde inverte os papéis entre vítima e carrasco? Veja mais das crueldades protestantes que deve ter inspirado Didier:

Em 1570, foram enviados ao Brasil para evangelizar os índios o Pe Inácio de Azevedo e mais 40 jesuítas. Vinham a bordo da nau "S. Tiago" quando em alto mar os interceptou o "piedoso" calvinista Jacques Sourie. Como prova de seu "evangélico" zêlo mandou degolar friamente todos os padres e irmãos e jogar os corpos aos tubarões. (Luigi Giovannini e M. Sgarbossa in Il santo del giorno, 4ª ed. E.P, pg 224, 1978).

Em 16 de julho de 1645, o Padre André de Soveral e outros 70 fiéis foram cruelmente mortos por mais de 200 soldados holandeses e índios potiguares. Os fiéis participavam da missa dominical, na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho Cunhaú – no município de Canguaretama, localizado na Zona Agreste do Rio Grande do Norte. Por seguirem a religião católica, pagaram com a própria vida o preço pela crença, por causa da intolerância calvinista dos invasores.
http://blog.cancaonova.com/natal/tag/martires/

Fica provado que o protestantismo faz vasto uso da máxima lenista que diz:

“Xingue-os do que você é. Acuse-os do que você faz” (Lenin).


Em contrapartida, esta frase de Jesus bem rechaça esse vil comportamento: "Raça de víboras, maus como sois, como podeis dizer coisas boas? Porque a boca fala do que lhe transborda do coração. "(Mateus 12,34)

O site ateu deste link: http://www.ateismo.net/2004/05/29/sobre-o-juramento-jesuita/ já pediu desculpas e retratou-se por um dia ter acreditado e feito eco a esse embuste protestante aqui refutado. Quando o protestantismo vai parar de fazer uso da mentira, instrumento de Satanás, para dispersar os filhos de Deus?


Desmascarados os embustes, vamos aos verdadeiros votos dos Jesuítas e dos Cavaleiros de Colombo:


Os verdadeiros votos de um Jesuíta


(Informação elaborada com a inestimável ajuda do Pe. Claudio Pires, S.J., que é o colaborador do Provincial dos jesuítas do Brasil Meridional.)


Os "primeiros votos" de um jesuíta são feitos no final dos 2 anos de noviciado. Estes votos já são perpétuos, mas o vínculo do que faz estes votos com a Ordem é condicional. Depende da confirmação a ser feita mais tarde pelos Superiores. Por isso promete uma entrada juridicamente definitiva para mais adiante ("prometo entrar na mesma Companhia para viver nela perpetuamente"). Só com a confirmação no final da formação é que vêm os "últimos votos".

A fórmula dos "primeiros votos" é a seguinte:

“Deus eterno e todo poderoso, eu (...) indigno de estar diante de vós, confiado contudo em vossa bondade e misericórdia infinitas e movido pelo desejo de vos servir, na presença da santíssima virgem Maria, dos anjos e santos, faço voto a vossa divina majestade de pobreza, castidade e obediência perpétuas na companhia de Jesus. E prometo entrar na mesma companhia para viver nela perpetuamente. Entendo tudo de acordo com as suas constituições. Por isso peço humildemente à vossa imensa bondade e clemência, pelo sangue de Jesus Cristo, que vos digneis aceitar este holocausto, qual oferenda agradável, e me concedais abundantes graças para cumprir, como me destes a graça para o desejar e oferecer.”

Os "últimos votos" podem ser de 4 tipos: de professos de 4 votos solenes, de professos de 3 votos solenes, de coadjutor espiritual e de irmão jesuíta. A fórmula dos "últimos votos" para os professos de 4 votos solenes é a seguinte. As outras são semelhantes:

“Eu, NN. (nome de batismo e de família), em presença da Virgem Maria Mãe de Deus, de todos os santos do céu e de todos aqui presentes, faço minha profissão e prometo a Deus todo-poderoso e a ti R. P. N.N., (nome e cargo, sem dizer de que casa ou lugar), representante de Deus em lugar do Prepósito Geral da Companhia de Jesus e de seus sucessores, pobreza, castidade e obediência perpétuas; e, de acordo com a mesma obediência, prometo especial dedicação à instrução das crianças, segundo consta no modo de vida determinado nos Documentos Pontifícios da Companhia de Jesus e nas suas Constituições. Prometo, ainda, especial obediência ao Sumo Pontífice para qualquer missão que me envie, segundo consta nos mesmos Documentos Pontifícios e nas Constituições.”

Além destes 4 votos, há algumas promessas acrescentadas a eles: 1- não afrouxar a legislação da Ordem em coisas de pobreza evangélica; 2- não buscar cargos (como o de bispo); se for escolhido para bispo, escutar os conselhos do Superior Geral relacionados com a própria salvação; 3- se souber que um jesuíta procura dignidades eclesiásticas, colocar o Superior Geral ao par; e 4- dar uma atenção especial à juventude.


Verdadeiro Juramento dos Cavaleiros de Colombo (associação caritativa leiga):


"Comprometo-me como um cidadão católico e um cavaleiro de Colombo, dedicar-me inteiramente a meus deveres como cidadão e conscientemente exercer essa função inteiramente para os interesses do meu país e independentemente de todas as consequências pessoais. Eu me comprometo a fazer tudo ao meu alcance para preservar a integridade e a pureza do voto, para promover a reverência e o respeito pela lei e a ordem. Eu prometo praticar a minha religião de forma aberta e coerente, mas sem ostentação, e assim conduzir-me nos assuntos públicos, e no exercício da virtude pública, para refletir, mas nada de crédito para a Santa Igreja, a fim de que ela possa florescer e o nosso país prosperar para a maior honra e glória de Deus. "

Fonte: http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,928041-1,00.html


Cai a farsa.


Agradecimentos:

ao site “Apologetics” pela investigação americana.
http://www.reocities.com/okc_catholic/articles/jesuit_oath.html ;

ao Pe. Cláudio peço sua benção e hipoteco o meu muito obrigado pela colaboração;

ao apologista Marcus Moreira Lassance Pimenta, do site Veritatis Splendor, minha gratidão pela imprescindível presteza;

à Revista Time, por disponibilizar online o exemplar pesquisado.

Fontes dispostas ao longo do texto.
http://fimdafarsa.blogspot.com.br/2011/06/o-juramento-dos-jesuitas-refutado.html

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Marxismo Cultural: modo de agir.

Como é que uma ideologia obtém o domínio sobre os padrões de pensamento inculcadas na culturas há já centenas de anos? Segundo Gramsci, o domínio da consciência de grandes quantidades de pessoas seria obtido se os Comunistas ou os seus simpatizantes obtivessem o controle das instituições culturais - as igrejas, a educação, os jornais, as revistas, os média electrónicos, a literatura séria, a música, as artes visuais, e assim por diante. Ao obterem a "hegemonia cultural", para usar os termos de Gramsci, o Comunismo iria controlar as fontes mais profundas do pensamento e da imaginação do ser humano.

Nem é preciso controlar toda a informação se for possível obter o controle das mentes que assimilam essa informação. Perante tais condições, a oposição séria desaparece uma vez que os homens já não capazes de entender os argumentos dos opositores do Marxismo. De facto, os homens irão "amar a sua servidão" e nem se aperceberão que isso é servidão.

Etapas para o processo

A primeira fase para se obter a "hegemonia cultural" duma nação é a debilitação dos elementos da cultura tradicional:

1. As igrejas são, portanto, transformadas em clubes politicamente motivados, que colocam ênfase na "justiça social" e no igualitarismo, e onde as doutrinas milenares e os ensinamentos morais são "modernizados" ou reduzidos até ao ponto da irrelevância;

2. A educação genuína é substituída por currículos escolares "emburrecidos" e "politicamente corretos", e os padrões [académicos] são reduzidos de um modo dramático;

3. Os órgãos de informação são moldados de modo a serem instrumentos de manipulação em massa, e instrumentos de assédio e descrédito das instituições tradicionais e dos seus porta-vozes;

4. A moralidade, a decência, e as virtudes do passado são ridicularizadas incessantemente;

5. Os membros tradicionais e conservadores do clero são caracterizados como falsos e os homens e mulheres virtuosos são classificados de hipócritas, convencidos e ignorantes.

A cultura não é mais um suporte de apoio à herança nacional, e um veículo para a transmissão dessa herança para as gerações futuras, mas sim um meio de "destruir as ideias ... apresentando aos jovens não os exemplos heróicos mas apresentando de modo deliberado e agressivo os degenerados," como escreveu o teólogo Harold O.J. Brown. Podemos ver isto na vida Americana contemporânea, onde os grandes símbolos no nosso passado nacional, incluindo os grandes presidentes, soldados, exploradores e pensadores, são caracterizados como sendo homens notavelmente "racistas" e "sexistas," e como tal, basicamente malignos. O seu lugar foi ocupado por charlatães pró-Marxistas, pseudo-intelectuais, estrelas do rock, celebridades esquerdistas cinematográficas, e por aí adiante.

Noutro nível, a cultura tradicional Cristã é qualificada de "repressiva", "Eurocêntrica", "racista", e, desde logo, indigna da nossa contínua devoção. Para o seu lugar, o primitivismo puro mascarado de "multiculturalismo" é colocado como o novo modelo.

O casamento e a família, os tijolos de construção da nossa sociedade, são perpetuamente atacados e subvertidos. O casamento é caracterizado como uma conspiração dos homens como forma de perpetuar um sistema maligno de domínio sobre as mulheres e as crianças. A família é descrita como uma instituição perigosa centrada na violência e na exploração. Segundo os Gramscianos, a família patriarcal é precursora do fascismo, do Nazismo, e até de todas as formas de perseguição racial.

FONTE: http://omarxismocultural.blogspot.com.br/

Teoria Crítica - Escola de Frankfurt - Marxismo Cultural.

Teoria Crítica. Uma Estratégia para a Destruição do Ocidente

A Teoria Crítica é a chave ideológica que explica a maioria das posições esquerdistas. As críticas divisionistas da Esquerda relativas à Cultura Ocidental têm por objectivo destruí-la nos seus fundamentos, guiando-a para um sistema marxista e um regime opressivo. Felizmente, a Esquerda tem exagerado nos seus slogans do tipo " racista", "sexista" ou "homofóbico", e muitos já conseguem compreender as suas implicações.

Abaixo, constam alguns exemplos da estratégia "dividir-e-conquistar" dos neo-marxistas e de como os cidadãos ocidentais são colocados uns contras os outros enquanto a Esquerda toma o poder, atropela Constituições e implementa a sua estratégia de "transformação fundamental".

Pretos vs Brancos

Os pretos são encorajados a culpar os brancos pelas suas provações e angústias. Apesar da escravidão ter sido formalmente abolida como instituição há cerca de 150 anos, a Esquerda continua a defender a ideia de que as nações ocidentais são fundamentalmente racistas. O mesmo se aplica à imigração em massa como um todo, os brancos são acusados de "racismo" de berço e os imigrantes e multiculturalistas encorajados e apoiados por Esquerdistas, enquanto minam e diluem a cultura branca ocidental e, a longo termo, a destroem irremediavelmente.

Homens vs Mulheres

O Feminismo radical surgiu nos anos 70 do século passado como resultado da "revolução" sexual. A maneira feminista de interpretar a História pelo prisma da "mulher calada" é levada ao extremo. A extrema-esquerda, dominante em imensas universidades, sobretudo departamentos de "Estudos Femininos" e "Estudos de Género", propagou as teorias radicais de que o "género" é uma narrativa e que não existem diferenças reais entre dois sexos, com excepção dos órgãos genitais. Isto, apesar de biólogos, neurofisiologistas e a corrente dominante dos especialistas em pedagogia e desenvolvimento infantil contradizerem esta mentira.

O efeito do feminismo radical é um antagonismo desnecessário entre homens e mulheres. A já desmascarada e suposta "guerra contra as mulheres" é um exemplo gritante desta táctica. A noção das mulheres "oprimidas" pelo homem e o conceito da unidade familiar enquanto "opressão" são decalcados do Manifesto Comunista.

Filhos vs Pais

A rebelião contra a autoridade paterna é glamourizada culturalmente através de filmes e música. Além disso, a juventude é "sexualizada" em idades cada vez mais precoces ( de acordo com teóricos radicais como Gyorgy Lukacs, isto ataca o núcleo do Cristianismo e leva a juventude à revolta contra os pais ). As crianças são encorajadas a desobedecer aos pais o que, reconheçamos não é uma tarefa difícil. Mas, mais surpreendente, as crianças também podem ser ensinadas a vender ideias esquerdistas aos seus progenitores, como o ambientalismo, ou mesmo a "espiarem-nos."

A Família vs A Ama Estatal.

As crianças são cada vez mais educadas em creches e infantários, os quais tendem a ensinar valores marxistas elementares enquanto "partilha". "Imaginação" e "criatividade" também são confusa e desordenadamente enfatizados nestas instituições, em detrimento e como se fossem oposição à leitura, escrita ou cálculo.

O sistema educacional mantém as crianças nas escolas até o mais tarde possível. A promulgação da adolescência perpétua origina jovens adultos com personalidades fracas e influenciáveis, facilmente manipuláveis por discursos de "esperança" (no mítico mundo melhor ) e de "mudança" (revolução), que tendem à revolta contra a ordem social e a olhar para o Estado como um pai adoptivo.

O Sistema de Ensino é o ponto chave da estratégia marxista reinventada que dá pelo nome de Marxismo Cultural.

Heterossexuais vs Homossexuais

A Esquerda politizou a sexualidade ao ponto de estabelecer regras e regulamentos especiais em benefício dos homossexuais ( tais como leis de habitação, recrutamento militar, detenção..). Aqueles que questionam a normalização do comportamento homossexual na sociedade, escolas primárias incluídas, são rotulados como "homofóbicos". O "casamento" gay torna-se uma questão política, apesar de Casamento ser tradicionalmente uma questão religiosa.

A agenda homossexualista é alimentada e executada pela escola marxista cultural como um ataque ao núcleo da civilização, de forma a afastar gradualmente as crianças do pensamento e da família tradicional.

Intelectuais vs. Classe Operária

Uma maneira dos ditos intelectuais progressistas marginalizarem conservadores e cidadãos comuns é definir inteligência como concordância com a agenda marxista.

O Marxismo defende que a "consciência revolucionária" vem do reconhecimento da História como regida pela "luta de classes" entre pobres e ricos. O ponto elementar no materialismo dialéctico pressupõe que o pensamento do Homem reflecte o seu ambiente material (económico). O proletariado, ou os oprimidos, são o futuro da consciência mundial; isto acontecerá assim, supostamente, por causa das contradições internas do capitalismo, como seja o declínio dos salários até ao limite da subsistência, condenando o sistema ao colapso. Qualquer um que não se reveja nesta narrativa como verdade, em particular operários ou indivíduos de classe média, ou aqueles que a critiquem com veemência, demonstram "alienação de consciência."

Cidadãos Nativos vs Imigrantes/Multiculturalismo

A Esquerda encara o Multiculturalismo em primeiro lugar e acima de tudo como um aliado no desmoronamento daquilo que entendem como dominação e opressão branca. Os chavões incluem "diversidade", "enriquecimento" e "necessidade" culturais, usadas para para ocultar a verdadeira razão pela qual o apoiam. O Multiculturalismo é o sonho molhado do Marxismo Cultural. Quem ao primeiro se opuser é imediatamente rotulado como "racista".

Os cidadãos nativos de qualquer nação branca não têm o direito de ambicionar viver numa cultura e etnia homogénea. Mas por outro lado, os imigrantes e as suas culturas são apoiadas e elevadas acima da cultura do povo anfitrião.

Pelas leis impostas pelo estado, qualquer pensamento ou visão oposta ao Multiculturalismo pode resultar em acusações criminais e prisão, perda de emprego e expulsão da vida pública. Assassinatos de carácter perpetrados pela imprensa controlada também são uma estratégia usada para intimidar qualquer um que se erga contra a investida multiculturalista..

Nacionalistas vs Anti-Nacionalistas

Defensores da Pátria e do Patriotismo são, pejorativamente, classificados como "reaccionários". Contudo, patriotismo define-se como "amor à pátria" e implica respeito pelas suas instituições, tradições e ideais que estão na base da fundação de cada país.

Os Nacionalistas são vistos pela Esquerda como perigosos obstáculos ao projecto globalista: os lugares-comuns esquerdistas para atacar o Nacionalismo são geralmente "xenofobia" ou "intolerância". Mas também "nazismo" e "fascismo". Esta maneira de culpar por associação traduz a ideia de que amar e celebrar a própria Pátria é um mal semelhante a esses, que deve ser combatido por todos os meios.

O combate ao Patriotismo e Nacionalismo existe porque estes entram em conflito com a agenda internacional globalista da Esquerda e suas mentiras. O Nacionalismo é o sistema imunitário das nações, a Esquerda é a sua doença. Ridicularizar os nacionalistas e patriotas, relacionando-os com Hitler, é uma ilustração expressiva da mentalidade deformada da Esquerda.

Os movimento pacifistas usam qualquer meio para suprimir aquilo que consideram o "vírus" nacionalista. As nações ocidentais são acusadas de colonialismo e imperialismo, qualquer patriota será ridicularizado com chavões, levando o cidadão comum a associar nacionalismo a maldade e a afastar-se dele. O sistema de ensino e o revisionismo histórico servem de controlo mental das massas. Os marxistas culturais atacam uma ideia falsa, (um espantalho) para promoverem a sua ideologia mentirosa.

Conclusões


Em termos práticos, o que é imediatamente necessário para responder à Teoria Crítica é uma defesa intransigente da Nação, Família, Constituições, Religião; tal como a denúncia e exposição daqueles que corrompem tribunais, escolas, universidades, imprensa, indústria de entretenimento e governos.

Nunca haverá um país livre de conflitos, mas é possível identificar quem incendeia as paixões e manipula as pessoas para obter fins ingénuos e perigosos. Isto só é possível ser feito conhecendo verdadeiramente a natureza do inimigo e os seus planos. Na guerra cultural, como em qualquer outra, isto é fundamental para formular qualquer estratégia.

"O preço da liberdade é a vigilância eterna" Thomas Jefferson

Dizem alguns que o Marxismo Cultural não existe, dizem que Karl Marx não escreveu sobre Cultura, exigem definições de Marxismo Cultural. Existem várias definições, de vários autores. Só porque existem pessoas que não acreditam que não existe, não significa que não vigore em todas as sociedades ocidentais. É o Marxismo reinventado para atacar a Cultura, o Marxismo daqueles que perceberam o motivo pelo qual as ideias de Karl Marx falharam e as reformularam em termos culturais para atingirem o mesmo fim. O Marxismo Cultural tem muitos aspectos envolvidos, é um conjunto de falsos conceitos lançados através de qualquer meio de influência social, e tem por objectivo o desmantelamento da fundação da sociedade como forma de a transformar.

Quando verificamos que os fundadores do Marxismo Cultural da "Escola de Frankfurt" quiseram chamá-la de "Instituto Marxista", mas optaram antes pelo título de "Instituto de Pesquisa Social" como forma de mascarar a sua verdadeira ideologia e intenções, então não devemos ficar surpreendidos quando os idiotas úteis da Esquerda de hoje negam a sua existência. Alguns não têm ideia de que são manipulados e lutam a favor do Marxismo Cultural. Estes são vítimas.

Outros sabem perfeitamente que existe uma escola de pensamento anti-Cultura, anti-Brancos e anti- Civilização Ocidental implementada nas instituições. Eles apoiam-na e impõem-na em qualquer oportunidade mas depois negam que ela exista. Eles conhecem as suas origens, o que não gostam é que outros se atrevam a chamarem-lhes aquilo que são.

O Marxismo Cultural é Desconstrução através da Crítica. Desconstrói e critica a História de uma Nação, distorcendo-a com mentiras. Desconstrói e critica a Família mentindo sobre o papel da paternidade. Desconstrói e critica a identidade cultural e étnica ocidental. Desconstrói e critica tudo o que se oponha aos seus objectivos. Resumindo, é um veneno destruidor que deve ser sempre desmascarado.

FONTE: http://omarxismocultural.blogspot.com.br/

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Credo Tridentino.

A "Professio fidei Tridentina", também conhecida por "Credo de São Pio IV", é um dos quatro Credos da Igreja Católica. Foi promulgada no dia 13 de Novembro de 1565, pelo Papa Pio IV, através da Bula "Iniunctum nobis", sob os auspícios do Concilio de Trento (1545-1563). Foi modificada pelo Papa Pio IX, por causa do C. Vaticano I, através de um decreto promulgado pelo Santo Oficio, de 20 de Janeiro de 1877 (Acta Sanctae Sedis, X [1877] , 71 ff.), mas mantemos aqui o original:

Latim
Ego N. firma fide credo et profiteor omnia et singula, quae continentur in Symbolo, quo Sancta Romana ecclesia utitur, videlicet:

Credo in unum Deum, Patrem omnipotentem, factorem caeli et terrae, visibilium omnium et invisibilium. Et in unum Dominum Iesum Christum, Filium Dei unigenitum, et ex Patre natum ante omnia saecula. Deum de Deo, Lumen de Lumine, Deum verum de Deo vero, genitum non factum, consubstantialem Patri; per quem omnia facta sunt. Qui propter nos homines et propter nostram salutem descendit de caelis. Et incarnatus est de Spiritu Sancto ex Maria Virgine, et homo factus est. Crucifixus etiam pro nobis sub Pontio Pilato, passus et sepultus est, et resurrexit tertia die, secundum Scripturas, et ascendit in caelum, sedet ad dexteram Patris. Et iterum venturus est cum gloria, iudicare vivos et mortuos, cuius regni non erit finis. Et in Spiritum Sanctum, Dominum et vivificantem, qui ex Patre Filioque procedit. Qui cum Patre et Filio simul adoratur et conglorificatur: qui locutus est per prophetas. Et unam, sanctam, catholicam et apostolicam Ecclesiam. Confiteor unum baptisma in remissionem peccatorum. Et expecto resurrectionem mortuorum, et vitam venturi saeculi. Amen.

Apostolicas et Ecclesiasticas traditiones reliquasque eiusdem ecclesiae observationes et constitutiones firmissime admitto et amplector. Item sacram Scripturam iuxta eum sensum, quem tenuit et tenet sancta Mater Ecclesia, cuius est iudicare de vero sensu et interpretatione sacrarum Scripturarum, admitto; nec eam umquam nisi iuxta unanimem consensum Patrum, accipiam et interpretabor. Profiteor quoque septem esse vere et proprie Sacramenta novae legis a Iesu Christo Domino nostro instituta, atque ad salutem humani generis, licet non omnia singulis, necessaria: scilicet Baptismum, Confirmationem, Eucharistiam, Paenitentiam, Extremam Unctionem, Ordinem et Matrimonium; illaque gratiam conferre; et ex his Baptismum, Confirmationem et Ordinem sine sacrilegio reiterari non posse. Receptos quoque et approbatos Ecclesiae catholicae ritus in supradictorum omnium Sacramentorum solemni administratione recipio et admitto. Omnia et singula, quae de peccato originali et de iustificatione in sacrosancta Tridentina Synodo definita et declarata fuerunt, amplector et recipio. Profiteor pariter, in Missa offerri Deo verum, proprium et propitiatorium sacrificium pro vivis et defunctis. Atque in sanctissimo Eucharistiae Sacramento esse vere, realiter et substantialiter Corpus et Sanguinem, una cum anima et divinitate Domini nostri Iesu Christi, fierique conversionem totius substantiae panis in Corpus ac totius substantiae vini in Sanguinem, quam conversionem Ecclesia catholica transubstantiationem appellat. Fateor etiam sub altera tantum specie totum atque integrum Christum verumque Sacramentum sumi. Constanter teneo, Purgatorium esse, animasque ibi detentas fidelium suffragiis iuvari. Similiter et Sanctos, una cum Christo regnantes, venerandos atque invocandos esse, eosque orationes Deo pro nobis offerre, atque eorum reliquias esse venerandas. Firmiter assero, imagines Christi ac Deiparae semper Virginis, necnon aliorum Sanctorum habendas et retinendas esse, atque eis debitum honorem et venerationem impertiendam. Indulgentiarum etiam potestatem a Christo in Ecclesia relictam fuisse, illarumque usum Christiano populo maxime salutarem esse affirmo. Sanctam, catholicam et apostolicam Romanam Ecclesiam omnium ecclesiarum matrem et magistram agnosco, Romanoque Pontifici, beati Petri Apostolorum principis successori, ac Iesu Christi Vicario, veram oboedientiam spondeo ac iuro. Cetera item omnia a sacris canonibus et oecumenicis Conciliis, ac praecipue a sacrosancta Tridentina Synodo, indubitanter recipio ac profiteor; simulque contraria omnia, atque haereses quascumque ab Ecclesia damnatas et reiectas et anathematizatas ego pariter damno, reicio, et anathematizo. Hanc veram Catholicam Fidem, extra quam nemo salvus esse potest, quam in praesenti sponte profiteor et veraciter teneo, eandem integram, et immaculatam usque ad extremum vitae spiritum, constantissime, Deo adiuvante, retinere et confiteri, atque a meis subditis, vel illis, quorum cura ad me in munere meo spectabit, teneri, doceri et praedicari, quantum in me erit, curaturum, ego idem N. spondeo, voveo ac iuro. Sic me Deus adiuvet et haec sancta Dei Evangelia. Amen.


Português
Eu N. CREIO FIRMEMENTE E CONFESSO tudo o que contém o Símbolo da fé usado pela Santa Igreja Romana, a saber:

Creio em um só Deus, Pai Onipotente, Criador do céu e da terra e de todas as coisas, visíveis e invisíveis. E em um só Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos; é Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; é gerado, não feito; consubstancial ao Pai, por quem foram feitas todas as coisas. O qual, por amor de nós homens e pela nossa salvação, desceu dos céus. E se encarnou por obra do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Foi também crucificado por nossa causa; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos e foi sepultado. E ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E subiu ao céus, está sentado à mão direita de Deus Pai. E pela segunda vez há de vir com majestade a julgar os vivos e os mortos. E seu reino não terá fim. E no Espírito Santo, Senhor Vivificador, o qual procede do Pai e do Filho. O qual, com o Pai e o Filho é juntamente adorado e glorificado, e foi quem falou pelos profetas. E na Igreja, que é una, santa, católica. Confesso um só Batismo para remissão dos pecados. E aguardo a ressurreição dos mortos e a vida da eternidade. Assim seja.

Aceito e abraço firmemente as tradições apostólicas e eclesiásticas, bem como as demais observâncias e constituições da mesma Igreja. Admito também a Sagrada Escritura naquele sentido em que é interpretada pela Santa Madre Igreja, a quem pertence julgar sobre o verdadeiro sentido e interpretação das Sagradas Escrituras. E jamais aceitá-la-ei e interpretá-la-ei senão conforme o consenso unânime dos Padres. Confesso também que são sete os verdadeiros e próprios sacramentos da Nova Lei, instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo, embora nem todos para cada um necessários, porém para a salvação do gênero humano. São eles: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema-Unção, Ordem e Matrimonio, os quais conferem a graça; mas não sem sacrilégio se fará a reiteração do Batismo, da Confirmação e da Ordem. Da mesma forma aceito e admito os ritos da Igreja Católica recebidos e aprovados para a administração solene de todos os supracitados sacramentos. Abraço e recebo tudo o que foi definido e declarado no Concílio Tridentino sobre o pecado original e a justificação. Confesso outrossim que na Missa se oferece a Deus um sacrifício verdadeiro, próprio e propiciatório pelos vivos e defuntos, e que no santo sacramento da Eucaristia estão verdadeira, real e substancialmente o Corpo e o Sangue com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, operando-se a conversão de toda a substância do pão no corpo, e de toda a substância do vinho no sangue; conversão esta chamada pela Igreja de transubstanciação. Confesso também que sob uma só espécie se recebe o Cristo todo inteiro e como verdadeiro sacramento. Sustento sempre que há um purgatório, e que as almas aí retidas podem ser socorridas pelos sufrágios dos fiéis; que os Santos, que reinam com Cristo, também devem ser invocados; que eles oferecem suas orações por nós, e que suas relíquias devem ser veneradas. Firmemente declaro que se devem ter e conservar as imagens de Cristo, da sempre Virgem Mãe de Deus, como também as dos outros Santos, e a eles se deve honra e veneração. Sustento que o poder de conceder indulgências foi deixado por Cristo à Igreja, e que o seu uso é muito salutar para os fiéis cristãos.Reconheço a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana, como Mestra e Mãe de todas as Igrejas. Prometo e Juro prestar verdadeira obediência ao Romano Pontífice, Sucessor de S. Pedro, príncipe dos Apóstolos e Vigário de Jesus Cristo [Romano Pontífice CATÓLICO]. Da mesma forma aceito e confesso indubitavelmente tudo o mais que foi determinado, definido e declarado pelos sagrados cânones, pelos Concílios Ecumênicos, especialmente pelo santo Concílio Tridentino. Condeno ao mesmo tempo, rejeito e ANATEMIZO as doutrinas contrárias e todas as heresias condenadas, rejeitadas e anatematizadas pela Igreja. Eu mesmo, N., prometo e juro com o auxílio de Deus conservar e professar íntegra e imaculada até ao fim de minha vida esta verdadeira fé católica, fora da qual não pode haver salvação, e que agora livremente professo. E quanto em mim estiver, cuidarei que seja mantida, ensinada e pregada a meus súditos ou àqueles, cujo cuidado por ofício me foi confiado. Que para isto me ajudem Deus e estes santos Evangelhos! Amém,

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Mitra ou Jesus?

Jesus imitou o Mitraísmo?

É o que perguntam os ateus e provaremos historicamente que não.

O mitraísmo é que copiou o uso de pão e vinho das cerimônias judaico-cristãs.

Por volta de 2000 a.C., o pão é o vinho já eram usados nas cerimônias de Melquisedeque, sacerdote do Deus Altíssimo: “Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, mandou trazer pão e vinho,” (Gênesis 14,18).

Melquesedeque é comparado a Cristo: “sem início de dias nem fim da vida, ele se assemelha ao Filho de Deus e permanece sacerdote para sempre.” (Hebreus 7,3)

O mitraísmo, fundado mais de 1500 anos depois, apenas copiou o uso de pão e vinho.
O mitraísmo (em persa: مهرپرستی) foi uma religião de mistérios nascida na época helenística (provavelmente no século II a.C.) no Mediterrâneo Oriental.
No mitraísmo consagrava-se o pão e a água, e bebia-se vinho, o vinho que simbolizava o sangue do touro morto por Mitra e comia-se a carne.
Mitra é um deus de forma humana. É representado sob a forma de um jovem montado em um touro e, com uma das mãos, empunha uma adaga para o degolar.

Só Jesus nasceu de uma virgem, o que era impossível para um deus falso.

750 anos antes de Cristo nascer, o profeta Isaías previu: uma virgem conceberá e dará
à luz um filho, e o chamará Deus conosco! (Isaias 7,14)

Mitra, deus petrógeno, não descende do Céu, e muito menos de uma virgem, pois surge miraculosamente de uma rocha, tendo em uma das mãos uma tocha luminosa e na outra, uma adaga. Nasceu adulto para brigar com um touro.

A estória de que Mitra teria nascido num dia 25 de dezembro não tem qualquer fundamento histórico. O Dr. Chris Forbes, Professor sênior no departamento de história antiga da Universidade de Macquarie, em Sidney, Austrália, afirma: “Não há referências antigas de que Mitra nasceu a 25 de Dezembro.”

Os rituais do mitraísmo nada tinham a ver com o cristianismo.

Os rituais iniciáticos do mitraísmo constavam da admissão dos fiéis por “inductio”. Antes de serem admitidos, os canditatos eram interrogados e sondados, informados num local distinto do templo. Em seguida, eram submetidos a uma série de provas, nus e com os olhos vendados, marchavam às apalpadelas diante de um mistagogo para finalizar se ajoelhando diante de um personagem que portava uma tocha diante de seus olhos. A seguir, com as mãos atadas às costas, colocavam de joelho no chão ao mesmo, tempo que um sacerdote cingia-lhes a cabeça com uma coroa. No final, prostravam-se como mortos.

Num determinado momento da evolução do mitraísmo introduz-se o rito do “taurobolium” ou “baptismo” dos fiéis com sangue de um touro, prática comum a outras religiões orientais. Graças a Tertuliano conhecem-se hoje as severas críticas cristãs a estas práticas.

Tertuliano também descreve o rito de iniciação do grau de Soldado (Miles). O candidato era “batizado” (talvez por imersão), sendo marcado com um ferro em brasa; era alvo de um teste, no qual se colocava uma coroa na sua cabeça que este deveria deixar cair, proclamando que Mitra era a sua coroa. Posteriormente os iniciados assistiam a uma morte ritual e simulada, cujo oficiante era um pater.

De acordo com Porfírio, no grau de Leo, colocava-se mel na boca dos recém-nascidos; para os iniciados adultos vertia-se mel sobre as suas mãos que estes lambiam em sinal de comunhão. Acredita-se que cada nível de iniciação teria o seu próprio ritual.

Lá no tempo de Moisés, antes de nascer a tataravó dos que iriam fundar a religião do falso deus Mitra, proclamava Deus no livro de Êxodo 28,4, citando a “mitra” como o chapéu que usariam seus sacerdotes:

“Estas são as vestes que deverão fazer: um peitoral, um efod, um manto, uma túnica bordada, uma mitra e um cinto. Farão essas vestes litúrgicas para teu irmão Aarão e seus filhos, para que sejam meus sacerdotes.”

“mitra” é um chapéu sacerdotal designado por Deus, no posterior mitraísmo virou “coroa”, e nome do próprio deus pagão.
O diabo não é nada criativo, o resto da confusão seus arautos continuam fomentando para confundir as almas.

Tertuliano (160-220), dizia que, o mitraísmo era inspirado pelo diabo que desejava zombar sobre os sacramentos dos cristãos com o intuito de levá-los para o inferno.

Agora sabemos quem copiou quem.

Cai a farsa!

Autor: Fernando Nascimento

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Fontes consultadas:

Sagradas Escrituras, (Gên 14,18), (Isaias 7,14), (Êxodo 28,4).

UNLANSEY, David, The Origins of the Mitraic Mysteries. Oxford Universit Press, New York, 1989.

WESTCOTT, W. Wynn, Ressemblances of Freemasonsy to the Cult of Mithra, Ars Quatuor Coranatorum, vol. XXIX, London, 1916.

http://fimdafarsa.blogspot.com.br/2012/03/jesus-imitou-mitra.html

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO?

Fora da Igreja há salvação?



DA SILVA (de Sorocaba) pergunta :

As pessoas que não são católicas vão para o inferno?



É tradicional dizer-se: “Fora da Igreja, não há salvação”. O axioma, à primeira vista, causa espanto a muitos, parecendo-lhes expressão de mentalidade estreita, pouco condizente com a Misericórdia de Deus. Devidamente entendida, porém, tal máxima desvenda um pouco da infinita Bondade do Criador.



Em análise sumária, a proposição acima quer dizer que não há salvação se não por meio do Cristo e da obra redentora de Cristo. Ora Cristo vive através dos séculos e se prolonga na Igreja, donde se segue que toda salvação se obtém por contato com a Igreja de Cristo. — Esta dedução é assaz lógica : se o Filho de Deus se dignou tornar-se o Salvador dos homens, compreende-se que não haja graça que não seja graça de Cristo, outorgada através do “Corpo de Cristo que é a Igreja” (cf. Col 1,29).



Dito isto, note-se que o indispensável contato com a Igreja de Cristo, longe de se estabelecer por uma só via, pode ser alcançado de diversas maneiras :



1) O modo mais óbvio é o da incorporação à Igreja mediante a recepção do batismo de água e dos demais sacramentos. A Igreja é, sim, uma sociedade visível (porque Cristo quis aparecer entre nós de forma sensível ou num corpo); é, pois, normal que os que a ela pertencem, manifestem por algum sinal exterior a sua pertinência à Igreja.



À categoria dos homens batizados se pode agregar a daqueles que, tendo tido conhecimento de Cristo e da sua Igreja, se preparam para receber o primeiro sacramento ; estes (catecúmenos), embora ainda não tenham o batismo de água, já possuem o desejo do mesmo (ou o batismo de desejo), desejo explícito, professado, em virtude do qual se salvam.



Contudo, fora dos que assim demonstram de algum modo pertencer à Igreja, contam-se outros muitos indivíduos, destituídos de qualquer vínculo externo com a Esposa de Cristo. Não obstante, pertencem-lhe sem que o saibam e sem que, por sua vez, Ela o saiba.



2) Com efeito, há uma forma invisível de fazer parte do Corpo Místico de Cristo.



Deus, em seus sábios desígnios, não julgou necessário fazer que todos os homens que vêm a este mundo cheguem ao conhecimento explicito de Cristo (tal é o caso, entre outros, dos milhões de pagãos que viveram e vivem nas selvas sem ver um missionário). O Senhor também permite que muitos dos que ouvem falar de Cristo e da sua Igreja (seja em terras incultas, seja em nossos países civilizados), o ouçam de maneira incompleta, lacônica ou não adaptada à sua psicologia, de sorte que, mesmo depois de ouvir a pregação da Igreja, não experimentam o “problema religioso”, não lhes aflora à consciência o dever de receber o sacramento do batismo; repelindo a Igreja, podem até julgar estar repelindo o erro.



Contudo nenhum desses homens é abandonado pela Providência. O verdadeiro e único Deus se lhes dá a conhecer de outro modo.



E como ?



No fundo de todo e qualquer individuo, faz-se ouvir um imperativo espontâneo : “Pratica o bem, evita o mal”. Este ditame supõe um Autor da Natureza humana capaz de lhe impor preceitos e sanção, pois tal imperativo antecede a deliberação do homem e o acompanha sempre, por muito que o indivíduo faça para o sufocar (excetuam-se apenas casos de extraordinário empedernimento voluntário). Assim quem, chegando à idade da razão, toma consciência desse imperativo fundamental e generalíssimo (e não há quem não o faça), toma ao mesmo tempo consciência, mais ou menos confusa, mais ou menos clara, de que Deus existe e é Remunerador dos que O temem. Ora a afirmação destas duas proposições é suficiente para a salvação eterna, pois nelas se acha compendiada toda a doutrina revelada (cf. Hebr 11,6). Se, pois, alguém com toda a boa fé segue a sua consciência, praticando tudo que esta lhe indica como “bem” e evitando tudo que ela aponta como “mal”, tal pessoa está seguindo a Deus ; por conseguinte, vai-se aproximando do único Deus e da bem-aventurança sobrenatural. Para uns, o ditame básico “Faze o bem, evita o mal” significará talvez seguir tudo que, em doutrina e moral, é ensinado pelo budismo ; para outros significará seguir o islamismo ; para terceiros, o protestantismo ou o espiritismo, etc. Se, porém, cada um dos adeptos desses credos, aderir com fidelidade e consciência absolutamente tranquila à sua religião, ele se encaminhará para o verdadeiro Deus. É Este mesmo que se lhes dá a conhecer e os chama por via daquela ideologia que em plena boa fé eles julgam ser verídica.



Diz-se então que tais pessoas possuem o batismo de desejo não explícito, mas implícito, pois, dotadas como se acham de sinceridade na procura de Deus, se viessem a saber que o Senhor fez do batismo sacramental e da pertinência à Igreja visível a via normal para chegar ao Criador, não hesitariam em pedir o sacramento. Repitamos, pois : se alguém, aderindo a uma ideologia não católica, reconhece que Deus existe e é providente, pode salvar-se, caso não tenha dúvida nenhuma sobre a veracidade de sua religião e pratique fielmente tudo que esta manda. Não seria demasiado, porém, frisar que, para conseguir em tais casos a vida eterna, é absolutamente necessário esteja a pessoa de boa fé, pois, desde que conceba alguma suspeita sobre a sua religião, não somente Deus, mas também a dignidade humana, exige que tal indivíduo procure sair da hesitação, investigando a verdade ; o homem, dotado de inteligência, é por sua natureza mesma movido a procurar em tudo a clareza; não lhe será licito, portanto, em matéria religiosa deixar-se ficar voluntariamente na penumbra ou nas trevas.



É assim que se entende que muitos e muitos indivíduos, embora não professem adesão à Igreja, a esta pertençam e por esta se salvem. Diz-se comumente que fazem parte não do corpo, mas da alma da Igreja — distinção pouco feliz, pois corpo e alma de um vivente são inseparáveis um do outro ; fale-se, antes, de pertinência visível e invisível à Igreja.



De quanto foi dito, seria totalmente falso deduzir que todas as religiões são boas... O homem foi feito para viver não somente da boa fé, mas da verdadeira fé, pois a apreensão da verdade é a primeira das exigências de sua natureza intelectiva (a luz necessária para se praticar o bem é a verdade). Ora a verdadeira fé só pode ser uma: será a que Deus mesmo se dignou revelar pelo monoteísmo judaico-cristão, que continua o monoteísmo primitivo da humanidade e se encontra na Igreja Católica, ininterruptamente apregoado desde Cristo e os Apóstolos. É normal, portanto, que o homem procure viver de boa fé dentro da verdadeira fé. A boa fé só supre a verdadeira fé, caso as pesquisas em demanda desta não sejam possíveis ao homem, por bem intencionado que esteja. Consciente disto, a Santa Igreja, tendo recebido de Cristo a ordem formal de ensinar a todos os povos (cf. Mt 28,19s), nutre continuamente o zelo de seus missionários.



Tais concepções foram ainda recentemente (8 de agosto de 1949) afirmadas pela S. Congregação do Santo Ofício. O ensejo disto foi o movimento excitado por duas entidades norte- americanas — o “St. Benedict Center” e o “Boston College” — em favor de uma interpretação mais estreita e rigorista do axioma “Fora da Igreja, não há salvação”. Cf. P. R. 47/1961.





Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

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